

	{"id":18361,"date":"2026-01-16T14:09:05","date_gmt":"2026-01-16T17:09:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18361"},"modified":"2026-01-16T14:09:05","modified_gmt":"2026-01-16T17:09:05","slug":"para-onde-vai-a-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/01\/16\/para-onde-vai-a-venezuela\/","title":{"rendered":"Para onde vai a Venezuela?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Miguel Sorans, dirigente da Izquierda Socialista da Argentina e da UIT-QI<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o na Venezuela, ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o militar do ultra-direitista Trump e dos Estados Unidos em 3 de janeiro, levanta, para al\u00e9m da ampla condena\u00e7\u00e3o, muitas d\u00favidas e questionamentos: a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 resolvida? O plano de Trump teve sucesso? Ele j\u00e1 governa a Venezuela? Conseguir\u00e1 roubar seu petr\u00f3leo? Foi firmado um pacto com o regime chavista, sem Maduro, para co-governar? Haver\u00e1 novas interven\u00e7\u00f5es militares na Col\u00f4mbia, M\u00e9xico, Cuba, Ir\u00e3 e Groenl\u00e2ndia? N\u00f3s, lutadores anti-imperialistas, devemos nos esfor\u00e7ar para responder a essas perguntas, enquanto continuamos a impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o internacional para derrotar Trump, o imperialismo e seus planos coloniais na Venezuela e no mundo.<\/p>\n<p><strong>Foi realizado um ataque direto do imperialismo contra a Venezuela e a Am\u00e9rica Latina, sem precedentes desde a invas\u00e3o do Panam\u00e1 em 1989<\/strong><\/p>\n<p>Desde a invas\u00e3o do Panam\u00e1, n\u00e3o ocorria uma interven\u00e7\u00e3o militar criminosa como esta, orquestrada por Trump. Al\u00e9m disso, foi a primeira a ser realizada na Am\u00e9rica do Sul. Em dezembro de 1989, o imperialismo estadunidense invadiu o Panam\u00e1, deixando um rastro de mortos e sequestrando o presidente Manuel Noriega, que foi preso e julgado nos Estados Unidos. Embora o ataque \u00e0 Venezuela n\u00e3o tenha, por ora, atingido a escala do Panam\u00e1, trata-se tamb\u00e9m de uma a\u00e7\u00e3o militar criminosa. At\u00e9 o momento, foram confirmadas 100 mortes entre militares e civis cubanos e venezuelanos, e mais de 100 feridos \u2014 n\u00fameros que podem aumentar nos pr\u00f3ximos dias. Houve um intenso bombardeio a instala\u00e7\u00f5es militares e resid\u00eancias civis. Evidentemente, h\u00e1 uma condena\u00e7\u00e3o global dos povos a esta interven\u00e7\u00e3o, aos bombardeios e ao sequestro do presidente Nicol\u00e1s Maduro e de sua esposa.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Trump confirmou que a a\u00e7\u00e3o militar n\u00e3o visava combater o narcotr\u00e1fico ou promover reformas democr\u00e1ticas na Venezuela. Suas declara\u00e7\u00f5es deixaram claro que o principal objetivo era assumir o controle do petr\u00f3leo do pa\u00eds. A Venezuela \u00e9 a maior produtora de petr\u00f3leo da Am\u00e9rica Latina e possui as maiores reservas de petr\u00f3leo bruto do mundo, superando as da Ar\u00e1bia Saudita. Trump chegou a anunciar a inten\u00e7\u00e3o de manter o controle do pa\u00eds por tempo indeterminado, durante meses ou anos, e de controlar todo o setor petrol\u00edfero. Na pr\u00e1tica, ele est\u00e1 tentando colonizar a Venezuela, transformando-a num protetorado a servi\u00e7o das corpora\u00e7\u00f5es multinacionais estadunidenses e globais.<\/p>\n<p>E, encorajado pela a\u00e7\u00e3o militar na Venezuela e pelo sequestro de Maduro, que ele considera um triunfo, retomou as amea\u00e7as de anexar a Groenl\u00e2ndia, regi\u00e3o que faz parte da Dinamarca, um pa\u00eds europeu, e tamb\u00e9m amea\u00e7ou intervir na Col\u00f4mbia, no M\u00e9xico, em Cuba e at\u00e9 mesmo no Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Essa agress\u00e3o militar de Trump e dos EUA faz parte da contraofensiva global que ele anunciou ao assumir o cargo em janeiro de 2025. Com ela, pretende reverter a crise da hegemonia estadunidense, que j\u00e1 dura d\u00e9cadas. Os EUA jamais superaram a derrota militar no Vietn\u00e3, em 1975. Em 2021, tiveram que se retirar \u00e0s pressas do Afeganist\u00e3o, ap\u00f3s 20 anos de uma ocupa\u00e7\u00e3o fracassada. Por isso, ao assumir o cargo, Trump afirmou que acabaria com \u201co decl\u00ednio dos EUA\u201d e que uma \u201cera de ouro\u201d estava come\u00e7ando, buscando uma nova \u201cordem\u201d mundial. No entanto, o que suas pol\u00edticas est\u00e3o, na verdade, causando \u00e9 um aumento da desordem mundial e dos conflitos e atritos inter-burgueses nos EUA e com os demais pa\u00edses imperialistas, incluindo a Uni\u00e3o Europeia (UE), a China e a R\u00fassia. Foi por isso que a UE, em geral, se distanciou da situa\u00e7\u00e3o na Venezuela, especialmente diante das amea\u00e7as de Trump de que pretende tomar a Groenl\u00e2ndia, possivelmente por meio da negocia\u00e7\u00e3o, mas sem descartar uma a\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>Na Venezuela, o objetivo de Trump \u00e9 controlar o petr\u00f3leo, a distribui\u00e7\u00e3o e os lucros. Esse foi o prop\u00f3sito de uma reuni\u00e3o recente na Casa Branca com diversos CEOs de empresas petrol\u00edferas multinacionais dos Estados Unidos e de outros pa\u00edses. Ele os incentivou a investir na Venezuela. No entanto, isso est\u00e1 gerando atritos com as pr\u00f3prias multinacionais e com os demais pa\u00edses imperialistas, que buscam controlar seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios petrol\u00edferos. Portanto, a referida reuni\u00e3o careceu de entusiasmo e n\u00e3o produziu resultados concretos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua proposta de que investissem aproximadamente US$ 100 bilh\u00f5es de seus pr\u00f3prios recursos.<\/p>\n<p>Nesse contexto, os confrontos est\u00e3o se intensificando com a R\u00fassia, cujos navios est\u00e3o sendo apreendidos, e especialmente com a China, que recebe aproximadamente 70% das exporta\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo da Venezuela, embora isso represente apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo importado pelo gigante asi\u00e1tico [1]. Portanto, todo o plano petrol\u00edfero de Trump est\u00e1 agora em quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o na Venezuela n\u00e3o est\u00e1 resolvida nem estabilizada<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que est\u00e3o em curso negocia\u00e7\u00f5es com o governo de Delcy Rodr\u00edguez, representante do chavismo sem Maduro. Por\u00e9m, ainda n\u00e3o h\u00e1 certeza de que um pacto envolvendo a entrega do petr\u00f3leo e um acordo de co-governan\u00e7a com os EUA ser\u00e1 finalizado. Por isso, Trump, em sua arrog\u00e2ncia, afirmou que, se Delcy Rodr\u00edguez n\u00e3o cooperar, \u201cela poder\u00e1 acabar pior que Maduro\u201d. Essa \u00e9 uma amea\u00e7a muito s\u00e9ria. O que poderia ser pior do que o sequestro de Maduro e sua esposa? Seria uma amea\u00e7a de morte? Ele tamb\u00e9m disse que n\u00e3o descarta uma segunda a\u00e7\u00e3o militar. As negocia\u00e7\u00f5es se baseiam nessas amea\u00e7as, raz\u00e3o pela qual n\u00f3s, da UIT-QI, defendemos a continuidade da unidade de a\u00e7\u00e3o internacional contra a interven\u00e7\u00e3o militar e o sequestro de Maduro, bem como contra uma nova a\u00e7\u00e3o militar criminosa ou uma invas\u00e3o da Venezuela, alertando tamb\u00e9m para o perigo do governo chavista fechar um acordo com Trump. Por todos esses motivos, acreditamos que a a\u00e7\u00e3o de Trump n\u00e3o obteve uma vit\u00f3ria definitiva.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o sucesso da opera\u00e7\u00e3o militar para sequestrar Maduro \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o do poderio militar dos EUA e um golpe para o povo venezuelano e para os povos do mundo, mas n\u00e3o \u00e9 definitivo. O fato de, por ora, os EUA n\u00e3o terem ousado invadir a Venezuela e instalar um governo fantoche, e de terem que negociar com o regime chavista, revela suas fragilidades.<\/p>\n<p>Evidentemente, o sequestro de Maduro foi um evento espetacular, que provocou uma euforia equivocada entre milh\u00f5es de venezuelanos exilados, apoiadores da direitista pr\u00f3-ianque Mar\u00eda Corina Machado, bem como na direita global. Entre eles o fascista Javier Milei, presidente da Argentina. Por\u00e9m, essa euforia durou pouco, pois ficou claro que Trump havia abandonado a possibilidade de instalar o suposto presidente eleito, Edmundo Gonz\u00e1lez, e Mar\u00eda Corina Machado no governo. E que a \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d, anunciada por Trump, seria com o chavismo, mas sem Maduro. Esse balde de \u00e1gua fria foi agravado pela declara\u00e7\u00e3o de Trump de que n\u00e3o haveria elei\u00e7\u00f5es e de que a convoca\u00e7\u00e3o delas s\u00f3 poderia ser inclu\u00edda em uma suposta \u201cterceira fase\u201d, que poderia durar anos. Tamanha foi a confus\u00e3o que, por ora, at\u00e9 mesmo Milei se calou.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es e a fragilidade pol\u00edtica de Trump ficaram expostas nos Estados Unidos. Dias antes da interven\u00e7\u00e3o militar, o Senado, de maioria republicana, votou contra a realiza\u00e7\u00e3o de qualquer opera\u00e7\u00e3o militar estadunidense no exterior. Trump ficou furioso com seus senadores. Por outro lado, pesquisas indicam que 70% da popula\u00e7\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 invas\u00e3o de outros pa\u00edses por Trump, e 60% se op\u00f5em \u00e0 tomada do poder na Venezuela. Esses 60% exercem consider\u00e1vel influ\u00eancia na base de seu famoso movimento MAGA, pois esse setor conservador e de direita abra\u00e7ou prontamente a promessa de campanha de Trump de n\u00e3o intervir em mais guerras ou conflitos no exterior, e que os gastos n\u00e3o poderiam ser destinados \u00e0 defesa, mas realizados tendo como norte o princ\u00edpio \u201cAm\u00e9rica primeiro\u201d. Simultaneamente, protestos e marchas est\u00e3o crescendo em todo o pa\u00eds contra a interven\u00e7\u00e3o na Venezuela, entrela\u00e7ando-se com as mobiliza\u00e7\u00f5es para condenar o assassinato policial de Renee Nicole Good, uma estadunidense de 37 anos que protestava em Minneapolis (Minnesota) contra a presen\u00e7a de agentes do Servi\u00e7o de Imigra\u00e7\u00e3o e Alf\u00e2ndega (ICE, na sigla em ingl\u00eas) enviados por Donald Trump a diversas cidades governadas por democratas.<\/p>\n<p>Trump apoiou publicamente o agente federal envolvido no tiroteio e culpou a mulher falecida pelo incidente. Grupos de defesa das liberdades civis e dos direitos dos imigrantes convocaram milhares de manifesta\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds para condenar o crime e exigir a retirada dos agentes do ICE das ruas das cidades. As mobiliza\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo realizadas com o lema \u201cICE Out For Good\u201d, um trocadilho com o sobrenome da ativista assassinada, que pode ser traduzido como \u201cICE fora para sempre\u201d ou \u201cICE fora em nome de Good\u201d. Em resumo, Trump est\u00e1 enfrentando dificuldades.<\/p>\n<p><strong>Negocia\u00e7\u00f5es em andamento<\/strong><\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o a ser respondida \u00e9 se o governo chavista da Venezuela est\u00e1 sendo controlado remotamente por Trump. O caudilho estadunidense n\u00e3o se cansa de dizer que \u00e9 ele quem governa, quem est\u00e1 \u201cno comando\u201d, chegando ao ponto de se autoproclamar \u201cpresidente interino\u201d da Venezuela nas redes sociais. Trump n\u00e3o se cansa de elogiar a presidente interina Delcy Rodr\u00edguez, embora tamb\u00e9m n\u00e3o deixe de amea\u00e7\u00e1-la. O governo chavista, sem Maduro, tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 uma resposta definitiva e n\u00e3o nega que esteja negociando e disposto a \u201ccooperar\u201d com Trump, como ele pr\u00f3prio afirmou.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, foram levantadas d\u00favidas sobre a rela\u00e7\u00e3o com Trump, tamb\u00e9m devido \u00e0 forma como o sequestro de Maduro e sua esposa foi realizado. Alguns analistas burgueses chegaram a sugerir que o pr\u00f3prio regime chavista os teria entregado como moeda de troca. Dadas as circunst\u00e2ncias do sequestro, \u00e9 compreens\u00edvel que tenham surgido tais d\u00favidas. Todavia, acreditamos que, fundamentalmente, foi um massacre eficiente perpetrado pelo imperialismo, que assassinou 32 soldados cubanos da guarda pessoal de Maduro e mais de 25 soldados venezuelanos, utilizando sua superioridade tecnol\u00f3gica e poderio militar esmagador, algo que n\u00e3o podemos ignorar. Al\u00e9m disso, n\u00e3o foi a primeira vez que os EUA realizaram uma opera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica desse tipo. Ela foi semelhante \u00e0 captura e posterior morte de Osama Bin Laden no Paquist\u00e3o (2011), durante o governo do democrata Barack Obama. Israel tamb\u00e9m costuma realizar esse tipo de opera\u00e7\u00e3o, que sempre conta com apoio interno nos pa\u00edses em que \u00e9 executada. Nesse caso, \u00e9 prov\u00e1vel que a situa\u00e7\u00e3o tenha sido uma combina\u00e7\u00e3o, presumivelmente, da colabora\u00e7\u00e3o de chavistas subornados pela CIA com a fragilidade das pr\u00f3prias for\u00e7as armadas venezuelanas, que est\u00e3o mais focadas nos neg\u00f3cios e na repress\u00e3o interna do que em se preparar para defender o pa\u00eds. De fato, os EUA admitiram ter um agente da CIA infiltrado no c\u00edrculo \u00edntimo de Maduro, que relatava regularmente seus movimentos. O tempo dir\u00e1 o que realmente aconteceu.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias ou fatos pol\u00edticos que demonstrem uma divis\u00e3o significativa na c\u00fapula do governo chavista, seja no PSUV ou nas For\u00e7as Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), para al\u00e9m da crise esperada ap\u00f3s um incidente como o ocorrido. \u00c9 claro que uma futura divis\u00e3o dentro do regime n\u00e3o pode ser descartada. No entanto, por ora, a unidade pol\u00edtica entre os irm\u00e3os Rodr\u00edguez (Delcy e Jorge, presidente da Assembleia Nacional); a c\u00fapula da FANB, chefiada por Vladimir Padrino L\u00f3pez, Ministro da Defesa; e Diosdado Cabello, Ministro do Interior, que controla a repress\u00e3o interna, parece estar se mantendo firme.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que, devido \u00e0 fragilidade de Trump e \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 tentativa de implementar suas pol\u00edticas contrarrevolucion\u00e1rias, ele se v\u00ea obrigado a combinar a \u201cm\u00e3o pesada\u201d da infame Doutrina Monroe com elementos de negocia\u00e7\u00e3o com o regime chavista. Trump, com bastante naturalidade, anunciou que est\u00e1 trabalhando \u2013 e que pretende continuar trabalhando \u2013 com o regime chavista. Ele tamb\u00e9m conta com a disposi\u00e7\u00e3o dos chavistas em cooperar, o que evidencia o que sempre denunciamos: que n\u00e3o se trata \u2013 e nunca foi \u2013 de um governo de esquerda ou verdadeiramente anti-imperialista, que constr\u00f3i o socialismo. Sempre foi um governo capitalista, de concilia\u00e7\u00e3o de classes, com um falso discurso \u201csocialista\u201d.<\/p>\n<p>Chama muito a aten\u00e7\u00e3o a guinada pol\u00edtica do ultra-direitista Trump, que est\u00e1 buscando forjar um pacto com o governo chavista, que ele acusou de ser uma \u201cditadura narcotraficante\u201d e \u201ccomunista\u201d. Isso pode ser explicado por seu cinismo e tamb\u00e9m pelo fato de que as multinacionais petrol\u00edferas, sempre presentes no pa\u00eds, se opuseram \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar direta na Venezuela, preferindo a estabilidade de um regime ditatorial, independentemente de sua ideologia, \u00e0 possibilidade de desestabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que poderia colocar em risco seus neg\u00f3cios. Isso foi confirmado por Ali Moshiri, atualmente investidor em Vaca Muerta, na Argentina, que por 40 anos foi um alto executivo da Chevron, a \u00fanica petrol\u00edfera estadunidense que permaneceu na Venezuela:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 importante que seja algu\u00e9m do sistema atual, goste-se ou n\u00e3o, porque essa pessoa tem que equilibrar tudo e ter capacidade de di\u00e1logo. Se algu\u00e9m completamente novo for introduzido, cria-se um v\u00e1cuo de poder, e esse v\u00e1cuo gera inseguran\u00e7a, e ningu\u00e9m vai investir.\u201d (Clar\u00edn, Argentina, 08\/01\/2026).<\/p><\/blockquote>\n<p>Moshiri tinha boas rela\u00e7\u00f5es com Hugo Ch\u00e1vez. Em 11 de fevereiro de 2010, durante a cerim\u00f4nia de entrega de uma concess\u00e3o de 40 anos (para a Chevron) na Faixa Petrol\u00edfera do Orinoco, o presidente venezuelano Ch\u00e1vez pediu a Ali Moshiri, representante da corpora\u00e7\u00e3o transnacional, que intercedesse junto a Obama: \u201c[Espero que] voc\u00ea nos ajude a melhorar a situa\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es com o governo dos Estados Unidos [\u2026] espero que Obama venha \u00e0 Faixa do Orinoco, tragam-no voc\u00eas mesmos\u201d (p\u00e1gina 133 do livro \u201cPor que o chavismo fracassou?\u201d, de Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras e Miguel Sorans, dispon\u00edvel em nahuelmoreno.org).<\/p>\n<p><strong>A mentira do \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O perigo de um pacto pol\u00edtico-econ\u00f4mico entre o governo chavista e Trump se consolidar \u00e9 real. Isso foi corretamente alertado pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSL), se\u00e7\u00e3o venezuelana da UIT-QI (veja a declara\u00e7\u00e3o do PSL: \u201cN\u00e3o ao pacto com Trump\u201d, dispon\u00edvel em https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/01\/12\/nao-ao-pacto-com-trump-para-aprofundar-a-entrega-do-petroleo-e-de-nossos-recursos-naturais\/).<\/p>\n<p>Estamos falando de um acordo contra o povo trabalhador e os setores populares da Venezuela; um acordo que entregaria ainda mais o petr\u00f3leo a corpora\u00e7\u00f5es multinacionais e empresas privadas nacionais.<\/p>\n<p>Essa possibilidade pol\u00edtica, de certa forma escandalosa, s\u00f3 pode ser explicada pela defini\u00e7\u00e3o que temos desenvolvido h\u00e1 mais de 20 anos: a de que o chamado \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d foi uma fraude pol\u00edtico-ideol\u00f3gica, concebida para manter a Venezuela nos marcos do capitalismo. \u00c9 hora dos lutadores anticapitalistas do mundo todo compartilharem essa conclus\u00e3o. As defini\u00e7\u00f5es sustentadas por analistas burgueses, e compartilhadas por setores da esquerda reformista mundial, de que o regime chavista era socialista, anticapitalista e anti-imperialista, nunca foram reais. At\u00e9 setores da esquerda trotskista defenderam a ideia de que era perfeitamente poss\u00edvel que o regime se radicalizasse e avan\u00e7asse rumo ao socialismo, como ocorreu com Cuba nos anos 1960.<\/p>\n<p>A UIT-QI, junto com nossos camaradas do PSL da Venezuela, liderados pelos hist\u00f3ricos dirigentes socialistas Orlando Chirino, Jos\u00e9 Bodas e Miguel \u00c1ngel Hern\u00e1ndez [2], sempre sustentou que o chavismo, sob Hugo Ch\u00e1vez e posteriormente Maduro, n\u00e3o caminhava para uma ruptura com o capitalismo nem para o socialismo. Nossa corrente de esquerda trotskista, fundada por Nahuel Moreno (1924-1987, ver nahuelmoreno.org), sempre se manteve independente frente ao governo chavista e alertou para os perigos inerentes \u00e0 sua concilia\u00e7\u00e3o com as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais e os grandes empres\u00e1rios. Sempre participamos das lutas do movimento oper\u00e1rio e contra a burocracia sindical chavista. Como consequ\u00eancia de nossa postura independente, em novembro de 2008 sofremos o assassinato dos dirigentes sindicais Richard Gallardo, Luis Hern\u00e1ndez e Carlos Requena, l\u00edderes da UNETE, a central sindical do estado de Aragua. Um assassino profissional os matou a tiros num restaurante em La Encrucijada, onde jantavam ap\u00f3s uma greve bem-sucedida na regi\u00e3o. Gallardo era presidente da Unete-Aragua, Hern\u00e1ndez era secret\u00e1rio-geral do sindicato da Pepsi Cola e Carlos Requena era delegado de preven\u00e7\u00e3o da empresa Produvisa. Os tr\u00eas eram membros da nossa corrente sindical, a Corrente Classista Unit\u00e1ria Revolucion\u00e1ria Aut\u00f4noma (CCURA), e do nosso partido, agora PSL (veja laclase.info). O caso permanece sem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Definimos o regime chavista como stalinista burgu\u00eas. O que isso significa? Significa que \u00e9 um regime capitalista e repressivo com um falso discurso socialista e anti-imperialista: o \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d. \u00c9 uma ditadura capitalista, mas com a peculiaridade de se autodenominar \u201csocialista\u201d e \u201crevolucion\u00e1ria\u201d. Afirmam apoiar a Palestina e, por vezes, chegam mesmo a citar Lenin e Trotsky, como fez Ch\u00e1vez. Esta \u00e9 a base da nossa caracteriza\u00e7\u00e3o do regime como stalinista burgu\u00eas, para distingui-lo de ditaduras burguesas contrarrevolucion\u00e1rias, como as de Videla ou Pinochet. Na Nicar\u00e1gua e em Cuba, com as suas particularidades, tamb\u00e9m h\u00e1 regimes stalinistas burgueses. Todos eles, especialmente o chavismo, mancham o nome do socialismo, criando uma enorme confus\u00e3o no movimento de massas e em sua consci\u00eancia, uma vez que, embora utilizem uma ret\u00f3rica pseudo-esquerdista, s\u00e3o governos capitalistas, que implementam medidas de ajuste e fazem acordos com empresas transnacionais.<\/p>\n<p>A confus\u00e3o em torno da mentira do \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d chegou a tal ponto que, lamentavelmente, analistas da m\u00eddia, tanto burguesa quanto de esquerda, continuam ignorando o fato de que as multinacionais petrol\u00edferas e as grandes empresas privadas sempre operaram sob o regime chavista.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de Trump de que \u201cas multinacionais do petr\u00f3leo t\u00eam que voltar\u201d para a Venezuela \u00e9 falsa; na realidade, elas sempre estiveram l\u00e1, nunca sa\u00edram. E afirma-se repetidamente que o chavismo nacionalizou a ind\u00fastria petrol\u00edfera, o que \u00e9 completamente falso.<\/p>\n<p>Em 1975, o governo do social-democrata Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez decretou a nacionaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petrol\u00edfera e criou a estatal PDVSA. Milh\u00f5es de d\u00f3lares em indeniza\u00e7\u00f5es foram acordados e pagos a empresas transnacionais, e o Artigo 5\u00ba da lei de nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo deixou aberta a porta para o retorno do capital transnacional ao setor, por meio dos chamados contratos de servi\u00e7os. Foi exatamente isso que aconteceu na d\u00e9cada de 1990, com a chamada \u201cAbertura do Petr\u00f3leo\u201d do presidente Rafael Caldera.<\/p>\n<p>O que Ch\u00e1vez fez foi substituir os acordos comerciais e as concess\u00f5es por meio das quais operavam as empresas transnacionais, incluindo as dos EUA, na Venezuela por empresas mistas. Ch\u00e1vez n\u00e3o nacionalizou o petr\u00f3leo. \u00c9 simples assim.<\/p>\n<p>Em 1\u00ba de janeiro de 2006, o plano foi anunciado com o pomposo nome de Plena Soberania do Petr\u00f3leo, por meio do qual o governo Ch\u00e1vez abriu a PDVSA, a estatal petrol\u00edfera, ao modelo das empresas mistas. Nesse modelo, as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais e as empresas privadas nacionais, que antes operavam com contratos de concess\u00e3o, tornaram-se parceiras da PDVSA. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o era que: \u201cNo processo de migra\u00e7\u00e3o das contratantes para empresas mistas, ficou estipulado que o Estado deteria uma participa\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 51%\u201d. At\u00e9 49% das a\u00e7\u00f5es foram reservadas para o capital transnacional. Entre as primeiras empresas a assinarem os contratos estavam Chevron, Repsol, Shell, BP, Total, China National Petroleum, ENI, Statoil e Petrobras. Apenas duas empresas se recusaram e se retiraram: as estadunidenses Exxon Mobil e ConocoPhillips. Elas n\u00e3o foram nacionalizadas por Ch\u00e1vez. Simplesmente sa\u00edram. Posteriormente, a empresa japonesa Mitsubishi e as empresas russas Lukoil, Gazprom e Rosneft juntaram-se \u00e0s empresas mistas, assim como empresas do Ir\u00e3, \u00cdndia, Vietn\u00e3, Cuba e outros pa\u00edses (Dados do livro \u201cPor que o chavismo fracassou?\u201d, de Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras e Miguel Sorans. Editora Cehus, 2018. Cap\u00edtulo IX. Dispon\u00edvel em nahuelmoreno.org).<\/p>\n<p>Isso \u00e9 muito importante porque, na realidade, Maduro, at\u00e9 o dia em que foi sequestrado, ainda se oferecia para negociar com investidores petrol\u00edferos dos EUA. Lembremos suas palavras em junho de 2024, com o presidente da Chevron-Venezuela ao seu lado: \u201cMeu nome \u00e9 Nicol\u00e1s Maduro Moros, sou o presidente da Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela, um homem de palavra, um homem de confian\u00e7a. Seu investimento na Venezuela \u00e9 bem-vindo para que possamos trabalhar por uma rela\u00e7\u00e3o diferente entre os Estados Unidos e a Venezuela\u201d (Comunicado de Imprensa Presidencial, 27\/06\/2024, citado na Revista Correspond\u00eancia Internacional, n\u00ba 53, agosto de 2024. Veja em uit-ci.org).<\/p>\n<p>A Chevron nunca saiu. Hoje, quase 27% das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo venezuelanas v\u00e3o para os EUA via Chevron. \u00c9 por isso que Delcy Rodr\u00edguez afirma que a rela\u00e7\u00e3o com os EUA n\u00e3o \u00e9 uma novidade.<\/p>\n<p><strong>Neg\u00f3cios e militares<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O chamado socialismo do s\u00e9culo XXI fracassou. Isso porque, entre outras coisas, o chavismo fez acordos com as empresas petrol\u00edferas multinacionais para criar empresas mistas, transformando as empresas que antes eram contratadas em parceiras no neg\u00f3cio do petr\u00f3leo com a PDVSA, enquanto a estatal mantinha a participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria. Dessa forma, as multinacionais, os novos empres\u00e1rios do petr\u00f3leo e os novos-ricos do regime, muitas vezes ligados ao setor privado, colheram lucros exorbitantes. Isso permitiu que o capitalismo persistisse na Venezuela, exacerbando a pobreza da classe trabalhadora e dos setores populares.<\/p>\n<p>Os neg\u00f3cios obscuros em torno do setor petrol\u00edfero foram e continuam sendo uma fonte de corrup\u00e7\u00e3o para o regime chavista, especialmente para os militares, que, junto com civis, ainda controlam dezenas de empresas em diversos setores econ\u00f4micos. S\u00e3o precisamente esses setores, enriquecidos \u00e0 sombra do petr\u00f3leo, que s\u00e3o popularmente conhecidos como \u201cboliburguesia\u201d: um novo fen\u00f4meno social, criado a partir da ascens\u00e3o do chavismo com a mentira do socialismo do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Entre 1999 e 2013, durante a presid\u00eancia de Ch\u00e1vez, 1.614 militares ocuparam altos cargos no governo. Seu sucessor, Maduro, entre 2013 e 2017, criou 14 empresas militares: Constructora y Automotores Ipsfa, Emcofanb (telecomunica\u00e7\u00f5es), TVfanb (televis\u00e3o), Emiltra (transportes), Agrofanb (agricultura), Banfanb (banco), Construfanb (constru\u00e7\u00e3o civil), Cancorfanb (extra\u00e7\u00e3o de pedras), Fondo Negro Primero (finan\u00e7as), Complejo Industria Tiuna I e II (\u00e1gua, vestu\u00e1rio), Camimpeg (petr\u00f3leo e minera\u00e7\u00e3o), Neumalba (pneus) e Imprefanb (impress\u00e3o) (Dados do mesmo livro, Cap\u00edtulo VIII).<\/p>\n<p>A luta da direita venezuelana pr\u00f3-EUA (Mar\u00eda Corina Machado, Guaid\u00f3, Leopoldo L\u00f3pez e Capriles) contra o chavismo ocorre porque eles querem retomar o controle sobre essas empresas, por meio de acordos diretos com as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais e o imperialismo. Nenhum deles, muito menos Trump, visa elevar o padr\u00e3o de vida dos trabalhadores e acabar com a desigualdade social.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, o PSL e sua corrente sindical CCURA denunciaram a falsidade do socialismo do s\u00e9culo XXI, visto que este perpetuou a entrega do petr\u00f3leo nos marcos de uma economia capitalista. Previram consistentemente seu fracasso e o agravamento da pobreza da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O chavismo n\u00e3o soube aproveitar o potencial que a riqueza petrol\u00edfera poderia proporcionar para elevar o padr\u00e3o de vida da classe trabalhadora, melhorar a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a habita\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e medicamentos, uma defici\u00eancia hist\u00f3rica da Venezuela.<\/p>\n<p>Por isso, nossa corrente prop\u00f4s uma pol\u00edtica diferente e apresentou, como consigna de ruptura com o capitalismo, a ideia de que o petr\u00f3leo da Venezuela deveria ser 100% estatal, sem multinacionais, sob gest\u00e3o e controle oper\u00e1rio e popular. E que o verdadeiro socialismo exigia a conquista de um governo dos trabalhadores, que implementasse esse plano. O governo chavista levou o pa\u00eds a uma profunda crise social e econ\u00f4mica, a maior de toda a sua hist\u00f3ria. Causou uma queda abrupta no padr\u00e3o de vida, sem precedentes. Hoje, o sal\u00e1rio-m\u00ednimo \u00e9 inferior a um d\u00f3lar. Isso fez com que milh\u00f5es de trabalhadores e membros dos setores populares abandonassem suas expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao chavismo. E que mais de 7 milh\u00f5es de pessoas, infelizmente, deixassem o pa\u00eds, enquanto outras foram atra\u00eddas pol\u00edtica e eleitoralmente pela falsa solu\u00e7\u00e3o oferecida pelos partidos de direita. Por impot\u00eancia e \u00f3dio a Maduro e seu governo, tais pessoas apoiaram equivocadamente a interven\u00e7\u00e3o imperialista. Esta \u00e9 a triste realidade. Foi por isso que praticamente n\u00e3o houve mobiliza\u00e7\u00f5es nas ruas do pa\u00eds repudiando a agress\u00e3o militar dos EUA. Estas s\u00e3o as consequ\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Rejeitamos qualquer pacto ou acordo com Trump de entrega do petr\u00f3leo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Nossa corrente segue defendendo a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o na Venezuela e em todo o mundo para condenar a agress\u00e3o militar de Trump e qualquer tentativa de ataque contra a Col\u00f4mbia ou outros pa\u00edses. No entanto, fazemos isso a partir da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao governo chavista, agora liderado por Delcy Rodr\u00edguez. O foco \u00e9 derrotar Trump e seu plano neocolonial, mas n\u00e3o apoiamos nem depositamos qualquer confian\u00e7a no atual governo chavista.<\/p>\n<p>Existe o perigo de que o governo avance no pacto com Trump, o que significaria uma maior entrega do petr\u00f3leo, dos minerais e dos recursos naturais da Venezuela, aprofundando a pobreza da popula\u00e7\u00e3o e exacerbando a crise social e a submiss\u00e3o do pa\u00eds. H\u00e1 tamb\u00e9m o perigo da continuidade da repress\u00e3o. Embora tenha sido anunciada a liberta\u00e7\u00e3o parcial de presos pol\u00edticos, muitos sindicalistas petroleiros e de outros setores permanecem detidos por lutar e por motivos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00f3s, do PSL e da UIT-QI, convocamos os trabalhadores e os setores populares da Venezuela a n\u00e3o se deixarem enganar nem criarem expectativas em rela\u00e7\u00e3o a Trump, e a rejeitarem qualquer pacto entre o governo e os EUA, a come\u00e7ar por uma maior entrega do petr\u00f3leo. Acreditamos que a \u00fanica sa\u00edda para a crise social causada pelo chavismo n\u00e3o \u00e9 seguir os partidos da direita patronal, atualmente liderados por Mar\u00eda Corina Machado, e muito menos Trump, mas sim a mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e dos setores populares por seus direitos. Nesse caminho, devemos continuar lutando por uma sa\u00edda verdadeira e de fundo: um governo dos trabalhadores. Um socialismo verdadeiro, n\u00e3o a farsa do chamado socialismo do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Nesse sentido, apoiamos o programa de a\u00e7\u00e3o proposto pelo PSL da Venezuela: \u201cPrecisamos nos mobilizar por um aumento emergencial de sal\u00e1rios e pens\u00f5es, equivalente ao custo das necessidades b\u00e1sicas. Basta de medidas de ajuste para o povo trabalhador! Basta de b\u00f4nus salariais! Exigimos acordos coletivos de trabalho; o direito \u00e0 greve e \u00e0 liberdade sindical; a plena liberdade dos presos pol\u00edticos, incluindo os j\u00e1 soltos, e a liberdade dos detidos durante os protestos contra a fraude eleitoral de julho de 2024. Exigimos a liberta\u00e7\u00e3o imediata dos presos anunciada por Jorge Rodr\u00edguez. Exigimos, sobretudo, a liberdade dos trabalhadores detidos por lutarem por seus direitos, por denunciarem a corrup\u00e7\u00e3o ou por motivos pol\u00edticos, como \u00e9 o caso dos mais de 120 petroleiros que permanecem presos, e sua reintegra\u00e7\u00e3o. Reintegra\u00e7\u00e3o imediata dos demitidos com pagamento retroativo. Fim da repress\u00e3o e da persegui\u00e7\u00e3o! Fim imediato do decreto de estado de emerg\u00eancia! Reabertura dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o fechados. Plenos direitos pol\u00edticos para o povo trabalhador. Exigimos a legaliza\u00e7\u00e3o dos partidos pol\u00edticos de esquerda e democr\u00e1ticos. Exigimos petr\u00f3leo 100% estatal, sem empresas mistas e transnacionais; impostos progressivos para todas as transnacionais e grandes empresas nacionais, e que todo esse dinheiro seja destinado a aumentos salariais, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos e medicamentos.\u201d (Veja a declara\u00e7\u00e3o completa em https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/01\/12\/nao-ao-pacto-com-trump-para-aprofundar-a-entrega-do-petroleo-e-de-nossos-recursos-naturais\/).<\/p>\n<p>O PSL exige ainda que o governo de Delcy Rodr\u00edguez, em vez de negociar com Trump, convoque uma jornada internacional de luta contra o intervencionismo, uma vez que somente a unidade dos povos da Am\u00e9rica Latina e do mundo pode derrotar os planos nefastos do ultra-direitista Trump.<\/p>\n<p><strong>Defendemos a continuidade da mobiliza\u00e7\u00e3o contra as agress\u00f5es intervencionistas de Trump<\/strong><\/p>\n<p>Uma nova a\u00e7\u00e3o militar de Trump na Venezuela, na Am\u00e9rica Latina ou na Groenl\u00e2ndia n\u00e3o est\u00e1 descartada. Como temos apontado, nada est\u00e1 resolvido ainda na Venezuela. Trump j\u00e1 afirmou que, se o governo chavista n\u00e3o acatar suas exig\u00eancias, haver\u00e1 novas a\u00e7\u00f5es militares. Ele tamb\u00e9m amea\u00e7ou a Col\u00f4mbia, Cuba, o M\u00e9xico e o Ir\u00e3, e quer anexar a Groenl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00f3s, da UIT-QI e do PSL, reiteramos nosso apelo pela mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para continuar a mobiliza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e no mundo, para condenar a interven\u00e7\u00e3o militar na Venezuela e o perigo de novas interven\u00e7\u00f5es. Os presidentes da Col\u00f4mbia, Brasil, Chile e M\u00e9xico rejeitaram as amea\u00e7as agressivas de Trump. Devemos exigir que passem das palavras \u00e0 a\u00e7\u00e3o e convoquem uma mobiliza\u00e7\u00e3o continental para derrotar a agress\u00e3o colonial de Trump, algo que ainda n\u00e3o fizeram. A prioridade \u00e9 exigir que as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sindicais, estudantis, de mulheres e das dissid\u00eancias, que se identificam como democr\u00e1ticas e anti-imperialistas, convoquem mobiliza\u00e7\u00f5es unificadas em cada pa\u00eds, seja nas ruas ou em frente \u00e0s embaixadas e consulados dos EUA, e coordenem a constru\u00e7\u00e3o de um dia de luta continental. Para deter e derrotar o ultra-direitista Trump, \u00e9 necess\u00e1rio construir um grande movimento unit\u00e1rio na Am\u00e9rica Latina e no mundo. Vamos \u00e0s ruas para condenar a tentativa de roubo do petr\u00f3leo venezuelano, condenar o sequestro de Maduro e as amea\u00e7as de continuidade do bloqueio do petr\u00f3leo da Venezuela. Fora navios ianques do Caribe! Basta de bombardeios criminosos no Pac\u00edfico e no Caribe! N\u00e3o \u00e0s amea\u00e7as contra a Col\u00f4mbia, Cuba, M\u00e9xico e Groenl\u00e2ndia! Vamos lutar juntos por: fora Trump da Venezuela e da Am\u00e9rica Latina!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<pre>[1] A China importa 11,1 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia. Cerca de 400.000 desses barris v\u00eam da Venezuela (dados de U.S Energy Information Administration, 11\/02\/2025).\r\n[2] Ver a reportagem com Miguel \u00c1ngel Hern\u00e1ndez no A24, canal Am\u00e9rica da Argentina.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans, dirigente da Izquierda Socialista da Argentina e da UIT-QI &nbsp; A situa\u00e7\u00e3o na Venezuela, ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o militar do ultra-direitista Trump e dos Estados Unidos em 3 de janeiro, levanta, para al\u00e9m da ampla condena\u00e7\u00e3o, muitas d\u00favidas e questionamentos: a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18362,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[337,6],"tags":[4,986,3],"class_list":["post-18361","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especialvenezuela","category-internacional","tag-america-latina","tag-donald-trump","tag-venezuela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18361"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18361\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18363,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18361\/revisions\/18363"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}