

	{"id":18254,"date":"2025-12-18T15:07:30","date_gmt":"2025-12-18T18:07:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18254"},"modified":"2025-12-18T15:07:30","modified_gmt":"2025-12-18T18:07:30","slug":"bulgaria-grandes-mobilizacoes-provocam-a-queda-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/12\/18\/bulgaria-grandes-mobilizacoes-provocam-a-queda-do-governo\/","title":{"rendered":"Bulg\u00e1ria: grandes mobiliza\u00e7\u00f5es provocam a queda do governo"},"content":{"rendered":"<p>Por Imprensa UIT-QI<\/p>\n<p>12\/12\/2025. Desde meados de novembro, em meio a uma crescente onda de greves na Europa, a Bulg\u00e1ria tem sido palco das maiores mobiliza\u00e7\u00f5es desde 1990. Dessa vez, a luta est\u00e1 sendo travada contra o or\u00e7amento apresentado pelo governo, que aumentaria os impostos e as contribui\u00e7\u00f5es individuais para a aposentadoria e a seguridade social, al\u00e9m de impor medidas de ajuste ao povo trabalhador. Os funcion\u00e1rios p\u00fablicos receberiam um reajuste modesto, enquanto as for\u00e7as de seguran\u00e7a seriam beneficiadas com um aumento salarial consider\u00e1vel, muito superior ao do trabalhador m\u00e9dio. O objetivo do governo era aprovar o or\u00e7amento para abandonar a moeda nacional (o Lev) e adotar o Euro a partir de 1\u00ba de janeiro de 2026, ingressando assim na Zona Euro, ap\u00f3s ter sido membro da Uni\u00e3o Europeia desde 2007.<\/p>\n<p>Os protestos contra o or\u00e7amento expressam a forte determina\u00e7\u00e3o do povo h\u00fangaro de defender os direitos sociais, que est\u00e3o sendo atacados pelo governo. As promessas de que a ades\u00e3o \u00e0 Zona do Euro em 2026 traria maior estabilidade econ\u00f4mica e melhor qualidade de vida est\u00e3o sendo frustradas pela deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia do povo trabalhador em toda a Europa, que sofre com o desemprego, a falta de moradia, os altos pre\u00e7os, os baixos sal\u00e1rios e a repress\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir de 1945, a Bulg\u00e1ria fez parte do bloco de pa\u00edses governados por partidos comunistas stalinistas na Europa Oriental. O capitalismo foi restaurado no pa\u00eds em 1989. Desde ent\u00e3o, o pa\u00eds tem sido governado por partidos ligados a oligarcas corruptos, que controlam os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a economia, implementando duras medidas de austeridade ao longo desses anos, que empobreceram os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>Os motivos para a mobiliza\u00e7\u00e3o residem na deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e no impacto da crise econ\u00f4mica. A Bulg\u00e1ria, com 6,5 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 o pa\u00eds mais pobre da Uni\u00e3o Europeia (UE). A pobreza amea\u00e7a 21,7% da popula\u00e7\u00e3o, n\u00famero que sobe para 28,2% entre os menores de 18 anos. O custo cada vez mais elevado da moradia torna-a cada vez mais inacess\u00edvel. A Bulg\u00e1ria apresenta o segundo maior aumento nos custos de moradia da Uni\u00e3o Europeia \u2014 depois de Portugal \u2014, com 15,5%.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o com a corrup\u00e7\u00e3o dentro do regime pol\u00edtico tamb\u00e9m \u00e9 central na mobiliza\u00e7\u00e3o. Uma das mais sentidas \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o a Boyko Borisov e Delyan Peevski, identificados como as figuras poderosas que manipulam o governo fantoche. Boyko Borisov \u00e9 o l\u00edder amplamente repudiado do partido governista de direita GERB, ex-policial durante o regime stalinista e ex-primeiro-ministro de 2009 a 2013 \u2014 e em diversas outras ocasi\u00f5es \u2014 que, sob um governo autorit\u00e1rio e corrupto, reprimiu a oposi\u00e7\u00e3o e o jornalismo independente, enquanto pressionava pela ades\u00e3o da Bulg\u00e1ria \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. Delyan Peevski \u00e9 um oligarca, magnata da m\u00eddia, sancionado por corrup\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos e no Reino Unido, e membro do parlamento b\u00falgaro. Mais de 80% dos entrevistados em pesquisas afirmam que a mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma revolta civil contra o modelo de governo associado a Boyko Borisov e Delyan Peevski.<\/p>\n<p>As massivas mobiliza\u00e7\u00f5es \u2013 que contaram com a participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores e seus sindicatos, estudantes e jovens da Gera\u00e7\u00e3o Z \u2013 alcan\u00e7aram a primeira vit\u00f3ria, provocando a ren\u00fancia do primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov em 11 de dezembro. Antes de renunciar, ele havia anunciado que retiraria de pauta o controverso or\u00e7amento como uma manobra, mas a tentativa fracassou, e os trabalhadores continuaram a ocupar as ruas de S\u00f3fia \u2014 a capital \u2014 e de outras cidades. Em 12 de dezembro, o parlamento aprovou por unanimidade a ren\u00fancia do primeiro-ministro.<\/p>\n<p><strong>O governo cai, a crise continua<\/strong><\/p>\n<p>Com sete elei\u00e7\u00f5es parlamentares desde 2021 e coaliz\u00f5es governamentais fr\u00e1geis, a Bulg\u00e1ria \u00e9 um dos pa\u00edses mais inst\u00e1veis da Uni\u00e3o Europeia. Desde a sua nomea\u00e7\u00e3o como primeiro-ministro em janeiro desse ano, Rosen Zhelyazkov enfrentou seis mo\u00e7\u00f5es de censura. Antes que o parlamento pudesse aprovar uma mo\u00e7\u00e3o, impulsionada pela oposi\u00e7\u00e3o social-liberal, o primeiro-ministro renunciou.<\/p>\n<p>Agora, o presidente b\u00falgaro, Rumen Radev, dever\u00e1 nomear um primeiro-ministro interino dentre seus aliados mais pr\u00f3ximos, em comum acordo com as for\u00e7as pol\u00edticas, enquanto prepara o terreno para que o parlamento convoque novas elei\u00e7\u00f5es antecipadas para mar\u00e7o de 2026. Por\u00e9m, o cen\u00e1rio institucional est\u00e1 comprometido pelas demandas dos protestos e pela grave crise pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O regime em crise e os partidos est\u00e3o tentando usar a ren\u00fancia do primeiro-ministro como uma pausa para ganhar tempo, impor a desmobiliza\u00e7\u00e3o e fomentar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a por meio de um novo processo eleitoral, tudo com o objetivo de se realinharem. Enquanto os que est\u00e3o no topo se preparam para uma transi\u00e7\u00e3o ordenada, as dificuldades enfrentadas pela maioria da popula\u00e7\u00e3o continuar\u00e3o a corroer a confian\u00e7a nos partidos do regime, que \u2014 apesar de suas diferen\u00e7as pol\u00edticas \u2014 concordam em manter o plano de explora\u00e7\u00e3o e empobrecimento da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Pesquisas recentes mostram que as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es aprofundaram a ruptura de amplos setores da popula\u00e7\u00e3o com o GERB, que perdeu uma parcela significativa de seu apoio em apenas tr\u00eas meses, caindo de 22% para 17%. 56% dos entrevistados apoiam a queda do governo e 51% afirmam estar dispostos a votar em elei\u00e7\u00f5es antecipadas. No entanto, 25% est\u00e3o indecisos sobre em quem votar.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI), apoiamos as mobiliza\u00e7\u00f5es em curso na Bulg\u00e1ria, lideradas por trabalhadores, jovens, mulheres e outros setores populares. Ap\u00f3s a retumbante vit\u00f3ria conquistada com a ren\u00fancia do primeiro-ministro e a retirada da controversa proposta or\u00e7ament\u00e1ria, as mais de 100 mil pessoas que tomaram as ruas da capital, S\u00f3fia, em manifesta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, demonstraram sua rejei\u00e7\u00e3o aos oligarcas e aos partidos do regime, bem como a busca por uma alternativa pol\u00edtica. Essa alternativa pol\u00edtica pode emergir do calor da luta, com independ\u00eancia pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a todos os partidos do regime, e por meio da elabora\u00e7\u00e3o de um programa com uma sa\u00edda de fundo para a crise capitalista, que abala toda a Europa e submete a Bulg\u00e1ria e seu povo trabalhador ao jugo das pot\u00eancias imperialistas e seus interesses. A luta continua!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Imprensa UIT-QI 12\/12\/2025. Desde meados de novembro, em meio a uma crescente onda de greves na Europa, a Bulg\u00e1ria tem sido palco das maiores mobiliza\u00e7\u00f5es desde 1990. 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