

	{"id":16651,"date":"2020-04-24T11:01:17","date_gmt":"2020-04-24T14:01:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16651"},"modified":"2024-12-24T11:01:58","modified_gmt":"2024-12-24T14:01:58","slug":"as-rebelioes-no-norte-da-africa-e-no-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/04\/24\/as-rebelioes-no-norte-da-africa-e-no-oriente-medio\/","title":{"rendered":"As rebeli\u00f5es no norte da \u00c1frica e no Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entrevista com Joseph Daher, membro da rede da Alian\u00e7a dos Socialistas do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Joseph Daher \u00e9 um ativista socialista su\u00ed\u00e7o-s\u00edrio, acad\u00eamico e fundador do blog Syria Freedom Forever. Ele \u00e9 autor de &#8220;Hezbollah: political economy of the party of God&#8221; (Pluto Press, 2016) e &#8220;Syria after the uprisings, the political economy of state resistance&#8221; (Pluto Press e Haymarket, 2019). Entrevista conduzida em Barcelona por Cristina MAS, da Lucha Internacionalista da UIT-CI.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s o esmagamento da onda revolucion\u00e1ria de 2011 na S\u00edria, no Egito, no Bahrein, no I\u00eamen ou na L\u00edbia, vemos movimentos populares sem precedentes na Arg\u00e9lia, no Sud\u00e3o, no L\u00edbano ou no Iraque. \u00c9 um segundo ato?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Certamente \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o dos processos revolucion\u00e1rios que come\u00e7aram em 2010-2011. Esses s\u00e3o processos de longo prazo, portanto, haver\u00e1 altos e baixos. No final de 2018, est\u00e1vamos enfrentando um esmagamento geral do processo revolucion\u00e1rio e, nos primeiros meses de 2019, vimos a queda de dois ditadores, Omar el-B\u00e9chir, no Sud\u00e3o, e Bouteflika, na Arg\u00e9lia. E em outubro, revoltas populares muito importantes no Iraque e no L\u00edbano, desafiando tanto o sistema sect\u00e1rio quanto o sistema econ\u00f4mico neoliberal. Em todos esses processos, h\u00e1 as mesmas motiva\u00e7\u00f5es: a rejei\u00e7\u00e3o do autoritarismo, \u00e9 claro, mas tamb\u00e9m a rejei\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais e de austeridade nesses pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 claro que h\u00e1 diferen\u00e7as entre esses processos, mas tamb\u00e9m h\u00e1 elementos em comum. Quais setores s\u00e3o protagonistas das mobiliza\u00e7\u00f5es?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o os trabalhadores, do setor formal ou informal, funcion\u00e1rios do servi\u00e7o p\u00fablico e parte da classe m\u00e9dia empobrecida tamb\u00e9m. Esse \u00e9 o corpo principal. Isso n\u00e3o impede que existam alguns setores da burguesia que, por seus pr\u00f3prios interesses, tentar\u00e3o se beneficiar dessas revoltas populares.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 uma din\u00e2mica mais geral que responde \u00e0 crise econ\u00f4mica internacional?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sem d\u00favida. Vemos isso no L\u00edbano e no Chile. Ambas as revoltas populares eclodiram em face de novos impostos regressivos. H\u00e1 tamb\u00e9m as quest\u00f5es relacionadas ao direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, \u00e0 soberania popular: estou em Barcelona e me solidarizo com os companheiros catal\u00e3es e da Catalunha, mas tamb\u00e9m vemos, por exemplo, em Hong Kong, o desejo por mais democracia, e tamb\u00e9m encontramos esse desejo de soberania popular nos pa\u00edses da regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e do Norte da \u00c1frica. \u00c9 uma crise mais profunda do neoliberalismo, d\u00e9cadas da chamada pol\u00edtica de ajuste estrutural, um eufemismo para pol\u00edticas de austeridade e privatiza\u00e7\u00e3o, para a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. E isso n\u00f3s vimos em toda parte, do Haiti \u00e0 Fran\u00e7a, com os coletes amarelos. Fukuyama anunciou o fim da hist\u00f3ria&#8230; pelo contr\u00e1rio: n\u00e3o se trata de uma vit\u00f3ria do neoliberalismo, houve uma crise fundamental do sistema neoliberal desde 2008. Por outro lado, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa hegemonia da crise do neoliberalismo e de sua classe dominante n\u00e3o beneficiou necessariamente a esquerda radical. E, infelizmente, estamos vendo a ascens\u00e3o de grupos de extrema direita e fundamentalistas religiosos. Ainda n\u00e3o vemos a esquerda radical se beneficiando dessa crise hegem\u00f4nica do neoliberalismo e de sua classe dominante. A necessidade de criar uma alternativa pol\u00edtica, uma lideran\u00e7a, um programa inclusivo, social, econ\u00f4mico, anticapitalista e democr\u00e1tico que leve em conta os problemas de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o sem diferenci\u00e1-los. E esse \u00e9 o verdadeiro desafio para a esquerda radical em todo o mundo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que li\u00e7\u00f5es voc\u00ea tira dos processos revolucion\u00e1rios de 2011 no Oriente M\u00e9dio e no Norte da \u00c1frica?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vimos uma explos\u00e3o popular sem precedentes, movimentos revolucion\u00e1rios, embora agora seja dif\u00edcil reconhec\u00ea-los ap\u00f3s as guerras e interven\u00e7\u00f5es. Mas o que caracteriza um processo revolucion\u00e1rio \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o das massas por meio de canais n\u00e3o institucionais e, \u00e0s vezes, situa\u00e7\u00f5es de poder duplo. Isso aconteceu em alguns pa\u00edses, em graus variados, n\u00e3o em todos os lugares, mas teve um eco regional e internacional. Seguiram-se os movimentos populares na \u00c1frica Subsaariana, o movimento Occupy, o 15-M na Espanha. E isso nos lembrou de que as revolu\u00e7\u00f5es existem, que podemos ter mudan\u00e7as de baixo para cima, com milh\u00f5es de pessoas se organizando por meio de greves ou manifesta\u00e7\u00f5es. Por outro lado, a li\u00e7\u00e3o \u00e9 que sem organiza\u00e7\u00f5es de massa, seja de trabalhadores, feministas, um partido que ofere\u00e7a uma alternativa pol\u00edtica, uma perspectiva pol\u00edtica para as classes trabalhadoras, \u00e9 muito dif\u00edcil ver uma mudan\u00e7a de regime. Porque a queda da cabe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 suficiente: na Tun\u00edsia, no Egito, a cabe\u00e7a caiu, mas n\u00e3o houve mudan\u00e7a radical. Pelo contr\u00e1rio, no Egito, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior do que sob Mubarak.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, na realidade, o desafio da esquerda radical era criar as condi\u00e7\u00f5es para ajudar a auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em todos os n\u00edveis e, nesse contexto, acho que h\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o a ser aprendida. Se a Tun\u00edsia e o Sud\u00e3o est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o menos ruim, \u00e9 porque, na minha opini\u00e3o, h\u00e1 dois pilares importantes: um movimento trabalhista organizado (e, \u00e9 claro, devemos citar seus limites de lideran\u00e7a reformista e nacionalista, mas a UGTT e o Rally dos Profissionais Sudaneses t\u00eam desempenhado um papel de lideran\u00e7a at\u00e9 hoje na defesa dos direitos democr\u00e1ticos e sociais) e um movimento de mulheres, que em ambos os pa\u00edses tamb\u00e9m desempenhou um papel muito importante. Eles j\u00e1 obtiveram vit\u00f3rias significativas. Na S\u00edria, vemos que a aus\u00eancia de sindicatos organizados e de movimentos feministas de massa desempenhou um papel negativo, embora houvesse situa\u00e7\u00f5es de poder duplo, muito mais pronunciadas: o Estado havia desaparecido e vimos comit\u00eas de coordena\u00e7\u00e3o local, conselhos locais, mas isso n\u00e3o era suficiente e eles eram muito limitados em termos de seu car\u00e1ter democr\u00e1tico e da participa\u00e7\u00e3o de mulheres ou minorias.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 uma quest\u00e3o em n\u00edvel internacional, porque frequentemente vemos nos movimentos populares a rejei\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es que afirmam que a &#8220;horizontalidade&#8221; seria mais democr\u00e1tica. E vemos que n\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, isso n\u00e3o \u00e9 democracia. A democracia tamb\u00e9m \u00e9 a capacidade de organizar os trabalhadores, de ter essa perspectiva al\u00e9m da simples espontaneidade, que \u00e9 absolutamente necess\u00e1ria, \u00e9 claro, mas n\u00e3o suficiente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como voc\u00ea v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Absolutamente catastr\u00f3fica. A guerra continua. As ofensivas militares do desp\u00f3tico e criminoso regime militar s\u00edrio de Assad, com a ajuda da R\u00fassia e do Ir\u00e3, deslocaram mais de 700.000 pessoas em Idlib. Mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria vive abaixo da linha da pobreza: sem ajuda humanit\u00e1ria, sem o dinheiro que recebem de parentes refugiados, seria muito dif\u00edcil para eles sobreviverem. A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel. Um d\u00f3lar passou de 52 libras s\u00edrias para mais de 1.000, uma terr\u00edvel desvaloriza\u00e7\u00e3o do poder de compra e, portanto, uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica absolutamente catastr\u00f3fica. Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 deslocada dentro ou fora do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 v\u00e1rios anos existe um consenso internacional de que Assad deve permanecer, o que significa que, infelizmente, o regime continua em vigor gra\u00e7as \u00e0 assist\u00eancia pol\u00edtica, militar e econ\u00f4mica da R\u00fassia e do Ir\u00e3, mas tamb\u00e9m \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses em n\u00edvel regional e internacional. Dito isso, ele sofre de contradi\u00e7\u00f5es importantes: entre os setores que permaneceram passivos ou mesmo dentro de sua pr\u00f3pria base, muitos criticam o papel das mil\u00edcias que continuam a sequestrar&#8230; Vimos em janeiro manifesta\u00e7\u00f5es em Soueida para protestar contra a crise econ\u00f4mica e a falta de servi\u00e7os. Vemos que em Deraa, que voltou ao controle do regime em 2018, ainda h\u00e1 resist\u00eancia porque v\u00e1rias brigadas armadas da oposi\u00e7\u00e3o conseguiram manter suas armas e o chamado processo de reconcilia\u00e7\u00e3o deu muito errado, e houve assassinatos. Nos \u00faltimos seis meses, houve mais de cem atos de resist\u00eancia com protestos e manifesta\u00e7\u00f5es na cidade. Isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Tamb\u00e9m em \u00e1reas que foram tomadas pelo regime, porque ele n\u00e3o oferece servi\u00e7os, e ainda h\u00e1 pris\u00f5es, etc. H\u00e1 pessoas que saem \u00e0 noite para pintar picha\u00e7\u00f5es contra o regime nas ruas de Damasco. Mas mesmo dentro da base lealista, muitos criticam o regime porque a situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica \u00e9 catastr\u00f3fica. Houve uma tentativa de pequenos comerciantes em Latakia de realizar uma esp\u00e9cie de greve no final de dezembro para protestar contra a desvaloriza\u00e7\u00e3o da libra esterlina, que foi reprimida pelos servi\u00e7os de seguran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo que o regime tenha conseguido sobreviver, ele sofreu enormes contradi\u00e7\u00f5es. Mas, novamente, todas essas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o completamente separadas, elas n\u00e3o t\u00eam uma din\u00e2mica comum. Essas diferentes din\u00e2micas devem se unir, mas isso requer organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o estabelecimento de sindicatos independentes. E, diante de um regime t\u00e3o repressivo, isso \u00e9 muito, muito complicado. Grande parte dos ativistas est\u00e1 no exterior, s\u00e3o refugiados no ex\u00edlio, muitas vezes em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O aspecto positivo \u00e9 que h\u00e1 um ac\u00famulo de experi\u00eancia pol\u00edtica na regi\u00e3o. Tamb\u00e9m temos que aprender com nossos erros e construir no futuro, espero, uma nova resist\u00eancia com essa experi\u00eancia acumulada. E a diferen\u00e7a na S\u00edria em rela\u00e7\u00e3o aos anos 70 e 80 \u00e9 o fato de que havia muito mais organiza\u00e7\u00f5es radicais de esquerda, muito mais sindicatos independentes organizados, mas essa mem\u00f3ria havia desaparecido em grande parte entre os jovens ativistas. Esse n\u00e3o ser\u00e1 o caso agora. Agora h\u00e1 muito mais publica\u00e7\u00f5es e mem\u00f3rias sobre essa resist\u00eancia civil, especialmente entre 2011 e 2013, que foi muito, muito importante na S\u00edria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para n\u00f3s, que apoiamos os revolucion\u00e1rios s\u00edrios desde o in\u00edcio, quais s\u00e3o, em sua opini\u00e3o, as tarefas mais importantes agora?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Temos de manter a press\u00e3o sobre o regime em n\u00edvel internacional. Os regimes ocidentais podem se aproximar do regime s\u00edrio em cinco anos ou menos. Manter a press\u00e3o, em especial sobre a situa\u00e7\u00e3o dos prisioneiros pol\u00edticos e das pessoas desaparecidas, \u00e9 absolutamente essencial. Na Alemanha, no final de 2019, ex-membros dos servi\u00e7os de seguran\u00e7a da S\u00edria foram processados por seus crimes. N\u00e3o pode haver impunidade, nem para os criminosos do regime s\u00edrio nem para os das for\u00e7as fundamentalistas. Al\u00e9m disso, devemos vincular as lutas a tudo relacionado aos refugiados. A Uni\u00e3o Europeia continuar\u00e1 a pagar bilh\u00f5es de euros \u00e0 Turquia para fechar as fronteiras. E a chamada luta contra o terrorismo serve para atacar os direitos democr\u00e1ticos de todos. Temos que conectar essas lutas porque um refugiado s\u00edrio que chega \u00e0 Europa com direitos limitados n\u00e3o poder\u00e1 atuar politicamente. H\u00e1 um ataque, em geral, n\u00e3o apenas contra os direitos socioecon\u00f4micos na Europa, mas tamb\u00e9m contra os direitos democr\u00e1ticos, como vemos na Fran\u00e7a contra os coletes amarelos. O internacionalismo n\u00e3o \u00e9 apenas uma palavra bonita, mas uma necessidade pol\u00edtica. Dizer que os imperialistas n\u00e3o s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o, acho que essa \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es que muitos s\u00edrios aprenderam. Porque as promessas dos governos ocidentais, das monarquias do Golfo ou da Turquia foram tra\u00eddas. Isso n\u00e3o \u00e9 uma surpresa para n\u00f3s, pois sab\u00edamos que eles seriam usados como pe\u00f5es. Temos de mostrar que os \u00fanicos aliados dos s\u00edrios s\u00e3o as classes populares em n\u00edvel internacional.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um acordo entre os rebeldes e os curdos na S\u00edria poderia ter mudado o destino da guerra.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 poss\u00edvel criticar a lideran\u00e7a do PYD nas diferentes escolhas pol\u00edticas que eles fizeram desde o in\u00edcio do processo s\u00edrio e, ao mesmo tempo, apoiar totalmente a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo curdo na S\u00edria, Turquia, Ir\u00e3 e Iraque. Pode-se criticar, por exemplo, o fato de que eles acreditaram na ilus\u00e3o de que a R\u00fassia poderia ajudar a encontrar uma solu\u00e7\u00e3o. Alguns acreditavam que os EUA n\u00e3o os abandonariam. Os EUA est\u00e3o mais pr\u00f3ximos de Barzani, que \u00e9 um l\u00edder reacion\u00e1rio e feudal do Curdist\u00e3o iraquiano. Eles n\u00e3o os apoiaram no referendo sobre a independ\u00eancia. Pelo contr\u00e1rio, deixou que eles fossem esmagados pelas for\u00e7as pr\u00f3-iranianas sob o comando de Soleimani. Essa \u00e9 uma cr\u00edtica leg\u00edtima a qualquer movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional. A hist\u00f3ria nos mostrou que n\u00e3o devemos apoiar de forma acr\u00edtica nenhum movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional, como vimos no caso da Palestina e de tantos outros.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, no caso da S\u00edria, temos de levar em conta o problema de por que o PYD n\u00e3o quis colaborar com parte da lideran\u00e7a pol\u00edtica s\u00edria liberal ligada \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana e \u00e0 Turquia, o pior inimigo dos curdos. A &#8220;hist\u00f3ria&#8221; mostrou a eles que n\u00e3o estavam t\u00e3o errados. Desde os primeiros dias, at\u00e9 mesmo levantar a bandeira curda levantou problemas, falando sobre federalismo, uma solu\u00e7\u00e3o que eu apoio de um estado federal na S\u00edria e que foi rejeitada at\u00e9 mesmo pela esquerda s\u00edria, que \u00e9 muito nacionalista \u00e1rabe. Portanto, a responsabilidade pol\u00edtica n\u00e3o pode ser atribu\u00edda, em primeiro lugar, \u00e0 minoria, mas \u00e0 maioria, que \u00e9 a maioria \u00e1rabe. Eles apoiaram o slogan de que o PYD \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista como o PKK, apoiaram a ocupa\u00e7\u00e3o da Turquia, que causou a mudan\u00e7a demogr\u00e1fica. Eles apoiaram Erdogan e suas medidas autocr\u00e1ticas. O PYD apoiou a interven\u00e7\u00e3o russa na S\u00edria em 2015, supostamente contra organiza\u00e7\u00f5es terroristas, embora tenha se concentrado inicialmente nas fac\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devemos criticar, por exemplo, certos aspectos autorit\u00e1rios do PYD que prenderam ativistas pr\u00f3-democracia, curdos e outros. Mas, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m devemos reconhecer seus aspectos positivos. O fato de que os curdos podem governar a si mesmos em certas \u00e1reas com maioria curda. Os direitos das mulheres e a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a inclus\u00e3o parcial de minorias em um programa secular n\u00e3o s\u00e3o desprez\u00edveis, especialmente em tempos de guerra.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, como s\u00edrio &#8220;\u00e1rabe&#8221;, apoio a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo curdo. Antes de mais nada, devo ser muito cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maioria da oposi\u00e7\u00e3o, que tem sido chauvinista, quase pior do que o regime em muitos aspectos, e que, historicamente, tem havido um problema com o povo curdo na S\u00edria desde a independ\u00eancia e que nosso apoio ao direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o deve ser muito claro. E, desde ent\u00e3o, se tivermos essa posi\u00e7\u00e3o, poderemos entrar em debate com a lideran\u00e7a pol\u00edtica curda e criticar o que n\u00e3o est\u00e1 funcionando.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Escrevi em 2014 que o destino da autodetermina\u00e7\u00e3o do povo curdo estava ligado \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria. Infelizmente, \u00e9 isso que est\u00e1 acontecendo. Todas as reivindica\u00e7\u00f5es do PYD foram rejeitadas pelo regime de Damasco. O regime s\u00edrio est\u00e1 esperando as amea\u00e7as da Turquia para dizer &#8220;se voc\u00eas n\u00e3o vierem conosco, sofrer\u00e3o uma mudan\u00e7a demogr\u00e1fica&#8221;. \u00c9 verdade que isso \u00e9 assustador. 150.000 curdos foram deslocados e, em outras regi\u00f5es, foram substitu\u00eddos por popula\u00e7\u00f5es \u00e1rabes. Infelizmente, o futuro \u00e9 muito sombrio. Como o restante da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria em Idleb, as perspectivas s\u00e3o sombrias. E o fato de que, como voc\u00ea disse, essa alian\u00e7a n\u00e3o foi feita \u00e9 um problema real. Temos que aprender com os erros do passado. \u00c9 por isso que precisamos dessa alternativa pol\u00edtica que vincule a luta contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o a uma perspectiva de classe. Uma alternativa pol\u00edtica socialista, mas tamb\u00e9m secular e feminista, que leve em conta a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vamos ao L\u00edbano: uma revolu\u00e7\u00e3o por um imposto sobre o WhatsApp?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa foi a gota d&#8217;\u00e1gua. No L\u00edbano, os pre\u00e7os das telecomunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito, muito caros. Portanto, o WhatsApp era o \u00fanico sistema gratuito. \u00c9 preciso saber que as telecomunica\u00e7\u00f5es sempre foram um bolo nas m\u00e3os da elite pol\u00edtica libanesa: h\u00e1 fundos que desapareceram, ent\u00e3o foi um pouco simb\u00f3lico. Mas \u00e9 claro que os motivos s\u00e3o muito mais profundos: uma crise socioecon\u00f4mica muito s\u00e9ria, quase 30% de desemprego, mais de 35% entre os menores de 35 anos, incluindo muitos graduados. Alguns foram para o Golfo em busca de trabalho. Desde outubro, a situa\u00e7\u00e3o tem sido ainda pior. H\u00e1 mais de 200.000 pessoas que perderam seus empregos ou viram seus sal\u00e1rios ca\u00edrem. A taxa de pobreza est\u00e1 em torno de 30%, com diferen\u00e7as regionais muito significativas: o norte, Tr\u00edpoli e seus distritos s\u00e3o os mais empobrecidos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o sistema neoliberal, imposto desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, que beneficiou uma pequena elite por meio de medidas de austeridade, tributa\u00e7\u00e3o regressiva etc. O interessante \u00e9 que o movimento vincula a crise e as pol\u00edticas neoliberais ao sistema pol\u00edtico sect\u00e1rio. As elites pol\u00edticas libanesas neoliberais e confessionais usam o neoliberalismo para privatizar determinados setores da economia e tamb\u00e9m para dar recursos estatais \u00e0 sua base clientelista.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desta vez, o movimento de protesto liban\u00eas \u00e9 muito mais descentralizado e muito mais popular. H\u00e1 uma presen\u00e7a muito maior da classe trabalhadora em compara\u00e7\u00e3o com os movimentos de protesto de 2015 ou 2011, que eram mais de classe m\u00e9dia. E ele vai al\u00e9m das divis\u00f5es sect\u00e1rias: havia dois distritos em Tr\u00edpoli, um alau\u00edta e outro sunita, que h\u00e1 dez anos est\u00e3o em conflito, e os jovens se uniram no in\u00edcio das manifesta\u00e7\u00f5es para gritar sua solidariedade contra as elites pol\u00edticas libanesas e contra o confessionalismo. A cidade de Tr\u00edpoli, de maioria sunita, estava enviando solidariedade \u00e0s cidades xiitas do sul.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde meados de outubro, houve uma radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento popular, especialmente em a\u00e7\u00f5es contra as mil\u00edcias. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um grupo formado por jovens ativistas de esquerda chamado &#8220;Nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos&#8221;. Eles tamb\u00e9m d\u00e3o palestras, atacam os bancos e acompanham os clientes para pression\u00e1-los a sacar seu dinheiro. Isso levanta a quest\u00e3o do papel da pol\u00edtica econ\u00f4mica dos bancos no L\u00edbano. H\u00e1 tamb\u00e9m uma radicaliza\u00e7\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es dirigidas aos locais que foram privatizados. A quest\u00e3o de classe est\u00e1 muito, muito presente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 uma tentativa de reorganiza\u00e7\u00e3o sindical no modelo do agrupamento profissional sudan\u00eas, reunindo engenheiros, professores universit\u00e1rios, e novos sindicatos est\u00e3o surgindo porque os sindicatos no L\u00edbano s\u00e3o controlados pela elite pol\u00edtica, sect\u00e1ria e neoliberal. Os libaneses estavam dizendo &#8220;estamos tentando fazer greve sem sindicatos&#8221;, e surgiram novos sindicatos. O maior desafio para o L\u00edbano \u00e9 a estrutura\u00e7\u00e3o do movimento. As feministas e os estudantes t\u00eam desempenhado um papel muito importante desde o in\u00edcio dos protestos, apresentando uma perspectiva feminista anticapitalista.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, especialmente porque a repress\u00e3o est\u00e1 aumentando no L\u00edbano: nos \u00faltimos dias, houve mais de 300 feridos desde a forma\u00e7\u00e3o do novo governo. Acima de tudo, h\u00e1 tamb\u00e9m pol\u00edticas de intimida\u00e7\u00e3o violenta por parte das mil\u00edcias ligadas a determinadas pol\u00edticas. Eles n\u00e3o vencer\u00e3o amanh\u00e3: se aprendemos alguma coisa com a \u00faltima d\u00e9cada, \u00e9 que devemos ser prudentes, como disse Gramsci, pessimistas de intelecto, mas otimistas de vontade. Abriu-se uma oportunidade, h\u00e1 estruturas de movimento, portanto, \u00e9 muito interessante e esperamos que avance.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Qual \u00e9 o papel do Hezbollah?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tanto na esquerda libanesa quanto internacionalmente, as ilus\u00f5es sobre o Hezbollah est\u00e3o come\u00e7ando a cair. Refiro-me \u00e0 esquerda campista de inspira\u00e7\u00e3o stalinista, mas tamb\u00e9m, eu diria, com uma vis\u00e3o terceiro-mundista e p\u00f3s-colonial, que v\u00ea o mundo de forma geopol\u00edtica ou em termos de &#8220;Ocidente versus Oriente&#8221;, o que de fato est\u00e1 muito pr\u00f3ximo de Huntington sobre o choque de civiliza\u00e7\u00f5es, com uma vis\u00e3o de que uma burguesia, mesmo nacional, pode n\u00e3o ser opressiva ou ligada a outros imperialismos. H\u00e1 uma radicaliza\u00e7\u00e3o no PC liban\u00eas: as pessoas est\u00e3o muito mais cr\u00edticas. Hassan Nasrallah [l\u00edder do Hezbollah] acusou os manifestantes desde o in\u00edcio de estarem sob as ordens de embaixadas estrangeiras, de fazerem parte de um compl\u00f4. Ele mobilizou sua base popular contra as manifesta\u00e7\u00f5es. E tentou semear a divis\u00e3o sect\u00e1ria. A m\u00eddia ligada ao Hezbollah tamb\u00e9m est\u00e1 difamando o movimento. Eles est\u00e3o pressionando por uma solu\u00e7\u00e3o dentro do sistema confessional. Depois de ter moderado seu discurso, na pr\u00e1tica ele \u00e9 um pilar do sistema confessional e neoliberal liban\u00eas. Nos \u00faltimos anos, tamb\u00e9m vimos cr\u00edticas da classe trabalhadora xiita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como o Hezbollah administra os munic\u00edpios, alguns de seus membros no parlamento apoiaram pol\u00edticas neoliberais e redes clientelistas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A revolta no Iraque tamb\u00e9m n\u00e3o tem precedentes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como no L\u00edbano, houve um ac\u00famulo de lutas nos \u00faltimos anos. Pouco foi dito sobre o Iraque, mas desde 2011 houve grandes movimentos de protesto, especialmente no sul, contra a falta de servi\u00e7os, a privatiza\u00e7\u00e3o da eletricidade e assim por diante. Agora a mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio ao legado do sistema confessional e \u00e9tnico, das divis\u00f5es sect\u00e1rias, do sistema pol\u00edtico iraquiano que est\u00e1 ligado ao liberalismo e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os manifestantes est\u00e3o propondo uma alternativa, um desejo de um estado civil ou secular, com pol\u00edticas sociais redistributivas. Temos uma mobiliza\u00e7\u00e3o de centenas de milhares de mulheres, que tamb\u00e9m questionam Moqtada Sadr, o l\u00edder pol\u00edtico xiita que desempenhou, durante os primeiros anos da ocupa\u00e7\u00e3o dos EUA, um papel terr\u00edvel com os massacres de suas mil\u00edcias que perpetraram limpeza sect\u00e1ria contra sunitas em Bagd\u00e1, mas ao mesmo tempo lutaram contra a ocupa\u00e7\u00e3o dos EUA. Depois, tornou-se parte do sistema pol\u00edtico, \u00e0s vezes com o Ir\u00e3, \u00e0s vezes contra o Ir\u00e3. Agora, ela se aproximou do Ir\u00e3. E \u00e9 por isso que tamb\u00e9m devemos ser muito claros quanto \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s interven\u00e7\u00f5es imperialistas ocidentais ou regionais no estilo iraniano. Mas ap\u00f3s o assassinato de Qassem Soleimani, parte dos partidos fundamentalistas xiitas iraquianos aliados ao Ir\u00e3 o utilizaram para dizer &#8220;aqui, a preocupa\u00e7\u00e3o agora \u00e9 expulsar os EUA&#8221; e n\u00e3o os problemas socioecon\u00f4micos ou a elite pol\u00edtica local.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sadr desempenhou esse papel com o apoio do Ir\u00e3 e agora apoia o novo primeiro-ministro iraquiano. Seus partid\u00e1rios atacaram manifestantes, resultando em v\u00e1rias mortes. Ele pediu para trabalhar com os servi\u00e7os de seguran\u00e7a para abrir escolas ou remover bloqueios de estradas. Tamb\u00e9m nesse caso, as pessoas est\u00e3o vendo essas contradi\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso lembrar as vozes da esquerda que, na \u00e9poca, caracterizavam esses movimentos fundamentalistas como reformistas. Isso foi um desastre: criou ilus\u00f5es em vez de levantar um polo de classe democr\u00e1tico independente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 interessante ver o que est\u00e1 acontecendo no Iraque. Mas \u00e9 preciso lembrar que a repress\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel: 500 mortos, muitas vezes por balas disparadas diretamente na cabe\u00e7a durante as mobiliza\u00e7\u00f5es. E a militariza\u00e7\u00e3o da sociedade \u00e9 muito mais importante. As mil\u00edcias s\u00e3o fortes e est\u00e3o constantemente matando e sequestrando ativistas. H\u00e1 tamb\u00e9m o desafio de encontrar v\u00ednculos com as popula\u00e7\u00f5es sunitas que s\u00e3o fortemente esmagadas pelas mil\u00edcias pr\u00f3-iranianas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A maior parte da esquerda na Europa e na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o apoia as lutas populares no Oriente M\u00e9dio e no norte da \u00c1frica. As correntes stalinistas ou p\u00f3s-stalinistas est\u00e3o at\u00e9 mesmo ao lado de Al-Assad, Putin ou dos aiatol\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Temos a responsabilidade de dizer que o internacionalismo n\u00e3o \u00e9 apenas uma boa ideia, \u00e9 tamb\u00e9m uma necessidade pol\u00edtica, porque sabemos que os destinos dos povos e dos trabalhadores do mundo est\u00e3o unidos. Ap\u00f3s os ataques do Daesh em Paris ou Barcelona, por exemplo, n\u00e3o se tratava de manifestar ao lado do rei da Espanha, de Fran\u00e7ois Hollande ou de Netanyahu: tivemos que manter nossa perspectiva de independ\u00eancia de classe, mesmo que isso n\u00e3o fosse popular na \u00e9poca. Precisamos dar uma perspectiva \u00e0s classes trabalhadoras em uma estrutura internacionalista e vincular as quest\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. E, \u00e9 claro, como voc\u00ea disse, esse legado stalinista infelizmente continua vivo e ainda pesa muito. Vemos isso tamb\u00e9m na regi\u00e3o, com uma esquerda com posi\u00e7\u00f5es stalinistas e nacionalistas, que desconsidera os direitos das mulheres ou at\u00e9 mesmo se alinha com os regimes. E isso \u00e9 desastroso. Mas temos um papel, seja no n\u00edvel da milit\u00e2ncia di\u00e1ria onde estamos, mas tamb\u00e9m no n\u00edvel te\u00f3rico, para mostrar que h\u00e1 um problema real com essa parte da esquerda em sua pr\u00e1tica e em sua teoria, e que ela tem um peso quase mortal sobre as capacidades da esquerda internacionalista em n\u00edvel global.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fale-nos sobre a Alian\u00e7a dos Socialistas do Oriente M\u00e9dio e do Norte da \u00c1frica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa alian\u00e7a de socialistas do Oriente M\u00e9dio e do Norte da \u00c1frica \u00e9, antes de mais nada, um desejo de estabelecer contatos entre pessoas na di\u00e1spora ou em outros pa\u00edses, para realizar discuss\u00f5es em rede. Somos uma pequena rede de ativistas que se comunicam, trocam informa\u00e7\u00f5es, discutem e propagam ideais pol\u00edticos internacionalistas, que levam em conta as quest\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, e tamb\u00e9m fazemos trabalho de tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas, \u00e1rabe, curdo e farsi. O que estamos tentando fazer \u00e9 compartilhar nossos ideais, nossos objetivos, nosso desejo de um Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica livres de qualquer interven\u00e7\u00e3o imperialista, mas tamb\u00e9m livres de todas as formas de autoritarismo, sejam elas regimes ditatoriais, fundamentalismo religioso, confessionalismo e racismo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Joseph Daher, membro da rede da Alian\u00e7a dos Socialistas do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica &nbsp; Joseph Daher \u00e9 um ativista socialista su\u00ed\u00e7o-s\u00edrio, acad\u00eamico e fundador do blog Syria Freedom Forever. 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