

	{"id":18666,"date":"2026-06-14T16:04:09","date_gmt":"2026-06-14T19:04:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18666"},"modified":"2026-06-14T16:04:09","modified_gmt":"2026-06-14T19:04:09","slug":"belo-monstro-dez-anos-da-usina-do-regresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/06\/14\/belo-monstro-dez-anos-da-usina-do-regresso\/","title":{"rendered":"Belo Monstro: dez anos da usina do regresso"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Por Eduardo Protazio, militante da CST Par\u00e1<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Planejada nos gabinetes da ditadura militar sob a falsa propaganda do &#8220;progresso&#8221; e da &#8220;integra\u00e7\u00e3o nacional&#8221; (1964-1985), e encabe\u00e7ada pelo presidente Ernesto Geisel em 1975, a Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte cravou um legado da destrui\u00e7\u00e3o capitalista na bacia do rio Xingu, somada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da rodovia Transamaz\u00f4nica que rasgava milhares de quil\u00f4metros de floresta e povos desde 1972.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O grande empresariado nacional e seus governos de generais aplicaram uma falsa ideia de desenvolvimento que representou um violento regresso aos povos tradicionais, ind\u00edgenas e ribeirinhos, e ao povo trabalhador de Altamira, no Par\u00e1. Originalmente batizado de Karara\u00f4 &#8211; um deboche ao utilizar um grito de guerra do povo Kayap\u00f3 &#8211; o megaprojeto enfrentou uma resist\u00eancia hist\u00f3rica, imortalizada no I Encontro de Altamira em 1989, quando a guerreira Tu\u00edre Kayap\u00f3 encostou seu fac\u00e3o no rosto do diretor da Eletronorte, um gesto que demarcou a resist\u00eancia dos povos diante da invas\u00e3o a seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apesar da her\u00f3ica e permanente luta popular, a concep\u00e7\u00e3o do projeto foi retomada por FHC (PSDB) e as obras encampadas pelos governos de concilia\u00e7\u00e3o de classes e burgueses puro sangue das d\u00e9cadas seguintes, transformando Belo Monte em \u00edcone das obras do PAC de Lula e Dilma (PT), e levada a cabo por Temer (MDB) e Bolsonaro (PL) em seus governos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A face da destrui\u00e7\u00e3o socioambiental e inoper\u00e2ncia t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje, completados dez anos do in\u00edcio de suas opera\u00e7\u00f5es, quando Dilma inaugurou as primeiras fases da usina, o cen\u00e1rio na regi\u00e3o \u00e9 de cat\u00e1strofe socioambiental, um verdadeiro ecoc\u00eddio administrado pela empresa Norte Energia com aval dos governos municipais, estaduais e federal. Na Volta Grande do Xingu, um trecho de mais de 100 quil\u00f4metros teve seu fluxo de \u00e1gua reduzido em 80% devido ao desvio para abastecimento de turbinas, o que secou igap\u00f3s e lagos e destruiu \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o de peixes. O ecossistema foi t\u00e3o brutalmente alterado, que pesquisas cient\u00edficas j\u00e1 confirmam que &#8220;os peixes da Volta Grande est\u00e3o nascendo deformados, mais curtos e com as v\u00e9rtebras da coluna arqueadas e comprimidas&#8221; pela grave desnutri\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a letal no habitat (via G1).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O projeto capitalista sequestrou o rio e todo o modo de vida dos povos ind\u00edgenas e ribeirinhos. Fam\u00edlias trabalhadoras enfrentam a escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel e comida. O pescador Paulo S\u00e9rgio relata o absurdo de morar \u00e0s margens do Xingu e n\u00e3o ter \u00e1gua: &#8220;Quando eu chego l\u00e1 no rio, a \u00e1gua n\u00e3o presta pra beber. Nem pra n\u00f3s banhar&#8221;, dependendo de gal\u00f5es de \u00e1gua fornecidos de forma paliativa pela concession\u00e1ria Norte Energia (relato em mat\u00e9ria do Fant\u00e1stico). \u00c9 o retrato da barb\u00e1rie: o povo morrendo de sede e fome para sustentar a gera\u00e7\u00e3o de energia que alimenta os grandes monop\u00f3lios industriais. A situa\u00e7\u00e3o da barragem \u00e9 t\u00e3o insustent\u00e1vel que a usina opera com licen\u00e7a vencida, e a pr\u00f3pria procuradora da Rep\u00fablica, Tha\u00eds Santi, aponta que &#8220;Belo Monte ainda n\u00e3o fez prova da sua pr\u00f3pria viabilidade&#8221;, j\u00e1 que, tecnicamente, Belo Monte foi projetada como uma usina a fio d&#8217;\u00e1gua e o complexo se revela um verdadeiro elefante branco durante o per\u00edodo de estiagem amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-18667\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-14-at-16.01.59.jpeg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-14-at-16.01.59.jpeg 350w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-14-at-16.01.59-300x185.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enquanto trabalhadores\/as e povos origin\u00e1rios sofrem com as consequ\u00eancias, a morosidade e a cumplicidade das institui\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas ficam evidentes. O cen\u00e1rio atual escancara os limites de Belo Monte e o tempo da Justi\u00e7a&#8221;, refletindo &#8220;mais de uma d\u00e9cada de espera por repara\u00e7\u00e3o&#8221; aos povos atingidos pelos impactos diretos e indiretos da usina, como denunciou o portal JOTA. Esse exemplo nos demonstra, mais uma vez, que a Justi\u00e7a burguesa \u00e9 r\u00e1pida para reprimir os movimentos sociais e setores populares, mas se arrasta quando o tema \u00e9 punir crimes de grandes empresas e reparar injusti\u00e7as sociais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para piorar, a terra arrasada por Belo Monte serve de porta de entrada para uma nova ofensiva do imperialismo extrativista: o projeto da multinacional canadense Belo Sun, cujo licenciamento ambiental foi aprovado pela SEMAS do governo Helder Barbalho (MDB) em abril deste ano. Trata-se de um plano de megaminera\u00e7\u00e3o de ouro que amea\u00e7a novamente o territ\u00f3rio com o uso de cianeto e outros metais pesados, e ainda prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de uma barragem de rejeitos tr\u00eas vezes maior que a de Brumadinho (MG), a cerca de 1,5 km do Rio Xingu. Essa \u00e9 a l\u00f3gica predat\u00f3ria das multinacionais que tentam impor a minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. Como bem alerta a l\u00edder ind\u00edgena Juma Xipaia, denunciando as falsas consultas p\u00fablicas das empresas, n\u00e3o se trata apenas de impacto ambiental, &#8220;mas tamb\u00e9m da nega\u00e7\u00e3o de direito das futuras gera\u00e7\u00f5es&#8221; (via G1).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Diante da alian\u00e7a nefasta entre multinacionais, agroneg\u00f3cio, mineradoras e os governos de plant\u00e3o, que aplicam a cartilha do lucro do capital acima de nossas vidas, o \u00fanico caminho \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o independente e radical da classe trabalhadora, dos povos ind\u00edgenas, quilombolas e ribeirinhos, seguindo os exemplos recentes das lutas dos povos no Baixo-Tapaj\u00f3s contra a Cargill e que derrotou o decreto 12.600 do governo federal de privatiza\u00e7\u00e3o dos rios, al\u00e9m da ocupa\u00e7\u00e3o da FUNAI em Altamira contra a pr\u00f3pria Belo Sun.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Exigimos que o governo Lula (PT\/PSB) se posicione diante desse fato e que este licenciamento seja repassado ao IBAMA, e por sua vez rejeite a autoriza\u00e7\u00e3o.\u00a0 Nenhuma confian\u00e7a nos governos que leiloam nossas riquezas! Fora Belo Sun da Amaz\u00f4nia! Pela repara\u00e7\u00e3o integral j\u00e1 aos atingidos de Belo Monte e pela estatiza\u00e7\u00e3o, sob controle dos trabalhadores e das comunidades afetadas, de todo o sistema energ\u00e9tico nacional! A vida e a Amaz\u00f4nia valem mais que os lucros capitalistas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eduardo Protazio, militante da CST Par\u00e1 Planejada nos gabinetes da ditadura militar sob a falsa propaganda do &#8220;progresso&#8221; e da &#8220;integra\u00e7\u00e3o nacional&#8221; (1964-1985), e encabe\u00e7ada pelo presidente Ernesto Geisel em 1975, a Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte cravou um legado da destrui\u00e7\u00e3o capitalista na<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18668,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1711],"tags":[],"class_list":["post-18666","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18666"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18669,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18666\/revisions\/18669"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}