

	{"id":18587,"date":"2026-05-17T18:57:05","date_gmt":"2026-05-17T21:57:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18587"},"modified":"2026-05-17T18:57:05","modified_gmt":"2026-05-17T21:57:05","slug":"resposta-a-uma-carta-enviada-ao-fit-unidad-a-esquerda-pode-e-deve-governar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/05\/17\/resposta-a-uma-carta-enviada-ao-fit-unidad-a-esquerda-pode-e-deve-governar\/","title":{"rendered":"Resposta a uma carta enviada ao FIT Unidad \/ A esquerda pode e deve governar"},"content":{"rendered":"<p>Caros companheiros Aldo Casas, Juan Pablo Casiello, Eduardo Lucita, Ariel Petruccelli (*),<\/p>\n<p>Recebemos vossa carta intitulada \u201cA esquerda diante de um grande desafio\u201d, datada de 22 de abril de 2026, dirigida aos quatro partidos que integram a FITU (ver carta em izquierdasocialista.org).<\/p>\n<p>Pedimos desculpas pela demora do nosso partido, Izquierda Socialista (IS), em responder. A primeira coisa que queremos dizer a voc\u00eas s\u00e3o duas coisas: 1) que a carta \u00e9 muito oportuna e 2) que, em linhas gerais, temos amplas coincid\u00eancias.<\/p>\n<p>O objetivo de sua carta \u00e9 claro e muito positivo: \u201cDirigimo-nos fraternalmente a todas as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que integram a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores Unidade (FITU), bem como \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sindicais e sociais que simpatizam com esta coaliz\u00e3o. Queremos oferecer modestamente nossa opini\u00e3o sobre os desafios atuais das for\u00e7as revolucion\u00e1rias na Argentina, em um contexto que, em nossa opini\u00e3o, tem poucos precedentes hist\u00f3ricos\u201d.<\/p>\n<p>Voc\u00eas apontam corretamente que estamos diante da evidente crise e queda do apoio ao governo de extrema direita de Milei e que o peronismo n\u00e3o \u00e9 alternativa para o povo trabalhador, com seu apoio \u00e0 trai\u00e7\u00e3o da CGT, somado \u201c\u00e0s subordina\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios de seus governadores, deputados, senadores e ainda carregando a pesada mochila do governo de Fern\u00e1ndez-Fern\u00e1ndez, que sem d\u00favida continua presente na mem\u00f3ria do nosso povo e que, em seu colapso, abriu as portas para a vit\u00f3ria de Milei\u201d.<\/p>\n<p>Dizem que isso est\u00e1 produzindo um novo fen\u00f4meno pol\u00edtico, o avan\u00e7o \u201cnot\u00e1vel da esquerda, tanto na inten\u00e7\u00e3o de voto para a FITU (que ultrapassa os 10%) quanto na avalia\u00e7\u00e3o da figura de Myriam Bregman, que aparece no primeiro pelot\u00e3o de l\u00edderes com imagem positiva em porcentagens semelhantes \u00e0s de Milei, Kicillof, Bullrich ou Cristina e com a imagem negativa mais baixa [\u2026] que sugerem a possibilidade de uma radicaliza\u00e7\u00e3o no sentido oposto. Mas, para que isso se torne realidade, \u00e9 necess\u00e1rio que a esquerda assuma o desafio de oferecer uma alternativa de governo absolutamente independente da classe economicamente dominante e da casta governante, intransigente em seu programa de mudan\u00e7a estrutural\u201d.<\/p>\n<p>Concordamos plenamente com esse diagn\u00f3stico e com o fato de que se abriu uma grande oportunidade pol\u00edtica para a esquerda revolucion\u00e1ria aglutinada na FITU e para aqueles que simpatizam com essa alian\u00e7a. Conforme voc\u00eas apontam, \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria que milh\u00f5es de setores da classe trabalhadora, da juventude e das camadas populares olham para a esquerda revolucion\u00e1ria, embora ainda n\u00e3o se possa garantir que esses percentuais se traduziriam em votos ou em uma ades\u00e3o consciente a todo o programa revolucion\u00e1rio da FITU. Como voc\u00eas dizem, trata-se de uma \u201csimpatia incipiente\u201d de milh\u00f5es de pessoas pela figura de Myrian Bregman, como representante da esquerda aglutinada no FITU, que vem travando lutas pol\u00edticas e nas ruas h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>Por isso, a primeira grande coincid\u00eancia da Izquierda Socialista (IS) com a vossa carta \u00e9 que se abriu uma oportunidade \u00fanica para que a esquerda revolucion\u00e1ria capitalize a ruptura das bases oper\u00e1rias e populares com o peronismo, tanto no apoio eleitoral quanto nas lutas por uma mudan\u00e7a profunda no pa\u00eds, que s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada com um governo dos e das trabalhadoras e trabalhadores. Por isso, temos o grande desafio de responder de forma ofensiva, voltada para o movimento de massas, afirmando que a esquerda pode, quer e tem que governar.<\/p>\n<p>Temos uma segunda coincid\u00eancia com a vossa carta, j\u00e1 que compartilhamos a mesma preocupa\u00e7\u00e3o com as respostas equivocadas e confusas que a dire\u00e7\u00e3o do PTS, o partido de Myriam Bregman, tem dado diante dessa realidade.<\/p>\n<p>Voc\u00eas acertam ao destacar que, \u201ccom certa surpresa, no entanto, ouvimos as principais figuras p\u00fablicas desse espa\u00e7o pol\u00edtico \u2013 como a pr\u00f3pria camarada Myriam Bregman e o camarada Cristian Castillo \u2013 jogando um balde de \u00e1gua fria nessa possibilidade, dando a entender que ainda n\u00e3o seria poss\u00edvel um governo de esquerda porque n\u00e3o est\u00e3o dadas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para tal: falta o desenvolvimento de \u00f3rg\u00e3os de duplo poder do tipo sovietes, uma classe trabalhadora organizada e mobilizada, etc.\u201d [\u2026] hoje, a um ano e meio das elei\u00e7\u00f5es, acreditamos ser um erro colocar a \u00eanfase na aus\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es para governar e insistir exclusivamente na resist\u00eancia. N\u00e3o se trata de descurar a luta de rua, nem de \u201cvender ilus\u00f5es\u201d. Mas existe a possibilidade de que um governo dos trabalhadores e das trabalhadoras, liderado por uma figura comprometida com um projeto revolucion\u00e1rio, seja visto como uma op\u00e7\u00e3o real. O simples fato de que esse debate esteja aberto, talvez pela primeira vez na hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds, nos mostra uma realidade \u00fanica, com aspectos favor\u00e1veis que nos obrigam a ser, ao mesmo tempo, muito respons\u00e1veis e muito ousados\u201d.<\/p>\n<p>Da Izquierda Socialista (IS), respondemos afirmativamente ao desafio que voc\u00eas lan\u00e7am em sua carta. Concordamos com a proposta de entrarmos de forma ofensiva nesse debate de massas sobre se a esquerda pode governar, algo que setores burgueses colocam em discuss\u00e3o ou em d\u00favida, muito preocupados com o crescimento da esquerda trotskista no pa\u00eds. Sair para responder que a esquerda da FITU pode e quer governar n\u00e3o \u00e9 eleitoralismo, ainda n\u00e3o estamos em campanha eleitoral. Trata-se, sim, de disputar a consci\u00eancia de milh\u00f5es, denunciando que a alternativa n\u00e3o s\u00e3o os novos salvadores do peronismo ou outro pol\u00edtico burgu\u00eas desconhecido, mas que \u00e9 necess\u00e1rio se organizar e lutar, como se fez massivamente com a quarta marcha universit\u00e1ria de 12 de maio. A eles tamb\u00e9m devemos mostrar que o governo de Milei e da extrema direita n\u00e3o pode mais continuar, que para isso \u00e9 necess\u00e1ria a maior unidade para derrot\u00e1-lo, exigindo uma nova greve e um plano de luta nacional da CGT, algo a que eles v\u00eam se recusando, e que a sa\u00edda passa pela imposi\u00e7\u00e3o de um governo da classe trabalhadora. Esta \u00e9 a proposta e o programa da FITU e de quem a apoia pela esquerda. E que, para isso, \u00e9 preciso se organizar a partir da base nas empresas, nos locais de estudo, nos bairros e promover coordenadoras de luta. Para tudo isso, \u00e9 preciso fortalecer a FITU e sua unidade. Esse \u00e9 o caminho para ter uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que esteja em condi\u00e7\u00f5es de assumir um governo e o poder oper\u00e1rio e popular. Temos um programa oper\u00e1rio e socialista e medidas imediatas para governar, como romper com o FMI, deixar de pagar a d\u00edvida externa e, com essa massa de dinheiro, gerar emprego, com um plano de obras p\u00fablicas, sal\u00e1rios, sa\u00fade e moradia popular, e anular as privatiza\u00e7\u00f5es para reduzir tarifas e oferecer melhores servi\u00e7os, entre outras medidas, para avan\u00e7ar rumo a uma economia socialista planejada, em consulta democr\u00e1tica com o povo trabalhador. Como dizia Lenin, a tarefa \u00e9 lutar e \u201cexplicar pacientemente\u201d a sa\u00edda pol\u00edtica do poder oper\u00e1rio e popular.<\/p>\n<p>Concordamos com a vossa carta de que essa \u00e9 a tarefa, porque no pa\u00eds h\u00e1 uma grande crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social que certamente continuar\u00e1 se agravando. A mis\u00e9ria cresce e o n\u00edvel de vida cai. E pode haver mudan\u00e7as bruscas e inesperadas. Que, em algum momento, se pode passar de uma aparente calma para grandes lutas, como h\u00e1 ind\u00edcios com as lutas massivas na educa\u00e7\u00e3o. A FITU deve estar unida e preparada para isso.<\/p>\n<p>Nesse sentido, n\u00f3s do IS estamos preocupados com algo que voc\u00eas n\u00e3o puderam mencionar porque ocorreu depois que enviaram a carta. O fato lament\u00e1vel de que o PTS, nessa situa\u00e7\u00e3o nova e favor\u00e1vel, tenha dividido a FITU no com\u00edcio de 1\u00ba de maio, realizando seu pr\u00f3prio com\u00edcio no microest\u00e1dio do Ferro. A IS, o PO e o MST tivemos que realizar um com\u00edcio unit\u00e1rio na Pra\u00e7a de Maio, infelizmente sem Bregman e o PTS. O PTS chegou a usar argumentos mentirosos, como o de que o resto do FIT defendia uma \u201cfrente anti-Milei\u201d com setores do peronismo (ver artigo de Juan Carlos Giordano, El Socialista, 6\/5\/2026. izquierdasocialista.org).<\/p>\n<p>O crescimento de Myriam Bregman deve ser um fator de unidade, n\u00e3o de divis\u00e3o na Frente de Esquerda. \u00c9 evidente que o PTS decidiu priorizar, de forma sect\u00e1ria, seu partido em detrimento da FIT Unidade.<\/p>\n<p>A terceira grande coincid\u00eancia que temos com a carta de voc\u00eas \u00e9 sobre qual \u00e9 a ferramenta pol\u00edtica revolucion\u00e1ria para liderar um processo rumo a um governo dos e das trabalhadoras e trabalhadores, como prop\u00f5e o programa da FITU.<\/p>\n<p>Voc\u00eas assinalam: \u201cSimpatizamos com a ideia de construir uma grande for\u00e7a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria de trabalhadores. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que a revolu\u00e7\u00e3o seja feita por v\u00e1rios partidos, n\u00e3o por um \u00fanico. De qualquer forma, o que \u00e9 necess\u00e1rio para fazer uma revolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o milh\u00f5es de pessoas agindo e deliberando em diferentes tipos de organiza\u00e7\u00f5es. Como partimos do princ\u00edpio de que uma democracia socialista ser\u00e1 necessariamente plural, n\u00e3o temos pressa na constru\u00e7\u00e3o de um partido \u00fanico. E, nas circunst\u00e2ncias atuais, nos parece desej\u00e1vel e vi\u00e1vel (embora n\u00e3o seja necessariamente o que est\u00e1 acontecendo) que as for\u00e7as que integram a FITU e aquelas que est\u00e3o pr\u00f3ximas a ela tecam la\u00e7os mais estreitos, colocando em primeiro lugar o objetivo revolucion\u00e1rio acima das constru\u00e7\u00f5es organizacionais particulares: a revolu\u00e7\u00e3o a faremos juntos e a rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o far\u00e1 distin\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Concordamos que a tarefa central para avan\u00e7ar na busca por uma lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria n\u00e3o passa, neste momento, por discutir ou construir um partido \u00fanico revolucion\u00e1rio entre os quatro partidos da FITU. Da Izquierda Socialista, temos a consigna de \u201cunir os revolucion\u00e1rios\u201d e sempre propusemos, caso se dessem as condi\u00e7\u00f5es, transformar a FITU em uma frente revolucion\u00e1ria rumo a um partido \u00fanico. Mas n\u00e3o vemos, por enquanto, que haja condi\u00e7\u00f5es nem que essa seja a prioridade. A tarefa central \u00e9 fortalecer a FITU, sua unidade e sua coordena\u00e7\u00e3o para apoiar as lutas e diante de todos os acontecimentos pol\u00edticos. Tamb\u00e9m n\u00e3o concordamos com o lan\u00e7amento unilateral do PTS de \u201cconstruir um partido da nova classe oper\u00e1ria\u201d, que n\u00e3o fica claro o que seria, se prop\u00f5em que o FITU se transforme em um PT ou se \u00e9 uma t\u00e1tica de constru\u00e7\u00e3o do PTS aproveitando a figura da camarada Bregman. Da Izquierda Socialista, consideramos que, efetivamente, como voc\u00eas apontam na carta, \u201c\u00e9 prov\u00e1vel que a revolu\u00e7\u00e3o seja feita por v\u00e1rios partidos, n\u00e3o por um \u00fanico\u201d. A peculiaridade da Argentina \u00e9 que existe uma alian\u00e7a de quatro partidos revolucion\u00e1rios que se reivindicam do trotskismo e que s\u00e3o reconhecidos pelas massas. Isso n\u00e3o existe, por enquanto, em nenhuma parte do mundo. Por isso, \u00e9 prov\u00e1vel que, em um processo revolucion\u00e1rio no pa\u00eds, o papel do FITU e de seus aliados tenha grande peso. E que, em um futuro governo oper\u00e1rio na Argentina, tenham grande protagonismo n\u00e3o um partido revolucion\u00e1rio, mas v\u00e1rios. Provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 apenas um governo de partidos de esquerda. A partir da Izquierda Socialista, acreditamos que tamb\u00e9m a partir da FITU lutamos para que surjam organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares de luta, que ser\u00e3o as protagonistas desse futuro governo, que funcionar\u00e1 sob uma democracia socialista das organiza\u00e7\u00f5es sociais do novo poder.<\/p>\n<p>Como dizem na carta, \u201ca FITU est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de lan\u00e7ar o desafio e liderar a marcha\u201d. \u00c9 preciso discutir internamente na FITU algumas de suas propostas concretas de trabalho. \u00c0 medida que a campanha eleitoral se aproxima, pode-se avan\u00e7ar com a cria\u00e7\u00e3o de comit\u00eas pela candidatura de Myriam Bregman \u00e0 presid\u00eancia, uma vez que isso seja acordado na FITU. Outras propostas mais imediatas podem ser concretizadas, por exemplo, a de convocar a forma\u00e7\u00e3o de equipes de trabalho sobre diferentes temas, incorporando os grupos e personalidades que apoiam a FITU. Convocando para trabalhar aqueles que n\u00e3o pensam necessariamente da mesma forma que os membros da FITU, mas que simpatizam com Myriam Bregman e a FITU.<\/p>\n<p>Em resumo, da Izquierda Socialista agradecemos suas contribui\u00e7\u00f5es e estamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para concretizar reuni\u00f5es sobre novos interc\u00e2mbios e propostas de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Com sauda\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias,<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Dire\u00e7\u00e3o Nacional da Izquierda Socialista (IS)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">13 de maio de 2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Signat\u00e1rios da carta ao FIT-U: Aldo Casas (do Conselho Editorial da Revista Herramienta, da Huella del Sur), Juan Pablo Casiello (Delegado da Se\u00e7\u00e3o Amsafe de Ros\u00e1rio), Ariel Petruccelli (professor de Hist\u00f3ria da Europa e Teoria da Hist\u00f3ria na Universidade Nacional do Comahue) e Eduardo Lucita (membro do coletivo EDI \u2013 Economistas de Esquerda \u2013 e do Vientos del Pueblo).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros companheiros Aldo Casas, Juan Pablo Casiello, Eduardo Lucita, Ariel Petruccelli (*), Recebemos vossa carta intitulada \u201cA esquerda diante de um grande desafio\u201d, datada de 22 de abril de 2026, dirigida aos quatro partidos que integram a FITU (ver carta em izquierdasocialista.org). 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