

	{"id":17612,"date":"2025-08-11T20:08:56","date_gmt":"2025-08-11T23:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=17612"},"modified":"2025-08-15T17:54:08","modified_gmt":"2025-08-15T20:54:08","slug":"a-presenca-do-imperialismo-russo-na-america-latina-e-no-brasil-texto-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/08\/11\/a-presenca-do-imperialismo-russo-na-america-latina-e-no-brasil-texto-4\/","title":{"rendered":"A presen\u00e7a do imperialismo Russo na Am\u00e9rica Latina e no Brasil (texto 4)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ana Augucione, militante da CST de SP<\/strong><\/p>\n<p>A R\u00fassia mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas relevantes com a Am\u00e9rica Latina, concentradas em setores estrat\u00e9gicos como fertilizantes, energia e defesa. Por\u00e9m sem o mesmo protagonismo da China, EUA ou Uni\u00e3o Europeia. O com\u00e9rcio bilateral, que entre 2021 e 2023 variou entre US$ 16 e 20 bilh\u00f5es anuais, sofreu oscila\u00e7\u00f5es devido \u00e0s san\u00e7\u00f5es dos EUA ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, mas permaneceu ativo gra\u00e7as \u00e0 postura pragm\u00e1tica da regi\u00e3o, especialmente no fluxo de insumos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p><strong>Principais pa\u00edses parceiros e setores estrat\u00e9gicos da atua\u00e7\u00e3o Russa na regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o principal parceiro econ\u00f4mico regional, importando mais de US$ 3 bilh\u00f5es em fertilizantes russos em 2023, essenciais para as empresas agroexportadoras. Exporta carnes, soja, a\u00e7\u00facar e caf\u00e9 \u00e0 R\u00fassia. A Venezuela \u00e9 o parceiro estrat\u00e9gico e militar, com coopera\u00e7\u00e3o em energia e defesa. A estatal russa Rosneft atua junto \u00e0 PDVSA, e o pa\u00eds importa armamentos russos. A Argentina importa fertilizantes e combust\u00edveis, al\u00e9m de ter coopera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica (vacina Sputnik V). O M\u00e9xico mant\u00e9m com\u00e9rcio moderado, importando fertilizantes, a\u00e7o e petr\u00f3leo, e exportando ve\u00edculos, eletr\u00f4nicos e alimentos. Nicar\u00e1gua e Cuba mant\u00eam la\u00e7os pol\u00edticos e militares, com apoio log\u00edstico e coopera\u00e7\u00e3o em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, embora com baixo volume comercial.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica latina \u00e9 altamente dependente da importa\u00e7\u00e3o de fertilizantes, especialmente nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio Russo. Mais de 85% do consumo \u00e9 importado, distribu\u00eddo entre os principais fornecedores globais. A R\u00fassia domina cerca de 20% do mercado. \u00c9 o maior fornecedor, especialmente para Brasil e Argentina, com exporta\u00e7\u00e3o de cloreto de pot\u00e1ssio, nitrato de am\u00f4nio e ureia. O segundo maior fornecedor \u00e9 o Canad\u00e1 com 18%, via empresa Nutrien, competindo diretamente com a R\u00fassia. E em terceiro lugar vem a China com 9% e a Uni\u00e3o Europeia com 8%.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o maior comprador, seguido por Argentina e M\u00e9xico. Na Energia as parcerias envolvendo explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, g\u00e1s e reabilita\u00e7\u00e3o de infraestrutura energ\u00e9tica, apesar das san\u00e7\u00f5es. De acordo com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, a R\u00fassia \u00e9 o principal fornecedor de diesel ao Brasil, com mais de 40% do volume importado. De janeiro a junho, as importa\u00e7\u00f5es somaram mais de US$ 2,5 bilh\u00f5es. Esse combust\u00edvel \u00e9 fundamental para o funcionamento das m\u00e1quinas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>R\u00fassia e a Argentina, da extrema direita comandada por Milei, possuem uma s\u00e9rie de acordos bilaterais em \u00e1reas como transporte mar\u00edtimo, assist\u00eancia jur\u00eddica, coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-militar e coopera\u00e7\u00e3o em energia nuclear.<\/p>\n<p><strong>Apoio Russo aos regimes autorit\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>No ramo da \u201cDefesa\u201d o capitalismo imperialismo Russo atua na venda de armamentos e coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-militar, principalmente com os governos autorit\u00e1rios da Venezuela, Nicar\u00e1gua e Cuba. Na Sa\u00fade \u00e9 a exporta\u00e7\u00e3o da vacina Sputnik V para v\u00e1rios pa\u00edses, com coopera\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica pontual.<\/p>\n<p>A Venezuela, com seu regime autorit\u00e1rio, de fome, tamb\u00e9m se beneficia do apoio do imperialismo russo, recebendo apoio pol\u00edtico e econ\u00f4mico numa parceria que denominam de \u201cestrat\u00e9gica\u201d. A R\u00fassia tem fornecido equipamentos militares e tecnologia para a Venezuela. A R\u00fassia tem apoiado consistentemente o governo de Nicol\u00e1s Maduro em meio \u00e0s crises pol\u00edticas e \u00e0s cr\u00edticas internacionais, a Venezuela, por sua vez, tem apoiado a R\u00fassia na guerra contra a Ucr\u00e2nia, defendendo as a\u00e7\u00f5es russas. O governo Russo \u00e9 o principal defensor do ingresso da Venezuela nos Brics.<\/p>\n<p><strong>A presen\u00e7a do imperialismo Russo no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o comercial entre Brasil e R\u00fassia \u00e9 importante, por\u00e9m muito menor em volume se comparada \u00e0 que o Brasil tem com China ou EUA. Ela se caracteriza pela rela\u00e7\u00e3o em setores como agricultura, energia e defesa. No Brasil, maior consumidor regional de fertilizantes, mais de 85% deles s\u00e3o importados, sendo 25% provenientes da R\u00fassia. O agroneg\u00f3cio brasileiro, que devasta o meio ambiente, territ\u00f3rios e comunidades ind\u00edgenas, \u00e9 profundamente abastecido pela R\u00fassia; somente em 2023, o Brasil exportou U$ 949 milh\u00f5es nesse setor pra R\u00fassia. Os dois pa\u00edses t\u00eam fortalecido a coopera\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do agroneg\u00f3cio, com reuni\u00f5es e acordos bilaterais visando o desenvolvimento do setor.<\/p>\n<p>Segundo dados de 2023 da APEX, a R\u00fassia \u201c<em>ocupa um lugar de destaque no com\u00e9rcio exterior brasileiro, como o quinto maior fornecedor do Brasil e o terceiro principal entre\u00a0os pa\u00edses europeus e asi\u00e1ticos. As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a R\u00fassia somaram US$1,3 bilh\u00e3o no \u00faltimo ano, com uma pauta concentrada em produtos como soja, carne bovina, caf\u00e9 n\u00e3o torrado e amendoins. No caso deste \u00faltimo, do valor total exportado pelo Brasil, 27% correspondem ao valor importado pela R\u00fassia<\/em>\u201d.\u00a0 E acrescenta que \u201c<em>A pauta importadora brasileira da R\u00fassia apresenta forte concentra\u00e7\u00e3o, uma vez que os dois principais grupos de produtos (\u00f3leos combust\u00edveis de petr\u00f3leo e adubos e fertilizantes) importados pelo\u00a0brasil\u00a0representam quase 90% das importa\u00e7\u00f5es. Vale\u00a0pontuar a relev\u00e2ncia do mercado russo para o mercado brasileiro no que diz respeito ao segundo grupo, adubos e fertilizantes, em que o Brasil \u00e9 o principal importador mundial desse grupo\u201d<\/em>. A R\u00fassia se destaca como origem de insumos para o agroneg\u00f3cio nacional, um dos setores mais predat\u00f3rios para a cat\u00e1strofe ambiental e clim\u00e1tica e politicamente financiador da extrema direita golpista.<\/p>\n<p>Os dados da APEX indicam\u00a0que a balan\u00e7a\u00a0comercial \u00e9 favor\u00e1vel ao imperialismo Russo. O Brasil importa mais do que exporta. Em 2024, o com\u00e9rcio bilateral entre Bras\u00edlia e Moscou atingiu recorde hist\u00f3rico de US$ 12,4 bilh\u00f5es. Foram US$ 1,4 bilh\u00e3o de exporta\u00e7\u00f5es e US$ 11 bilh\u00f5es de importa\u00e7\u00f5es brasileiras. Atualmente, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras se concentram em soja (33%), caf\u00e9 n\u00e3o torrado (18%) e carne bovina (18%). As importa\u00e7\u00f5es envolvem \u00f3leos combust\u00edveis de petr\u00f3leo ou de minerais betuminosos (57%) e adubos e fertilizantes qu\u00edmicos (34%).<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o aceitamos a subjuga\u00e7\u00e3o por nenhum imperialismo<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s defendemos que nossos aliados s\u00e3o a classe trabalhadora e os setores populares, n\u00e3o os governos capitalistas, patr\u00f5es e os imperialistas. N\u00e3o importa se o imperialismo em quest\u00e3o \u00e9 novo ou velho. \u00c9 o hegem\u00f4nico ou \u00e9 minorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Estamos ao lado e apoiando a classe que est\u00e1 em luta na Am\u00e9rica Latina, Europa e qualquer lugar do globo. Do mesmo modo que estamos ao lado da resist\u00eancia ucraniana e contra a OTAN. N\u00f3s estamos com os trabalhadores Venezuelanos, Argentinos e Nicaraguenses e n\u00e3o com seus governos bonapartistas. Fazemos isso pois a classe trabalhadora n\u00e3o tem p\u00e1tria e a sua luta \u00e9 uma s\u00f3. Toda derrota dos planos imperialistas \u00e9 uma vit\u00f3ria nossa,\u00a0e um passo \u00e0 frente na batalha para sua derrota definitiva.\u00a0A parceria com governos imperialistas \u00e9 imposs\u00edvel porque s\u00e3o esses os governos que nos imp\u00f5em o pagamento ilegal e ileg\u00edtimo das d\u00edvidas externas e internas, que submetem nosso pa\u00eds a tratados econ\u00f4micos, diplom\u00e1ticos, tecnol\u00f3gicos e militares (seja EUA, UE, China, R\u00fassia), que exploram nossos min\u00e9rios, \u00e1guas e florestas a pre\u00e7o de banana, dentre outras formas de domina\u00e7\u00e3o e rapina. No passado, foram essas rela\u00e7\u00f5es que levaram o pr\u00f3prio governo Lula a liderar a ocupa\u00e7\u00e3o militar do Haiti, por meio das tropas da ONU, violando a soberania daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio, parceiro comercial do imperialismo Russo, \u00e9 um inimigo estrat\u00e9gico da classe trabalhadora e dos setores populares. Somos contr\u00e1rios a a\u00e7\u00e3o do imperialismo Russo na Am\u00e9rica latina, seu apoio a regimes autorit\u00e1rios e ditaduras, suas \u00f3timas rela\u00e7\u00f5es com a extrema direita e sua linha de explora\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Augucione, militante da CST de SP A R\u00fassia mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas relevantes com a Am\u00e9rica Latina, concentradas em setores estrat\u00e9gicos como fertilizantes, energia e defesa. Por\u00e9m sem o mesmo protagonismo da China, EUA ou Uni\u00e3o Europeia. 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