

	{"id":18283,"date":"2025-12-23T12:36:03","date_gmt":"2025-12-23T15:36:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18283"},"modified":"2025-12-23T12:36:03","modified_gmt":"2025-12-23T15:36:03","slug":"guerra-civil-e-genocidio-patrocinados-pela-pilhagem-imperialista-no-sudao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/12\/23\/guerra-civil-e-genocidio-patrocinados-pela-pilhagem-imperialista-no-sudao\/","title":{"rendered":"Guerra civil e genoc\u00eddio patrocinados pela pilhagem imperialista no Sud\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12\/12\/2025. O Sud\u00e3o \u00e9 palco de uma das piores cat\u00e1strofes humanit\u00e1rias do mundo e, mais recentemente, de assassinatos em massa e atrocidades contra civis em El-Fasher, capital da regi\u00e3o de Darfur.<\/p>\n<p>O n\u00famero de mortos nos \u00faltimos dois anos de guerra civil varia entre 60.000 e 150.000, segundo diversas fontes; mais de 13 milh\u00f5es de pessoas foram deslocadas e mais da metade dos 52 milh\u00f5es de habitantes est\u00e3o amea\u00e7ados pela fome. Estima-se que dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o necessitem de assist\u00eancia humanit\u00e1ria para sobreviver. A viol\u00eancia sexual como arma de guerra \u00e9 generalizada e os ind\u00edcios de limpeza \u00e9tnica em Darfur aumentaram ap\u00f3s a queda de El-Fasher, o \u00faltimo reduto do ex\u00e9rcito na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Sud\u00e3o \u00e9 um dos pa\u00edses africanos com maior riqueza em recursos naturais. Antigamente, possu\u00eda vastas quantidades de hidrocarbonetos, mas esses localizavam-se no Sud\u00e3o do Sul, que se separou em 2011. Atualmente, o Sud\u00e3o apresenta uma significativa atividade de minera\u00e7\u00e3o de ouro. Tal como o resto da \u00c1frica, o pa\u00eds foi colonizado e saqueado pelos imperialistas europeus; no caso do Sud\u00e3o, pela Gr\u00e3-Bretanha. Embora tenha declarado a sua independ\u00eancia em 1956, tal como a maioria dos pa\u00edses africanos da \u00e9poca, v\u00e1rias pot\u00eancias imperialistas continuaram a coloniza\u00e7\u00e3o e o saque do pa\u00eds, com governantes e setores burgueses a servi\u00e7o de um ou outro imperialismo.<\/p>\n<p>Durante 30 anos, de 1989 a 2019, o ditador Omar al-Bashir governou o pa\u00eds, em conluio com a pilhagem das pot\u00eancias imperialistas.<\/p>\n<p>Em 2011, o Sud\u00e3o do Sul, com 12 milh\u00f5es de habitantes, declarou sua independ\u00eancia do Sud\u00e3o, repudiando a ditadura de al-Bashir. O Sud\u00e3o do Sul \u00e9 rico em hidrocarbonetos e tem uma popula\u00e7\u00e3o predominantemente negra africana, enquanto o Sud\u00e3o tem uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente de ascend\u00eancia \u00e1rabe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O levante popular de 2019 e a queda do ditador al-Bashir<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A queda do ditador Omar al-Bashir ocorreu por meio de um levante popular massivo. Milh\u00f5es de sudaneses marcharam, exigindo a destitui\u00e7\u00e3o de Bashir, de dezembro de 2018 a abril de 2019, incluindo a greve pol\u00edtica nacional de maio de 2019 e as barricadas erguidas pelos manifestantes, que ocuparam a capital, apesar da viol\u00eancia dos militares.<\/p>\n<p>Quando a revolu\u00e7\u00e3o sudanesa contra al-Bashir eclodiu, em dezembro de 2018, al-Burhan e Hemedti eram dois pilares do regime. Naquela \u00e9poca, tentaram remediar a situa\u00e7\u00e3o com uma reforma superficial, para permitir a continuidade dos neg\u00f3cios capitalistas. Ambos lideraram o golpe de 11 de abril, que dep\u00f4s al-Bashir. Por\u00e9m, a venda das riquezas do pa\u00eds continuou, com o agravamento da crise que perdura at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>Os dois atuaram em conjunto para suprimir e p\u00f4r fim \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o sudanesa, em epis\u00f3dios como o massacre de Cartum, em 3 de junho de 2019, no qual mais de cem manifestantes foram mortos; ou a tentativa de golpe de Estado, em 25 de outubro de 2021, rejeitada por milh\u00f5es de manifestantes nas ruas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A nova guerra civil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde a queda de al-Bashir, os dois disputam o posto de homem forte do Sud\u00e3o. Cada um cortejou diferentes pot\u00eancias imperialistas; e cada um foi cortejado por elas para saquear o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em 15 de abril de 2023, ocorreram os primeiros confrontos da terceira guerra civil sudanesa. O estopim foi o confronto entre os dois homens fortes que disputavam o poder no pa\u00eds desde 2019: Abdel Fattah al-Burhan, chefe do ex\u00e9rcito sudan\u00eas e chefe de Estado de fato, e Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, l\u00edder das For\u00e7as de Apoio R\u00e1pido (RSF).<\/p>\n<p>Hemedti tem um hist\u00f3rico de genoc\u00eddio. Durante a ditadura, entre 2003 e 2019, comandou as mil\u00edcias supremacistas \u00e1rabes Janjawid, que atuaram como tropas de choque do ditador al-Bashir contra a popula\u00e7\u00e3o negra e perpetraram o genoc\u00eddio no qual quase 400.000 pessoas morreram.<\/p>\n<p>Al-Bashir recompensou Hemedti por esses massacres com concess\u00f5es de minas de ouro e o promoveu a chefe da mil\u00edcia paramilitar que se tornou sua principal guarda, as For\u00e7as de Apoio R\u00e1pido (RSF). \u00c0 medida que subia na hierarquia do aparato estatal, Hemedti tornou-se um dos homens mais ricos do Sud\u00e3o. E \u00e9 aqui que entram em cena os Emirados \u00c1rabes Unidos (EAU), principal destino do ouro sudan\u00eas exportado por Hemedti.<\/p>\n<p>Hoje, os Emirados \u00c1rabes Unidos, estreitamente ligados aos Estados Unidos, tornaram-se o principal fornecedor de armas, apoio log\u00edstico e dinheiro para Hemedti e suas mil\u00edcias das For\u00e7as de Apoio R\u00e1pido (RSF), por meio de seus aliados na regi\u00e3o: Chade, Uganda, Som\u00e1lia e L\u00edbia oriental.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a oligarquia sudanesa na capital e seu homem forte, al-Burhan, tinham outros acordos: a exporta\u00e7\u00e3o de ouro deveria ser feita via Egito, o principal apoiador de al-Burhan. Para o Cairo, a estabilidade e o controle do Sud\u00e3o s\u00e3o fundamentais.<\/p>\n<p>As principais pot\u00eancias imperialistas est\u00e3o envolvidas. A China mant\u00e9m importantes acordos comerciais com Cartum e seu presidente, al-Burhan, fornecendo armas ao ex\u00e9rcito sudan\u00eas. A R\u00fassia tamb\u00e9m mant\u00e9m la\u00e7os estreitos com al-Burhan.<\/p>\n<p>E os Estados Unidos mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es com os Emirados \u00c1rabes Unidos e, por meio deles, com Hemedti, o outro lado da guerra civil.<\/p>\n<p>O destino que as pot\u00eancias imperialistas e a pr\u00f3pria oligarquia do pa\u00eds reservam para o Sud\u00e3o \u00e9 o mesmo do Sud\u00e3o do Sul. O \u201cpa\u00eds mais jovem do planeta\u201d conquistou sua independ\u00eancia em 2011, sofreu uma guerra civil de 2013 a 2020 e, desde 2017, lidera a lista de estados falidos, \u00e0 frente da Som\u00e1lia. No entanto, seus abundantes recursos (petr\u00f3leo, ouro, prata, diamantes etc.) continuam a fluir para os pa\u00edses capitalistas avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>A guerra civil no Sud\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tem fim \u00e0 vista, como tamb\u00e9m amea\u00e7a se alastrar para outros territ\u00f3rios da inst\u00e1vel regi\u00e3o, alimentada por dinheiro e armas de diversos imperialismos.<\/p>\n<p>E, embora lutem entre si, as diferentes pot\u00eancias imperialistas \u2014 China, R\u00fassia e Estados Unidos \u2014 e os pa\u00edses que interv\u00eam no Sud\u00e3o, junto com os dois senhores da guerra, Hemedti e al-Burhan, concordam em um ponto: saquear o pa\u00eds e reprimir qualquer movimento popular que desafie a pilhagem.<\/p>\n<p>A \u00c1frica est\u00e1 sendo atravessada de norte a sul por revolu\u00e7\u00f5es e contrarrevolu\u00e7\u00f5es. Ao pesadelo da guerra civil sudanesa se somam outros, como o da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Todos os pa\u00edses do continente est\u00e3o sujeitos \u00e0 pilhagem dos recursos naturais por pot\u00eancias imperialistas e setores burgueses africanos aliados a essas pot\u00eancias.<\/p>\n<p>Em resposta, o mesmo esp\u00edrito que motivou a revolu\u00e7\u00e3o sudanesa em 2019 est\u00e1 agora impulsionando mobiliza\u00e7\u00f5es em Madag\u00e1scar, Tanz\u00e2nia, Camar\u00f5es, Qu\u00eania e Marrocos. Enquanto o capitalismo oferece mis\u00e9ria, pilhagem e guerra, os trabalhadores e a juventude demonstram repetidamente que existe um caminho de unidade e rebeli\u00e3o para mudar o status quo. Isso est\u00e1 acontecendo em toda a \u00c1frica, o continente mais devastado e saqueado pelo imperialismo durante s\u00e9culos. A escolha entre socialismo e barb\u00e1rie \u00e9 mais real do que nunca no Sud\u00e3o e em todo o continente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI &nbsp; 12\/12\/2025. 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