

	{"id":18705,"date":"2026-07-04T10:43:31","date_gmt":"2026-07-04T13:43:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18705"},"modified":"2026-07-04T10:49:13","modified_gmt":"2026-07-04T13:49:13","slug":"a-bancada-radical-nao-tem-uma-definicao-categorica-sobre-a-independencia-de-classe-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/07\/04\/a-bancada-radical-nao-tem-uma-definicao-categorica-sobre-a-independencia-de-classe-parte-iii\/","title":{"rendered":"A Bancada Radical n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica sobre a independ\u00eancia de classe (Parte III)"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Bancada Radical n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica sobre a independ\u00eancia de classe (Parte III)<\/strong><\/p>\n<p>(este texto \u00e9 a terceira parte do <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/07\/04\/um-dialogo-com-a-bancada-da-esquerda-radical-de-jones-manoel-samia-bomfim-e-glauber-braga\/\">Um di\u00e1logo com a bancada da esquerda radical de Jones Manoel, S\u00e2mia Bomfim e Glauber Braga<\/a>). Leia o texto dois: <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/07\/04\/nossa-visao-sobre-os-imperialismos-e-a-china-parte-ii\/\">Nossa vis\u00e3o sobre os imperialismos e a China<\/a>)<\/p>\n<p><strong>8-<\/strong> O manifesto apresenta &#8220;<em>10 medidas econ\u00f4micas contra o modelo neoliberal e sua gest\u00e3o pol\u00edtica, materializada numa austeridade fiscal permanente, na submiss\u00e3o do Estado ao mercado financeiro e em uma pol\u00edtica monet\u00e1ria voltada exclusivamente ao rentismo. Trata-se de um regime econ\u00f4mico que conduz o pa\u00eds \u00e0 desindustrializa\u00e7\u00e3o, ao empobrecimento planejado da popula\u00e7\u00e3o e ao aprofundamento de uma estrutura colonial de explora\u00e7\u00e3o<\/em>&#8220;. Trata-se, globalmente, de uma caracteriza\u00e7\u00e3o com a qual concordamos. Por\u00e9m o manifesto n\u00e3o diz quem faz essa gest\u00e3o pol\u00edtica e quem governa os rumos do pa\u00eds?. N\u00e3o se trata de um \u201cmodelo neoliberal\u201d aut\u00f4nomo. Trata-se do programa e das escolhas estrat\u00e9gicas do governo Lula e das alian\u00e7as com nossos inimigos de classes. \u00c9 insuficiente denunciar somente o &#8220;modelo neoliberal&#8221; e sua &#8220;gest\u00e3o pol\u00edtica&#8221;. \u00c9 preciso identificar o governo de Lula e a coaliz\u00e3o burguesa da Frente Ampla que administram esse modelo. A aus\u00eancia dessa identifica\u00e7\u00e3o deixa a cr\u00edtica incompleta, acad\u00eamica e abstrata, impedindo-a de ir at\u00e9 uma das ra\u00edzes do problema, perdendo for\u00e7a e radicalidade.<\/p>\n<p><strong>9-<\/strong> Se o manifesto define corretamente que a burguesia brasileira est\u00e1 subordinada ao imperialismo, deveria extrair da\u00ed uma conclus\u00e3o pol\u00edtica: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estabelecer alian\u00e7as com essa mesma burguesia e nem governar com ela. Sendo assim teriam que criticar a alian\u00e7a burguesa da frente ampla e o governo capitalista de Lula que aplica o \u201cmodelo neoliberal\u201d, faz sua \u201cgest\u00e3o pol\u00edtica\u201d por meio da \u201causteridade permanente\u201d. O silencio quanto ao papel do governo Lula n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio de uma esquerda radical. Trata-se de um equ\u00edvoco central no documento dos camaradas Jones, Samia, Glauber e Renato. A delimita\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica das alian\u00e7as com os patr\u00f5es e dos governos comuns com a burguesia \u00e9 um ponto estrat\u00e9gico para a independ\u00eancia de classe: esse foi um dos pontos chaves do manifesto de funda\u00e7\u00e3o do PT em 1979 e do projeto fundacional do PSOL de 2003, projetos que se perderam sua independ\u00eancia quando passaram a se coligar e governar com a burguesia. Tal defini\u00e7\u00e3o atravessa o debate pol\u00edtico da esquerda comunista e socialista no Brasil desde os anos 30: quando os integrantes da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, expulsos do PCB, questionaram a colabora\u00e7\u00e3o de classe emanada do PCUS Russo e imposta ao PCB rec\u00e9m fundado no Brasil.<\/p>\n<p><strong>10-<\/strong> Em nenhum momento o texto da bancada esquerda radical afirma que o atual governo Lula administra o modelo econ\u00f4mico capitalista a servi\u00e7o da burguesia e nem cr\u00edtica que Lula mant\u00e9m alian\u00e7as estrat\u00e9gicas com os empres\u00e1rios. Da mesma forma, o manifesto nada diz da pol\u00edtica de alian\u00e7as e pactos com partidos de direita, setores do Centr\u00e3o e a c\u00fapula das For\u00e7as Armadas. Porem essas alian\u00e7as e pactos da frente ampla de Lula contribuem para dar f\u00f4lego ao bolsonarismo e aos governadores ultrarreacion\u00e1rios. Tampouco menciona que o governo Lula mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas amistosas com o governo de um l\u00edder fascista e genocida como \u00e9 Trump e com o enclave nazista de Israel que perpetua o holocausto em Gaza, o que o impede a frente ampla e Lula de serem um instrumento efetivo e radical contra a extrema direita. Essa lacuna da bancada radical limita a coer\u00eancia entre o diagn\u00f3stico geral, correto em muitos aspectos (sobre o capitalismo, o imperialismo, combate \u00e0 extrema direita) e a linha pol\u00edtica apresentada pelo manifesto. Ao final, a consequ\u00eancia pr\u00e1tica acaba sendo defender o voto em Lula, fortalecer a frente ampla com um perfil cr\u00edtico, sem combater a estrat\u00e9gia da colabora\u00e7\u00e3o de classes da CNB\/PT, do PCdoB, da REDE e da majorit\u00e1ria do PSOL. E est\u00e1 mais do que comprovado pela experi\u00eancia internacional e hist\u00f3rica que a colabora\u00e7\u00e3o de classes nunca faz nenhuma mudan\u00e7a social de verdade, se limita a administra a crise do capitalismo, se entrega ao estado burgu\u00eas e, cedo ou tarde, preparar retrocessos e derrotas para a classe trabalhadora e setores populares.<\/p>\n<p><strong>11-<\/strong> Sem combater abertamente a colabora\u00e7\u00e3o de classe, a radicalidade perde for\u00e7a. E assim podemos entrar num caminho errado. Algo que reproduz antigos erros da estrat\u00e9gia etapista do stalinismo do PCB em suas in\u00fameras variantes dos anos 60 (importados de Moscou, Cuba, China ou Tirana); da frente ampla do PCB, PCdoB e MR8 dos anos 70 e 80 dentro do velho MDB. De tal modo que se pode baixar a guarda diante das formula\u00e7\u00f5es reformistas do programa democr\u00e1tico e popular do PT dos anos 1980 e 1990. E assim n\u00e3o batalhar a fundo contra colabora\u00e7\u00e3o de classes de Lula. \u00c9 um perigo que pode levar ao caminho de linha auxiliar do PT, como \u00e9 o caso de Boulos, Erica Hilton, Tal\u00edria Petrone ou Ivan Valente. Por isso \u00e9 preciso debater bem essa lacuna estrat\u00e9gica no manifesto da bancada radical.<\/p>\n<p><strong>12-<\/strong> N\u00f3s da CST acreditamos que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para os trabalhadores por meio de governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes e por isso rompemos com o PSOL e n\u00e3o lan\u00e7amos candidates pela sua legenda. A pol\u00edtica de alian\u00e7as com partidos da burguesia impede enfrentar os bancos, o agroneg\u00f3cio, as mineradoras e o imperialismo e abre caminho para extrema direita como vimos agora no Peru e Col\u00f4mbia. Somente a independ\u00eancia pol\u00edtica da classe trabalhadora e a mobiliza\u00e7\u00e3o podem impor uma sa\u00edda verdadeiramente anticapitalista. Com Lula e a Frente Ampla, o que vimos foi a continuidade da entrega das terras raras \u00e0 explora\u00e7\u00e3o por grandes grupos econ\u00f4micos, propostas de privatiza\u00e7\u00e3o de rios da Amaz\u00f4nia, corpo mole para expulsar mineradoras como a Belo Sun, o pagamento de volumes gigantescos da d\u00edvida p\u00fablica aos rentistas e ao sistema financeiro, o n\u00e3o atendimento das reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores estatais e do funcionalismo p\u00fablico e o abandono de pautas hist\u00f3ricas das mulheres, como a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, entre tantas outras demandas populares.<\/p>\n<p><strong>13-<\/strong> O que colocamos at\u00e9 aqui s\u00e3o pontos b\u00e1sicos para a constru\u00e7\u00e3o uma esquerda radical. Aspectos importantes da estrat\u00e9gia marxista. S\u00e3o quest\u00f5es importantes para a batalha pela revolu\u00e7\u00e3o brasileira e latino-americana. A centralidade deste debate reside no fato de que as lideran\u00e7as da bancada radical, com o peso pol\u00edtico que possuem, tem responsabilidade na constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa da classe trabalhadora e na reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda como alternativa ao PT e \u00e0 frente ampla liderada por Lula e a patronal. Se o peso pol\u00edtico da bancada radical fosse direcionado para construir uma alternativa de esquerda, baseada na independ\u00eancia de classe, poderia contribuir para superar o projeto de colabora\u00e7\u00e3o de classes e fortalecer uma alternativa capaz de enfrentar o avan\u00e7o da extrema direita. Foi isso que o PT fez ao ser fundando enfrentando a colabora\u00e7\u00e3o de classe dos PCs no fim dos anos 1970. Foi isso que fizeram os radicais do PT e os setores que romperam com o primeiro governo Lula, entre eles nosso camarada Baba. Enfrentaram o primeiro governo Lula e nadaram contra a corrente dos c\u00e9ticos e fundaram o PSOL. No entanto, caso a bancada radical opte por atuar como uma ala cr\u00edtica da frente ampla de Lula, acabara fortalecendo o projeto pol\u00edtico do PT e de seus aliados burgueses, em vez de impulsionar a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa independente da classe trabalhadora. A bancada radical tem essa encruzilhada no seu caminho. E ainda h\u00e1 tempo antes das conven\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. At\u00e9 aqui a bancada radical defende a frente ampla com os patr\u00f5es de Lula. Isso significa respaldar, com cr\u00edticas, o governo liderado por Lula e Alckmin, o que inclui lideran\u00e7as como Tebet, partidos da direita e setores ultrarreacion\u00e1rios, como M\u00facio, F\u00e1varo e o centr\u00e3o. Um posicionamento que n\u00e3o \u00e9 apropriado para uma esquerda radical.<\/p>\n<p><strong>A frente ampla n\u00e3o combate de fato a extrema direita<\/strong><\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li>Setores da esquerda socialista e comunista cedem ao lulismo argumentando que o perigo representado pela extrema direita justificaria esse alinhamento. A CST concorda com a necessidade de derrotar a extrema direita nas ruas. Defendemos a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o contra Trump, Bolsonaro, Tarc\u00edsio, Zema, o machismo e o nazi-sionismo. No entanto, o fato \u00e9 que o lulismo n\u00e3o constitui uma barreira efetiva contra a extrema direita. A composi\u00e7\u00e3o da frente ampla com setores ultrarreacion\u00e1rios, como Jos\u00e9 M\u00facio; com representantes do agroneg\u00f3cio, como Carlos F\u00e1varo; e os pactos de governabilidade com o Centr\u00e3o e com governadores de direita e extrema direita, como Tarc\u00edsio de Freitas, significam colaborar com a c\u00fapula militar golpista e viabilizar projetos privatistas e autorit\u00e1rios. Al\u00e9m disso, o governo Lula n\u00e3o revogou as contrarreformas trabalhista e da Previd\u00eancia, n\u00e3o revogou o Novo Ensino M\u00e9dio nem reverteu a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras realizada durante o governo Bolsonaro.<\/li>\n<li>A frente ampla tamb\u00e9m n\u00e3o enfrenta a pol\u00edtica imperialista de Trump, buscando, a todo momento, negociar o inegoci\u00e1vel com a extrema direita norte-americana. Da mesma forma, Lula n\u00e3o rompeu rela\u00e7\u00f5es com o Estado de Israel, mesmo diante do genoc\u00eddio em Gaza, uma medida que consideramos m\u00ednima do ponto de vista democr\u00e1tico e anti-imperialista.<\/li>\n<li>O governo Lula aplica pol\u00edticas de austeridade, promove cortes em \u00e1reas sociais, aprofunda a cat\u00e1strofe ambiental e n\u00e3o atende \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es dos grevistas da FASUBRA. Nos sindicatos, tampouco impulsiona a unifica\u00e7\u00e3o das lutas contra os governos estaduais dirigidos pela extrema direita.<\/li>\n<li>Essa pol\u00edtica prepara novos retrocessos para a classe trabalhadora. A colabora\u00e7\u00e3o com nossos inimigos de classe abre caminho para o fortalecimento eleitoral do bolsonarismo e de projetos autorit\u00e1rios, como o representado pelo governo de S\u00e3o Paulo. Por isso, \u00e9 fundamental construir uma esquerda politicamente independente.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Leia:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/07\/04\/uma-proposta-para-jones-samia-e-glauber-por-uma-frente-da-esquerda-radical-independente-dos-patroes-parte-iv\/\">Uma proposta para Jones, S\u00e2mia e Glauber: por uma frente da esquerda radical, independente dos patr\u00f5es (parte IV)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Bancada Radical n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica sobre a independ\u00eancia de classe (Parte III) (este texto \u00e9 a terceira parte do Um di\u00e1logo com a bancada da esquerda radical de Jones Manoel, S\u00e2mia Bomfim e Glauber Braga). Leia o texto dois: Nossa vis\u00e3o sobre<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18705","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18705"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18705\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18719,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18705\/revisions\/18719"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}