

	{"id":17577,"date":"2025-08-08T17:19:45","date_gmt":"2025-08-08T20:19:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=17577"},"modified":"2025-08-10T12:29:58","modified_gmt":"2025-08-10T15:29:58","slug":"dialogando-com-os-camaradas-mandelistas-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/08\/08\/dialogando-com-os-camaradas-mandelistas-parte-i\/","title":{"rendered":"Dialogando com os camaradas mandelistas (parte I)"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Por Claudia Gonzales e Michel Tunes, Coordena\u00e7\u00e3o da CST<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A organiza\u00e7\u00e3o mandelista, denominada \u201cQuarta Internacional\u201d, realizou recentemente um congresso, debatendo temas como a crise capitalista, o militarismo e o ecossocialismo. Nesta edi\u00e7\u00e3o, a CST abordar\u00e1 um aspecto da resolu\u00e7\u00e3o \u201c<em>\u00c0 medida que as crises convergem, o desafio de como os explorados e oprimidos avan\u00e7am<\/em>\u201d. Na se\u00e7\u00e3o \u201c<em>VI\/ As demandas centrais nestes tempos<\/em>\u201d, o texto analisa os \u201cchamados governos progressistas\u201d na Am\u00e9rica Latina, tema de import\u00e2ncia program\u00e1tica fundamental para a esquerda socialista no Brasil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Como definir os governos ditos progressistas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O texto define os governos \u201cprogressistas\u201d como \u201cde concilia\u00e7\u00e3o de classes, n\u00e3o s\u00e3o nossos governos\u201d e afirma que \u201cn\u00e3o participamos deles\u201d, sendo \u201cindispens\u00e1vel manter nossa independ\u00eancia\u201d. Em linhas gerais, essa posi\u00e7\u00e3o poderia ser correta, mas tem uma enorme lacuna: n\u00e3o h\u00e1 defini\u00e7\u00e3o do ponto de vista de classe, algo essencial em uma resolu\u00e7\u00e3o trotskista. A CST afirma que esses s\u00e3o governos burgueses e capitalistas, que administram o Estado burgu\u00eas e atuam para desmobilizar as massas e desmoralizar suas lutas. Essa lacuna, em nossa opini\u00e3o, est\u00e1 ligada ao apoio pol\u00edtico \u00e0s \u201cmedidas progressivas\u201d desses governos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Apoiar \u201cmedidas progressistas\u201d \u00e9 apoiar o governo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os pontos que apontam num sentido correto do texto se perdem quando afirmam:\u00a0<em>\u201cnem lhes devemos apoio incondicional&#8230; apoiamos suas medidas progressistas\u201d.<\/em>\u00a0A primeira parte \u00e9 confusa, mas quer dizer que podem dar apoio ao governo em determinadas circunst\u00e2ncias ou condicionado a algumas cr\u00edticas. Por\u00e9m, o marxismo revolucion\u00e1rio n\u00e3o d\u00e1 apoio pol\u00edtico a governos capitalistas sob nenhuma hip\u00f3tese. Esse tipo de apoio ao governo burgu\u00eas, via as \u201cpautas progressivas\u201d, aparenta certa autonomia. Por\u00e9m, \u00e9 uma ilus\u00e3o. N\u00e3o podemos analisar medidas isoladamente, sem considerar a pol\u00edtica geral e o car\u00e1ter de classe do governo, cujo papel \u00e9 defender a propriedade privada, o Estado burgu\u00eas e desmobilizar as massas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apoiar tais medidas \u00e9 somar-se \u00e0 sustenta\u00e7\u00e3o do governo e ao \u201ccampo burgu\u00eas\u201d da frente ampla, mesmo estando fora dele. Quem faz isso perde independ\u00eancia pol\u00edtica e fica preso aos limites capitalistas do governo e do regime burgu\u00eas. Em cada luta parcial, devemos arrancar conquistas para os trabalhadores, mas sem dar apoio pol\u00edtico. Diante de ataques golpistas, defendemos o governo Lula\/Alckmin e medidas atacadas pela extrema direita. Mas defender \u00e9 diferente de apoiar. Jamais concederemos apoio ou confian\u00e7a ao governo. Apoiar seria romper fronteiras de classe e refor\u00e7ar a ilus\u00e3o de que o governo satisfar\u00e1 as expectativas populares, bloqueando uma sa\u00edda oper\u00e1ria e socialista.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<strong>Os mandelistas e os governos de Lula<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No movimento trotskista, esse debate n\u00e3o \u00e9 novo. Nos anos 1950, a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da IV Internacional, liderada por Pablo e Mandel, orientou apoio ao governo do MNR na Bol\u00edvia, algo que congelou o processo revolucion\u00e1rio. Nos anos 1980, o SU liderado por Mandel apoiou o governo sandinista e respaldou a expuls\u00e3o da Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar. Nossa corrente liderada por Nahuel Moreno combateu essas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Posteriormente os mandelistas apoiaram os governos de Chaves, que terminou em uma ditadura com Maduro. No Brasil, tivemos a integra\u00e7\u00e3o de Miguel Rosseto ao governo Lula\/Alencar em 2003. Rosseto era dirigente da DS\/PT, se\u00e7\u00e3o oficial do SU, e permaneceu como ministro sem maiores protestos de sua dire\u00e7\u00e3o internacional. Foi um salto qualitativo: com Rosseto, um dirigente de uma organiza\u00e7\u00e3o que se reivindicava trotskista integrou um governo burgu\u00eas. Foi uma mudan\u00e7a profunda: em 1964, o Lanka Sama Samaja Party, foi expulso do SU por compor um governo burgu\u00eas no Ceil\u00e3o. No caso de Rosseto, em 2003, a dire\u00e7\u00e3o do SU lan\u00e7ou cartas internas in\u00f3cuas e resolu\u00e7\u00f5es protocolares, que sempre reafirmaram a manuten\u00e7\u00e3o da DS na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A CST, nosso camarada Bab\u00e1, foi parte dos que se negaram a apoiar o governo Lula\/Alencar e que lutaram para fraturar o PT pela esquerda, desembocando no PSOL.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje, o PSOL integra o governo Lula\/Alckmin com minist\u00e9rios e cargos, algo que n\u00e3o \u00e9 questionado pelas tend\u00eancias mandelistas que est\u00e3o no PSOL. O ingresso da Ministra Sonia Guajajara e a composi\u00e7\u00e3o na base aliada \u00e9 um ponto em comum entre essas for\u00e7as. E o ingresso de Sonia, lideran\u00e7a m\u00e1xima da APIB e do PSOL, enfraqueceu a luta nas ruas contra o marco temporal e a a\u00e7\u00e3o direta contra o PL da devasta\u00e7\u00e3o, bem como pressionou para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da batalha pela 6&#215;1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A ironia da hist\u00f3ria \u00e9 que muitos dirigentes que criticaram a linha da DS em 2003, combateram o apoio ao governo Lula, hoje integram a organiza\u00e7\u00e3o mandelista. \u00c9 o caso de dirigentes de organiza\u00e7\u00f5es como Insurg\u00eancia\/Resist\u00eancia e MES, dentre outros. Lamentamos que tenham abandonado suas antigas posi\u00e7\u00f5es, deixando de considerar o apoio pol\u00edtico a um governo capitalista como um erro program\u00e1tico e aceitem o ingresso do PSOL nos minist\u00e9rios do governo Lula\/Alckmin.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A CST, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI, mant\u00e9m suas defini\u00e7\u00f5es anteriores. O apoio pol\u00edtico a um governo capitalista \u00e9 um erro que contraria princ\u00edpios hist\u00f3ricos do movimento oper\u00e1rio e do marxismo revolucion\u00e1rio. Por isso rompemos com o PSOL quando este perdeu sua independ\u00eancia e passou a apoiar e integrar o governo dito progressista de Lula\/Alckmin.<\/p>\n<p>leia aqui a <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/08\/08\/dialogando-com-os-camaradas-mandelistas-parte-ii\/\">parte II<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Claudia Gonzales e Michel Tunes, Coordena\u00e7\u00e3o da CST A organiza\u00e7\u00e3o mandelista, denominada \u201cQuarta Internacional\u201d, realizou recentemente um congresso, debatendo temas como a crise capitalista, o militarismo e o ecossocialismo. 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