

	{"id":18576,"date":"2026-05-08T21:04:37","date_gmt":"2026-05-09T00:04:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18576"},"modified":"2026-05-08T21:06:06","modified_gmt":"2026-05-09T00:06:06","slug":"saif-abukeshek-entrevistado-pela-socialista-argentina-monica-schlotthauer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/05\/08\/saif-abukeshek-entrevistado-pela-socialista-argentina-monica-schlotthauer\/","title":{"rendered":"Saif Abukeshek entrevistado pela socialista argentina M\u00f3nica Schlotthauer"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Prensa UIT-CI. (Transcri\u00e7\u00e3o da entrevista)<\/strong><\/p>\n<p><em>5\/5\/2026. Esta entrevista foi realizada 24 horas antes de a Flotilha ter sido ilegalmente interceptada por Israel. M\u00f3nica Schlotthauer \u00e9 deputada da Izquierda Socialista (IS) e do FITU da Argentina, e integrante da Flotilha Global Sumud no navio Batolo. M\u00f3nica realizou a entrevista com o ativista catal\u00e3o-palestino Saif Abukeshek no Batolo, antes de Saif mudar de embarca\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Link para a entrevista: https:\/\/youtu.be\/vsZkVSawJGI?si=o2DtWUgGoZLd6NNW<\/p>\n<p><em>M\u00f3nica Schlotthauer \u00e9 ferrovi\u00e1ria na Argentina e integrante da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores-Quarta Internacional (UIT-CI). Ela tamb\u00e9m foi sequestrada pelo ex\u00e9rcito de Israel em \u00e1guas internacionais perto de Creta, na Gr\u00e9cia, e depois libertada e transferida para Istambul, na Turquia.<\/em><\/p>\n<p><em>Saif foi sequestrado e detido pelo Estado genocida de Israel, que o mant\u00e9m preso ao lado do brasileiro Thiago \u00c1vila. O mundo clama pela liberta\u00e7\u00e3o imediata de ambos.<\/em><\/p>\n<p><em>As declara\u00e7\u00f5es de Saif mostram seu car\u00e1ter de lutador democr\u00e1tico e humanit\u00e1rio, coerente na defesa do povo palestino e de todos os povos do mundo<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00f3nica: Saif, para que te conhe\u00e7am na Argentina, para que te conhe\u00e7am em outros pa\u00edses, gostar\u00edamos de saber&#8230; um pouco sobre voc\u00ea, de onde voc\u00ea \u00e9, um pouco da sua hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 Saif, nasci em um campo de refugiados no norte da Cisjord\u00e2nia, chamado \u00c1scar, que fica na cidade de Nablus. Minha fam\u00edlia \u00e9 de um vilarejo perto de Yaffa (1) de 1948, meu pai nasceu l\u00e1. Meu nome completo \u00e9 um pouco longo: Saif Ashfem Camel Yavergsev Mahmud Abukeshek. Todos eles nasceram l\u00e1, menos eu, que nasci no campo de refugiados. Cresci durante a primeira intifada; meus pais s\u00e3o presos pol\u00edticos e eu tamb\u00e9m passei por muitas coisas na Cisjord\u00e2nia: fui detido v\u00e1rias vezes e levei v\u00e1rios tiros em manifesta\u00e7\u00f5es. E bem, como acontece com todos os palestinos, cada fam\u00edlia da Palestina sempre tem pelo menos um membro que j\u00e1 sofreu de alguma forma com a ocupa\u00e7\u00e3o. Acho que tivemos bastante sorte em compara\u00e7\u00e3o com outras fam\u00edlias que perderam entes queridos. Moro em Barcelona, tenho duas meninas e um menino e fa\u00e7o o que fa\u00e7o por eles em primeiro lugar e pelo futuro de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00f3nica: Bom, como voc\u00ea apresenta a Flotilha Global Sumud? Como ela surgiu? Qual \u00e9 o objetivo?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, sabemos que as flotilhas surgiram em 2008, quando o bloqueio a Gaza j\u00e1 havia come\u00e7ado, e, desde ent\u00e3o, v\u00e1rias iniciativas v\u00eam sendo organizadas. No ano passado, depois de muitos anos sem campanhas internacionais, houve tr\u00eas campanhas ao mesmo tempo. Teve o Madlyn, que foi o navio que abriu caminho para romper o bloqueio, teve o Convoy Sumud do norte da \u00c1frica. E teve a marcha global para Gaza, 4.000 pessoas de 80 pa\u00edses viajaram para o Cairo para marchar em dire\u00e7\u00e3o a Rafah e tentar romper o bloqueio.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ficamos avaliando esses tr\u00eas movimentos apenas para saber como as coisas estavam indo e organizando a comunica\u00e7\u00e3o de forma conjunta; e quando as tr\u00eas iniciativas sofreram repress\u00e3o, decidimos: vamos nos unir, vamos conversar para nos coordenarmos em uma campanha \u00fanica, e assim nasceu a Global Sumud Flotilla.<\/p>\n<p>Pouco depois de come\u00e7armos a trabalhar juntos, tamb\u00e9m se juntaram a n\u00f3s, do sudeste asi\u00e1tico, com a Santara, a Sumud Santara. E essas quatro coaliz\u00f5es v\u00eam trabalhando juntas desde ent\u00e3o. A Flotilha j\u00e1 foi organizada no ano passado e foi a maior Flotilha que tentou romper o bloqueio em meio ao genoc\u00eddio. E agora voltamos novamente com uma Flotilha ainda maior, tamb\u00e9m dentro de um contexto pol\u00edtico bastante complicado. Mas ap\u00f3s um sil\u00eancio total nos \u00faltimos seis meses, algo que chamaram de \u201ccessar-fogo\u201d fict\u00edcio, no qual Israel assassinou mais de 740 palestinos e violou os acordos de cessar-fogo mais de 2.073 vezes. E em que, h\u00e1 apenas dois dias, anunciaram que ir\u00e3o ampliar a linha amarela, que teoricamente era uma linha tempor\u00e1ria at\u00e9 que as fases fossem alteradas. Mas a realidade no terreno n\u00e3o mudou, o genoc\u00eddio n\u00e3o parou, Israel manteve e ampliou essas fronteiras. Ou seja, para colonizar mais terras. Na Cisjord\u00e2nia, aprovaram mais leis para confiscar mais terras e expulsar mais palestinos. Aprovaram a pena de morte para prisioneiros palestinos, que se aplica apenas aos palestinos. Al\u00e9m das torturas, al\u00e9m de toda a viol\u00eancia f\u00edsica e sexual que est\u00e3o cometendo contra os prisioneiros.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nesses seis meses, em que, em teoria, se fala de processo de paz e de cessar-fogo, Israel s\u00f3 tem intensificado sua agress\u00e3o, tem atacado cada vez mais os palestinos, bombardeando com total impunidade internacional e com a cumplicidade dos governos, da Uni\u00e3o Europeia, que h\u00e1 dois dias decidiu votar a amplia\u00e7\u00e3o do acordo de associa\u00e7\u00e3o com Israel.<\/p>\n<p>Chegamos com uma iniciativa em um contexto realmente muito complicado, mas necess\u00e1rio. \u00c9 bem diferente do que era h\u00e1 seis meses, quando partimos de Barcelona em 31 de agosto. Uma situa\u00e7\u00e3o muito, muito diferente, mas \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00f3nica: Voc\u00ea poderia resumir quais s\u00e3o as principais diferen\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, primeiro o n\u00edvel das mobiliza\u00e7\u00f5es. Ou seja, estivemos em um momento no ano passado, em meio ao genoc\u00eddio, em que havia muitas mobiliza\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias partes do mundo, e j\u00e1 faz seis meses com mobiliza\u00e7\u00f5es muito escassas. A cobertura da m\u00eddia: no ano passado falava-se muito da Palestina, de Gaza, e j\u00e1 faz seis meses que n\u00e3o se fala de Gaza. A parte pol\u00edtica: ou seja, havia press\u00e3o nas ruas, muitos governos j\u00e1 estavam envolvidos, fazendo declara\u00e7\u00f5es, tomando medidas, e h\u00e1 seis meses todo o processo pol\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Palestina mudou. O n\u00edvel de risco tamb\u00e9m aumentou, porque estamos falando de uma situa\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel com a guerra no Ir\u00e3 e os ataques de guerra no L\u00edbano.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, tudo isso \u00e9 muito diferente em compara\u00e7\u00e3o com o ano passado, mas conseguimos mobilizar mais pessoas, conseguimos mobilizar mais navios. Conseguimos, j\u00e1 na primeira semana da Flotilha, voltar a falar sobre Gaza. Tivemos 244 milh\u00f5es de intera\u00e7\u00f5es nas redes sociais com as publica\u00e7\u00f5es que estamos divulgando. Portanto, como primeiro objetivo, estamos conseguindo dar visibilidade novamente \u00e0 Palestina, dar visibilidade novamente a Gaza.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m atuamos de maneira diferente no \u00e2mbito pol\u00edtico. Ou seja, trabalhamos para causar um impacto pol\u00edtico diferente do ano passado; organizamos um congresso em Bruxelas com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 300 pol\u00edticos de v\u00e1rias partes do mundo para, em primeiro lugar, lan\u00e7ar a Declara\u00e7\u00e3o de Bruxelas, que aborda os direitos mar\u00edtimos do povo palestino. Ela aborda a autodetermina\u00e7\u00e3o em meio a todas as viola\u00e7\u00f5es de direitos, trata da condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte dos presos e, a partir da\u00ed, cria uma base pol\u00edtica para apoiar a Flotilha. E j\u00e1 come\u00e7amos a receber declara\u00e7\u00f5es de diferentes parlamentares. Vinte e cinco parlamentares colombianos deram in\u00edcio a uma declara\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0 Flotilha. Tamb\u00e9m estamos sendo contatados por diferentes parlamentares que agora querem se unir na pr\u00f3xima fase para participar com os navios.<\/p>\n<p>Portanto, um dos nossos objetivos, que \u00e9 o impacto pol\u00edtico, j\u00e1 estamos alcan\u00e7ando, e as mobiliza\u00e7\u00f5es, pela primeira vez, uma Flotilha civil tenta desviar um navio de carga, um dos maiores em n\u00edvel internacional que \u00e9 c\u00famplice, que transporta material utilizado para fabricar artilharia. Em Israel, esse material \u00e9 usado para bombardear os palestinos e manter o genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Na verdade, embora Israel cometa os crimes na Palestina, Israel est\u00e1 sendo apoiado e facilitado por governos europeus e internacionais para cometer esses crimes. Aqueles que lhes enviam armas, aqueles que lhes enviam material, aqueles que lhes d\u00e3o cobertura pol\u00edtica, midi\u00e1tica e financeira para cometer esses crimes. Eles n\u00e3o s\u00e3o apenas uma parte silenciosa, s\u00e3o c\u00famplices ativos no genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00f3nica: Sobre a pol\u00eamica que Francesca Albanese (2) levantou neste encontro em Bruxelas, qual \u00e9 a sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que, para n\u00f3s, a verdade \u00e9 que n\u00e3o nos interessa entrar em debates p\u00fablicos sobre declara\u00e7\u00f5es de uma pessoa ou de outra. A Palestina precisa de todo tipo de mobiliza\u00e7\u00e3o e apelo de forma cont\u00ednua para que se trabalhe em terra, no mar, nos portos, nas escolas, nas universidades e em outros espa\u00e7os pol\u00edticos. E \u00e9 isso que temos feito; temos um grupo de trabalho de campanhas em terra que est\u00e1 coordenando com os estudantes e com os trabalhadores (&#8230;) Isso faz parte do trabalho pol\u00edtico que temos feito por meio da declara\u00e7\u00e3o de Bruxelas e que visa a constru\u00e7\u00e3o de uma futura rede pol\u00edtica. Esse trabalho n\u00e3o termina com a Flotilha, mas continua ap\u00f3s a Flotilha.<\/p>\n<p>Estamos trabalhando na quest\u00e3o da visibilidade da comunica\u00e7\u00e3o para que possamos voltar a apoiar a Palestina. Meu apelo a todas as pessoas que est\u00e3o convocando outras a\u00e7\u00f5es \u00e9 que o fa\u00e7am; \u00e0s pessoas que est\u00e3o dizendo que precisamos bloquear os portos, eu concordo, precisamos bloquear os portos, que o fa\u00e7am. Mas, para organizar e mobilizar uma causa, n\u00e3o \u00e9 preciso desacreditar outra; o que precisamos \u00e9 de unidade. O que precisamos s\u00e3o vozes que convoquem as mobiliza\u00e7\u00f5es, que convoquem a organiza\u00e7\u00e3o das pessoas. Houve seis meses de sil\u00eancio, houve seis meses sem mobiliza\u00e7\u00f5es e n\u00e3o ouvimos vozes convocando essas mobiliza\u00e7\u00f5es. No momento em que a Flotilha est\u00e1 no mar, \u00e9 preciso apoiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 um aspecto muito importante, que j\u00e1 comentei em uma comunica\u00e7\u00e3o anterior, que diz respeito ao simbolismo. Temos que ter muito cuidado com a forma como usamos esses termos, porque n\u00e3o apenas desacreditamos centenas de pessoas que est\u00e3o participando de uma a\u00e7\u00e3o direta no mar, como \u00e9 a Flotilha, mas tamb\u00e9m desacreditamos longas hist\u00f3rias de a\u00e7\u00e3o direta n\u00e3o violenta. A come\u00e7ar pelos palestinos: a greve de tr\u00eas anos ininterruptos de 1936, a primeira Intifada, a Marcha do Retorno dos palestinos em Gaza. Todas s\u00e3o mobiliza\u00e7\u00f5es, a Marcha do Sal, liderada por Mahatma Gandhi (3), ou as greves de fome dos presos. Se a a\u00e7\u00e3o direta \u00e9 um desafio \u00e0 pol\u00edtica, \u00e9 um desafio aos governos que for\u00e7a as mudan\u00e7as. Temos que ver como podemos criar unidade, como podemos criar um espa\u00e7o diversificado de mobiliza\u00e7\u00f5es e apoiar todas as iniciativas. E onde podemos colocar nossa energia, coloc\u00e1-la ali.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00f3nica: E quanto ao comboio terrestre?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, ele est\u00e1 partindo, o comboio est\u00e1 nos \u00faltimos preparativos. Come\u00e7ar\u00e1 a partir nos pr\u00f3ximos dias da Maurit\u00e2nia e depois chegar\u00e1 \u00e0 L\u00edbia, onde participar\u00e3o outras 400 pessoas internacionalmente; mais de 30 ou 40 pa\u00edses est\u00e3o participando. Haver\u00e1 mais de 40 caminh\u00f5es de ajuda humanit\u00e1ria e esperamos que a chegada do comboio a Gaza possa coincidir com a nossa pr\u00f3pria chegada a Gaza. Por mar e por terra, vamos romper o bloqueio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00f3nica:: O que voc\u00ea acha da possibilidade de haver paz no Oriente M\u00e9dio para os palestinos, com o Estado de Israel atuando como gendarmerie?<\/strong><\/p>\n<p>Quando falamos de um processo de paz, no qual \u00e9 preciso aplicar certas condi\u00e7\u00f5es para criar espa\u00e7o para um Estado palestino, e voc\u00ea age de forma sistem\u00e1tica para confiscar terras, deslocar mais palestinos, isolar as comunidades palestinas e construir estradas que n\u00e3o podem ser utilizadas pelos palestinos, isso n\u00e3o s\u00e3o sinais de paz. Al\u00e9m disso, quando se come\u00e7a a aumentar o n\u00famero de presos palestinos durante esses mesmos anos, ou seja, em vez de libertar presos palestinos, voc\u00ea vai encarcerando mais palestinos. N\u00f3s, em nenhum momento, vimos qualquer inten\u00e7\u00e3o de Israel de que haja um processo de paz.<\/p>\n<p>Israel repete sempre a mesma hist\u00f3ria e muitas pessoas no mundo a repetem novamente sobre o Hamas\u2026 O Hamas foi criado no final dos anos 80. Antes da cria\u00e7\u00e3o do Hamas, Israel j\u00e1 ocupava a Palestina h\u00e1 40 anos. Estamos falando sobre o genoc\u00eddio agora e muitas pessoas pensam que o genoc\u00eddio come\u00e7ou em 7 de outubro. O genoc\u00eddio j\u00e1 dura 80 anos e h\u00e1 muitos crimes que Israel cometeu, muitas limpezas \u00e9tnicas, muitos ataques antes desses \u00faltimos tr\u00eas anos. Al\u00e9m disso, na pr\u00f3pria Gaza, em 2008, houve ataques; em 2010, houve ataques; em 2014, houve ataques; em 2018, houve ataques; em 2020, houve ataques; em 2022, houve ataques com milhares e milhares de pessoas assassinadas.<\/p>\n<p>Devemos entender que, quando h\u00e1 um governo que come\u00e7a declarando que \u201cn\u00e3o existe nada chamado Palestina, que os palestinos n\u00e3o existem\u201d, quando um governo cujos pr\u00f3prios l\u00edderes dizem que \u201celes s\u00e3o animais e que vamos mat\u00e1-los todos. Que as crian\u00e7as s\u00e3o criminosas, que as crian\u00e7as s\u00e3o terroristas, tanto as que est\u00e3o dentro quanto fora da Palestina\u201d. Para que possamos falar sobre qualquer resolu\u00e7\u00e3o de paz, \u00e9 preciso acabar com o movimento sionista; \u00e9 um movimento racista, discriminat\u00f3rio, fascista, que n\u00e3o aceita a exist\u00eancia de outro povo. Um povo origin\u00e1rio desta terra, que eles querem deslocar e eliminar de forma total. Ent\u00e3o, na verdade, nos concentramos em que tipo de Estado vamos construir, se ser\u00e1 um Estado ou dois Estados, e perdemos de vista os detalhes dos mecanismos que podem impedir qualquer processo de paz. Esses mecanismos come\u00e7am com a aplica\u00e7\u00e3o do direito internacional, com a aplica\u00e7\u00e3o das resolu\u00e7\u00f5es internacionais e o fim do movimento sionista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00f3nica: Uma mensagem para todos que est\u00e3o ouvindo<\/strong><\/p>\n<p>Estamos aqui partindo para Gaza com determina\u00e7\u00e3o, com a convic\u00e7\u00e3o de que os povos sempre vencem, os povos sempre triunfam. Nossa iniciativa, a Flotilha para romper o bloqueio, n\u00e3o pode ter sucesso sem a\u00e7\u00f5es em terra.<\/p>\n<p>Fazemos um apelo para que as pessoas se levantem em todos os lugares. Hoje a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a Palestina, a quest\u00e3o \u00e9 a nossa humanidade. O que Israel faz l\u00e1 e o que os Estados Unidos fazem, vimos que sequestraram o presidente da Venezuela, a amea\u00e7a sobre a Col\u00f4mbia, vimos o bloqueio sobre Cuba. Vimos a guerra no Ir\u00e3, vimos como iniciaram a divis\u00e3o do Sud\u00e3o, da Som\u00e1lia, os crimes que s\u00e3o cometidos no Congo e em muitos pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a pol\u00edtica, \u00e9 o sistema que funciona perfeitamente para nos reprimir, para confiscar nossos direitos. Levantem-se por nossos direitos, levantem-se por nossa humanidade, por nossa liberta\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>O que defendemos hoje pela Palestina \u00e9 a defesa internacional de nossa humanidade. N\u00e3o quero que ningu\u00e9m acorde um dia de manh\u00e3, olhe no espelho e se pergunte o que fizemos para impedir o genoc\u00eddio, ou que pergunte ao seu neto, uma crian\u00e7a: o que voc\u00ea fez para impedir o genoc\u00eddio? Porque o genoc\u00eddio est\u00e1 na Palestina hoje, mas \u00e9 o genoc\u00eddio da nossa humanidade; se n\u00e3o agirmos hoje, se n\u00e3o mudarmos esse ritmo sombrio que querem impor \u00e0 nossa humanidade, n\u00e3o sei o que ser\u00e1 do nosso futuro. \u00c9 por isso que partimos, \u00e9 por isso que queremos que as pessoas se levantem, que bloqueiem as f\u00e1bricas de armas, que bloqueiem as estradas da cumplicidade, que acabem com os governos c\u00famplices que agem em seus nomes. E vamos nos proteger, porque eles agem por um interesse comum: tirar da maioria e dar aos poucos que querem se beneficiar de nossos direitos e nossos recursos. Quando dizemos \u201cnunca mais\u201d, \u00e9 para todas, n\u00e3o \u00e9 para algu\u00e9m em particular. Nunca mais para todos os povos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>1). Yaffa (Jaffa) era o centro econ\u00f4mico, cultural e urbano mais importante da Palestina \u00e1rabe antes de 1948, famosa por sua ind\u00fastria citr\u00edcola. Durante a Nakba de 1948, as for\u00e7as sionistas expulsaram 95% de sua popula\u00e7\u00e3o, composta por mais de 80.000 palestinos.<\/p>\n<p>2). Francesca Albanese. Relatora Especial da ONU para os Territ\u00f3rios Palestinos Ocupados. Embora tenha apoiado a Flotilha, na confer\u00eancia de Bruxelas, na B\u00e9lgica, em 22\/4\/2026, ela se distanciou da a\u00e7\u00e3o de 2026, questionando suas a\u00e7\u00f5es, que qualificou de \u201csimbolismo\u201d, e as contrap\u00f4s a a\u00e7\u00f5es de bloqueio de portos. Sua declara\u00e7\u00e3o causou confus\u00e3o e cr\u00edticas no seio da Flotilha, quando esta j\u00e1 estava navegando com todos os riscos que isso acarretava.<\/p>\n<p>3). A Marcha do Sal, liderada por Mahatma Gandhi de 12 de mar\u00e7o a 6 de abril de 1930, foi uma campanha fundamental de desobedi\u00eancia civil pac\u00edfica contra o monop\u00f3lio brit\u00e2nico do sal na \u00cdndia. Gandhi caminhou mais de 300 km de Sabarmati at\u00e9 Dandi para coletar sal ilegalmente, reunindo milhares de pessoas em um protesto que enfraqueceu o colonialismo e que finalmente culminou na independ\u00eancia da \u00cdndia em 1947.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Prensa UIT-CI. (Transcri\u00e7\u00e3o da entrevista) 5\/5\/2026. Esta entrevista foi realizada 24 horas antes de a Flotilha ter sido ilegalmente interceptada por Israel. 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