

	{"id":18286,"date":"2025-12-23T15:21:17","date_gmt":"2025-12-23T18:21:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18286"},"modified":"2025-12-23T15:21:17","modified_gmt":"2025-12-23T18:21:17","slug":"sobre-a-tatica-eleitoral-do-pcbr-e-a-filiacao-democratica-de-jones-manoel-no-psol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/12\/23\/sobre-a-tatica-eleitoral-do-pcbr-e-a-filiacao-democratica-de-jones-manoel-no-psol\/","title":{"rendered":"Sobre a t\u00e1tica eleitoral do PCBR e a filia\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de Jones Manoel no PSOL"},"content":{"rendered":"<p><strong>1-<\/strong> Os camaradas do PCBR, com os quais compartilhamos unidades nas lutas e batalhas pol\u00edticas, anunciaram sua posi\u00e7\u00e3o sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2026. Concordamos com o PCBR sobre a necessidade de uma candidatura unificada da esquerda radical nas elei\u00e7\u00f5es burguesas de 2026. Desde j\u00e1 nos dispomos a construir pontes para essa unidade.<\/p>\n<p><strong>1.1-<\/strong> O PCBR afirma que, apesar das dificuldades, \u201c<em>h\u00e1 a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de acordos program\u00e1ticos bastante avan\u00e7ados entre os diversos partidos e organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, legalizados ou n\u00e3o, que apontem para essa alternativa e, assim, possam criticar de conjunto as ilus\u00f5es que ainda h\u00e1 na esquerda sobre a possibilidade de os trabalhadores terem participa\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o do capitalismo. Consideramos que n\u00e3o ter havido essa unifica\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es de 2022 foi um erro importante<\/em>\u201d. Nos somamos ao apelo \u201c<em>aos partidos e organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias para as elei\u00e7\u00f5es de 2026: comecemos agora um debate program\u00e1tico para construir essa alternativa!\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>2-<\/strong> A CST, organiza\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1ria independente, prop\u00f5e a constru\u00e7\u00e3o de uma frente eleitoral da esquerda socialista e comunista, com a UP, PCBR, PSTU, MRT e SoB. Uma frente que agrupe organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o integram a frente ampla e nem t\u00eam cargos no governo Lula. Para isso, sugerimos uma reuni\u00e3o no in\u00edcio de janeiro, na sede do PCBR ou de outra organiza\u00e7\u00e3o. Nesse espa\u00e7o, podemos debater pontos de converg\u00eancia e diverg\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>3-<\/strong> A unifica\u00e7\u00e3o de figuras p\u00fablicas da esquerda socialista e comunista, como Jones Manoel, do PCBR, Leonardo P\u00e9ricles, da UP, e Hertz Dias, do PSTU, em uma campanha presidencial comum, uma chapa coletiva, pode cumprir um papel positivo. Uma campanha com uma chapa unificada em n\u00edvel nacional e nos estados, que esteja a servi\u00e7o das lutas, da resist\u00eancia ind\u00edgena, negra e feminista, e impe\u00e7a a pulveriza\u00e7\u00e3o da esquerda socialista e comunista e dos lutadores independentes.<\/p>\n<p><strong>4-<\/strong> Nesse sentido, \u00e9 importante dialogar sobre o an\u00fancio de que o camarada Jones Manoel poderia sair candidato a deputado pela legenda democr\u00e1tica do PSOL. Logicamente, o camarada Jones e os camaradas do PCBR t\u00eam autonomia para definir sua t\u00e1tica eleitoral. Por\u00e9m, esse debate transcende as fronteiras do PCBR, posto que Jones Manoel tornou-se uma das lideran\u00e7as mais conhecidas da esquerda radical. Sua figura transcendeu as fronteiras do PCBR e o espa\u00e7o da esquerda radical, levando posi\u00e7\u00f5es combativas para um setor maior. E isso ocorreu justamente em um dos campos mais dif\u00edceis, que \u00e9 a disputa presencial. O nome do camarada Jones Manoel circulou amplamente como uma das poss\u00edveis candidaturas \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Foi um dos temas de conversas nas redes digitais e em locais de trabalho e estudo, sobretudo ap\u00f3s a fala de Mano Brown.<\/p>\n<p><strong>4.1-<\/strong> Ent\u00e3o, retirar seu nome t\u00e3o cedo da batalha presidencial merece mais di\u00e1logo, em nossa opini\u00e3o. Uma campanha com uma chapa coletiva com Jones Manoel teria mais for\u00e7a. Pode-se debater a possibilidade de um mandato de Jones para a amplia\u00e7\u00e3o das ideias socialistas e comunistas, por\u00e9m a campanha presidencial n\u00e3o \u00e9 uma tribuna secundaria. Uma campanha nacional explicando as propostas da esquerda radical, realizando com\u00edcios por todo o pa\u00eds, denunciando o sistema capitalista, educando novas gera\u00e7\u00f5es e postulando uma nova figura para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, tem muita validade. In\u00fameras vezes uma campanha presidencial, mesmo que minorit\u00e1ria, cumpriu um bom papel e fez florescer uma nova camada de militantes na esquerda.<\/p>\n<p><strong>5-<\/strong> Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio dialogar sobre o PSOL. Este partido hoje integra a frente ampla, tem lideran\u00e7as importantes como S\u00f4nia Guajajara e Guilherme Boulos como ministros do governo Lula, participa da base aliada com cargos no Congresso Nacional. Ainda que o PSOL tenha surgido de uma ruptura \u00e0 esquerda com o petismo em 2003, seu papel atual \u00e9 distinto. Hoje, o partido n\u00e3o apenas apoia, mas integra o governo capitalista de Lula, assumindo responsabilidades diretas pela gest\u00e3o do Estado capitalista e pelas pol\u00edticas de ajuste, o que o coloca fora do campo da esquerda independente. O PSOL se torna respons\u00e1vel por medidas como a manuten\u00e7\u00e3o do arcabou\u00e7o fiscal, a n\u00e3o revoga\u00e7\u00e3o das contrarreformas trabalhista e previdenci\u00e1ria, os cortes nas \u00e1reas sociais e a continuidade da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com o agroneg\u00f3cio e o imperialismo. Enquanto escrevemos esse texto o governo Lula ataca os acordos coletivos de duas categorias nacionais (petroleiros e correios). A integra\u00e7\u00e3o do PSOL no governo gera efeitos sobre a luta de classes: desarma politicamente, desloca o centro da a\u00e7\u00e3o do partido para a defesa do governo e subordina as mobiliza\u00e7\u00f5es populares \u00e0s necessidades da estabilidade institucional. N\u00e3o por acaso, o governo Lula \u00e9 corretamente criticando pelo PCBR e pelo camarada Jones Manoel.<\/p>\n<p><strong>5.1-<\/strong> Um outro tema para o di\u00e1logo \u00e9 a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o interna do PSOL depois de sua integra\u00e7\u00e3o com minist\u00e9rios e cargos. \u00c9 sintom\u00e1tico que, mesmo no per\u00edodo em que Bolsonaro e a extrema direita governavam e no auge das expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de classes de Lula, existisse no PSOL uma luta interna significativa por uma candidatura pr\u00f3pria. Naquele momento complexo, enquanto est\u00e1vamos em uma ampla unidade contra o Fora Bolsonaro, as esquerdas do PSOL agruparam cerca de 40% do partido por uma candidatura pr\u00f3pria. Hoje, mesmo com ataques em curso aos trabalhadores sob o governo Lula, essa oposi\u00e7\u00e3o interna n\u00e3o est\u00e1 ativa, revelando um processo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 frente ampla e \u00e0 lideran\u00e7a de Lula e do PT. Hoje, todas as for\u00e7as far\u00e3o a campanha da frente ampla de alian\u00e7as com partidos e lideran\u00e7as burguesas.<\/p>\n<p><strong>6-<\/strong> Em nossa vis\u00e3o, a possibilidade de Jones na legenda do PSOL gera dois temas importantes para um debate democr\u00e1tico com os camaradas do PCBR. O primeiro \u00e9 que n\u00e3o ajuda a fortalecer a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa unificada da esquerda radical nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2026, pois retira Jones Manoel de uma poss\u00edvel chapa presidencial, que hoje \u00e9 o nome de maior visibilidade da esquerda radical. E isso n\u00e3o fortalece a batalha para termos candidaturas unificadas da esquerda radical, numa chapa coletiva. O segundo \u00e9 que, ao fim e ao cabo, fortalece o PSOL, apesar de eventuais debates internos no diret\u00f3rio do PSOL acerca da filia\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de Jones.<\/p>\n<p><strong>6.1-<\/strong> Um fortalecimento do PSOL, com figuras, votos e for\u00e7a militante da esquerda radical, n\u00e3o acumula for\u00e7as para a esquerda independente. Isso porque o PSOL \u00e9 parte do governo capitalista de Lula, que governa com e para a burguesia. De nosso ponto de vista, o PSOL n\u00e3o \u00e9 uma possibilidade de legenda democr\u00e1tica para a esquerda radical, apesar de sua viabilidade eleitoral, pois os partidos expressam projetos de classe. Ao integrar o governo Lula, o PSOL atua como um partido da governabilidade capitalista, e n\u00e3o como um instrumento a servi\u00e7o da independ\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores. Foi por isso que n\u00f3s da CST rompemos com o PSOL em 2023. O giro do PSOL para a frente ampla ajudou a fragmenta\u00e7\u00e3o e a subordina\u00e7\u00e3o da esquerda socialista a um projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes da frente ampla e por isso n\u00e3o estar com eles nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>7- <\/strong>Para a CST, a cr\u00edtica ao papel do PSOL no governo Lula parte de um crit\u00e9rio estrat\u00e9gico: a independ\u00eancia pol\u00edtica da classe trabalhadora. A experi\u00eancia hist\u00f3rica e a do atual governo Lula demonstram que a colabora\u00e7\u00e3o de classes n\u00e3o fortalece os trabalhadores, mas os subordina \u00e0 governabilidade do capitalismo. Ao mesmo tempo, a hist\u00f3ria e a experi\u00eancia do Brasil, bem como as recentes elei\u00e7\u00f5es no Chile e na Bol\u00edvia, demonstram que a concilia\u00e7\u00e3o de classes n\u00e3o derrota a extrema direita: ao frustrar expectativas populares e conter as lutas, abre caminho para seu fortalecimento eleitoral e social. A \u00fanica resposta consequente \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o independente e a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa pr\u00f3pria da classe trabalhadora. Por isso, a CST defende uma frente de esquerda socialista e comunista, independente do governo e da burguesia, que use as elei\u00e7\u00f5es como tribuna de den\u00fancia e instrumento de fortalecimento das lutas. Estrategicamente a CST defende um governo da classe trabalhadora, sem patr\u00f5es, e um Brasil socialista.<\/p>\n<p><strong>8-<\/strong> Esses debates, que podem e devem ser feitos de forma democr\u00e1tica, fraterna e paciente, n\u00e3o impossibilitam nem atrapalham uma a\u00e7\u00e3o em comum com os camaradas do PCBR no que estamos de acordo. Por isso, enquanto conversamos sobre esse tema, seguiremos ombro a ombro na batalha pela unidade da esquerda radical nas elei\u00e7\u00f5es burguesas de 2026.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 23\/12\/25<\/p>\n<p><strong>CST<\/strong> &#8211; <strong>Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores<\/strong>, Organiza\u00e7\u00e3o Socialista Revolucion\u00e1ria Independente. Se\u00e7\u00e3o da <strong>UIT-QI<\/strong> (<strong>Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional<\/strong>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1- Os camaradas do PCBR, com os quais compartilhamos unidades nas lutas e batalhas pol\u00edticas, anunciaram sua posi\u00e7\u00e3o sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2026. Concordamos com o PCBR sobre a necessidade de uma candidatura unificada da esquerda radical nas elei\u00e7\u00f5es burguesas de 2026. 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