

	{"id":18259,"date":"2025-12-18T15:16:55","date_gmt":"2025-12-18T18:16:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18259"},"modified":"2025-12-18T15:16:55","modified_gmt":"2025-12-18T18:16:55","slug":"trump-aprofundou-a-desordem-mundial-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/12\/18\/trump-aprofundou-a-desordem-mundial-do-capitalismo\/","title":{"rendered":"Trump aprofundou a desordem mundial do capitalismo"},"content":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans, dirigente da Izquierda Socialista e da UIT-QI<\/p>\n<p>11\/12\/2025. No dia 20 de janeiro de 2026 se completa um ano desde que o presidente de extrema-direita Donald Trump assumiu o cargo. Ele assumiu a presid\u00eancia em 2025, anunciando o fim do \u201cdecl\u00ednio dos EUA\u201d e o in\u00edcio da \u201cera de ouro\u201d do pa\u00eds. Em outras palavras, ele assumiu o cargo reconhecendo o decl\u00ednio do sistema capitalista-imperialista liderado pelos Estados Unidos. Em poucos dias, lan\u00e7ou uma s\u00e9rie de iniciativas, como a chamada \u201cguerra comercial\u201d global, com todos os tipos de tarifas; decretos executivos contra imigrantes; a nomea\u00e7\u00e3o do bilion\u00e1rio Elon Musk para demitir milhares de funcion\u00e1rios p\u00fablicos; e a declara\u00e7\u00e3o de que existem apenas dois sexos na sociedade estadunidense. No cen\u00e1rio internacional, ele anunciou que resolveria a guerra na Ucr\u00e2nia em 24 horas; que assumiria o controle do Canal do Panam\u00e1 e da Groenl\u00e2ndia; que incorporaria o Canad\u00e1 como um novo Estado; e que expulsaria milh\u00f5es de palestinos de Gaza, transformando o territ\u00f3rio num destino tur\u00edstico, a \u201cRiviera do Oriente M\u00e9dio\u201d.<\/p>\n<p>Um ano depois, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o? Embora Trump continue sua contraofensiva, ele n\u00e3o conseguiu implementar e sustentar muitas de suas promessas. Ele recuou na \u201cguerra tarif\u00e1ria\u201d. Em agosto, por exemplo, fez um acordo com a China, reduzindo as tarifas de 149% para 25%. Elon Musk acabou renunciando em junho, em meio a protestos populares. Foi um desentendimento p\u00fablico escandaloso, digno de novela, com Musk acusando Trump de envolvimento num caso de pedofilia e Trump acusando Musk de ser \u201clouco\u201d e \u201cdrogado\u201d. A guerra na Ucr\u00e2nia n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foi resolvida em 24 horas, como Trump prometeu, mas continua e, em fevereiro, completar\u00e1 quatro anos. Isso mesmo com Trump fazendo o jogo de Putin e pressionando pela rendi\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Nem o Canal do Panam\u00e1, nem a Groenl\u00e2ndia, nem o Canad\u00e1 ca\u00edram nas m\u00e3os dos EUA. E, at\u00e9 hoje, Trump e o sionismo israelense, apesar do genoc\u00eddio, n\u00e3o conseguiram expulsar os dois milh\u00f5es de palestinos que sobrevivem em Gaza, nem transformar a regi\u00e3o num \u201cdestino tur\u00edstico\u201d. A heroica resist\u00eancia palestina e a mobiliza\u00e7\u00e3o global impediram Trump e Netanyahu de declararem vit\u00f3ria em Gaza.<\/p>\n<p>Trump assumiu o cargo virando a mesa dos acordos imperialistas do p\u00f3s-guerra e s\u00f3 conseguiu gerar mais caos e desordem globais<\/p>\n<p>Trump iniciou o mandato em janeiro de 2025, deixando claro que desejava encerrar a guerra na Ucr\u00e2nia, favorecendo o ditador e invasor Putin e passando por cima da Uni\u00e3o Europeia (UE), do imperialismo europeu e da OTAN. Dessa forma, ficou evidente que Trump busca um novo realinhamento imperialista, desconsiderando os acordos estrat\u00e9gicos adotados desde 1945, principalmente com o imperialismo europeu, incluindo o acordo pol\u00edtico-militar da OTAN, fundada em 1949. [1]<\/p>\n<p>Isso foi confirmado pelo Secret\u00e1rio de Estado, Marco Rubio, ao assumir o cargo: \u201cA ordem mundial do p\u00f3s-guerra n\u00e3o \u00e9 apenas obsoleta\u2026 Ela agora \u00e9 uma arma que est\u00e1 sendo usada contra n\u00f3s\u201d, declarou numa audi\u00eancia no Senado (Macarena Vidal Liy, El Pa\u00eds, 09\/03\/2025).<\/p>\n<p>Essa virada de mesa dos pactos do p\u00f3s-guerra, patrocinada por Trump, se explica pelo fato de que, h\u00e1 d\u00e9cadas, o sistema capitalista-imperialista vem passando por uma enorme crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social e ambiental. N\u00e3o se trata de uma crise conjuntural. Ela vem se agravando desde 2008 e faz parte de um irrevers\u00edvel processo hist\u00f3rico de decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Nesse contexto, Trump lan\u00e7ou sua contraofensiva imperialista. Com ela, busca subordinar \u00e0 sua pol\u00edtica de pilhagem e explora\u00e7\u00e3o o imperialismo chin\u00eas \u2013 a segunda maior pot\u00eancia mundial \u2013, os imperialismos menores \u2013 como a Uni\u00e3o Europeia e a R\u00fassia \u2013 e as semi-col\u00f4nias. Al\u00e9m disso, tenta derrotar as lutas dos movimentos de massa, reverter as conquistas da quarta onda feminista e os direitos das dissid\u00eancias sexuais. Isso se soma a uma ofensiva racista e anti-imigra\u00e7\u00e3o nos EUA e em todo o mundo.<\/p>\n<p>No entanto, as idas e vindas econ\u00f4micas e pol\u00edticas de Trump apenas exacerbaram a crise econ\u00f4mica global, aumentaram os atritos inter-burgueses e intensificaram as lutas nos EUA e em todo o mundo \u2014 algo que definimos como desordem capitalista global. E, por enquanto, Trump n\u00e3o conseguiu estabelecer uma \u201cnova ordem mundial\u201d capitalista.<\/p>\n<p>A Doutrina Monroe do S\u00e9culo XXI<\/p>\n<p>A melhor demonstra\u00e7\u00e3o disso foi dada pelo pr\u00f3prio Trump, em dezembro, quando apresentou um documento redefinindo a \u201cestrat\u00e9gia de seguran\u00e7a\u201d do pa\u00eds, no qual afirma que \u201cOs dias em que os EUA sustentavam toda a ordem mundial como Atlas acabaram\u201d e defende a restaura\u00e7\u00e3o do \u201cdom\u00ednio estadunidense na Am\u00e9rica Latina\u201d (Clar\u00edn, 06\/12\/2025).<\/p>\n<p>O texto afirma que os EUA aplicar\u00e3o um \u201cCorol\u00e1rio Trump\u201d \u00e0 Doutrina Monroe de 1823, que defendia a \u201cAm\u00e9rica para os americanos\u201d e considerava a Am\u00e9rica Latina como um \u201cquintal\u201d.<\/p>\n<p>Parte dessa mudan\u00e7a envolve as repudi\u00e1veis amea\u00e7as imperialistas de invas\u00e3o ou bombardeio da Venezuela e da Col\u00f4mbia, com o falso argumento do combate ao narcotr\u00e1fico. Desde setembro, os Estados Unidos realizaram dezenas de bombardeios contra embarca\u00e7\u00f5es no Caribe e no Pac\u00edfico, resultando na morte de mais de 90 pessoas. Foram verdadeiros assassinatos, cometidos em \u00e1guas internacionais.<\/p>\n<p>O novo documento questiona novamente a UE e a OTAN e insiste em defender um acordo com Putin. Chega ao ponto de sugerir que o continente europeu enfrenta a possibilidade do \u201cdesaparecimento de sua civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, devido ao crescimento da imigra\u00e7\u00e3o. Numa perspectiva racista, defende o crescimento de partidos de extrema-direita, afirmando que \u201ca crescente influ\u00eancia dos partidos patri\u00f3ticos europeus d\u00e1 motivos para grande otimismo\u201d (Clar\u00edn, idem).<\/p>\n<p>Tudo isso alimentou ainda mais os conflitos inter-imperialistas. G\u00e9rard Araud, ex-embaixador franc\u00eas nos Estados Unidos, comentou nas redes sociais que \u201ca impressionante se\u00e7\u00e3o [do documento] sobre a Europa parece um panfleto de extrema-direita\u201d. O ex-primeiro-ministro sueco Carl Bildt acrescentou: &#8220;A \u00fanica parte do mundo em que a nova estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a dos EUA parece enxergar alguma amea\u00e7a \u00e0 democracia \u00e9 a Europa. Estranho.&#8221; (cita\u00e7\u00f5es do Clar\u00edn, ibid.)<\/p>\n<p>O desgaste pol\u00edtico de Trump e os protestos nos EUA<\/p>\n<p>Na realidade, as a\u00e7\u00f5es militares no Caribe e no Pac\u00edfico n\u00e3o s\u00e3o um sinal de for\u00e7a. Pelo contr\u00e1rio, destacam as fraquezas e a crise do imperialismo, que amargou por v\u00e1rios anos fracassos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e militares. Eles come\u00e7aram com a derrota no Vietn\u00e3 em 1975 e continuaram com a retirada do Afeganist\u00e3o em 2021, ap\u00f3s 20 anos de uma fracassada ocupa\u00e7\u00e3o [2].<\/p>\n<p>Trump tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 enfrentando uma situa\u00e7\u00e3o f\u00e1cil em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Pesquisas recentes mostram que mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o se op\u00f5e a uma invas\u00e3o militar da Venezuela ou de qualquer outro pa\u00eds. Em 6 de dezembro, milhares foram \u00e0s ruas em 40 cidades para condenar qualquer tentativa de invas\u00e3o ou guerra contra a Venezuela. V\u00e1rios parlamentares democratas e alguns republicanos questionaram a legalidade dos bombardeios em \u00e1guas internacionais.<\/p>\n<p>Por outro lado, a taxa de aprova\u00e7\u00e3o de Trump caiu para 38%, \u201ca mais baixa do mandato, com os estadunidenses insatisfeitos com a gest\u00e3o do custo de vida e com a investiga\u00e7\u00e3o sobre o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, de acordo com uma pesquisa Reuters\/Ipsos.\u201d (La Naci\u00f3n, 18\/11\/2025)<\/p>\n<p>O ritmo da infla\u00e7\u00e3o tem se mantido alto para os padr\u00f5es hist\u00f3ricos dos EUA desde que Trump assumiu o cargo em janeiro, com os pre\u00e7os ao consumidor subindo 3% nos 12 meses at\u00e9 setembro, mesmo com o enfraquecimento do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Cerca de 65% dos entrevistados \u2014 incluindo um em cada tr\u00eas republicanos \u2014 desaprovam a forma como Trump tem lidado com o custo de vida (dados do jornal La Naci\u00f3n).<\/p>\n<p>O aspecto mais marcante \u00e9 que essa eros\u00e3o acelerada de apoio se expressou no crescimento de protestos e mobiliza\u00e7\u00f5es massivas nos EUA ao longo de 2025, repudiando tanto os cortes nos gastos sociais quanto as medidas contra as liberdades democr\u00e1ticas. Em 5 de abril, a\u00e7\u00f5es convocadas sob o lema \u201cTirem as m\u00e3os\u201d mobilizaram milh\u00f5es de pessoas em 1.500 cidades. Em 14 de junho, uma das maiores mobiliza\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria dos EUA ocorreu sob o lema \u201cNo Kings\u201d [Sem Reis]. Milh\u00f5es de pessoas foram \u00e0s ruas em mais de 2.000 cidades, ap\u00f3s a revolta em Los Angeles contra as deporta\u00e7\u00f5es e a interven\u00e7\u00e3o militar na regi\u00e3o. Em 18 de outubro, a segunda marcha \u201cNo Kings\u201d foi realizada. Ela foi ainda maior: 7 milh\u00f5es de pessoas foram \u00e0s ruas em 2.700 cidades dos EUA.<\/p>\n<p>Outra express\u00e3o da rejei\u00e7\u00e3o a Trump e suas pol\u00edticas de extrema-direita e pr\u00f3-sionistas foi a hist\u00f3rica vit\u00f3ria eleitoral, em 4 de novembro, de Zohran Mamdani, militante da organiza\u00e7\u00e3o reformista de esquerda Democratic Socialists of America (DSA), que faz parte do Partido Democrata. Com apenas 34 anos, Mamdani tornou-se o prefeito mais jovem da cidade de Nova York nos \u00faltimos cem anos. Sua vit\u00f3ria, impulsionada pelo voto jovem, foi retumbante, com mais de um milh\u00e3o de votos, 50,4% do total. Mamdani se identifica como socialista, tem apoiado sistematicamente o povo palestino e condenado o genoc\u00eddio em Gaza. Ele afirmou que, como prefeito, ordenaria a pris\u00e3o de Netanyahu, caso este visitasse Nova York. Trump o chamou de \u201ccomunista\u201d e incitou os eleitores a votarem contra ele.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Mamdani tamb\u00e9m \u00e9, de certa forma, um reflexo do avan\u00e7o do movimento pr\u00f3-Palestina, com seus acampamentos e mobiliza\u00e7\u00f5es contra o genoc\u00eddio, bem como da resist\u00eancia e rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s deporta\u00e7\u00f5es massivas e racistas de Trump [3].<\/p>\n<p>Em 2025, ocorreu um grande avan\u00e7o nas lutas globais com o movimento mundial em apoio a Gaza<\/p>\n<p>Talvez 2025 fique marcado como o ano da maior mobiliza\u00e7\u00e3o global at\u00e9 hoje em apoio ao povo palestino e em condena\u00e7\u00e3o ao genoc\u00eddio sionista e ao Estado de apartheid de Israel. Nunca na sua hist\u00f3ria Israel e o sionismo estiveram t\u00e3o isolados. [4]<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essa mobiliza\u00e7\u00e3o massiva global &#8211; que lembra as manifesta\u00e7\u00f5es contra a Guerra do Vietn\u00e3 das d\u00e9cadas de 1960 e 70 \u2013 se combinou com as rebeli\u00f5es populares da Gera\u00e7\u00e3o Z e a onda de greves oper\u00e1rias na Europa. Isso significa uma mudan\u00e7a no cen\u00e1rio global, \u00e0 medida que as lutas dos povos do mundo contra os planos de explora\u00e7\u00e3o do imperialismo e dos governos capitalistas tamb\u00e9m ganham for\u00e7a. Essa nova onda de lutas se destaca por seu alcance em diferentes continentes, sua escala massiva e sua radicalidade.<\/p>\n<p>No caso das rebeli\u00f5es populares e juvenis da chamada Gera\u00e7\u00e3o Z &#8211; pessoas nascidas entre meados da d\u00e9cada de 1990 e 2010 -, a mobiliza\u00e7\u00e3o massiva e a radicaliza\u00e7\u00e3o surgem como express\u00e3o do cansa\u00e7o e do \u00f3dio contra governos capitalistas exploradores e corruptos. Na Indon\u00e9sia e no Nepal, por exemplo, milhares invadiram parlamentos e incendiaram casas de autoridades. A onda de rebeli\u00f5es da Gera\u00e7\u00e3o Z ocorreu em setembro. Do Nepal \u00e0 Indon\u00e9sia e do Peru \u00e0 S\u00e9rvia, incluindo Marrocos e Madagascar, os protestos parecem unidos por uma indigna\u00e7\u00e3o comum contra o capitalismo dominante e seus governos, que est\u00e3o degradando rapidamente o padr\u00e3o de vida do povo trabalhador, especialmente da juventude. [5]<\/p>\n<p>No final do ano, a classe trabalhadora europeia entrou em a\u00e7\u00e3o com uma onda de greves gerais. Em novembro, os trabalhadores belgas protagonizaram uma greve geral nacional sem precedentes, com dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas dias, contra a austeridade, a primeira em 40 anos. A greve de tr\u00eas dias come\u00e7ou com os trabalhadores dos transportes p\u00fablicos e ferrovi\u00e1rios. Anteriormente, em setembro, houve greves e protestos na Fran\u00e7a, seguidas por convoca\u00e7\u00f5es de greves gerais em dezembro em Portugal e na It\u00e1lia [6].<\/p>\n<p>Em resposta ao genoc\u00eddio na Palestina, mobiliza\u00e7\u00f5es massivas ocorreram ao longo do ano em cidades de todo o mundo, junto com protestos art\u00edsticos, culturais e desportivos, contra os invasores sionistas: desde o Festival Eurovis\u00e3o e o Festival de Cinema de Veneza at\u00e9 o boicote \u00e0 Vuelta a Espa\u00f1a, uma das maiores corridas de ciclismo do mundo. Milh\u00f5es foram \u00e0s ruas, apesar das proibi\u00e7\u00f5es. Isso tamb\u00e9m se refletiu na Flotilha Global Sumud, que reuniu mais de 50 navios, um aumento significativo em rela\u00e7\u00e3o ao habitual: um ou dois. [7] O impacto foi t\u00e3o profundo que, em outubro, a It\u00e1lia realizou uma greve geral hist\u00f3rica em apoio \u00e0 Palestina e pela liberta\u00e7\u00e3o dos membros da Flotilha.<\/p>\n<p>O resultado mais significativo da luta palestina e do apoio global foi que nem Trump nem Israel conseguiram cantar vit\u00f3ria em Gaza, apesar do genoc\u00eddio, da fome e da destrui\u00e7\u00e3o que causaram. Um dos ex\u00e9rcitos mais bem armados do mundo, com uma enorme disparidade militar, n\u00e3o p\u00f4de alcan\u00e7ar a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Uma tr\u00e9gua est\u00e1 em vigor em Gaza desde meados de outubro, e o chamado acordo de paz est\u00e1 longe de ser pac\u00edfico; trata-se de uma tentativa de impor uma nova coloniza\u00e7\u00e3o. Consiste em 20 pontos que visam estabelecer um protetorado do imperialismo como um todo e do Estado genocida de Israel em particular. \u00c9 tamb\u00e9m uma tentativa de Trump de salvar Netanyahu, em meio ao enorme e crescente isolamento global do sionismo israelense.<\/p>\n<p>No entanto, essa tr\u00e9gua parcial tamb\u00e9m representa uma pequena, por\u00e9m importante, vit\u00f3ria para o povo palestino, que sofre com o genoc\u00eddio, a fome e o plano de limpeza \u00e9tnica. Os palestinos est\u00e3o obtendo um al\u00edvio da destrui\u00e7\u00e3o e das mortes causadas pela m\u00e1quina assassina sionista.<\/p>\n<p>Tanto o plano quanto a tr\u00e9gua atual s\u00e3o extremamente fr\u00e1geis. O povo palestino sabe que se trata apenas de uma tr\u00e9gua parcial e que o sionismo pode retomar seus crimes a qualquer momento, e que a luta continua.<\/p>\n<p>A perspectiva para 2026 \u00e9 de continuidade da luta em todo o mundo contra a contraofensiva imperialista de Trump e de seus aliados. N\u00f3s, da UIT-QI, continuamos a clamar pela mais ampla unidade em apoio a todas as lutas, e especialmente em defesa do povo palestino na luta pelo fim do Estado de apartheid sionista e na conquista de uma \u201cPalestina Livre, do rio ao mar\u201d. Conclamamos tamb\u00e9m os povos da Am\u00e9rica Latina e do mundo a repudiar e se mobilizar contra a presen\u00e7a de navios de guerra e tropas dos EUA no Caribe e no Pac\u00edfico, e contra qualquer tentativa de agress\u00e3o contra a Venezuela e a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Em 2026, a UIT-QI realizar\u00e1, no segundo semestre, um novo Congresso Mundial para seguir impulsionando as lutas globais e o apelo permanente \u00e0 unidade dos revolucion\u00e1rios, enfrentando as dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas burguesas, reformistas e sindicais burocr\u00e1ticas, a fim de construir alternativas socialistas revolucion\u00e1rias unificadas e, essencialmente, partidos revolucion\u00e1rios em todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] Ver \u201cTrump: o magnata do caos\u201d, Correspondencia Internacional N\u00b0 54, abril de 2025, em www.uit-ci.org<\/p>\n<p>[2] Ver \u201cN\u00e3o \u00e0s novas amea\u00e7as de agress\u00e3o militar de Trump contra a Venezuela e a Col\u00f4mbia!\u201d, declara\u00e7\u00e3o da UIT-QI, 03\/12\/2025, em https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/12\/08\/18226\/<\/p>\n<p>[3] Ver a nota do Socialist Core (organiza\u00e7\u00e3o simpatizante da UIT-QI nos EUA) \u201cMamdani venceu a elei\u00e7\u00e3o para prefeito de Nova York: uma derrota para Trump, o sionismo e a grande burguesia nova-iorquina\u201d, 05\/11\/2025, em https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/11\/08\/mamdani-venceu-a-eleicao-para-prefeito-de-nova-york-uma-derrota-para-trump-o-sionismo-e-a-grande-burguesia-nova-iorquina\/<\/p>\n<p>[4] Ver \u201cCresce a mobiliza\u00e7\u00e3o mundial contra o genoc\u00eddio israelense\u201d, Miguel \u00c1ngel Hern\u00e1ndez, Correspondencia Internacional N\u00b0 55, setembro de 2025, em www.uit-ci.org<\/p>\n<p>[5] Ver o artigo \u201cExplode a ira popular no Nepal!\u201d, Miguel \u00c1ngel Hern\u00e1ndez, em https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/09\/17\/explode-a-ira-popular-no-nepal\/<\/p>\n<p>[6] Ver a nota \u201cA B\u00e9lgica e a onda de greves que varre a Europa\u201d, Ezequiel Peressini, 04\/12\/2025, em https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/12\/08\/a-belgica-e-a-onda-de-greves-que-varre-a-europa\/<\/p>\n<p>[7] Ver \u201cA Flotilha Global Sumud rumo a Gaza\u201d, Adolfo Santos, Correspondencia Internacional N\u00b0 55, em www.uit-ci.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans, dirigente da Izquierda Socialista e da UIT-QI 11\/12\/2025. 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