

	{"id":1842,"date":"2017-02-08T17:00:05","date_gmt":"2017-02-08T17:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=1842"},"modified":"2017-02-08T17:00:05","modified_gmt":"2017-02-08T17:00:05","slug":"por-uma-paralisacao-internacional-das-mulheres-no-8-de-marco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2017\/02\/08\/por-uma-paralisacao-internacional-das-mulheres-no-8-de-marco\/","title":{"rendered":"Por uma paralisa\u00e7\u00e3o internacional das mulheres no 8 de mar\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Somando-se ao chamado de grupos de mulheres de mais de 30 pa\u00edses para se realizar um dia internacional de luta e greve no 8 de mar\u00e7o, ativistas norte-americanas como Angela Davis, Nacy Fraser e Keeanga-Yamahtta Taylor, entre outras, lan\u00e7aram um importante manifesto nessa segunda-feira. Esse manifesto, lan\u00e7ado ap\u00f3s a grande Marcha de Mulheres contra Trump de 21 de janeiro, coloca a import\u00e2ncia de n\u00e3o s\u00f3 lutarmos contra a viol\u00eancia machista\u00a0 e a misoginia, mas tamb\u00e9m contra os ataques neoliberais dos governos aos direitos sociais e trabalhistas. T\u00e1 na ordem do dia unificar nossas pautas democr\u00e1ticas, contra a viol\u00eancia machista, com as pautas econ\u00f4micas. Afinal, o manifesto aponta que s\u00e3o as mulheres trabalhadoras, negras e pobres as que mais s\u00e3o afetadas pelos ataques dos governos, fazendo o t\u00e3o necess\u00e1rio recorte de classe e ra\u00e7a. Critica o feminismo liberal e chama a construir um feminismo anti-capitalista, para os 99%, solid\u00e1rio \u00e0s mulheres trabalhadoras, e que tamb\u00e9m d\u00ea conta das pautas das mulheres LGBT&#8217;s. Saudamos essa inciativa e compartilhamos esse manifesto, tamb\u00e9m fazendo coro para que esse 8 de mar\u00e7o seja um dia internacional de atos, paralisa\u00e7\u00f5es e greves das mulheres contra viol\u00eancia machista e os ataques de todos os governos, como faz aqui o Temer com a reforma da previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Leia na \u00edntegra o manifesto:<\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m do \u201cfa\u00e7a acontecer\u201d: por um feminismo dos 99% e uma greve internacional militante em 8 de mar\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Por Angela Davis, Cinzia Arruzza, Keeanga-Yamahtta Taylor, Linda Mart\u00edn Alcoff, Nancy Fraser, Tithi Bhattacharya e Rasmea Yousef Odeh.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As grandes marchas de mulheres de 21 de janeiro [nos Estados Unidos] podem marcar o in\u00edcio de uma nova onda de luta feminista militante. Mas qual ser\u00e1 exatamente seu foco? Em nossa opini\u00e3o, n\u00e3o basta se opor a Trump e suas pol\u00edticas agressivamente mis\u00f3ginas, homof\u00f3bicas, transf\u00f3bicas e racistas. Tamb\u00e9m precisamos alvejar o ataque neoliberal em curso sobre os direitos sociais e trabalhistas. Enquanto a misoginia flagrante de Trump foi o gatilho imediato para a resposta maci\u00e7a em 21 de janeiro, o ataque \u00e0s mulheres (e todos os trabalhadores) h\u00e1 muito antecede a sua administra\u00e7\u00e3o. As condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres, especialmente as das mulheres de cor e as trabalhadoras, desempregadas e migrantes, t\u00eam-se deteriorado de forma constante nos \u00faltimos 30 anos, gra\u00e7as \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o empresarial. O feminismo do \u201cfa\u00e7a acontecer\u201d* e outras variantes do feminismo empresarial falharam para a esmagadora maioria de n\u00f3s, que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 autopromo\u00e7\u00e3o e ao avan\u00e7o individual e cujas condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00f3 podem ser melhoradas atrav\u00e9s de pol\u00edticas que defendam a reprodu\u00e7\u00e3o social, a justi\u00e7a reprodutiva segura e garanta direitos trabalhistas. Como vemos, a nova onda de mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres deve abordar todas essas preocupa\u00e7\u00f5es de forma frontal. Deve ser um feminismo para 99% das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tipo de feminismo que buscamos j\u00e1 est\u00e1 emergindo internacionalmente, em lutas em todo o mundo: desde a greve das mulheres na Pol\u00f4nia contra a proibi\u00e7\u00e3o do aborto at\u00e9 as greves e marchas de mulheres na Am\u00e9rica Latina contra a viol\u00eancia masculina; da grande manifesta\u00e7\u00e3o das mulheres de novembro passado na It\u00e1lia aos protestos e greve das mulheres em defesa dos direitos reprodutivos na Cor\u00e9ia do Sul e na Irlanda. O que \u00e9 impressionante nessas mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 que v\u00e1rias delas combinaram lutas contra a viol\u00eancia masculina com oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 informaliza\u00e7\u00e3o do trabalho e \u00e0 desigualdade salarial, ao mesmo tempo em que se op\u00f5em as pol\u00edticas de homofobia, transfobia e xenofobia. Juntas, eles anunciam um novo movimento feminista internacional com uma agenda expandida \u2013 ao mesmo tempo anti-racista, anti-imperialista, anti-heterossexista e anti-neoliberal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queremos contribuir para o desenvolvimento deste novo movimento feminista mais expansivo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como primeiro passo, propomos ajudar a construir uma greve internacional contra a viol\u00eancia masculina e na defesa dos direitos reprodutivos no dia 8 de mar\u00e7o. Nisto, n\u00f3s nos juntamos com grupos feministas de cerca de trinta pa\u00edses que t\u00eam convocado tal greve. A ideia \u00e9 mobilizar mulheres, incluindo mulheres trans, e todos os que as apoiam num dia internacional de luta \u2013 um dia de greves, marchas e bloqueios de estradas, pontes e pra\u00e7as; absten\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, de cuidados e sexual; boicote e denuncia de pol\u00edticos e empresas mis\u00f3ginas, greves em institui\u00e7\u00f5es educacionais. Essas a\u00e7\u00f5es visam visibilizar as necessidades e aspira\u00e7\u00f5es que o feminismo do \u201cfa\u00e7a acontecer\u201d ignorou: as mulheres no mercado de trabalho formal, as que trabalham na esfera da reprodu\u00e7\u00e3o social e dos cuidados e as desempregadas e prec\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao abra\u00e7ar um feminismo para os 99%, inspiramo-nos na coaliz\u00e3o argentina Ni Una Menos. A viol\u00eancia contra as mulheres, como elas a definem, tem muitas facetas: \u00e9 a viol\u00eancia dom\u00e9stica, mas tamb\u00e9m a viol\u00eancia do mercado, da d\u00edvida, das rela\u00e7\u00f5es de propriedade capitalistas e do Estado; a viol\u00eancia das pol\u00edticas discriminat\u00f3rias contra as mulheres l\u00e9sbicas, trans e queer, a viol\u00eancia da criminaliza\u00e7\u00e3o estatal dos movimentos migrat\u00f3rios, a viol\u00eancia do encarceramento em massa e a viol\u00eancia institucional contra os corpos das mulheres atrav\u00e9s da proibi\u00e7\u00e3o do aborto e da falta de acesso a cuidados de sa\u00fade e aborto gratuitos. Sua perspectiva informa a nossa determina\u00e7\u00e3o de opormo-nos aos ataques institucionais, pol\u00edticos, culturais e econ\u00f4micos contra mulheres mu\u00e7ulmanas e migrantes, contra as mulheres de cor e as mulheres trabalhadoras e desempregadas, contra mulheres l\u00e9sbicas, g\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio e trans-mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As marchas de mulheres de 21 de janeiro mostraram que nos Estados Unidos tamb\u00e9m um novo movimento feminista pode estar em constru\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante n\u00e3o perder impulso. Juntemo-nos em 8 de mar\u00e7o para fazer greves, atos, marchas e protestos. Usemos a ocasi\u00e3o deste dia internacional de a\u00e7\u00e3o para acertar as contas com o feminismo do \u201cfa\u00e7a acontecer\u201d e construir em seu lugar um feminismo para os 99%, um feminismo de base, anticapitalista; um feminismo solid\u00e1rio com as trabalhadoras, suas fam\u00edlias e aliados em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* \u201cFa\u00e7a acontecer\u201d [Lean-in] \u00e9 uma refer\u00eancia ao movimento inspirado no livro de Sheryl Sandberg, Lean in: Women, work, and the will to lead (New York: Random House, 2013. Vers\u00e3o em portugu\u00eas Fa\u00e7a acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2013). A principal caracter\u00edstica do movimento \u00e9 a \u00eanfase no empreendedorismo feminino (N. Da T.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Publicado originalmente na Viewpoint Magazine, em 3\/02\/2017, com o t\u00edtulo \u201cBeyond Lean-In: For a Feminism of the 99% and a Militant International Strike on March 8\u201c, a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de Daniela Mussi, originalmente para o Blog Junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Link: https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2017\/02\/07\/por-uma-greve-internacional-militante-no-8-de-marco\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somando-se ao chamado de grupos de mulheres de mais de 30 pa\u00edses para se realizar um dia internacional de luta e greve no 8 de mar\u00e7o, ativistas norte-americanas como Angela Davis, Nacy Fraser e Keeanga-Yamahtta Taylor, entre outras, lan\u00e7aram um importante manifesto nessa segunda-feira. 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