

	{"id":18190,"date":"2025-11-22T11:18:16","date_gmt":"2025-11-22T14:18:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18190"},"modified":"2025-11-22T11:18:16","modified_gmt":"2025-11-22T14:18:16","slug":"fim-das-operacoes-policiais-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/11\/22\/fim-das-operacoes-policiais-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Fim das opera\u00e7\u00f5es policiais no Rio de Janeiro."},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Por Bab\u00e1 \u2013 Coordena\u00e7\u00e3o da CST, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI e Rosi Messias \u2013 Coordena\u00e7\u00e3o da CST, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As opera\u00e7\u00f5es policiais em favelas do Rio de Janeiro t\u00eam sido uma pr\u00e1tica recorrente dos \u00faltimos governos. Sob o pretexto da \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d, essas a\u00e7\u00f5es resultam em invas\u00f5es de domic\u00edlio, pris\u00f5es, tortura e mortes de moradores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nSegundo dados do Instituto Fogo Cruzado, de janeiro a novembro de 2025, 353 pessoas foram mortas por agentes policiais. O mesmo instituto aponta que, na \u00faltima d\u00e9cada, diversas opera\u00e7\u00f5es letais ocorreram na cidade, como a chacina do Jacarezinho em 2021, que resultou em 27 mortos. Em 2022, as chacinas nos complexos do Alem\u00e3o e da Penha deixaram um rastro de sangue, com 16 e 23 mortos, respectivamente. Mais recentemente, em mar\u00e7o de 2023, houve a chacina no Salgueiro, com 13 mortes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nO fato de as opera\u00e7\u00f5es mais letais da hist\u00f3ria do Rio de Janeiro terem ocorrido em regi\u00f5es de favelas demonstra o car\u00e1ter intrinsecamente racista dessas a\u00e7\u00f5es, configurando uma guerra aos pobres.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O hist\u00f3rico de militariza\u00e7\u00e3o e fal\u00eancia da seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nO Rio de Janeiro tem sido palco de in\u00fameras opera\u00e7\u00f5es de impacto negativo nas favelas. Em 1994, a Opera\u00e7\u00e3o Rio marcou uma in\u00e9dita a\u00e7\u00e3o militar do governo federal, ocupando favelas cariocas. No ano seguinte, foi deflagrada a Opera\u00e7\u00e3o Rio II. Apresentadas pelos ent\u00e3o presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso (FHC) como a solu\u00e7\u00e3o para a seguran\u00e7a p\u00fablica, essas interven\u00e7\u00f5es, na pr\u00e1tica, inauguraram um padr\u00e3o de uso de for\u00e7a militar e n\u00e3o solucionaram a crise da seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nEm 2007, o ent\u00e3o governador S\u00e9rgio Cabral instalou as Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPPs), iniciando no Morro Dona Marta, em Botafogo, e rapidamente expandindo a estrat\u00e9gia. A face cruel das UPPs logo veio \u00e0 tona atrav\u00e9s de in\u00fameras den\u00fancias de maus-tratos a moradores, como o caso do desaparecimento do pedreiro Amarildo, que foi torturado e morto por policiais dentro da UPP da Rocinha em 2013.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nEm 2010, durante o governo Lula, uma megaopera\u00e7\u00e3o no Complexo do Alem\u00e3o, envolvendo a Pol\u00edcia Militar e as For\u00e7as Armadas, tentou instalar uma UPP na comunidade. Mais uma vez, os moradores viveram momentos de terror, com revistas constantes e a presen\u00e7a intimidadora de tanques e blindados estacionados em frente a escolas, postos de sa\u00fade e resid\u00eancias. Essa opera\u00e7\u00e3o, marcada por um forte apelo midi\u00e1tico, foi mais um cap\u00edtulo tr\u00e1gico do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A interven\u00e7\u00e3o federal em 2018<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nEm 2018, o Rio de Janeiro foi submetido a uma interven\u00e7\u00e3o militar federal durante dez meses. Longe de pacificar o estado, o per\u00edodo foi marcado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e por uma escalada da viol\u00eancia letal: o n\u00famero de chacinas dobrou em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. Segundo relat\u00f3rios de seguran\u00e7a p\u00fablica, foram 12 chacinas, totalizando 52 v\u00edtimas, contra 6 chacinas em 2017.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Exigimos o fim da guerra aos pobres!<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nO resultado direto da militariza\u00e7\u00e3o \u00e9 a multiplica\u00e7\u00e3o de chacinas. A seguran\u00e7a p\u00fablica efetiva exige uma mudan\u00e7a radical de abordagem: em primeiro lugar, defendemos o fim das opera\u00e7\u00f5es nas favelas. Defendemos o investimento em intelig\u00eancia e investiga\u00e7\u00e3o para desmantelar as c\u00fapulas do crime organizado. A recente pris\u00e3o do deputado estadual do RJ TH J\u00f3ias, do MDB e da base do governador Cl\u00e1udio Castro, \u00e9 exemplo do envolvimento de pol\u00edticos com o tr\u00e1fico no Rio de Janeiro. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio desarticular as grandes redes de tr\u00e1fico e lavagem de dinheiro, a come\u00e7ar por investigar os pol\u00edticos e empres\u00e1rios envolvidos com o tr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nEm segundo lugar, defendemos a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais, projetos esportivos, culturais e de lazer que ofere\u00e7am oportunidades reais para a juventude. Para isso, \u00e9 preciso investimento pesado, acabar com o arcabou\u00e7o fiscal e suspender o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, utilizando esses recursos para investimentos nas \u00e1reas sociais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\nPor fim, est\u00e1 colocado o debate da legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. A Lei de Drogas de 2006, durante o governo Lula, s\u00f3 aumentou o encarceramento da popula\u00e7\u00e3o jovem e pobre. N\u00f3s defendemos a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas como medida fundamental para minar o poder e a economia do tr\u00e1fico, ao mesmo tempo em que a depend\u00eancia deve ser tratada com sa\u00fade p\u00fablica, e n\u00e3o como caso de pol\u00edcia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bab\u00e1 \u2013 Coordena\u00e7\u00e3o da CST, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI e Rosi Messias \u2013 Coordena\u00e7\u00e3o da CST, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI As opera\u00e7\u00f5es policiais em favelas do Rio de Janeiro t\u00eam sido uma pr\u00e1tica recorrente dos \u00faltimos governos. 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