

	{"id":16866,"date":"2025-03-17T21:26:32","date_gmt":"2025-03-18T00:26:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16866"},"modified":"2025-03-17T21:26:32","modified_gmt":"2025-03-18T00:26:32","slug":"portugal-porque-precisamos-de-um-novo-partido-a-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/03\/17\/portugal-porque-precisamos-de-um-novo-partido-a-esquerda\/","title":{"rendered":"Portugal: Porque precisamos de um novo partido \u00e0 esquerda?"},"content":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 cada vez mais insustent\u00e1vel para os trabalhadores e a juventude. Temos atualmente quase 2 milh\u00f5es de pessoas a viver com menos de 632 euros mensais e, apesar de o desemprego e inatividade continuarem a ser os principais fatores de pobreza em Portugal, ter um emprego h\u00e1 muito que deixou de garantir a capacidade para cobrir as despesas essenciais. Em 2023, por exemplo, 9,2% das pessoas abaixo do limiar da pobreza tinha emprego e 6,5% tinha terminado a sua forma\u00e7\u00e3o no ensino superior.<\/p>\n<p>Com o custo de vida a subir e os sal\u00e1rios a ficar para tr\u00e1s, as condi\u00e7\u00f5es de vida degradam-se para milhares de trabalhadores. Num inqu\u00e9rito promovido pelo INE para o projeto Portugal Desigual, com o objetivo de avaliar a vulnerabilidade material e social das fam\u00edlias, 15,7% dos inquiridos afirmou n\u00e3o ter capacidade financeira para aquecer a casa, 29,9% n\u00e3o tem possibilidade de fazer face a uma despesa inesperada e 35,4% \u00e9 incapaz de pagar uma semana de f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que os sal\u00e1rios e as pens\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o atualizados de forma a compensar o aumento dos pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os e bens essenciais, os despedimentos coletivos v\u00eam registando a maior subida desde a pandemia, estimando-se que em 2024 cerca de 8 mil pessoas tenham ficado sem trabalho, em particular nos setores da ind\u00fastria transformadora e do com\u00e9rcio, com as mulheres a serem as mais afetadas. Tamb\u00e9m a precariedade aumentou, com 2024 a atingir o n\u00famero mais alto de trabalhadores a recibos verdes dos \u00faltimos 6 anos.<\/p>\n<p><strong>A Alian\u00e7a Democr\u00e1tica governa para os milion\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>O governo da AD n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o responde \u00e0 crise social e econ\u00f3mica que enfrentamos, como continua a aprofund\u00e1-la com ataques diretos aos trabalhadores e aos servi\u00e7os p\u00fablicos, sempre em benef\u00edcio dos grandes interesses econ\u00f3micos, sejam fundos imobili\u00e1rios, bancos, gigantes da energia, grandes empresas de distribui\u00e7\u00e3o alimentar ou iniciativas privadas que pretendem fazer neg\u00f3cio \u00e0 custa do desmantelamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n<p>Desde a nova lei dos solos e da habita\u00e7\u00e3o, que apenas contribui para a corrup\u00e7\u00e3o (p\u00e1gina 2); ou o caos lan\u00e7ado no SNS em benef\u00edcio dos privados da sa\u00fade (p\u00e1gina 6); mais a pol\u00edtica extrativista para o Barroso (p\u00e1gina 8); todos s\u00e3o exemplos de pol\u00edticas para benef\u00edcio dos grandes interesses econ\u00f3micos. Pol\u00edticas essas sobre as quais o governo tenta desviar a aten\u00e7\u00e3o, focando-se em \u201cpercep\u00e7\u00f5es\u201d e aproveitando um discurso anti-imigra\u00e7\u00e3o (COMBATE n\u00ba3). PS, Chega e Iniciativa Liberal n\u00e3o t\u00eam projeto alternativo, por isso Montenegro vai-se aguentando como primeiro-ministro.<br \/>\nComo ficou evidente nos 8 anos em que esteve no governo, o PS, com e sem Geringon\u00e7a, nunca levantou um novo projeto para o pa\u00eds, n\u00e3o fortaleceu os servi\u00e7os p\u00fablicos, nem diversificou a economia, mas fez precisamente o oposto, colocando servi\u00e7os como o SNS em colapso e centrando cada vez mais o pa\u00eds no turismo. Agora, o seu novo l\u00edder, Pedro Nuno Santos, para al\u00e9m de partilhar com o atual governo o mesmo projeto de pa\u00eds, reproduz at\u00e9 o discurso anti-imigra\u00e7\u00e3o que o PSD tem querido copiar \u00e0 extrema-direita, esbatendo cada vez mais as diferen\u00e7as entre estes dois partidos (p\u00e1gina 6).<\/p>\n<p>Enquanto isso, a extrema-direita do Chega vive uma verdadeira crise, com caso ap\u00f3s caso a surgir sobre o partido, do deputado que roubava malas no aeroporto ao deputado municipal ped\u00f3filo, passando pela deputada municipal corrupta de Loures e o novo caso de viola\u00e7\u00e3o que envolve mais um deputado. De resto, tal como a Iniciativa Liberal, o Chega tem dificuldade em fazer oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 AD de Montenegro no que toca aos problemas essenciais do pa\u00eds, querendo ambos tornar ainda mais agressivas as pol\u00edticas do atual governo.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o nos serve a esquerda de pantufas<\/strong><\/p>\n<p>Perante uma crise social, econ\u00f3mica e pol\u00edtica, com os trabalhadores e a juventude cada vez mais encurralados pela falta de condi\u00e7\u00f5es de vida e de perspectivas de futuro, a esquerda parlamentar continua o seu caminho de aproxima\u00e7\u00e3o ao centro, investida em mostrar responsabilidade institucional e mais interessada em alimentar ilus\u00f5es numa falsa solu\u00e7\u00e3o progressista com o PS do que em apresentar um projeto alternativo e independente.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nas dire\u00e7\u00f5es do BE e do PCP o m\u00ednimo interesse no surgimento de uma alternativa que se proponha a lutar radicalmente contra o saque que PSD e PS promovem com a cumplicidade da extrema-direita, organizando o descontentamento dos trabalhadores e da juventude em torno de um plano de lutas que chame as centrais sindicais e os movimentos sociais a mobilizar-se para reivindicar um programa de resposta \u00e0s suas necessidades mais urgentes. Tamb\u00e9m contra a extrema-direita a esquerda de pantufas resume-se a dar raspanetes no parlamento, em vez de organizar uma resposta unit\u00e1ria e combativa nas ruas.<\/p>\n<p>Que o Bloco de Esquerda n\u00e3o desistiu de ser uma muleta do PS e anseia por novas Geringon\u00e7as \u00e9 evidente, como bem o demonstra a sua recente candidatura \u00e0s aut\u00e1rquicas em Lisboa, que pretende \u201cenfrentar a pol\u00edtica de Carlos Moedas\u201d coligando-se com o PS de Fernando Medina, igualmente respons\u00e1vel por pol\u00edticas que favoreceram a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, agravaram a exclus\u00e3o social e tantos outros problemas que o partido diz combater.<\/p>\n<p>O desfase entre o que o BE apregoa e o que faz na pr\u00e1tica e a sua fal\u00eancia enquanto projeto alternativo ao PCP expressam-se a todos os n\u00edveis, inclusive em quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o, como as queixas por parte de militantes relativas a falta de democracia interna e nepotismo ou o caso que recentemente se tornou p\u00fablico relativamente ao despedimento de funcion\u00e1rias que se encontravam em licen\u00e7a de maternidade, ao qual o partido respondeu como uma verdadeira entidade patronal ou partido-empresa, afirmando que \u201cn\u00e3o houve qualquer ilegalidade\u201d.<\/p>\n<p>O PCP, para quem o castigo p\u00f3s-Geringon\u00e7a foi maior, \u00e9 mais cuidadoso em mostrar que continua de portas abertas ao PS, adotando normalmente um discurso de que projetos em comum entre os dois partidos s\u00e3o dif\u00edceis, para logo a seguir reafirmar a disponibilidade para, nas palavras de Paulo Raimundo, \u201cconvergir para dar resposta aos problemas das popula\u00e7\u00f5es\u201d, como se o PS n\u00e3o fosse co-respons\u00e1vel por eles. Mais grave do que as ilus\u00f5es que o Partido Comunista Portugu\u00eas alimenta no PS s\u00e3o as ilus\u00f5es que vende sobre o regime e as suas institui\u00e7\u00f5es, reclamando constantemente que n\u00e3o faz falta mais do que fazer cumprir a Constitui\u00e7\u00e3o para que todos os problemas dos trabalhadores e da juventude sejam resolvidos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isto significa que o partido com maior inser\u00e7\u00e3o na classe trabalhadora se dedica a ser um pilar do regime que nos esmaga com uma democracia de fachada, feita \u00e0 medida para que os nossos governantes protejam os interesses e os lucros das grandes patronais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como vem sendo habitual, o PCP e a CGTP n\u00e3o convocam nenhuma mobiliza\u00e7\u00e3o contra os ataques dos patr\u00f5es e dos seus partidos, marcando greves espor\u00e1dicas para cumprir calend\u00e1rio ou criar uma v\u00e1lvula de escape para o descontentamento de algum setor profissional, sem nunca aproveitar a sua influ\u00eancia para construir uma luta unificada (p\u00e1gina 4).<\/p>\n<p>Precisamos de um novo partido dos trabalhadores, da juventude, dos imigrantes e oprimidos. Mas, apesar da mansid\u00e3o da esquerda parlamentar e centrais sindicais face aos ataques do governo e da extrema-direita, a contesta\u00e7\u00e3o continua a fazer-se sentir em diferentes processos de luta. A vontade de resistir e lutar por melhores sa\u00eddas expressa-se na quantidade e qualidade das greves que surgem (p\u00e1gina 4) ou nas corajosas mobiliza\u00e7\u00f5es contra o l\u00edtio e contra o racismo e xenofobia (p\u00e1gina 8). O que falta \u00e9 um partido que d\u00ea for\u00e7a a estas mobiliza\u00e7\u00f5es, que lute por um governo dos trabalhadores e que, tendo lugar no parlamento, use esse espa\u00e7o para dar voz \u00e0 for\u00e7a que existe na rua e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um novo partido que, mais do que recusar as pol\u00edticas de desmantelamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, lute, com os trabalhadores, por servi\u00e7os p\u00fablicos gratuitos e de qualidade e sal\u00e1rios e pens\u00f5es capazes de garantir uma vida digna; pela recupera\u00e7\u00e3o dos direitos laborais pr\u00e9-troika e por um plano de habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica que devolva as cidades a quem nelas trabalha e estuda; exigindo a nacionaliza\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos, como a energia e os transportes, e enfrentando os multimilion\u00e1rios, atrav\u00e9s da taxa\u00e7\u00e3o das suas grandes fortunas e da proibi\u00e7\u00e3o dos offshores, canalizando esses largos milh\u00f5es para investir em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e habita\u00e7\u00e3o. Um novo partido que confie na for\u00e7a dos lutadores e n\u00e3o em acordos de bastidores ou pactos de regime.<\/p>\n<p>O Trabalhadores Unidos (TU) \u00e9 este novo partido, que nasce da necessidade de criar uma ferramenta de organiza\u00e7\u00e3o coletiva para enfrentar as pol\u00edticas do PSD, do PS e da extrema-direita, disposta a levar \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias as lutas avan\u00e7adas pelos trabalhadores e a juventude, procurando fortalec\u00ea-las e unific\u00e1-las e apresentando um programa de combate e ruptura com os milion\u00e1rios que nos imp\u00f5em planos de mis\u00e9ria; um partido que recusa viver de espalhar a ilus\u00e3o de que tudo se pode resolver mediante a quantidade de lugares que ocupamos no Parlamento, mas que \u00e9 capaz de usar esse espa\u00e7o para dar mais for\u00e7a aos que lutam e resistem.<\/p>\n<p>Atualmente, estamos numa campanha para legalizar o TU como partido pol\u00edtico (p\u00e1gina 8), o que nos permitir\u00e1 defender as nossas ideias e apresentar as nossas propostas em per\u00edodos eleitorais, chegando a mais pessoas. <strong>Precisamos do teu apoio. Junta-te a n\u00f3s!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 cada vez mais insustent\u00e1vel para os trabalhadores e a juventude. 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