

	{"id":17582,"date":"2025-08-08T17:23:52","date_gmt":"2025-08-08T20:23:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=17582"},"modified":"2025-08-10T12:30:33","modified_gmt":"2025-08-10T15:30:33","slug":"dialogando-com-os-camaradas-mandelistas-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/08\/08\/dialogando-com-os-camaradas-mandelistas-parte-ii\/","title":{"rendered":"Dialogando com os camaradas mandelistas (parte II)"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Michel Tunes e Claudia Gonzales, Coordena\u00e7\u00e3o da CST<\/em><\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/08\/08\/dialogando-com-os-camaradas-mandelistas-parte-i\/\">primeira parte deste artigo<\/a>, no CS n\u00b0202, dialogamos com um aspecto da resolu\u00e7\u00e3o \u201c<em>\u00c0 medida que as crises convergem, o desafio de como os explorados e oprimidos avan\u00e7am<\/em>\u201d. Na se\u00e7\u00e3o \u201c<em>VI\/ As demandas centrais nestes tempos<\/em>\u201d, o texto aborda os \u201c<em>chamados governos progressistas<\/em>\u201d na Am\u00e9rica Latina. Aqui, aprofundamos esse debate.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o apresenta uma orienta\u00e7\u00e3o equivocada ao afirmar:<br \/>\n\u201c<em>Na situa\u00e7\u00e3o atual, com o avan\u00e7o da extrema-direita no mundo, al\u00e9m de promover as melhores formas de combate ao fascismo, com frentes antifascistas e unidade de a\u00e7\u00e3o com seus representantes nos movimentos, combinamos o apoio a medidas progressistas de governo com a exig\u00eancia de que trabalhem no interesse dos trabalhadores e dos oprimidos e avancem<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso semeia a ilus\u00e3o de que os governos chamados progressistas comp\u00f5em um \u201ccampo burgu\u00eas progressista\u201d contra a extrema-direita e que poderiam deixar de ser capitalistas para \u201ctrabalhar no interesse dos trabalhadores\u201d. O que \u00e9 equivocado.<\/p>\n<p><strong>Um campo burgu\u00eas progressivo?<\/strong><\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o, nesta parte, adere \u00e0 chamada teoria dos campos burgueses progressivos. Nela, abandona-se a divis\u00e3o da sociedade em classes e adota-se uma divis\u00e3o entre campos \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d e \u201cautorit\u00e1rios\u201d, \u201cfascistas\u201d e \u201cantifascistas\u201d. Essa pol\u00edtica ignora um princ\u00edpio b\u00e1sico do marxismo: a contradi\u00e7\u00e3o fundamental da sociedade capitalista \u00e9 a luta de classes entre burguesia e proletariado. Assim, essa linha aprisiona a classe trabalhadora ao campo de algum setor da burguesia, dito progressista ou democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Unidades de a\u00e7\u00e3o podem ser feitas com quem for necess\u00e1rio para lutar nas ruas por pontos espec\u00edficos, sempre buscando fortalecer os setores oper\u00e1rios em qualquer manifesta\u00e7\u00e3o unificada. Por outro lado, as frentes pressup\u00f5em programa e inst\u00e2ncias comuns. Elas s\u00f3 podem ser constru\u00eddas entre organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Discordamos que a luta contra a extrema-direita seja usada para secundarizar o debate sobre os chamados governos progressistas, sua composi\u00e7\u00e3o de classe e o fato de que governam o pa\u00eds. Tamb\u00e9m discordamos que essa luta se transforme em uma orienta\u00e7\u00e3o que coloca a classe trabalhadora a reboque desses governos, dilu\u00edda em um abstrato \u201ccampo progressista\u201d, limitando-se a apoi\u00e1-los ou a disputar seus rumos.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, a posi\u00e7\u00e3o correta \u00e9 mobilizar juntos contra a extrema-direita, sim; ceder nossa independ\u00eancia de classe ao governo capitalista, n\u00e3o. Essa \u00e9 a forma como os trotskistas devem atuar: esmagar a extrema-direita nas ruas, por meio da luta unificada, com total independ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Trotsky e o programa fundacional da IV<\/strong><\/p>\n<p>As defini\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e program\u00e1ticas de Leon Trotsky e do Programa de Transi\u00e7\u00e3o da IV Internacional seguem atuais. Muitas delas est\u00e3o diretamente ligadas \u00e0 luta contra a extrema-direita. Trotsky combateu a extrema-direita sem jamais perder sua independ\u00eancia de classe. Criticou os comunistas que subestimaram o fascismo, prop\u00f4s a unidade entre comunistas e social-democratas contra os nazistas e orientou a luta no campo militar republicano contra o franquismo. Nessas batalhas, defendeu piquetes de autodefesa, o armamento do proletariado, a greve geral, entre outras medidas, mas criticou firmemente a pol\u00edtica de frente popular, as pol\u00edticas de colabora\u00e7\u00e3o de classes e alian\u00e7as com nossos inimigos de classe.<\/p>\n<p>No Programa de Transi\u00e7\u00e3o, afirma-se que \u201c<em>a impiedosa cr\u00edtica da teoria e da pr\u00e1tica da \u2018Frente Popular\u2019 \u00e9 a primeira condi\u00e7\u00e3o de uma luta revolucion\u00e1ria contra o fascismo\u201d. O\u00a0<\/em>fato de definir isso como<em>\u00a0\u201cprimeira condi\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d em um documento program\u00e1tico t\u00e3o relevante n\u00e3o \u00e9 algo menor: significa rejeitar qualquer sectarismo na luta comum nas ruas, mas sem jamais se diluir na concilia\u00e7\u00e3o de classes com a burguesia ou \u201csua sombra\u201d.<\/p>\n<p>Trotsky nunca, em nenhuma circunst\u00e2ncia, apoiou um governo capitalista, nem suas medidas ditas \u201cprogressivas\u201d. Al\u00e9m do que est\u00e1 expresso no Programa de Transi\u00e7\u00e3o e em dezenas de textos, cabe lembrar sua orienta\u00e7\u00e3o aos partid\u00e1rios do SWP nos Estados Unidos: em meio \u00e0 Guerra Civil Espanhola, ele deixou claro que era correto lutar no campo militar republicano, mas nunca apoiar o governo burgu\u00eas, nem suas medidas no parlamento, nem sequer o or\u00e7amento militar. Suas cr\u00edticas ao POUM espanhol, acusando-o de capitular \u00e0 frente popular, definindo como uma trai\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixam d\u00favidas sobre a posi\u00e7\u00e3o de Trotsky.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o compor nem apoiar o governo Lula\/Alckmin!<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s, da CST, somos a se\u00e7\u00e3o no Brasil da UIT-QI, uma organiza\u00e7\u00e3o marxista revolucion\u00e1ria internacional. Mantemos de p\u00e9 as batalhas e elabora\u00e7\u00f5es do dirigente trotskista Nahuel Moreno e as pol\u00eamicas com as formula\u00e7\u00f5es de Ernest Mandel. Por isso, atuamos de forma diferente.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos depositar confian\u00e7a ou apoio no governo capitalista de Lula\/Alckmin. Defendemos que as centrais sindicais, os movimentos estudantis e populares devem se manter independentes e construir a luta pelas nossas reivindica\u00e7\u00f5es. Nossa linha n\u00e3o \u00e9 a ilus\u00f3ria \u201cpress\u00e3o\u201d ao governo para a \u201cesquerda\u201d ou combater somente \u201calas da direita\u201d ou a \u201cburguesia e mercados\u201d em abstrato. O governo \u00e9 burgu\u00eas, n\u00e3o est\u00e1 em disputa e faz pactos com setores do bolsonarismo. A CST n\u00e3o est\u00e1 no dito \u201ccampo burgu\u00eas progressista\u201d da frente ampla. Nosso campo \u00e9 de classe, contra os patr\u00f5es e sua explora\u00e7\u00e3o. Batalhamos para construir uma esquerda independente, sem patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Em vez de \u201cdisputar os rumos\u201d ou apoiar \u201cmedidas progressistas\u201d, nosso eixo \u00e9 impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o pelas reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares, com uma postura independente do governo.<\/p>\n<p>Nesse caminho, defendemos a necessidade de lutar por um governo da classe trabalhadora, sem patr\u00f5es, que rompa com o capitalismo e a explora\u00e7\u00e3o. Defendemos um Brasil socialista, com uma verdadeira democracia oper\u00e1ria.<\/p>\n<pre><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-17583\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/minis2023-300x144.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"144\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/minis2023-300x144.webp 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/minis2023-1024x491.webp 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/minis2023-768x368.webp 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/minis2023-600x288.webp 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/minis2023.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><em>Na foto acima, S\u00f4nia Guajajara, deputada do PSOL, que se tornou ministra do governo Lula\/Alckmin com votos das for\u00e7as mandelistas<\/em><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Michel Tunes e Claudia Gonzales, Coordena\u00e7\u00e3o da CST Na primeira parte deste artigo, no CS n\u00b0202, dialogamos com um aspecto da resolu\u00e7\u00e3o \u201c\u00c0 medida que as crises convergem, o desafio de como os explorados e oprimidos avan\u00e7am\u201d. 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