

	{"id":19028,"date":"2026-09-26T23:01:14","date_gmt":"2026-09-27T02:01:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=19028"},"modified":"2026-09-26T23:01:14","modified_gmt":"2026-09-27T02:01:14","slug":"construir-um-bloco-da-esquerda-independente-entrevista-com-hertz-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/09\/26\/construir-um-bloco-da-esquerda-independente-entrevista-com-hertz-dias\/","title":{"rendered":"Construir um bloco da esquerda independente. Entrevista com Hertz Dias."},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nosso jornal realiza entrevistas com lideran\u00e7as independentes e das organiza\u00e7\u00f5es socialistas e comunistas que n\u00e3o integram a frente ampla. Uma iniciativa da CST que visa explorar a possibilidade de construir um bloco da esquerda independente. Confira a entrevista com Hertz Dias.<\/span><\/p>\n<p><em>1. Qual o papel da esquerda socialista e comunista na atual conjuntura?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O papel da esquerda socialista, na situa\u00e7\u00e3o atual, \u00e9 atuar como uma alternativa independente da classe trabalhadora diante da polariza\u00e7\u00e3o entre projetos burgueses e enfrentando o imperialismo. Vivemos um per\u00edodo marcado por crises internacionais, guerras, ofensiva imperialista e crescimento da extrema direita, combinado com limites profundos do projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes no Brasil.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, n\u00e3o basta apenas denunciar a extrema direita. \u00c9 necess\u00e1rio apresentar um programa que enfrente as ra\u00edzes do problema, o pr\u00f3prio sistema capitalista e a subordina\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao imperialismo e que localize o papel do governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes do PT na manuten\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o desse sistema ao longo dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Isso significa disputar a consci\u00eancia da classe trabalhadora, dialogando com suas necessidades concretas, como emprego, sal\u00e1rios, jornada de trabalho, custo de vida, transporte e moradia, e ao mesmo tempo apontar que essas demandas esbarram nos limites do capitalismo e de seus governos e regime. A tarefa da esquerda socialista \u00e9 ligar as lutas imediatas a um projeto estrat\u00e9gico de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade, defendendo medidas que enfrentem os grandes capitalistas, os bancos, o agroneg\u00f3cio e as multinacionais. Em outras palavras, construir uma alternativa socialista e revolucion\u00e1ria com independ\u00eancia de classe que organize setores da classe trabalhadora e da juventude para mudar de fato o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>2. Qual sua vis\u00e3o sobre os 3 anos do governo da frente ampla de Lula\/Alckmin?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A marca desse governo \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de um projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes e de subordina\u00e7\u00e3o ao imperialismo, apesar da ret\u00f3rica. Lula governa em alian\u00e7a com setores da burguesia, do Centr\u00e3o e da direita tradicional, mantendo compromissos com o mercado financeiro e com os grandes empres\u00e1rios. Apesar de algumas medidas que s\u00e3o apresentadas como progressivas, a pol\u00edtica econ\u00f4mica segue garantindo lucros aos bancos, preservando o arcabou\u00e7o fiscal e mantendo a estrutura que transfere riqueza dos trabalhadores para o capital.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, mesmo as medidas progressivas s\u00e3o insuficientes. N\u00e3o houve mudan\u00e7as estruturais capazes de enfrentar a depend\u00eancia do pa\u00eds, a desindustrializa\u00e7\u00e3o ou a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. Muitos indicadores econ\u00f4micos melhoraram em compara\u00e7\u00e3o com momentos de crise anteriores, mas isso n\u00e3o significou uma melhoria real e duradoura na vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o. A realidade para milh\u00f5es de trabalhadores segue sendo sal\u00e1rios baixos, informalidade e jornadas extenuantes.<\/p>\n<p>Esse tipo de pol\u00edtica acaba alimentando frustra\u00e7\u00e3o social e abrindo espa\u00e7o para o crescimento da extrema direita, que se apresenta demagogicamente como alternativa ao sistema, mesmo defendendo um programa ainda mais favor\u00e1vel aos grandes capitalistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>3. Como combater a extrema direita?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Para combater a extrema direita \u00e9 preciso mais do que uma frente eleitoral ampla ou acordos com setores da burguesia. Parte da esquerda, como o PT e tamb\u00e9m setores do PSOL, em nome da luta contra a extrema direita capitulam ao projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes do governo Lula. Esse debate apareceu recentemente na discuss\u00e3o sobre a possibilidade de federa\u00e7\u00e3o entre PSOL e PT, apresentada como necess\u00e1ria para enfrentar a direita.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que isso n\u00e3o s\u00f3 representa um abandono da independ\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores, como tamb\u00e9m tem se mostrado ineficiente na pr\u00e1tica. Setores importantes da esquerda passam a apoiar o governo, muitas vezes sob a forma de \u201capoio cr\u00edtico\u201d, enquanto a extrema direita continua se reorganizando, fazendo propaganda e disputando setores da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>A realidade demonstra que n\u00e3o vamos derrotar a extrema direita com concilia\u00e7\u00e3o de classes. Isso porque sua for\u00e7a se alimenta justamente das frustra\u00e7\u00f5es sociais, da precariza\u00e7\u00e3o da vida e da falta de mudan\u00e7as estruturais. Quando um governo mant\u00e9m acordos com os grandes empres\u00e1rios, o sistema financeiro e o Centr\u00e3o, preserva as bases que permitem que a extrema direita se apresente demagogicamente como alternativa.<\/p>\n<p>Por isso, derrotar a extrema direita exige tamb\u00e9m enfrentar o projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes e construir uma oposi\u00e7\u00e3o de esquerda independente. \u00c9 necess\u00e1rio disputar os trabalhadores, desmontar as ideias da direita e apresentar uma sa\u00edda que enfrente as causas profundas da crise social e pol\u00edtica, apontando para um projeto dos trabalhadores e socialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>4. Qual sua vis\u00e3o sobre uma frente eleitoral da esquerda independente, dos partidos e organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o na frente ampla?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s entendemos e valorizamos a preocupa\u00e7\u00e3o dos camaradas, de apresentar uma alternativa unit\u00e1ria das organiza\u00e7\u00f5es \u00e0 esquerda do governo Lula. Na luta de classes nos esfor\u00e7amos por construir a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o para enfrentar os ataques do governo, da extrema direita e do imperialismo em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos setores oprimidos e de soberania.<\/p>\n<p>Acontece que nas elei\u00e7\u00f5es, nem sempre a soma de organiza\u00e7\u00f5es nos leva pra frente ou nos deixa mais fortes. Uma frente eleitoral s\u00f3 faz sentido se estiver a servi\u00e7o da independ\u00eancia de classe e da disputa de consci\u00eancia. Isso exige um crit\u00e9rio b\u00e1sico: uma posi\u00e7\u00e3o clara de oposi\u00e7\u00e3o ao governo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel cumprir esse papel junto a organiza\u00e7\u00f5es que combinam cr\u00edticas com apoio ou mant\u00eam posi\u00e7\u00f5es amb\u00edguas, pois isso confunde e refor\u00e7a ilus\u00f5es. Nesse sentido, experi\u00eancias como as de PCB e UP mostram o limite. Ambas n\u00e3o adotam uma oposi\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica ao governo.<\/p>\n<p>Uma frente com esse perfil s\u00f3 pode existir ao custo de rebaixar o programa e seu resultado seria uma campanha amb\u00edgua, que prioriza a soma de votos em detrimento da tarefa central: apresentar um programa claro e construir uma alternativa socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nosso jornal realiza entrevistas com lideran\u00e7as independentes e das organiza\u00e7\u00f5es socialistas e comunistas que n\u00e3o integram a frente ampla. Uma iniciativa da CST que visa explorar a possibilidade de construir um bloco da esquerda independente. Confira a entrevista com Hertz Dias. 1. 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