

	{"id":18888,"date":"2026-09-01T04:16:03","date_gmt":"2026-09-01T07:16:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=18888"},"modified":"2026-09-01T04:16:54","modified_gmt":"2026-09-01T07:16:54","slug":"sobre-o-programa-de-governo-da-camarada-samara-martins-up","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/09\/01\/sobre-o-programa-de-governo-da-camarada-samara-martins-up\/","title":{"rendered":"Sobre o programa de governo da camarada Samara Martins (UP)"},"content":{"rendered":"<p><em>Claudia Gonzales e Ap\u00e9u Oliveiras &#8211; Coordena\u00e7\u00e3o da CST<\/em><\/p>\n<p>Estamos diante de tr\u00eas candidaturas esquerda da Frente Ampla de Lula\/Alckmin. A CST defendeu uma frente da esquerda, mas a proposta n\u00e3o foi aceita. Como parte desse esfor\u00e7o, dialogamos e\/ou entrevistamos camaradas do PCB, PSTU, UP, PCBR, MRT e SOB. Atuamos com o MFSR, Plinio, Dirlene e Renato Cinco. Infelizmente, for\u00e7as da esquerda do PSOL, como MES, Fortalecer e APS, assim como Jones Manoel, ficaram com Lula. Primou a dispers\u00e3o da esquerda. A CST apoia a campanha de Hertz, do PSTU.<\/p>\n<p>Aqui dialogamos com as propostas da camarada Samara Martins, da UP, com a qual temos lutas em comum. A CST concorda com o aumento de 100% do sal\u00e1rio minimo, o fim da escala 6&#215;1, o combate aos imperialismos, o fim do vestibular, entre outros temas. A seguir, apresentamos nossa critica \u00e0s limita\u00e7\u00f5es dessa proposta.<\/p>\n<h2>O que fazer com a d\u00edvida externa e interna?<\/h2>\n<p>As camaradas Samara e a UP defendem a &#8220;suspens\u00e3o imediata do pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, seguido de processo p\u00fablico de auditoria&#8221;. A ideia \u00e9 canalizar recursos para o povo trabalhador, com a qual concordamos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 preciso responder: o que vem depois da auditoria? A suspens\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria, durante o per\u00edodo da &#8220;auditoria&#8221;. Podemos provar que a maioria dos contratos fraudulenta, mas isso levaria a uma renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, aceitando uma parte &#8220;legal&#8221; que continuaria sendo paga. Foi o caso do Equador, que realizou auditoria e renegocia\u00e7\u00e3o, cancelando 70% dos contratos em 2009. Em pouco tempo, a divida voltou a crescer. A experi\u00eancia comprova que essa proposta \u00e9 insuficiente: ap\u00f3s um breve f\u00f4lego, as engrenagens do capitalismo levam a uma nova explos\u00e3o da d\u00edvida. N\u00e3o podemos aceitar a l\u00f3gica de uma parte &#8220;ilegal&#8221;, a ser cancelada, e outra &#8220;legal&#8221;, a ser paga.<img decoding=\"async\" class=\"materia-img-adireita wp-image-18838 size-full\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/divida.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Isso significa continuar bancando a farra dos bancos. A divida \u00e9 ilegal, ileg\u00edtima e impag\u00e1vel.<\/p>\n<p>Devemos impor o n\u00e3o pagamento da divida. Mas o programa de governo da UP n\u00e3o prev\u00ea isso.<\/p>\n<h2>O fim da PM e a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas<\/h2>\n<p>O programa de Samara e da UP faz uma correta den\u00fancia da viol\u00eancia policial. Defende a desmilitariza\u00e7\u00e3o da PM, o fim da &#8220;guerra \u00e0s drogas&#8221; e medidas de democratiza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica. Por\u00e9m, a UP n\u00e3o defende o fim da PM nem a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. O fim imediato da PM \u00e9 uma medida fundamental contra o aparelho repressivo do Estado burgu\u00eas. Por outro lado, \u00e9 insuficiente defender o &#8220;fim da guerra \u00e5s drogas&#8221; sem o contraponto direto e mais eficaz: a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Infelizmente, a UP \u00e9 contra essa bandeira democr\u00e1tica, associando o consumo de drogas a uma suposta &#8220;aliena\u00e7\u00e3o&#8221; e \u00e0 &#8220;queda da moral revolucion\u00e1ria&#8221;, de forma conservadora.<\/p>\n<p>A CST defende o desmantelamento do aparato repressivo: fim da PM, da Pol\u00edcia Civil, For\u00e7a Nacional e PRF, articulado ao fim das opera\u00e7\u00f5es militares nas favelas. Defendemos a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas, vinculando essa medida ao combate ao encarceramento racista da juventude negra e a uma perspectiva de ruptura com a politica repressiva do Estado burgues.<\/p>\n<h2>O controle oper\u00e1rio<\/h2>\n<p>Samara defende a reestatiza\u00e7\u00e3o de empresas privatizadas e o &#8220;controle p\u00fablico&#8221; dos setores estrat\u00e9gicos, mas sem defender que estejam sob controle da classe trabalhadora. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o setor banc\u00e1rio, onde prop\u00f5e &#8220;controle do Estado e gest\u00e3o dos trabalhadores&#8221;. Uma formula\u00e7\u00e3o confusa, que expressa sua negativa em defender o controle oper\u00e1rio.<br \/>\nSomos a favor da reestatiza\u00e7\u00e3o, mas sob controle da classe trabalhadora. Por qu\u00ea? Para atacar a propriedade capitalista e avan\u00e7ar na democracia oper\u00e1ria. Isso \u00e9 fundamental para qualquer plano econ\u00f4mico da classe trabalhadora, por meio de assembleias nos locais de trabalho e confer\u00eancias nacionais. Essa perspectiva nos diferencia de governos burgueses, que tamb\u00e9m realizam reestatiza\u00e7\u00e3o diante da crise das privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>A expropria\u00e7\u00e3o dos ramos estrat\u00e9gicos da economia<\/h2>\n<p>A UP defende uma reorganiza\u00e7\u00e3o nacional baseada na &#8220;soberania popular&#8221;, participa\u00e7\u00e3o popular e propriedade &#8220;social&#8221;, sem explicitar o car\u00e1ter de classe. Dizem &#8220;que a riqueza produzida pelo povo brasi-leiro esteja a servi\u00e7o do pr\u00f3prio povo e que o planejamento da economia seja democr\u00e1tico e popular&#8221;. E proble-m\u00e1tico enfatizar a &#8220;popula\u00e7\u00e3o&#8221; em geral, pois nela est\u00e3o v\u00e1rias classes, inclusive setores da burguesia. O car\u00e1ter &#8220;democr\u00e1tico e popular&#8221; ex-pressa essa ambiguidade de classe. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 \u00eanfase nas expropria\u00e7\u00f5es sem indeniza\u00e7\u00e3o. Ter-mos vagos como &#8220;nacionaliza\u00e7\u00e3o&#8221; deixam margem para a atua\u00e7\u00e3o de capitalistas nacionais. No setor indus-trial, prop\u00f5em a &#8220;encampa\u00e7\u00e3o pelo Estado de plantas industriais em processo de fal\u00eancia&#8221;, sem atacar os grupos que n\u00e3o est\u00e3o em fal\u00eancia. A &#8220;encampa\u00e7\u00e3o&#8221; implica tomar posse mediante indeniza\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 errado.<\/p>\n<div style=\"border: 3px dotted #0073aa; border-radius: 20px; width: 90%; margin: 0 auto; padding: 20px; text-align: center; box-sizing: border-box;\"><em>A CST defende a expropria\u00e7\u00e3o das multinacionais e dos monop\u00f3lios para assegurar sal\u00e1rio e emprego, por um governo da classe trabalhadora, sem patr\u00f5es. <\/em><\/div>\n<h2>Explicar o papel da frente Ampla de Lula\/Alckmin<\/h2>\n<p>O programa da UP faz uma critica gen\u00e9rica ao atual mandato da Frente Ampla de Lula. Essa identifica\u00e7\u00e3o aparece diluida, predominando ex-press\u00f5es gen\u00e9ricas como &#8220;Governo Federal&#8221;. A refer\u00eancia direta a Lula aparece na se\u00e7\u00e3o sobre privatiza\u00e7\u00f5es: ap\u00f3s criticar os governos de FHC, afirma que &#8220;o atual governo Lula se-guiu a pol\u00edtica de concess\u00f5es e parcerias p\u00fablico-privadas (PPPs)&#8221;.<\/p>\n<p>Em outros momentos, o programa prefere uma denomina\u00e7\u00e3o institucional. Na p\u00e1gina 11, afirma que &#8220;o atual Governo Federal aprovou o chamado Arcabou\u00e7o Fiscal&#8221;, sem mencionar Lula. Por fim, a reda\u00e7\u00e3o sobre a Frente Ampla \u00e9 branda, como na \u00e1rea dos transportes, ao afirmar que &#8220;o governo federal tamb\u00e9m tem culpa no cart\u00f3rio&#8221; sobre privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A responsabiliza\u00e7\u00e3o de Lula significa definir o respons\u00e1vel pelas politicas do atual governo contra o qual lutamos. Um programa que denuncia o Arcabou\u00e7o Fiscal, PPPs, privatiza\u00e7\u00f5es e outras medidas do governo deve fazer uma critica contundente. Por isso, a CST considera equivocado secundarizar o combate \u00e0 Frente Ampla de Lula\/Alckmin.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"materia-img-adireita45x wp-image-18838 size-full\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/lula_haddad.webp\" alt=\"\" \/>As candidaturas fora da Frente Ampla devem combater o bolsonarismo e a velha direita, mas tamb\u00e9m explicar a pol\u00edtica de trai\u00e7\u00e3o de classes lulista. Essa delimita\u00e7\u00e3o com o lulismo \u00e9 negligenciada no programa da UP. Da mesma forma, n\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o aos pelegos das dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias da CUT, CTB, For\u00e7a Sindical, MST, MTST. Nas elei\u00e7\u00f5es, disputamos a classe trabalhadora e a juventude e precisamos explicar o papel nefasto dessas dire\u00e7\u00f5es. E umas das nossas propostas, para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 a retomada de um espa\u00e7o comum impulsionado pela UP, como foi a Articula\u00e7\u00e3o Povo na Rua. Esperamos seguir esse di\u00e1logo com os camaradas da UP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudia Gonzales e Ap\u00e9u Oliveiras &#8211; Coordena\u00e7\u00e3o da CST Estamos diante de tr\u00eas candidaturas esquerda da Frente Ampla de Lula\/Alckmin. A CST defendeu uma frente da esquerda, mas a proposta n\u00e3o foi aceita. 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