

	{"id":18676,"date":"2026-06-15T23:24:06","date_gmt":"2026-06-16T02:24:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18676"},"modified":"2026-06-15T23:24:06","modified_gmt":"2026-06-16T02:24:06","slug":"colombia-com-a-juventude-e-o-povo-nas-ruas-derrotar-o-candidato-da-extrema-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/06\/15\/colombia-com-a-juventude-e-o-povo-nas-ruas-derrotar-o-candidato-da-extrema-direita\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia: Com a juventude e o povo nas ruas, derrotar o candidato da extrema direita!"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Coletivos Unidos \u2013 UNIDADE DA ESQUERDA REVOLUCION\u00c1RIA \u2013 UNIR-<\/em><\/p>\n<p>6\/6\/2026. Os porta-vozes da extrema direita tentam apresentar como uma vit\u00f3ria esmagadora o resultado do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, depois que Abelardo de la Espriella obteve uma vantagem de apenas dois pontos percentuais sobre Iv\u00e1n Cepeda, candidato do Pacto Hist\u00f3rico. A grande m\u00eddia, alinhada aos setores dominantes, comemora antecipadamente o suposto retorno da direita ao governo nacional e d\u00e1 como certo o resultado do segundo turno, marcado para o pr\u00f3ximo dia 21 de junho. \u00c9 compreens\u00edvel seu entusiasmo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a Revolta Social de 2021, que evidenciou a rejei\u00e7\u00e3o popular ao governo de Iv\u00e1n Duque e ao projeto uribista, e ap\u00f3s a derrota da direita nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, as elites econ\u00f4micas e pol\u00edticas buscam apresentar a conjuntura atual como uma restaura\u00e7\u00e3o definitiva de seu poder. A isso somam-se os apoios recebidos por De la Espriella de setores conservadores nacionais e internacionais e o otimismo daqueles que comemoram eventuais benef\u00edcios para investidores e grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, por tr\u00e1s dessa euforia, existe uma realidade menos espetacular. O crescimento eleitoral da candidatura de extrema direita ocorreu principalmente por meio da absor\u00e7\u00e3o dos votos de outros setores da pr\u00f3pria direita tradicional. Mais do que uma expans\u00e3o significativa de sua base social, o que aconteceu foi uma recomposi\u00e7\u00e3o interna desse mesmo campo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A oligarquia pretende ocultar um fato fundamental: tanto nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares de mar\u00e7o quanto nas presidenciais do \u00faltimo dia 31 de maio, confirmou-se a consolida\u00e7\u00e3o de um profundo sentimento anti-uribista e anti-direita, que vem crescendo h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. N\u00e3o se trata de uma rea\u00e7\u00e3o passageira, mas da express\u00e3o de um descontentamento acumulado diante da desigualdade, da exclus\u00e3o social, da concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e da deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da maioria. Esse sentimento percorre os bairros populares, os locais de trabalho, as escolas e universidades, as comunidades camponesas, ind\u00edgenas e afrodescendentes, os movimentos de mulheres, a popula\u00e7\u00e3o sexualmente diversa e m\u00faltiplas formas de organiza\u00e7\u00e3o do povo trabalhador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>APOIEMOS A MOBILIZA\u00c7\u00c3O JUVENIL E POPULAR\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A melhor demonstra\u00e7\u00e3o da rebeli\u00e3o social contra a extrema direita ocorreu imediatamente ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de domingo, 31 de maio. Desde aquela mesma noite, a juventude estudantil e os setores populares come\u00e7aram a tomar a iniciativa pol\u00edtica por meio de mobiliza\u00e7\u00f5es, encontros e processos de delibera\u00e7\u00e3o que surgiram de forma espont\u00e2nea, autoconvocada e a partir da base. N\u00e3o se trata de uma orienta\u00e7\u00e3o institucional nem de uma campanha eleitoral tradicional, mas da resposta de uma gera\u00e7\u00e3o que compreende que est\u00e3o em jogo seus direitos, a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, as liberdades democr\u00e1ticas e as conquistas sociais.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica come\u00e7ou a se espalhar por meio de assembleias e discuss\u00f5es em importantes universidades p\u00fablicas do pa\u00eds, entre elas a Universidade Nacional da Col\u00f4mbia, a Universidade do Vale, a Universidade de Antioquia e a Universidade de Nari\u00f1o. Nesses espa\u00e7os, debatem-se iniciativas de mobiliza\u00e7\u00e3o, pedagogia pol\u00edtica e articula\u00e7\u00e3o com setores mais amplos da popula\u00e7\u00e3o para enfrentar a extrema direita. Saudamos com entusiasmo esse despertar da iniciativa popular. Sua principal for\u00e7a reside em seu car\u00e1ter aut\u00f4nomo, democr\u00e1tico e espont\u00e2neo. S\u00e3o os pr\u00f3prios estudantes, trabalhadores, mulheres, moradores de bairros populares e organiza\u00e7\u00f5es sociais que come\u00e7am a assumir a tarefa de organizar a resist\u00eancia e construir uma alternativa de luta para derrotar a extrema direita nas ruas e nas urnas.<\/p>\n<p>A perspectiva mais importante que se abre n\u00e3o \u00e9 apenas a obten\u00e7\u00e3o de um resultado favor\u00e1vel no pr\u00f3ximo dia 21 de junho. O que \u00e9 verdadeiramente transcendental \u00e9 que essa din\u00e2mica se estenda \u00e0s escolas, universidades, locais de trabalho, sindicatos, bairros populares e organiza\u00e7\u00f5es camponesas, ind\u00edgenas e afrodescendentes em todo o pa\u00eds. Se isso se consolidar, estaremos diante de um fen\u00f4meno pol\u00edtico in\u00e9dito na hist\u00f3ria recente da Col\u00f4mbia: uma campanha eleitoral impulsionada fundamentalmente pela mobiliza\u00e7\u00e3o consciente e organizada da popula\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o pelas m\u00e1quinas pol\u00edticas ou pela m\u00eddia.<\/p>\n<p>Embora cada voto seja decisivo para derrotar a extrema direita, a for\u00e7a estrat\u00e9gica das mudan\u00e7as profundas reside na organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o das maiorias populares. Uma juventude deliberando em assembleias, organizando-se e agindo a partir da base constitui uma conquista pol\u00edtica muito mais profunda e duradoura do que qualquer resultado eleitoral conjuntural. Por isso, apoiamos esse processo de auto-organiza\u00e7\u00e3o e auto-convoca\u00e7\u00e3o e convocamos para fortalec\u00ea-lo, coorden\u00e1-lo e ampli\u00e1-lo em todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Esse \u00edmpeto de luta que se abre caminho nas ruas deve servir tamb\u00e9m para impulsionar a convoca\u00e7\u00e3o de uma Assembleia Nacional Constituinte que desmantele a estrutura neoliberal que se consolidou ao abrigo da Constitui\u00e7\u00e3o de 1991, permitindo os processos de privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais, dos direitos \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, das aposentadorias, a implementa\u00e7\u00e3o de uma contrarreforma trabalhista que liquidou as conquistas mais importantes obtidas pela classe trabalhadora, bem como a instaura\u00e7\u00e3o de regimes pol\u00edticos e governos antidemocr\u00e1ticos, reacion\u00e1rios, profundamente violentos contra a popula\u00e7\u00e3o e submissos perante as pot\u00eancias estrangeiras. Essa tarefa deve ser entendida como uma luta democr\u00e1tica e n\u00e3o como uma simples moeda de troca em conjuntura eleitoral ou para tentar assustar a oligarquia.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia dos \u00faltimos anos demonstra que os avan\u00e7os democr\u00e1ticos e sociais n\u00e3o dependem exclusivamente dos resultados eleitorais nem de acordos com setores da velha classe dominante. As transforma\u00e7\u00f5es profundas s\u00f3 podem se sustentar com base na organiza\u00e7\u00e3o independente e na mobiliza\u00e7\u00e3o consciente das maiorias populares. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio extrair li\u00e7\u00f5es das limita\u00e7\u00f5es que teve a estrat\u00e9gia de concilia\u00e7\u00e3o com setores da direita impulsionada pelo governo de Petro, que privilegiou os esfor\u00e7os para instaurar um governo de unidade nacional, renunciando a atender \u00e0s demandas da popula\u00e7\u00e3o e a garanti-las com base na mobiliza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>No contexto atual, n\u00f3s da UNIOS reafirmamos nosso apoio cr\u00edtico \u00e0 candidatura de Iv\u00e1n Cepeda no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, ao mesmo tempo em que nos unimos e convocamos toda a classe trabalhadora, as for\u00e7as democr\u00e1ticas e os setores populares a se unirem \u00e0 ampla mobiliza\u00e7\u00e3o que come\u00e7a a se desenvolver no pa\u00eds em defesa dos direitos democr\u00e1ticos e das conquistas populares, que estar\u00e3o em perigo caso Abelardo de la Espriella ven\u00e7a a presid\u00eancia no segundo turno.<\/p>\n<p>O confronto pol\u00edtico das pr\u00f3ximas semanas exige combinar a luta eleitoral com a mobiliza\u00e7\u00e3o social. Mais do que concentrar esfor\u00e7os em den\u00fancias sobre poss\u00edveis irregularidades eleitorais, a principal tarefa consiste em organizar, convencer e mobilizar. A diferen\u00e7a obtida pela extrema direita no primeiro turno \u00e9 estreita e revers\u00edvel. Nada est\u00e1 definido. O resultado depender\u00e1 da capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e luta daqueles que aspiram a uma Col\u00f4mbia mais justa, democr\u00e1tica e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por isso, o lema continua plenamente v\u00e1lido: com a juventude estudantil e o povo, nas ruas e nas urnas, para derrotar a extrema-direita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bogot\u00e1, 4 de junho de 2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Coletivos Unidos \u2013 UNIDADE DA ESQUERDA REVOLUCION\u00c1RIA \u2013 UNIR- 6\/6\/2026. 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