

	{"id":16635,"date":"2024-12-19T09:47:40","date_gmt":"2024-12-19T12:47:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16635"},"modified":"2024-12-24T09:48:20","modified_gmt":"2024-12-24T12:48:20","slug":"debate-com-a-esquerda-que-lamenta-a-queda-da-ditadura-de-al-assad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/12\/19\/debate-com-a-esquerda-que-lamenta-a-queda-da-ditadura-de-al-assad\/","title":{"rendered":"Debate com a esquerda que lamenta a queda da ditadura de Al-Assad"},"content":{"rendered":"<p><strong>(Introdu\u00e7\u00e3o e contexto: <\/strong>Reproduzimos em portugu\u00eas o texto \u201cOJS lamenta a ca\u00edda de Al-Assasd\u201d em que a organiza\u00e7\u00e3o Luta Internacionalista (se\u00e7\u00e3o espanhola da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional &#8211; UIT-QI) polemiza com a posi\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Juvenil Socialista (OJS) sobre a ca\u00edda da ditadura de Al-Assad na S\u00edria. A OJS \u00e9 parte de uma organiza\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter amplo do Estado Espanhol denominada \u201cMovimento Socialista\u201d, surgida no estado Basco, mas que \u00e9 composta por diversas organiza\u00e7\u00f5es a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da Corrente Socialista de Trabalhadores e Trabalhadoras (se\u00e7\u00e3o da\u00a0 UIT-QI), estivemos sempre ao lado do povo trabalhador na S\u00edria contra a ditadura de Al-Assad. Avaliamos que esse artigo de pol\u00eamica pode ser usado para o debate na esquerda brasileira sobre o car\u00e1ter do governo de Al-Assad, da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria e os atuais debates e desafios da classe trabalhadora e do povo sobre o futuro da S\u00edria e da regi\u00e3o em meio \u00e0s disputas interimperialistas e para o impulsionamento da resist\u00eancia palestina contra o genoc\u00eddio promovido pelo Estado sionista).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A OJS lamenta a ca\u00edda de Al-Assad<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Na an\u00e1lise da OJS, tudo se reduz a um \u201ctabuleiro geoestrat\u00e9gico regional e internacional\u201d. Uma vis\u00e3o que abandona totalmente o m\u00e9todo de an\u00e1lise do marxismo, baseado na luta de classe e na compreens\u00e3o das din\u00e2micas de opress\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o dos povos. N\u00e3o encontraremos nenhuma cr\u00edtica ao regime de Al-Assad. A OJS se limita a dizer que o regime colapsou \u201cdevido a ina\u00e7\u00e3o dos principais apoios (R\u00fassia e Ir\u00e3) que o sustentavam no poder apesar de toda a press\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar do bloco imperialista ocidental\u201d.<\/p>\n<p>Perguntamos: onde est\u00e3o os povos de S\u00edria? Onde est\u00e1 a luta de mais de 14 anos contra um regime que aprisionava seu povo e era uma ditadura sanguin\u00e1ria que produziu mais desaparecidos que os regimes de Videla (ex-ditador argentino) e Pinochet juntos? <strong>O regime, efetivamente, se sustentava no poder gra\u00e7as \u00e0 ajuda de R\u00fassia e Ir\u00e3, porque sozinho n\u00e3o podia conter sua juventude, sua classe trabalhadora, o povo curdo e outras minorias que sufocava debaixo de suas botas. <\/strong>As pessoas n\u00e3o s\u00e3o levados em conta pela OJS.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante que nos expliquem sobre \u201ctoda press\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar do bloco imperialista ocidental\u201d, supostamente imposto contra a S\u00edria de Al-Assad. O ex-ditador bombardeou impunemente com barris de dinamite os bairros oper\u00e1rios das grandes cidades s\u00edrias e utilizou armas qu\u00edmicas contra sua popula\u00e7\u00e3o. Diante disso, Obama (ex-presidente dos EUA), que havia amea\u00e7ado det\u00ea-lo, o que fez? Nada. A \u00fanica interven\u00e7\u00e3o militar do \u201cbloco imperialista ocidental\u201d na S\u00edria foi precisamente apoiar os curdos na sua luta contra o Estado Isl\u00e2mico, o que imaginamos que a OJS n\u00e3o questiona. Ou questiona? Politicamente, Al-Assad era um mal menor para este \u201cbloco imperialista ocidental\u201d, no qual tamb\u00e9m por certo est\u00e1 a Turquia, que \u00e9 membro da OTAN e que intervia militarmente no lado oposto dos EUA contra os curdos.<\/p>\n<p>As pessoas como n\u00f3s estavam em pris\u00f5es na S\u00edria comandada por Al-Assad, ou no ex\u00edlio, depois de tr\u00eas anos saindo \u00e0s ruas de forma massiva com a palavra de ordem \u201co povo quer a ca\u00edda do regime\u201d. Agora est\u00e3o voltando massivamente ao pa\u00eds. \u00c9 outra coisa que o \u201ctabuleiro da geopol\u00edtica\u201d n\u00e3o pode (ou n\u00e3o quer) explicar: para onde as pessoas est\u00e3o indo? As pessoas, hoje, est\u00e3o correndo para regressar \u00e0 S\u00edria, depois que caiu o ditador. Se a S\u00edria fosse o lugar t\u00e3o obscuro e dominado por jihadistas, como diz a OJS, as pessoas n\u00e3o correriam para voltar ao pa\u00eds. N\u00e3o pararam para pensar, nem sequer por um momento, que as pessoas em S\u00edria t\u00eam exatamente os mesmo anseios que n\u00f3s temos deste outro lado do mediterr\u00e1neo? Ou os povos de S\u00edria n\u00e3o merecem, depois de 50 anos de ditadura, libertar, abra\u00e7ar seus prisioneiros, chorar, enterrar seus mortos e ter a solidariedade do resto dos povos do mundo para materializar o sonho de um pa\u00eds com democracia e justi\u00e7a social? Este \u00e9 o problema desta esquerda de matriz estalinista que se converteu em porta-voz da \u201cgeopol\u00edtica\u201d, que em toda sua an\u00e1lise falta os atores mais importantes: os povos e as classes sociais. E quando a an\u00e1lise deles n\u00e3o se enquadra na realidade, ent\u00e3o distorcem a realidade ao inv\u00e9s de corrigir a an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Obviamente o caminho da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria est\u00e1 cheio de obst\u00e1culos, que devemos analizar e, desde uma perspectiva internacionalista, contribuir para que sejam superados na medida das nossas possibilidades. Isto n\u00e3o se faz negando a um povo o direito a se levantar contra uma ditadura, nem querendo dar aula a eles sobre tudo que pode dar errado. Avisa-nos a OJS de que o HTS (Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Levante), uma das fac\u00e7\u00f5es que liderou a ofensiva contra a Al-Assad, &#8220;re\u00fane \u00e0 sua volta numerosos componentes fundamentalistas das mais diversas origens (Chech\u00e9nia, Uzbequist\u00e3o, Alb\u00e2nia&#8230;)&#8221; e isso \u00e9 mais radical do que aquilo que a imprensa ocidental nos quer apresentar.<\/p>\n<p>Por que para o HTS a OJS tem essa caracteriza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a aplica tamb\u00e9m para qualificar o Hamas? O Hamas n\u00e3o \u00e9 menos \u201cfundamentalista\u201d, tem uma rela\u00e7\u00e3o direta com o HTS e imediatamente celebrou a queda do regime de Al-Assad. Tamb\u00e9m Hezbollah \u201co partido de Deus\u201d, que segundo a OJS \u00e9, junto com Hamas, uma \u201crefer\u00eancia pol\u00edtica para os oprimidos da regi\u00e3o\u201d1, sem qualquer considera\u00e7\u00e3o por seu programa confessional.<\/p>\n<p>A OJS tampouco faz refer\u00eancia ao car\u00e1ter \u201cfundamentalista\u201d e reacion\u00e1rio do regime dos aiatol\u00e1s do Ir\u00e3, contra quem as mulheres iranianas e os povos se levantaram com o movimento \u201cMulher, vida e liberdade\u201d para denunciar o assassinato da jovem curda Mahsa Gina Amini em dezembro de 2021. Para n\u00f3s da UIT-QI, o Hamas e o Hezbollah, apesar de seu programa ser reacion\u00e1rio, tem sido refer\u00eancias para a luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional dos povos da regi\u00e3o. Por que n\u00e3o se pode aplicar a mesma l\u00f3gica aos islamistas s\u00edrios? N\u00e3o confiamos que estas dire\u00e7\u00f5es possam levar seus povos at\u00e9 a vit\u00f3ria, mas n\u00e3o as denunciamos como \u201cjihadistas\u201d: dizemos que s\u00e3o pequeno-burguesas e que tem um programa reacion\u00e1rio, ao inv\u00e9s de nos deixarmos levar pela onda islamof\u00f3bica. E quando eles se levantam contra as ditaduras e o imperialismo, n\u00f3s o reconhecemos, tentando construir lideran\u00e7as verdadeiramente emancipat\u00f3rias na batalha. <strong>Uma luta nunca \u00e9 vencida sacrificando outra, como o OJS faz com os povos do Ir\u00e3 ou da S\u00edria.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Al\u00e9m disso, a OJS nos diz que &#8220;o HTS tem o apoio ativo ou mant\u00e9m v\u00ednculos com a Ar\u00e1bia Saudita, Inglaterra, Estados Unidos, Turquia e Israel&#8221;. Como eles provam isso? N\u00e3o provam, \u00e9 apenas uma narrativa para encaixar seu esquema de \u201ccampos\u201d. O HTS \u00e9 um aliado do Hamas e de Israel? E mais piruetas: Israel est\u00e1 bombardeando a S\u00edria agora mesmo que seus &#8220;aliados&#8221; chegaram ao poder? Desde 1974, quando em Genebra o Estado de Israel assinou um acordo de n\u00e3o beliger\u00e2ncia com a S\u00edria dos al-Assads (que nunca disparou uma \u00fanica bala contra o Estado sionista), com a ren\u00fancia pr\u00e1tica das Colinas de Gol\u00e3 ocupadas, Israel nunca bombardeou e penetrou no territ\u00f3rio s\u00edrio como fez agora: eles se apressam em destruir as armas qu\u00edmicas e os arsenais do regime de al-Assad. Enquanto estavam nas m\u00e3os do regime de al-Assad, eles n\u00e3o eram problema para Israel, pois estes sabiam que Al-Assad s\u00f3 utilizaria essas armas contra seu pr\u00f3prio povo. Agora Benjamin Netanyahu corre para destrui-las pois n\u00e3o ter certeza que possam vir a ser usadas contra o estado sionista de Israel.<\/p>\n<p>O interesse da Turquia n\u00e3o era a queda de al-Assad, mas liquidar os curdos, os quais atacou junto com o Ex\u00e9rcito Nacional S\u00edrio (SNA), o\u00a0 qual controla. Em plena ofensiva rebelde, a 17 de Dezembro, a Turquia reuniu-se com a R\u00fassia e Teer\u00e3o em Doha e apelou \u00e0 suspens\u00e3o imediata da ofensiva e ao in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es com o regime. O ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores turco declarou: &#8220;Tentamos evitar o colapso do regime, mas n\u00e3o conseguimos&#8221;2. A lideran\u00e7a curda do YPG, que havia concordado com uma pol\u00edtica de n\u00e3o agress\u00e3o com o regime de al-Assad, estava ao mesmo tempo armada e operava com as tropas dos EUA implantadas na S\u00edria (eles ainda mant\u00eam 900 soldados). Os EUA apoiam o YPG curdo porque precisam de algu\u00e9m para impedir que o ISIS ameace derrubar o governo de ocupa\u00e7\u00e3o iraquiano. Esses interesses conflitantes entre a Turquia e os EUA levaram a atritos entre os dois aliados da OTAN. Por que o OJS nem sequer menciona a rela\u00e7\u00e3o do YPG com o imperialismo dos EUA? N\u00e3o cabe na tentativa de conseguir desenhar dois blocos ou campos atuando na S\u00edria! Defendemos que os povos obtenham as armas onde puderem, mas n\u00e3o apoiamos a presen\u00e7a de tropas norte-americanas operando com o YPG ou com as do imperialismo russo, agora e antes. O OJS tamb\u00e9m ignora que a lideran\u00e7a curda comemorou a queda do regime e que est\u00e1 em di\u00e1logo com o HTS sobre o futuro da S\u00edria. Esperemos que o que deveria ter acontecido anos atr\u00e1s aconte\u00e7a agora: um acordo entre as for\u00e7as \u00e1rabes que se op\u00f5em \u00e0 ditadura e os curdos para encontrar uma sa\u00edda onde todos os povos da S\u00edria vejam seus direitos nacionais respeitados.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do OJS \u00e9 que: &#8220;A vit\u00f3ria da oposi\u00e7\u00e3o sobre al-Assad pode ser entendida como um ganho para o bloco imperialista ocidental e para a estrat\u00e9gia dos EUA de desestabilizar e mergulhar no caos todas as regi\u00f5es que poderiam facilitar a forma\u00e7\u00e3o de p\u00f3los alternativos ao seu poder hegem\u00f4nico&#8221;. Assim, estar\u00edamos diante de uma estrat\u00e9gia calculada das pot\u00eancias ocidentais para desestabilizar a regi\u00e3o &#8220;em detrimento de seus inimigos declarados: China, Ir\u00e3, R\u00fassia e seus aliados&#8221;. \u00c9 claro que a queda do regime s\u00edrio enfraquece a posi\u00e7\u00e3o regional do Ir\u00e3 e da R\u00fassia. Com o mundo dividido em blocos, para OJS o que um perde, o outro ganha. Nessa an\u00e1lise n\u00e3o tem nenhum fio de luta de classes e povos oprimidos. Os povos e a classe trabalhadora que t\u00eam que viver no suposto bloco oposto ao imperialismo ocidental est\u00e3o perdidos, porque ter\u00e3o que renunciar aos seus interesses de classe e, como povos oprimidos, aos interesses do conselho do bloco. A mesma l\u00f3gica se aplica na Ucr\u00e2nia: os ucranianos devem se sacrificar no altar da geopol\u00edtica e se deixar invadir pelo imperialismo russo, que supostamente est\u00e1 se &#8220;defendendo&#8221; da OTAN. Essa posi\u00e7\u00e3o tem a ver com a tradi\u00e7\u00e3o do marxismo e do leninismo? N\u00e3o.<\/p>\n<p>De fato, um dos espelhos em que devemos ver como a nova situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria afeta \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 luta imperialista estrat\u00e9gica na regi\u00e3o: o genoc\u00eddio sionista do povo palestino. De acordo com o OJS, serviria para &#8220;isolar ainda mais a resist\u00eancia palestina em Gaza e na Cisjord\u00e2nia&#8221;. Por enquanto, o Hamas celebrou a queda do ditador e a Frente Popular Palestina, que tamb\u00e9m deu as costas \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, agora tamb\u00e9m mudou sua vis\u00e3o e comemorou sua queda. Al-Assad era uma garantia de estabilidade da fronteira norte de Israel. Sua queda \u00e9 um novo \u201c7 de outubro\u201d que reativa a luta de classes na regi\u00e3o, que longe de isolar a resist\u00eancia palestina, abre uma nova oportunidade. Uma oportunidade em que todos os povos da regi\u00e3o ter\u00e3o mais uma vez a esperan\u00e7a de uma mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria, que possa derrotar os regimes do Egito, Jord\u00e2nia e Ir\u00e3, todos eles traidores da causa palestina e opressores de seus povos.<\/p>\n<p>Depois do \u201c7 de outubro\u201d, a frente liderada pelo Hamas em Gaza chamou a um renascimento da luta contra Israel. Nem o Hezbollah, nem o Ir\u00e3, muito menos a S\u00edria, responderam adequadamente. O futuro do povo palestino n\u00e3o est\u00e1 em jogo no balc\u00e3o geoestrat\u00e9gico do OJS. Se fosse neste tabuleiro de xadrez, a luta palestina estaria perdida. Os interesses geoestrat\u00e9gicos e as tens\u00f5es entre o imperialismo norte-americano e o imperialismo russo ou chin\u00eas, que existem, est\u00e3o subordinados \u00e0 luta de classes, ao confronto em cada Estado e em escala internacional entre a classe trabalhadora e os setores populares contra a burguesia, e na din\u00e2mica entre povos e setores sociais de oprimidos e opressores.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria da oposi\u00e7\u00e3o abre uma nova possibilidade, como a lideran\u00e7a curda tamb\u00e9m reconhece. E \u00e9 por isso que n\u00e3o preocupa s\u00f3 a Turquia, que quer a destrui\u00e7\u00e3o do Curdist\u00e3o, mas tamb\u00e9m preocupa a R\u00fassia, que v\u00ea em perigo \u00e0s suas bases estrat\u00e9gicas, ou o Ir\u00e3, que est\u00e1 a perder um aliado na regi\u00e3o. A vit\u00f3ria rebelde preocupa os EUA e seu aliado Israel, o que explica esses ataques n\u00e3o vistos nos \u00faltimos 50 anos. Porque todos temem um processo popular que nasceu de uma revolu\u00e7\u00e3o de massas nas ruas s\u00edrias, que levantou comit\u00eas populares em todos os lugares e que pode faz\u00ea-lo novamente.<\/p>\n<p>A queda do regime do ditador \u00e9 uma oportunidade para o povo s\u00edrio, protagonista ausente da an\u00e1lise do OJS. Como em qualquer processo pol\u00edtico, o futuro n\u00e3o est\u00e1 escrito. Mas n\u00f3s, revolucion\u00e1rios, n\u00e3o nos envolvemos em especula\u00e7\u00f5es, assim como n\u00e3o o fazemos sobre quais s\u00e3o as possibilidades para o povo palestino. Enquanto o povo resiste, estamos com todas as nossas for\u00e7as do seu lado. Ningu\u00e9m pode dizer com certeza como isso vai acabar, mas ningu\u00e9m pode questionar sua legitimidade. Trabalhamos com a esquerda s\u00edria que esteve com a revolu\u00e7\u00e3o de 2011, fazemos isso com a resist\u00eancia do povo palestino e liban\u00eas apesar de termos importantes diverg\u00eancias com suas lideran\u00e7as, tamb\u00e9m apoiamos a resist\u00eancia do povo curdo contra a agress\u00e3o turca, seja no Estado turco ou na S\u00edria. A solidariedade internacionalista \u00e9 essencial porque n\u00e3o s\u00e3o apenas as armas que decidem os conflitos, mas tamb\u00e9m os povos.<\/p>\n<p>Lenin j\u00e1 advertiu em uma carta comovente \u00e0 classe trabalhadora americana em 1918:<\/p>\n<p>&#8220;Quem quer que &#8216;admita&#8217; a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria apenas &#8216;sob a condi\u00e7\u00e3o&#8217; de que ela se desenvolva clara e claramente (&#8230;) que h\u00e1 uma garantia pr\u00e9via de vit\u00f3ria, que o caminho da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 largo, reto e livre de obst\u00e1culos, que para vencer n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio passar \u00e0s vezes pelos sacrif\u00edcios mais dolorosos, para &#8220;resistir em uma fortaleza sitiada&#8221; ou para abrir caminho pelos caminhos de montanha mais tortuosos, estreitos, impratic\u00e1veis e perigosos, este n\u00e3o \u00e9 um revolucion\u00e1rio,\u00a0 nem se libertou do pedantismo intelectual burgu\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>17\/12\/2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Introdu\u00e7\u00e3o e contexto: Reproduzimos em portugu\u00eas o texto \u201cOJS lamenta a ca\u00edda de Al-Assasd\u201d em que a organiza\u00e7\u00e3o Luta Internacionalista (se\u00e7\u00e3o espanhola da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional &#8211; UIT-QI) polemiza com a posi\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Juvenil Socialista (OJS) sobre a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16635","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16635\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}