

	{"id":17606,"date":"2025-08-11T20:11:01","date_gmt":"2025-08-11T23:11:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=17606"},"modified":"2025-08-15T17:52:44","modified_gmt":"2025-08-15T20:52:44","slug":"a-china-e-imperialista-texto-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/08\/11\/a-china-e-imperialista-texto-1\/","title":{"rendered":"A China \u00e9 imperialista (texto 1)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o da primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira do livro sobre China<\/strong><\/p>\n<p>Miguel Sorans, Dirigente do Izquierda Socialista (Argentina) e da UIT-QI<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A China \u00e9 um dos temas de debate mais emocionantes do s\u00e9culo XXI. Trata-se de um novo fen\u00f4meno pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social, cuja interpreta\u00e7\u00e3o e futuro s\u00e3o discutidos desde economistas e pol\u00edticos burgueses at\u00e9 toda a esquerda, passando por intelectuais ou acad\u00eamicos de todo o mundo. A edi\u00e7\u00e3o deste livro, em portugu\u00eas, \u00e9 uma nova contribui\u00e7\u00e3o a este debate aberto. \u00c9 uma contribui\u00e7\u00e3o a partir de uma vis\u00e3o marxista revolucion\u00e1ria, centrada nas elabora\u00e7\u00f5es de Nahuel Moreno sobre o significado e o car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o socialista de 1949 e suas contradi\u00e7\u00f5es. O livro cont\u00e9m textos que analisam a realidade que vai de 1949 ao s\u00e9culo XXI. Mostra a g\u00eanese do processo pol\u00edtico social que vai desde a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia na China at\u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo. Textos que tamb\u00e9m mostram como foi avan\u00e7ando a elabora\u00e7\u00e3o de Nahuel Moreno e sua corrente atual. Nahuel Moreno faleceu em 1987 e n\u00e3o p\u00f4de ver o \u00e1pice do processo de restaura\u00e7\u00e3o capitalista na China. Mas, nos \u00faltimos anos de sua vida, j\u00e1 vinha estudando e denunciando a virada para os acordos com as multinacionais e o imperialismo por parte da dire\u00e7\u00e3o do Partido Comunista da China (PCCH) e os perigos restauracionistas. Como continuadores da elabora\u00e7\u00e3o de nosso mestre Moreno, afirmamos categoricamente que a China \u00e9 com certeza uma pot\u00eancia capitalista governada por uma ditadura de par tido \u00fanico, o PCCH.<\/p>\n<p>\u00c9 um fen\u00f4meno sem precedentes na hist\u00f3ria. O pa\u00eds mais populoso do planeta, com 1,4 bilh\u00e3o de habitantes, deixou de ser um grande pa\u00eds onde a economia havia sido reorganizada com a propriedade estatal e planejamento centralizado para um onde a propriedade privada e o capitalismo foram restaurados. Na China, centenas de milh\u00f5es de trabalhadores s\u00e3o explorados. O in\u00e9dito \u00e9 que seus governantes ainda t\u00eam o cinismo de dizer que continuam a \u201cdesenvolver o socialismo\u201d. Quest\u00e3o reafirmada pelo presidente Xi Jimping ao anunciar o XIV Plano Quinquenal (2021-2025) que teria o objetivo de apoiar \u201ca causa da moderniza\u00e7\u00e3o\u201d da China \u201cno desenvolvi mento do socialismo com caracter\u00edsticas chinesas\u201d (Clar\u00edn, da Argentina, 11\/01\/2021). Com base na convic\u00e7\u00e3o de que o capitalismo foi restaura do na China e pela peculiaridade do salto qualitativo ocorri do nos \u00faltimos trinta anos, como marxistas estamos abertos a mudan\u00e7as e ajustes de defini\u00e7\u00f5es. \u00c9 o que destacou Reinaldo Saccone na apresenta\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o espanhola em 2019: \u201cAs defini\u00e7\u00f5es que o leitor encontrar\u00e1 nos textos mais atuais estar\u00e3o sempre abertas a novas elabora\u00e7\u00f5es, pois qualquer defini\u00e7\u00e3o pode ser superada pela realidade\u201d. E foi isso que aconteceu. Nossa corrente internacional con tinuou a estudar o desenvolvimento da China, e como resulta do de uma elabora\u00e7\u00e3o coletiva, no VII Congresso Mundial da UIT-CI, realizado em dezembro de 2020, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que as defini\u00e7\u00f5es da China, assim como da R\u00fassia, como um pa\u00eds semicolonial e subimperialista, haviam sido supera das pelos feitos. E que, portanto, era mais apropriado definir a China como um pa\u00eds imperialista. Continuamos acreditando que, desde 1978, liderado por Deng, teve in\u00edcio um processo de semicoloniza\u00e7\u00e3o na China a partir da penetra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das multinacionais. Processo que culminou com a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos anos 1990. A China, em raz\u00e3o do atraso no seu desenvolvimento, n\u00e3o poderia avan\u00e7ar sozinha no sentido capitalista se n\u00e3o se associasse \u00e0s multinacionais imperialistas, favorecendo-as com um regime de trabalho semiescravo da classe trabalhadora chinesa. Para desenvolver os grandes setores industriais do capita lismo, como autom\u00f3veis, eletr\u00f4nicos ou outros bens dur\u00e1veis, n\u00e3o teve outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o se associar a multinacionais ianques, europeias ou japonesas. Estima-se que atualmente seriam mais de 70 mil. A partir da\u00ed a China criou sua pr\u00f3pria burguesia e suas multinacionais (Alibaba, Huawei, a rede Tik Tok, Tencent, Lenovo, entre outras). Por isso, neste caso, esse longo processo de semicoloniza\u00e7\u00e3o acabou transformando a China n\u00e3o em uma semicol\u00f4nia, mas em uma grande pot\u00eancia capitalista, um novo imperialismo, que tem fortes tra\u00e7os de autarquia econ\u00f4mica e relativa independ\u00eancia pol\u00edtica frente ao imperialismo, tanto o norte-americano como o europeu. O que resultou em fortes atritos e choques comerciais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos com as outras pot\u00eancias capitalistas. Isso n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 continua\u00e7\u00e3o de acordos e associa\u00e7\u00f5es com multinacionais e governos de outros pa\u00edses imperialistas Tanto a China quanto a R\u00fassia t\u00eam a peculiaridade de te rem passado de Estados oper\u00e1rios burocr\u00e1ticos a Estados capitalistas de dois grandes pa\u00edses. J\u00e1 eram muito importantes por serem economias n\u00e3o capitalistas. A URSS, por exemplo, tornou-se a segunda pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial. E por isso se portou como uma metr\u00f3pole em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses menores como a Alemanha Democr\u00e1tica, Pol\u00f4nia, Tchecoslov\u00e1quia, Hungria, etc. Em seguida, definimos que eram pa\u00edses politica mente independentes, embora tivessem depend\u00eancia econ\u00f4mica do mercado capitalista internacional. Eram, por sua vez, parte de uma grande frente contrarrevolucion\u00e1ria para evitar revolu\u00e7\u00f5es no mundo, no per\u00edodo anterior \u00e0 queda do Muro de Berlim, em 1989. A China, em particular, deu o salto para um pa\u00eds imperialista a partir da acumula\u00e7\u00e3o capitalista realizada atrav\u00e9s da su perexplora\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e camponesa de cerca de 1 bilh\u00e3o de pessoas. Com sal\u00e1rios mensais na ind\u00fastria de 60 ou 70 d\u00f3lares, em m\u00e9dia, durante d\u00e9cadas, algo tamb\u00e9m in\u00e9dito na hist\u00f3ria do capitalismo. Soma-se a isso a perda de conquistas sociais da revolu\u00e7\u00e3o socialista de 1949. O car\u00e1ter da China como pa\u00eds imperialista fica evidente, por exemplo, na expans\u00e3o agressiva dos investimentos interna cionais nos \u00faltimos anos, especialmente em recursos naturais (minera\u00e7\u00e3o, entre eles), bem como nos investimentos em trans portes, principalmente em atividades portu\u00e1rias e ferrovi\u00e1rias. A China tornou-se o primeiro pa\u00eds investidor na \u00c1frica com, por exemplo, 72,2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares diretamente entre os anos de 2014 e 2018. Com a Fran\u00e7a em segundo lugar e os Estados Unidos na terceira posi\u00e7\u00e3o (dados da ag\u00eancia de not\u00edcias TRP, 10\/10\/2019). Os investimentos chineses t\u00eam se expandido rapidamente na Europa e na Am\u00e9rica Latina. Uma de suas express\u00f5es tem sido a compra compulsiva de empresas. Na It\u00e1lia, a China comprou por um valor de 32 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, em apenas 85 acordos. O mais importante foi a com pra em 2015 da Pirelli pela China National Chemical Corp, por 7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Na Alemanha, investiu 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 225 acordos, sendo o maior deles a compra da em presa de m\u00e1quinas industriais KUKA AG, a joia da rob\u00f3tica alem\u00e3, que repassou, em 2016, ao cons\u00f3rcio chin\u00eas Midea por 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Na Gr\u00e3-Bretanha, foi a compra massiva de a\u00e7\u00f5es da multinacional mineradora anglo-australiana Rio Tinto, segunda maior mineradora do planeta, por 14 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Outro grande investimento da China na Europa foi a compra da empresa su\u00ed\u00e7a de pesticidas, Syngenta, por um valor de 46 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. (Dados de N\u00e9stor Parrondo em GQ, ag\u00eancia estatal espanhola de not\u00edcias, 10\/05\/2018). Isso explica porque, em dezembro de 2020, foi firmado um acordo, considerado hist\u00f3rico, entre a Uni\u00e3o Europeia (UE) e a China, por meio do qual se estabeleceram regras para abrir seus mercados e proteger os investimentos. Por outro lado, o acordo comercial que ficou conhecido como Rota da Seda ainda est\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o. At\u00e9 nos Estados Unidos e sob o governo de Trump, a famosa rede social chinesa Tik Tok chegou a \u201cum acordo com a Oracle e o Wallmart para operar nos Estados Unidos\u201d (Clar\u00edn, Argentina, 20\/09\/2020). Tamb\u00e9m na Am\u00e9rica Latina, a China possui fortes investi mentos no Chile, Peru, Venezuela, Bol\u00edvia, Brasil e Argentina. Um item forte \u00e9 o investimento em minera\u00e7\u00e3o. No Chile, por exemplo, a empresa privada chinesa Tianqi Lithium adquiriu 24% do capital da mineradora chilena de l\u00edtio SQM (Sociedad Qu\u00edmica y Minera de Chile) por 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (El Eco nomista, Argentina, 28\/08\/2019). O Brasil \u00e9 sede do primeiro banco industrial chin\u00eas do mundo. O Banco XCMG, do grupo Xuzhou Construction Machinery, uma das maiores empresas de fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas de constru\u00e7\u00e3o. A gigante chinesa dos cereais, Cofco Corporation, concluiu, em 2017, a aquisi \u00e7\u00e3o de todas as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para absorver a empresa holandesa de gr\u00e3os, Nidera, que tem forte presen\u00e7a como grupo exportador na Argentina. Em novembro de 2020, quinze pa\u00edses da \u00c1sia e da Oceania assinaram um acordo para formar a maior associa\u00e7\u00e3o comer cial do mundo. A China foi sua promotora e come\u00e7ou a negociar em 2012. \u201cA Associa\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica Integral Regional (RCEP, na sigla em ingl\u00eas), exclui os Estados Unidos, mas ter\u00e1 2,1 bilh\u00f5es de consumidores e 30% do PIB mundial. China, Jap\u00e3o, Coreia do Sul, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia assinaram o pacto junto com os dez pa\u00edses membros da ASEAN (Associa \u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico, composta por Indon\u00e9sia, Tail\u00e2ndia, Cingapura, Mal\u00e1sia, Filipinas, Vietn\u00e3, Mianmar, Camboja, Laos e Brunei\u201d (El Pais. 15\/11\/2020). A transforma\u00e7\u00e3o da China em uma pot\u00eancia capitalista imperialista tem suas limita\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es. Seu \u201ccalcanhar de Aquiles\u201d \u00e9 que se baseia na superexplora\u00e7\u00e3o de centenas de milh\u00f5es de trabalhadores e setores populares do campo e da cidade. Regime de vida imposto pela feroz ditadura do PCCH. \u00c9 por isso que, sobre a China e suas perspectivas n\u00e3o est\u00e1 dita a \u00faltima palavra. Se houvesse uma eclos\u00e3o social, uma \u201cprima vera chinesa\u201d ou uma nova revolu\u00e7\u00e3o com protagonismo para a classe trabalhadora chinesa, mais uma vez a realidade do pa\u00eds mais populoso do planeta poderia sofrer mudan\u00e7as qualita tivas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais. Como Nahuel Moreno apontou em 1967, em seu trabalho sobre a revolu\u00e7\u00e3o chinesa e sua perspectiva, na China foi e \u00e9 necess\u00e1rio derrotar a dire\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria do Partido Comunista da China e construir um partido marxista revolucion\u00e1rio. A publica\u00e7\u00e3o deste livro \u00e9 um novo incentivo para apoiar as lutas oper\u00e1rias e populares do povo chin\u00eas pelo fim de sua ditadura capitalista e por uma nova China Socialista com democracia para os setores oper\u00e1rios e populares.<\/p>\n<p>18 de mar\u00e7o de 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o da primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira do livro sobre China Miguel Sorans, Dirigente do Izquierda Socialista (Argentina) e da UIT-QI &nbsp; A China \u00e9 um dos temas de debate mais emocionantes do s\u00e9culo XXI. 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