

	{"id":17831,"date":"2025-09-17T19:19:29","date_gmt":"2025-09-17T22:19:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=17831"},"modified":"2025-09-17T19:19:29","modified_gmt":"2025-09-17T22:19:29","slug":"explode-a-ira-popular-no-nepal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/09\/17\/explode-a-ira-popular-no-nepal\/","title":{"rendered":"Explode a ira popular no Nepal!"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Miguel Angel Hern\u00e1ndez, dirigente do PSL da Venezuela e da UIT-CI<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10\/9\/2025. Na \u00faltima segunda-feira, 8 de setembro, eclodiram protestos no Nepal contra a corrup\u00e7\u00e3o, em consequ\u00eancia da proibi\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias redes sociais por parte do governo. Os protestos, que come\u00e7aram de forma pac\u00edfica, com uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o concentrada em frente ao parlamento, tornaram-se violentos depois que as for\u00e7as de seguran\u00e7a reprimiram brutalmente as manifesta\u00e7\u00f5es, deixando um saldo at\u00e9 agora de 22 mortos e mais de 100 feridos, muitos deles por tiros.<\/p>\n<p>O Nepal \u00e9 um pa\u00eds de 30 milh\u00f5es e meio de habitantes localizado no sul da \u00c1sia, na fronteira com a \u00cdndia e a China, de maioria hindu\u00edsta e budista. Cercado pela cordilheira do Himalaia, o chamado \u201cteto do mundo\u201d, pois abriga v\u00e1rios dos picos mais altos do mundo, entre eles o Monte Everest.<\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira, o primeiro-ministro Khadga Prasad Oli renunciou ao cargo como consequ\u00eancia dos protestos massivos que eclodiram em Katmandu, capital do pa\u00eds, e se espalharam para cidades como Pokhara e Itahari. A ren\u00fancia do primeiro-ministro foi seguida pela ren\u00fancia do ministro do Interior, Ramesh Lekhak, que se demitiu durante uma reuni\u00e3o do gabinete.<\/p>\n<p>No Nepal, h\u00e1 um governo capitalista de concilia\u00e7\u00e3o de classes. O pa\u00eds \u00e9 governado por uma coaliz\u00e3o de partidos burgueses liberais junto com o Partido Comunista do Nepal (PCN, Marxista-Leninista Unificado), de tend\u00eancia mao\u00edsta. O primeiro-ministro renunciante \u00e9 membro do PCN.<\/p>\n<p>O Nepal esteve mergulhado em uma longa e sangrenta guerra civil contra a monarquia, que se estendeu entre 1996 e 2006. Naquele ano, foi assinado um acordo entre o governo provis\u00f3rio da Alian\u00e7a dos Sete Partidos, uma coaliz\u00e3o de partidos burgueses liberais, e o Partido Comunista do Nepal (PCN). Em 2008, foi realizada uma Assembleia Constituinte que aboliu a monarquia e estabeleceu uma rep\u00fablica democr\u00e1tica parlamentar.<\/p>\n<p>Trata-se de um governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes do qual participa o Partido Comunista junto com partidos patronais, o que gera confus\u00e3o sobre seu verdadeiro car\u00e1ter capitalista. \u00c9 algo semelhante ao que ocorre com regimes como o da Venezuela ou da Nicar\u00e1gua, que se autodenominam \u201csocialistas\u201d ou de \u201cesquerda\u201d, quando na realidade aplicam duros ajustes capitalistas e governam em acordo com empresas privadas e transnacionais.<\/p>\n<p>Os principais parceiros comerciais do Nepal s\u00e3o a \u00cdndia, a China e os Estados Unidos. Nos \u00faltimos anos, o investimento estrangeiro no pa\u00eds cresceu no \u00e2mbito de um acordo assinado com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional em 2022, renovado este ano, o que gerou um elevado n\u00edvel de desemprego, sendo esta uma das principais raz\u00f5es para o mal-estar social no Nepal e o eclodir dos recentes protestos.<\/p>\n<p>Entre as principais transnacionais presentes no Nepal est\u00e3o a Unilever, a Coca Cola, a Dabur, empresa indiana de bens de consumo, especialmente de sa\u00fade, a Suzuki, a Honda, a Hyundai, a Verisk Nepal, empresa norte-americana de software, a Cotiviti Nepal, outra empresa norte-americana tamb\u00e9m de software, a Fusemachines, norte-americana, especializada em Intelig\u00eancia Artificial, entre muitas outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As redes sociais e a ira popular<\/strong><\/p>\n<p>Como dissemos anteriormente, a fa\u00edsca que detonou a explos\u00e3o popular foi a suspens\u00e3o, em 4 de setembro, de 26 redes sociais, entre elas YouTube, X, Facebook, Instagram e Whatsapp, com o argumento de que elas n\u00e3o cumpriram o prazo de registro junto aos \u00f3rg\u00e3os governamentais competentes. E que essa medida foi tomada contra o uso indevido das plataformas, atrav\u00e9s das quais, supostamente, \u201calguns usu\u00e1rios espalhavam \u00f3dio e boatos, cometiam crimes cibern\u00e9ticos e perturbavam a harmonia social\u201d.<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o das redes sociais foi interpretada pelos setores populares, e em particular pelos jovens, como uma tentativa de censura e de conter as cr\u00edticas ao nepotismo e \u00e0 ostenta\u00e7\u00e3o dos altos hierarcas do regime e seus filhos.<\/p>\n<p>Milhares de manifestantes invadiram a sede do parlamento desafiando o toque de recolher declarado pelo governo, incendiando-a posteriormente e at\u00e9 mesmo incendiando uma ambul\u00e2ncia e enfrentando a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A raiva popular acumulada durante anos de promessas n\u00e3o cumpridas, frustra\u00e7\u00e3o com os p\u00e9ssimos sal\u00e1rios, desemprego e corrup\u00e7\u00e3o desenfreada explodiu com a suspens\u00e3o das redes sociais. Os manifestantes atacaram e incendiaram casas de alguns funcion\u00e1rios considerados corruptos. Rajyalaxmi Chitrakar, esposa do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal, morreu ap\u00f3s sua resid\u00eancia ser incendiada. O ministro da Economia foi jogado nu em um rio e espancado pelos manifestantes, outros funcion\u00e1rios tamb\u00e9m foram espancados nos protestos. At\u00e9 mesmo a sede de um meio de comunica\u00e7\u00e3o privado, o Kantipur Media Group, o maior conglomerado de m\u00eddia do Nepal, que inclui jornais em nepal\u00eas e ingl\u00eas e canais de televis\u00e3o, foi incendiada.<\/p>\n<p><strong>Pobreza, corrup\u00e7\u00e3o e desigualdade: a origem dos protestos<\/strong><\/p>\n<p>A origem dos protestos deve ser encontrada na tremenda pobreza que aflige o povo trabalhador do Nepal, que contrasta com o luxo e a ostenta\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes pol\u00edticos e suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A maioria dos jovens nepaleses se sente frustrada e sem futuro, oprimida pela desigualdade e pelo desemprego. A taxa de desemprego juvenil no Nepal foi de 20% no ano passado, de acordo com o Banco Mundial. A renda per capita \u00e9 de cerca de US$ 1.300 por ano; 7,5% da popula\u00e7\u00e3o trabalha no exterior, e as remessas da di\u00e1spora sustentam o consumo interno.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os l\u00edderes dos tr\u00eas principais partidos, o Congresso Nepal\u00eas, o Partido Comunista do Nepal (CPN-UML) e o Partido Comunista do Nepal (Centro Mao\u00edsta), foram envolvidos em esc\u00e2ndalos que v\u00e3o desde o chamado golpe dos refugiados butaneses, casos de usurpa\u00e7\u00e3o de terras, contrabando de ouro e corrup\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da reconstru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o terremoto de 2015 e, durante a pandemia, com a gest\u00e3o das vacinas contra a Covid-19.<\/p>\n<p>Mais recentemente, houve o caso de uma rede que enganava cidad\u00e3os com viagens \u00e0 Espanha sob o falso pretexto de participar de uma confer\u00eancia da ONU.<\/p>\n<p><strong>A gera\u00e7\u00e3o Z sai \u00e0s ruas<\/strong><\/p>\n<p>Semanas antes da proibi\u00e7\u00e3o das redes sociais, grupos de jovens desenvolveram uma campanha nas redes sociais, especificamente atrav\u00e9s de v\u00eddeos no TikTok, expondo a vida luxuosa dos filhos dos pol\u00edticos, que sem pudor fazem alarde p\u00fablico de suas mans\u00f5es, seus ve\u00edculos luxuosos, viagens ao exterior e estudos em universidades europeias. Tudo isso contrasta com a pobreza, o desemprego e a falta de oportunidades para milh\u00f5es de jovens das classes populares.<\/p>\n<p>Os protestos foram liderados por jovens que se identificam como a \u201cgera\u00e7\u00e3o Z\u201d, nascidos entre 1997 e 2012. A campanha impulsionada pelas redes sociais e o chamado para as mobiliza\u00e7\u00f5es tinham duas hashtags que a caracterizavam: \u201cNepo Baby\u201d e \u201cNepo Kids\u201d. \u201cNepo\u201d \u00e9 a abrevia\u00e7\u00e3o de nepotismo. Essas hashtags ganharam grande popularidade e se tornaram virais nas redes sociais, expondo, por meio de v\u00eddeos e fotos, o estilo de vida luxuoso dos altos escal\u00f5es do governo, seus familiares e filhos, que se aproveitaram dos cargos de seus pais para enriquecer.<\/p>\n<p>Desde a Unidade Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Quarta Internacional (UIT-CI), apoiamos incondicionalmente as mobiliza\u00e7\u00f5es no Nepal e somos solid\u00e1rios com a luta dos jovens e do povo trabalhador do Nepal.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o social no Nepal, um pa\u00eds pouco comentado, \u00e9 mais uma express\u00e3o da grande crise que atravessa o sistema capitalista em sua fase de decad\u00eancia imperialista. Um sistema absurdo e desigual que submete os povos \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 fome, enquanto pol\u00edticos e empres\u00e1rios desfrutam de todo tipo de privil\u00e9gios, sob a prote\u00e7\u00e3o do controle do Estado e dos recursos naturais dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o, a ostenta\u00e7\u00e3o e a pobreza de milh\u00f5es s\u00e3o o caldo de cultura para que eclodam rebeli\u00f5es populares, colocando em xeque os governos capitalistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Miguel Angel Hern\u00e1ndez, dirigente do PSL da Venezuela e da UIT-CI &nbsp; 10\/9\/2025. Na \u00faltima segunda-feira, 8 de setembro, eclodiram protestos no Nepal contra a corrup\u00e7\u00e3o, em consequ\u00eancia da proibi\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias redes sociais por parte do governo. 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