

	{"id":18441,"date":"2026-03-30T10:20:45","date_gmt":"2026-03-30T13:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18441"},"modified":"2026-03-30T10:33:54","modified_gmt":"2026-03-30T13:33:54","slug":"altamira-em-luta-povos-indigenas-enfrentam-governos-e-empresas-que-tentam-impor-mineracao-no-rio-xingu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/03\/30\/altamira-em-luta-povos-indigenas-enfrentam-governos-e-empresas-que-tentam-impor-mineracao-no-rio-xingu\/","title":{"rendered":"Altamira em luta: povos ind\u00edgenas enfrentam governos e empresas que tentam impor minera\u00e7\u00e3o no rio Xingu."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Eduardo Prot\u00e1zio &#8211; Militante da CST<\/em><\/p>\n<p>Em Altamira (PA), est\u00e1 prestes a completar um m\u00eas a mobiliza\u00e7\u00e3o liderada por mulheres ind\u00edgenas, dos povos Xikrin, Xipaia, Juruna, Kuruaya, Arara e Parakan\u00e3, que culminou na ocupa\u00e7\u00e3o da sede da FUNAI h\u00e1 28 dias.<\/p>\n<p>Esse fato n\u00e3o surge de forma espont\u00e2nea, mas \u00e9 resultado direto de uma ofensiva pol\u00edtica recente que tenta destravar, \u00e0 for\u00e7a, o projeto da mineradora canadense Belo Sun na Volta Grande do Xingu. No dia 20 de mar\u00e7o, em audi\u00eancia p\u00fablica com representantes do minist\u00e9rio dos povos ind\u00edgenas (MPI) e da pr\u00f3pria FUNAI, Ngrenhkarati Xikrin, como se reeditando a hist\u00f3rica cena da ind\u00edgena Tu\u00edre Kayap\u00f3, que em 1989 encostou seu fac\u00e3o na cara dos \u201ccara\u00edbas\u201d que queriam construir a usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, disse em alto e bom som que a mineradora deveria sair de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de disputas judiciais, um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRF1) validou em 13 de fevereiro, de forma provis\u00f3ria, a licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o da mina, contrariando decis\u00f5es anteriores da pr\u00f3pria corte e ignorando a exig\u00eancia legal de consulta pr\u00e9via, livre e informada aos povos ind\u00edgenas, prevista na Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT. A decis\u00e3o foi imediatamente contestada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), que alertou para o \u201crisco de dano irrevers\u00edvel\u201d \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Esse epis\u00f3dio n\u00e3o \u00e9 isolado, mas parte de um rearranjo institucional que favorece o avan\u00e7o do empreendimento.<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o processo de licenciamento foi marcado por disputas entre \u00f3rg\u00e3os e sucessivas manobras: inicialmente, a Justi\u00e7a determinou que o licenciamento deveria ser federal (Ibama), reconhecendo os impactos sobre terras ind\u00edgenas e o rio Xingu; depois, o pr\u00f3prio tribunal reviu essa posi\u00e7\u00e3o e devolveu a compet\u00eancia ao governo do Par\u00e1, politicamente alinhado ao projeto durante os governos de Jatene (PSDB) e Helder Barbalho (MDB). Ao mesmo tempo, a mineradora tenta, na Justi\u00e7a, validar supostas consultas j\u00e1 realizadas \u2014 rejeitadas pelas pr\u00f3prias comunidades, que declararam formalmente sua nulidade em assembleia. No in\u00edcio de 2026, como apontou o jornalista Adriano Wilkson no Portal Suma\u00fama, houve uma nova estrat\u00e9gia adotada pela Belo Sun, alinhada com as lideran\u00e7as do poder pol\u00edtico de Altamira e munic\u00edpios da regi\u00e3o, ao organizar os primeiros jogos ind\u00edgenas do Xingu, com t\u00e1ticas que buscam \u201cnaturalizar\u201d a presen\u00e7a da megaempresa e minimizar as rela\u00e7\u00f5es tensionadas com os povos ind\u00edgenas para flexibilizar direitos e viabilizar a minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Belo Monte deixou um legado para n\u00e3o ser seguido!<\/strong><\/p>\n<p>Devemos recordar que foram os governos petistas de Lula e depois Dilma que deram o aval e condi\u00e7\u00f5es para que a UHE de Belo Monte (ou Belo Monstro nos versos da Imperatriz Leopoldinense em 2017) fosse constru\u00edda e passasse a operar suas turbinas durante o governo de Bolsonaro. Houve incha\u00e7o populacional, aumento de viol\u00eancias contra crian\u00e7as, adolescentes e mulheres, empregos precarizados e uma condi\u00e7\u00e3o de vida piorada ao que munic\u00edpio e Estado (estadual ou federal) n\u00e3o conseguiram dar conta da demanda social a que exigia a nova realidade dragada pela hidrel\u00e9trica. N\u00e3o menos importante, o modo de vida de popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, ind\u00edgenas e quilombolas, fora duramente afetado, havendo remo\u00e7\u00f5es de casas e fam\u00edlias sendo realojadas para n\u00facleos distantes do rio, alterando negativamente suas din\u00e2micas socioculturais, provocando tamb\u00e9m altera\u00e7\u00f5es no curso dos rios e a mortandade de diversas esp\u00e9cies de peixes, cultura essencial na vida de pescadores e na cadeia produtiva dos munic\u00edpios ao redor.<\/p>\n<p>E falando em governos, tanto o Lula quanto o de Helder Barbalho, ministra e secret\u00e1ria de estado dos povos ind\u00edgenas, S\u00f4nia Guajajara e Puyr Temb\u00e9, assumem um papel que n\u00e3o contribui para o avan\u00e7o da mobiliza\u00e7\u00e3o dos povos que deveriam representar. H\u00e1 um sil\u00eancio por parte de seus \u00f3rg\u00e3os que s\u00f3 \u00e9 interrompido quando a press\u00e3o aumenta e comunicadores ind\u00edgenas e dos movimentos sociais conseguem \u201cviralizar\u201d a visibiliza\u00e7\u00e3o das lutas, como ocorreu com a ocupa\u00e7\u00e3o da sede da SEDUC no Par\u00e1 e da Zona Azul da COP (2025, e agora em 2026 com a luta dos povos do Tapaj\u00f3s contra o decreto federal 12.600 e a empresa Cargill. S\u00f3 assim para seus minist\u00e9rios se pronunciarem e, ainda assim, tentando por panos quentes sobre a luta.<\/p>\n<p><strong>Todo apoio \u00e0 luta dos povos do Xingu! Seguir o exemplo dos levantes ind\u00edgenas!<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que a ocupa\u00e7\u00e3o da FUNAI e a retomada das mobiliza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas devem ser compreendidas como resposta direta a uma engrenagem pol\u00edtico-jur\u00eddica que tenta legitimar um projeto amplamente rejeitado pelos povos da regi\u00e3o, e prejudicial ao combate \u00e0s cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas. A intensifica\u00e7\u00e3o da luta, com protagonismo das mulheres ind\u00edgenas, expressa a recusa \u00e0s decis\u00f5es tomadas \u201cde cima\u201d, costuradas politicamente pelos poderosos, que ignoram direitos fundamentais e aprofundam a l\u00f3gica de superexplora\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. O que est\u00e1 em jogo, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas um licenciamento ambiental, mas a imposi\u00e7\u00e3o de um modelo que destr\u00f3i a vida e avan\u00e7a sobre territ\u00f3rios ind\u00edgenas, mas que encontra, na resist\u00eancia em Altamira, no exemplo recente vitorioso do Tapaj\u00f3s, um elo de enfrentamento imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>Devemos seguir o exemplo das lutas protagonizadas pelos povos ind\u00edgenas e nacionalizar um calend\u00e1rio de lutas unificado, contra o modelo capitalista de destrui\u00e7\u00e3o do meio-todo ambiente, em defesa da vida nos territ\u00f3rios tradicionais.\u00a0Contra a Belo Sun e qualquer projeto de minera\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto! Basta de garimpo ilegal! Contra a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na foz do rio Amazonas! Contra a explos\u00e3o do Pedral do Louren\u00e7o e a constru\u00e7\u00e3o da hidrovia no rio Tocantins!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo Prot\u00e1zio &#8211; Militante da CST Em Altamira (PA), est\u00e1 prestes a completar um m\u00eas a mobiliza\u00e7\u00e3o liderada por mulheres ind\u00edgenas, dos povos Xikrin, Xipaia, Juruna, Kuruaya, Arara e Parakan\u00e3, que culminou na ocupa\u00e7\u00e3o da sede da FUNAI h\u00e1 28 dias. Esse fato n\u00e3o surge<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18442,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1711,5],"tags":[2445,2446,2447],"class_list":["post-18441","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiental","category-nacional","tag-altamira","tag-belo-sun","tag-luta-indigena"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18441"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18443,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18441\/revisions\/18443"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}