

	{"id":18401,"date":"2026-02-21T10:03:10","date_gmt":"2026-02-21T13:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18401"},"modified":"2026-02-21T11:21:58","modified_gmt":"2026-02-21T14:21:58","slug":"fim-do-windows-10-e-elitismo-no-software-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/02\/21\/fim-do-windows-10-e-elitismo-no-software-livre\/","title":{"rendered":"Fim do Windows 10 e elitismo no Software Livre: Alian\u00e7a para tornar seu PC em sucata"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Bruno Bicalho<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vivemos tempos de aprofundamento da barb\u00e1rie capitalista, onde a tecnologia, longe de servir \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 utilizada como ferramenta de segrega\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto a classe trabalhadora luta para sobreviver e recicla tecnologia para ter acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, uma casta privilegiada de desenvolvedores decide, do alto de seus escrit\u00f3rios climatizados e equipados com superm\u00e1quinas, quem merece ou n\u00e3o entrar na &#8220;nova era&#8221; da computa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outubro de 2025 entrou para a hist\u00f3ria n\u00e3o como um marco de evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, mas como a data de um crime contra usu\u00e1rios de centenas de milh\u00f5es de computadores ativos. Ao decretar o fim do suporte ao Windows 10, e exigir chips TPM 2.0 e processadores recentes para o Windows 11, a Microsoft transformou artificialmente milh\u00f5es de computadores operacionais em potencial lixo. O objetivo \u00e9 claro: for\u00e7ar a compra de novas licen\u00e7as e novos computadores, alimentando a ind\u00fastria de hardware em um ciclo vicioso de consumo e descarte, enquanto deixa quem n\u00e3o tem acesso \u00e0s novas tecnologias desprotegidos contra amea\u00e7as digitais.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_18403\" style=\"width: 738px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18403\" class=\"wp-image-18403 size-full\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1.png\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1.png 728w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1-300x168.png 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1-600x336.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" \/><p id=\"caption-attachment-18403\" class=\"wp-caption-text\">500 milh\u00f5es de computadores n\u00e3o possuem o hardware necess\u00e1rio para o Windows 11, de acordo com declara\u00e7\u00f5es de um executivo da Dell<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas m\u00e1quinas que rodam perfeitamente navegadores, editores de texto, v\u00eddeos e jogos tornaram-se &#8220;ilegais&#8221; aos olhos do mercado simplesmente por n\u00e3o possu\u00edrem um chip de seguran\u00e7a TPM 2.0 ou processadores de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se a Microsoft decreta a morte do hardware, empresas como a NVIDIA garantem que ele n\u00e3o possa ser ressuscitado. Historicamente, a NVIDIA opera como um inimigo do software livre, mantendo seus drivers e documenta\u00e7\u00f5es como segredos industriais (c\u00f3digo fechado).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao negar \u00e0 comunidade o acesso ao funcionamento interno de suas placas (especialmente as mais antigas, que equipam os PCs da classe trabalhadora), a NVIDIA pratica uma sabotagem ativa. Ela impede que desenvolvedores independentes criem solu\u00e7\u00f5es para manter essas placas funcionando nos novos sistemas. Enquanto lucram trilh\u00f5es com a Intelig\u00eancia Artificial e a venda de chips para data centers, abandonam o consumidor final \u00e0 pr\u00f3pria sorte, for\u00e7ando a substitui\u00e7\u00e3o de componentes que ainda poderiam servir por anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas empresas das pot\u00eancias imperialistas operam em cartel para destruir a autonomia do usu\u00e1rio. Assim como vemos a cumplicidade empresarial em genoc\u00eddios e explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais em outras partes do mundo, aqui vemos a cumplicidade na destrui\u00e7\u00e3o do direito ao acesso \u00e0 tecnologia. Elas controlam o hardware, fecham o software e, agora, cooptam partes do ecossistema Linux* para validar suas pr\u00e1ticas excludentes. \u00c9 o imperialismo tecnol\u00f3gico ditando que, se voc\u00ea n\u00e3o pode pagar o pre\u00e7o de monop\u00f3lio das novas gera\u00e7\u00f5es de hardware, voc\u00ea n\u00e3o merece fazer parte do mundo digital.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_18404\" style=\"width: 647px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18404\" class=\"wp-image-18404 size-full\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2.png\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2.png 637w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2-300x169.png 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2-600x337.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 637px) 100vw, 637px\" \/><p id=\"caption-attachment-18404\" class=\"wp-caption-text\">Linus Torvalds, criador do Kernel Linux: Fuck NVIDIA<\/p><\/div>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Trai\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia do Software Livre<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Historicamente, t\u00ednhamos um ref\u00fagio contra esse descarte for\u00e7ado: o Linux. O sistema do pinguim sempre foi o &#8220;hospital&#8221; que acolhia as m\u00e1quinas rejeitadas pelo capital, devolvendo-lhes vida e utilidade. Mas, num ato de trai\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, uma &#8220;aristocracia do software&#8221; decidiu fechar as portas desse hospital justamente quando a comunidade de software livre mais precisava dele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 uma movimenta\u00e7\u00e3o no mundo do software livre, com o projeto GNOME e outras interfaces abandonando o suporte ao Xorg em favor do Wayland, e isso n\u00e3o \u00e9 apenas uma mudan\u00e7a t\u00e9cnica: \u00e9 um reflexo da l\u00f3gica de sele\u00e7\u00e3o artificial imposta pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es e absorvida acriticamente por elites tecnocr\u00e1ticas. O GNOME \u00e9 o ambiente de trabalho mais usado como padr\u00e3o pelas distribui\u00e7\u00f5es de sistema operacional com kernel Linux.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estamos diante de uma eugenia eletr\u00f4nica que elimina quem n\u00e3o consegue pagar a nova gera\u00e7\u00e3o de hardware. Querem sistemas limpos, r\u00e1pidos e seguros, mas apenas para quem pode pagar o ingresso caro do hardware de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa elite do desenvolvimento vive em uma bolha, financiada por grandes corpora\u00e7\u00f5es e com acesso a hardware de ponta. Para eles, descartar tecnologias antigas \u00e9 &#8220;evolu\u00e7\u00e3o&#8221;. Para n\u00f3s, \u00e9 uma obsolesc\u00eancia imposta. Eles criam sistemas para rodar em m\u00e1quinas que custam uma fortuna, ignorando que, na periferia do capitalismo, o computador \u00e9 um bem dur\u00e1vel que precisa durar pelo menos 10 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A desconex\u00e3o da &#8220;aristocracia digital&#8221; n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e9cnica, \u00e9 ideol\u00f3gica. Ela encontra sua express\u00e3o m\u00e1xima quando desenvolvedores do Sul Global reproduzem, sem cr\u00edtica, a l\u00f3gica de descarte imposta pelo Norte. Um brasileiro que \u00e9 figura proeminente do projeto GNOME tornou-se o porta-voz dessa mentalidade ao declarar publicamente que, para o Linux avan\u00e7ar, \u00e9 necess\u00e1rio &#8220;quebrar o passado para evoluir&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E essa frase, que soa como um slogan de inova\u00e7\u00e3o nos corredores do Vale do Sil\u00edcio, ecoa como uma senten\u00e7a de morte para os equipamentos da maioria na periferia do capitalismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando falam em &#8220;quebrar o passado&#8221;, se referem a eliminar c\u00f3digos antigos (como o Xorg) que consideram &#8220;feios&#8221; ou &#8220;dif\u00edceis de manter&#8221;. Eles olham apenas para a pureza da engenharia de software.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, a cegueira os impede de ver o \u00f3bvio: o &#8220;passado&#8221; que eles querem quebrar \u00e9 o presente de milh\u00f5es de pessoas. Para a elite do c\u00f3digo, o passado \u00e9 um protocolo de software obsoleto que precisa ser enterrado.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Evolu\u00e7\u00e3o para Quem?<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao advogar pelo fim da compatibilidade em nome da evolu\u00e7\u00e3o, essa elite assume uma postura higienista. Eles preferem um sistema operacional &#8220;limpo&#8221; e &#8220;moderno&#8221;, mesmo que isso signifique expulsar a base de usu\u00e1rios que n\u00e3o pode acompanhar o ritmo fren\u00e9tico das atualiza\u00e7\u00f5es de hardware.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 a confiss\u00e3o final de que o projeto GNOME, sob essa lideran\u00e7a ideol\u00f3gica, escolheu seu lado: o lado da modernidade excludente, virando as costas para a miss\u00e3o hist\u00f3rica do software livre de acolher e libertar, independentemente do poder de compra do usu\u00e1rio. Quebrar o passado, nesse contexto, \u00e9 quebrar as pernas de quem n\u00e3o pode comprar o futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o podemos ser ing\u00eanuos: a exclus\u00e3o digital que enfrentamos n\u00e3o \u00e9 um &#8220;acidente&#8221; da evolu\u00e7\u00e3o, mas um projeto deliberado de lucro e domina\u00e7\u00e3o. Por tr\u00e1s da &#8220;purifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica&#8221; do software, est\u00e3o os interesses vorazes das Big Techs, os grandes monop\u00f3lios imperialistas que controlam a infraestrutura digital global e imp\u00f5em uma obsolesc\u00eancia programada criminosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A filosofia do software livre nasceu para ser uma ferramenta de emancipa\u00e7\u00e3o. Centrada nas quatro liberdades essenciais, ela promove o compartilhamento de conhecimento e a autonomia do usu\u00e1rio, defendendo que qualquer pessoa tem o direito de executar, estudar, modificar e redistribuir software. O objetivo sempre foi garantir o controle sobre a tecnologia e fomentar a colabora\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o social, focando na liberdade, e n\u00e3o no pre\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, essa &#8220;aristocracia digital&#8221; est\u00e1 rasgando esses princ\u00edpios. Como podemos exercer a liberdade de executar o programa se o software imp\u00f5e barreiras artificiais de hardware que a classe trabalhadora n\u00e3o pode comprar?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao inv\u00e9s de inclus\u00e3o e autonomia, o que vemos \u00e9 uma sele\u00e7\u00e3o artificial onde a liberdade se torna um privil\u00e9gio de quem pode pagar pelo hardware mais recente.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">A Hipocrisia Verde e a Montanha de Sil\u00edcio<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto as Big Techs e as funda\u00e7\u00f5es enchem a boca para falar de sustentabilidade e metas de carbono zero, suas decis\u00f5es de engenharia impulsionam silenciosamente um desastre ambiental sem precedentes. Ao tornarem obsoleto um parque de meio bilh\u00e3o de computadores funcionais, seja por travas artificiais ou pelo purismo t\u00e9cnico, essas entidades condenam toneladas de pl\u00e1stico, metais pesados e sil\u00edcio aos aterros sanit\u00e1rios. O &#8220;c\u00f3digo limpo&#8221; que eles celebram em seus escrit\u00f3rios ass\u00e9pticos resulta diretamente em solo contaminado e \u00e1guas envenenadas na periferia do mundo, expondo a mentira fundamental do &#8220;capitalismo verde&#8221;: n\u00e3o existe sustentabilidade baseada no descarte programado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A verdadeira conta ambiental n\u00e3o \u00e9 paga na hora da compila\u00e7\u00e3o do software, mas na extra\u00e7\u00e3o brutal necess\u00e1ria para substituir o que foi descartado. Ignora-se que fabricar um \u00fanico novo notebook exige milhares de litros de \u00e1gua e a minera\u00e7\u00e3o agressiva de terras raras, gerando um passivo ecol\u00f3gico que a suposta &#8220;efici\u00eancia energ\u00e9tica&#8221; de um processador moderno jamais compensar\u00e1. Portanto, a defesa do suporte ao hardware legado \u00e9 a \u00fanica postura ecologicamente honesta. O computador mais verde n\u00e3o \u00e9 aquele que acabou de sair da f\u00e1brica com um selo de marketing, mas aquele que j\u00e1 existe, j\u00e1 foi produzido e que, com o software adequado, pode continuar servindo \u00e0 humanidade sem exigir que sangremos a Terra por novos recursos.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">A realidade brasileira n\u00e3o permite o luxo do descarte<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais de 67% dos trabalhadores ganham menos de 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">e<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">o custo m\u00e9dio de um computador intermedi\u00e1rio de tecnologia mais recente varia entre R$ 5000 e R$ 7000, diante disso o trabalhador brasileiro n\u00e3o compra apenas os \u201cqueridos Kit Xeon&#8221; de alto desempenho (uma reciclagem de servidores, que custam ao total entre R$ 1000 e R$ 2500). Ele vai al\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existe uma verdadeira cultura de sobreviv\u00eancia do hardware antigo: jovens e trabalhadores pegam placas-m\u00e3e de 10 anos atr\u00e1s, misturam pentes de mem\u00f3ria de marcas e frequ\u00eancias diferentes, instalam SSDs baratos comprados na China e ressuscitam m\u00e1quinas que a ind\u00fastria condenou \u00e0 morte. \u00c9 a mistura de gera\u00e7\u00f5es para garantir o acesso ao lazer, a estudar e a trabalhar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas para a &#8220;aristocracia do software&#8221;, esses computadores &#8220;Frankenstein&#8221;, fruto do suor e da engenhosidade no sul global, \u00e9 &#8220;lixo&#8221; ou &#8220;inseguro&#8221;. A purifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica que eles promovem elimina quem n\u00e3o consegue pagar a nova gera\u00e7\u00e3o de hardware, transformando equipamentos perfeitos em sucata inutiliz\u00e1vel. Ao decretar o fim do suporte ao Xorg, o GNOME ignora que milh\u00f5es dessas m\u00e1quinas dependem de placas de v\u00eddeo antigas (especialmente NVIDIA) que jamais ter\u00e3o suporte decente no Wayland devido ao boicote do fabricante.<\/span><\/p>\n<div style=\"display: flex; gap: 15px; width: 100%; align-items: flex-start;\">\n<figure style=\"flex: 1; margin: 0; text-align: center; width: 50%;\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 100%; height: 250px; object-fit: cover; display: block; border-radius: 4px;\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/3.png\" alt=\"Reciclagem de hardware\" \/><figcaption style=\"font-size: 0.9em; color: #666; margin-top: 8px; font-style: italic; line-height: 1.3;\">Reciclagem e atualiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o a sobreviv\u00eancia das massas para o mundo digital<\/figcaption><\/figure>\n<figure style=\"flex: 1; margin: 0; text-align: center; width: 50%;\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 100%; height: 250px; object-fit: cover; display: block; border-radius: 4px;\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/4.png\" alt=\"Imagem complementar\" \/><figcaption style=\"font-size: 0.9em; color: #666; margin-top: 8px; font-style: italic; line-height: 1.3;\">.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto isso os pre\u00e7os de hardware ficam cada vez mais caros, porque as grandes corpora\u00e7\u00f5es decidiram que vender superprocessadores e mem\u00f3rias de alt\u00edssimo desempenho para data centers de IA \u00e9 infinitamente mais lucrativo do que fornecer pe\u00e7as para o computador do jovem estudante, do pequeno profissional ou do trabalhador.<\/span><\/p>\n<h4><span style=\"font-weight: 400;\">Vale a pena ter um Linux &#8216;geneticamente perfeito&#8217; e seguro, se o pre\u00e7o for excluir uma grande parte da comunidade que ainda depende do hardware legado?<\/span><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o podemos negar que as comunidades ao redor do XFCE e do MATE constroem verdadeiras trincheiras de resist\u00eancia, mantendo vivo o esp\u00edrito do Software Livre onde ele \u00e9 mais necess\u00e1rio. Mas depender dessas alternativas revela o abismo da nossa condi\u00e7\u00e3o: somos for\u00e7ados a abrir m\u00e3o do refinamento visual e das inova\u00e7\u00f5es de usabilidade que definem a computa\u00e7\u00e3o moderna. O problema n\u00e3o \u00e9 a compet\u00eancia desses projetos, mas a segrega\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que se estabelece: aceitar\u00edamos que interfaces modernas, polidas e altamente integradas sejam um privil\u00e9gio de quem tem hardware novo, enquanto a \u201cplebe\u201d do sil\u00edcio deve se contentar com a austeridade espartana. Isso normaliza a ideia de que o conforto digital e a beleza da interface n\u00e3o s\u00e3o direitos universais, mas luxos de classe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O software livre deve se adaptar \u00e0 realidade material da classe trabalhadora, e n\u00e3o o contr\u00e1rio! Contra o higienismo digital, exigimos suporte ao hardware real que usamos, e n\u00e3o ao hardware imagin\u00e1rio que a elite deseja. A tecnologia deve servir para a emancipa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para aprofundar o abismo da desigualdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa luta \u00e9 fundamentalmente uma quest\u00e3o de poder, buscando a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso e do controle sobre as ferramentas tecnol\u00f3gicas para garantir que a liberdade do software livre contribua para a autonomia e o desenvolvimento social, especialmente das comunidades marginalizadas pelo capitalismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fazemos um chamado para uma ruptura com a l\u00f3gica consumista que contaminou o Software Livre. \u00c9 hora de abra\u00e7ar a computa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica como pol\u00edtica de Estado e de Comunidade. O computador mais ecol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 aquele novo com selo verde, mas aquele que j\u00e1 existe e continua a funcionar.<\/span><\/p>\n<h6><span style=\"font-weight: 400;\">* Linux \u00e9 um Kernel, o n\u00facleo do sistema operacional, boa parte da comunidade de Software Livre adota a recomenda\u00e7\u00e3o da GNU em se referir aos sistemas com ecossistema de softwares GNU como \u201cGNU\/Linux\u201d<\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Bicalho Vivemos tempos de aprofundamento da barb\u00e1rie capitalista, onde a tecnologia, longe de servir \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 utilizada como ferramenta de segrega\u00e7\u00e3o.\u00a0 Enquanto a classe trabalhadora luta para sobreviver e recicla tecnologia para ter acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, uma casta privilegiada de desenvolvedores<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":18410,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[790],"tags":[],"class_list":["post-18401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18401"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18409,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18401\/revisions\/18409"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}