

	{"id":1907,"date":"2017-02-24T00:29:26","date_gmt":"2017-02-24T00:29:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=1907"},"modified":"2017-03-26T17:23:42","modified_gmt":"2017-03-26T17:23:42","slug":"cem-anos-da-revolucao-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2017\/02\/24\/cem-anos-da-revolucao-russa\/","title":{"rendered":"Fevereiro de 1917: A Revolu\u00e7\u00e3o que derrubou o Czar"},"content":{"rendered":"<p>por Diego Vitello &#8211; Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CST-PSOL<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEm cada f\u00e1brica, em cada corpora\u00e7\u00e3o, em cada companhia militar, em cada taberna, nos hospitais da tropa, a cada aquartelamento, e mesmo nos campos despovoados, progredia um trabalho molecular da ideia revolucion\u00e1ria.\u201d Leon Trotsky<\/p>\n<p>H\u00e1 100 anos um importante processo revolucion\u00e1rio derrubou um regime que imperou na R\u00fassia por quase quatro s\u00e9culos (1547 \u2013 1917). Esse processo entrou para a hist\u00f3ria como \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro\u201d e derrubou o Czar Nicolau II, que governava a R\u00fassia desde 1894. Fevereiro d\u00e1 in\u00edcio a um per\u00edodo conturbad\u00edssimo na R\u00fassia, de intensos conflitos sociais, onde Revolu\u00e7\u00e3o e Contrarrevolu\u00e7\u00e3o se chocam mais abertamente durante o ano todo. O ano de 1917 \u00e9 de tempos concentrados, onde, no que diz respeito \u00e0 experi\u00eancia pol\u00edtica das classes sociais exploradas, dias valiam anos e meses valiam d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m o in\u00edcio de grandes mudan\u00e7as no maior conflito armado que a humanidade conhecera at\u00e9 ent\u00e3o, a Primeira Guerra Mundial, com cerca de 20 milh\u00f5es de mortos entre combatentes e civis. O Imp\u00e9rio Russo jogava um papel destacado ao lado das antigas pot\u00eancias, Inglaterra e Fran\u00e7a, enfrentando a ascendente burguesia da Alemanha e seus aliados da \u00c1ustria-Hungria e do Imp\u00e9rio Turco-Otomano. Al\u00e9m de mudan\u00e7as, no conflito, a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes sociais tamb\u00e9m ganha uma nova configura\u00e7\u00e3o. Ao proletariado e ao campesinato russo cabe cumprirem um papel decisivo na derrubada do regime czarista e os seus irm\u00e3os de classe dos outros pa\u00edses em conflito se animavam por defender seus pr\u00f3prios interesses e n\u00e3o mais os de seus governos e da \u201csua\u201d burguesia.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o, devido ao desenvolvimento desigual e combinado na hist\u00f3ria, come\u00e7ar\u00e1 exatamente no \u201celo mais d\u00e9bil da cadeia imperialista\u201d, como Lenin se referia ao Imp\u00e9rio Russo. A R\u00fassia, em 1917, j\u00e1 contabilizava 5,5 milh\u00f5es de mortos. A crise chega com for\u00e7a no ex\u00e9rcito, e as deser\u00e7\u00f5es em massa dos soldados s\u00e3o cada vez mais comuns. Tr\u00eas anos ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra, a previs\u00e3o pol\u00edtica de Lenin, de que as condi\u00e7\u00f5es das massas iriam cair bruscamente gerando um enorme descontentamento e mudan\u00e7as bruscas na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, abrindo uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial, estava confirmada pela hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Alguns elementos da R\u00fassia antes da Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro<\/strong><\/p>\n<p>O pa\u00eds da revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro tinha no in\u00edcio da Primeira Guerra, em 1914, cerca de 160 milh\u00f5es de habitantes, sendo que 87% viviam no campo. Deste campesinato, cerca de 80% era analfabeto. O atraso do pa\u00eds, que aboliu a servid\u00e3o somente em 1861, fica evidente com esses dados. Do ponto de vista dos conflitos de classe, esse atraso gerou uma burguesia bem mais fraca que nos principais pa\u00edses europeus, e ao mesmo tempo, um proletariado relativamente novo frente ao de outros pa\u00edses como Inglaterra, Fran\u00e7a e Alemanha, por exemplo.<\/p>\n<p>As empresas capitalistas e imperialistas\u00a0penetravam com for\u00e7a na R\u00fassia desde o final do s\u00e9culo XIX. Um proletariado jovem, reduzido em n\u00famero, por\u00e9m concentrad\u00edssimo, ganhava seus contornos e ia se tornando um dos atores pol\u00edticos e sociais mais relevantes da sociedade russa. Em 1905, um levante prolet\u00e1rio com uma poderos\u00edssima onda de greves espalhou as lutas pelo pa\u00eds, contagiando o campesinato pobre que realizou diversas ocupa\u00e7\u00f5es de terra. Esta revolta, que Lenin batizou de \u201cO Ensaio Geral\u201d para 1917, gerou um importante amadurecimento pol\u00edtico nos trabalhadores russos que, pela primeira vez, durante os meses de mobiliza\u00e7\u00e3o, formaram seus conselhos (Sovietes) para tomar as decis\u00f5es pol\u00edticas de sua mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O proletariado ganhava for\u00e7a, ano ap\u00f3s ano. Em 1912, estima-se que haviam 3 milh\u00f5es de oper\u00e1rios em toda R\u00fassia, uma propor\u00e7\u00e3o bastante baixa no que diz respeito ao conjunto da popula\u00e7\u00e3o. No entanto, as concentra\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias eram grandes e bastante restritas \u00e0s duas principais cidades do pa\u00eds, Petrogrado e Moscou. Essa classe oper\u00e1ria trabalhava em geral mais de 10 horas por dia (a Lei das 10 horas de trabalho raramente era cumprida), e vivia em condi\u00e7\u00f5es extremamente repressivas nas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>O ano de 1917 tamb\u00e9m \u00e9 o quarto ano do conflito internacional e a matan\u00e7a prolongada a mando dos governos imperialistas come\u00e7a a gerar um descontentamento social a cada dia maior. Deser\u00e7\u00e3o e falta de disciplina nas tropas, infla\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e racionamento de v\u00edveres, s\u00e3o tamb\u00e9m elementos que marcam a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica russa na guerra.<\/p>\n<p><strong>A derrubada do Czar<\/strong><\/p>\n<p>No final do m\u00eas de Fevereiro (no calend\u00e1rio Juliano, que era utilizado pela R\u00fassia \u00e0 \u00e9poca), teremos dias decisivos para a queda do imp\u00e9rio Czarista.\u00a0 O dia 23 de Fevereiro, para o calend\u00e1rio Juliano, ocorre no mesmo dia que o 8 de mar\u00e7o, para o Gregoriano. Isso \u00e9 importante, pois \u00e9 justamente em um \u201cDia Internacional das Mulheres\u201d que come\u00e7am os momentos decisivos e o imp\u00e9rio czarista, que vinha agonizando h\u00e1 meses, cai. Nas palavras de Trotsky em seu c\u00e9lebre livro A Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa:\u00a0<em>\u201cDe fato, estabeleceu-se que a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro foi desencadeada por elementos da base que ultrapassaram a oposi\u00e7\u00e3o das suas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es e que a iniciativa foi espontaneamente tomada por um contingente do proletariado explorado e oprimido mais que todos os outros \u2013 as trabalhadoras do t\u00eaxtil, cujo n\u00famero, deveria se pensar, devia-se contar muitas mulheres soldados.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O centro pol\u00edtico da Revolu\u00e7\u00e3o foi Petrogrado. Capital russa \u00e0 \u00e9poca, a cidade era marcada por enormes concentra\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias em f\u00e1bricas com dezenas de milhares de trabalhadores. Foi no dia 27 de fevereiro que trabalhadores e soldados adentraram no Pal\u00e1cio Taur\u00edde, em Petrogrado, onde funcionava a Duma (Parlamento Russo). Nesse mesmo dia se formou o governo provis\u00f3rio do qual falaremos mais adiante. Dias depois, no dia 2 de mar\u00e7o, o Czar, j\u00e1 sem poder nenhum, abdica oficialmente.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro de 1917, a chamada \u201cinsurrei\u00e7\u00e3o an\u00f4nima\u201d, foi um levantamento espont\u00e2neo das massas, surpreendendo todos os socialistas, inclusive os bolcheviques, cujo papel, como organiza\u00e7\u00e3o, foi nulo durante os acontecimentos, apesar de que seus militantes desempenharam um importante trabalho individualmente nas f\u00e1bricas e nas ruas, como agitadores e organizadores.<\/p>\n<p><strong>O ressurgimento dos sovietes e o duplo poder<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a queda do Czar, os conselhos de oper\u00e1rios e camponeses come\u00e7am novamente a tomar forma pelo pa\u00eds, retomando a experi\u00eancia do fugaz duplo poder da Revolu\u00e7\u00e3o de 1905. Estava instaurada uma polariza\u00e7\u00e3o que perduraria durante o ano de 17. De um lado estavam os sovietes, representante direto de oper\u00e1rios, camponeses e soldados, do outro, o governo provis\u00f3rio, formado pela burguesia liberal com a colabora\u00e7\u00e3o de partidos como o Menchevique e o Socialista-Revolucion\u00e1rio, que ainda estavam \u00e0 frente dos sovietes tamb\u00e9m. Esta contradi\u00e7\u00e3o inexor\u00e1vel ir\u00e1 durar poucos meses.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de duplo poder cria inevitavelmente uma instabilidade muito grande no pa\u00eds, j\u00e1 que \u00e9 imposs\u00edvel que classes antag\u00f4nicas governem ao mesmo tempo. Vai se gestando, desde os dias subsequentes a fevereiro, um conflito aberto, que mostra que uma nova revolu\u00e7\u00e3o estava latente. O que retardou em alguns meses essa Revolu\u00e7\u00e3o foi, sem d\u00favidas, a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes promovida pelos partidos dos principais dirigentes dos sovietes: o Menchevique e o Socialista-Revolucion\u00e1rio. A influ\u00eancia de ambos partidos na condu\u00e7\u00e3o dos primeiros meses dos sovietes explica tamb\u00e9m a \u201cdemora\u201d de uma nova revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os bolcheviques, a guerra e fevereiro<\/strong><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro tamb\u00e9m \u00e9 um marco para o movimento oper\u00e1rio internacional. Os principais partidos socialistas do mundo, por\u00e9m, estavam de costas para esse processo. Em 1914, os principais partidos sociais-democratas, que agrupavam os socialistas de cada pa\u00eds, votaram, junto com as \u201csuas\u201d burguesias, os cr\u00e9ditos de guerra. Ou seja, concretamente, mais de 90% da esquerda europeia mandava os oper\u00e1rios e camponeses de seu pa\u00eds matarem os de outros pa\u00edses para defender os interesses econ\u00f4micos da \u201csua\u201d burguesia. Um crime pol\u00edtico de repercuss\u00e3o hist\u00f3rica. Em 1916 Lenin escrevia:\u00a0<em>\u201c\u00c9 evidente a trai\u00e7\u00e3o ao socialismo por parte daqueles que votaram pelos cr\u00e9ditos de guerra, entraram para os minist\u00e9rios e advogaram a ideia da defesa da p\u00e1tria em 1914-1915. S\u00f3 os hip\u00f3critas podem negar este fato (&#8230;)Em que consiste a ess\u00eancia econ\u00f4mica do defensismo durante a guerra de 1914-1915? A burguesia de todas as grandes pot\u00eancias trava a guerra com o fim de partilhar e explorar o mundo, com o fim de oprimir os povos. Um pequeno c\u00edrculo da burocracia oper\u00e1ria, da aristocracia oper\u00e1ria e de companheiros de jornada pequeno-burgueses podem receber algumas migalhas dos grandes lucros da burguesia. A causa de classe profunda do social-chauvinismo e do\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/o\/oportunismo.htm\"><strong>oportunismo<\/strong><\/a><em>\u00a0\u00e9 a mesma: a alian\u00e7a de uma pequena camada de oper\u00e1rios privilegiados com a &#8220;sua&#8221; burguesia nacional contra as massas da classe oper\u00e1ria, a alian\u00e7a dos lacaios da burguesia com esta \u00faltima contra a classe por ela explorada.\u201d (LENIN,\u00a0<\/em>Vladimir<em>. O oportunismo e a fal\u00eancia da II Internacional)<\/em><\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos bolcheviques de n\u00e3o apoiar a burguesia de seu pa\u00eds, como o fizera a quase totalidade da esquerda europeia, os colocavam em uma arma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica correta, contra a matan\u00e7a imperialista e a favor dos interesses da classe oper\u00e1ria, que em nada ganhava com a guerra. Isso foi, sem d\u00favidas, important\u00edssimo no desenrolar dos acontecimentos de fevereiro. Lenin j\u00e1 havia alertado em 1914 que as condi\u00e7\u00f5es de vida das massas iriam em breve se tornar insuport\u00e1veis e, portanto, uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria estava aberta com o in\u00edcio da guerra, apesar da trai\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da maioria dos partidos sociais-democratas, mesmo que os marxistas revolucion\u00e1rios de todo mundo \u201ccoubessem em um vag\u00e3o de trem\u201d em 1914.<\/p>\n<p>De fato, os bolcheviques participaram da Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro, ainda que n\u00e3o tinham a sua dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como em outubro. Um dos elementos, sem d\u00favidas, importante \u00e9 que a ampla maioria da dire\u00e7\u00e3o do partido, sobretudo os seus quadros de dire\u00e7\u00e3o mais experimentados, se encontravam no ex\u00edlio quando a Revolu\u00e7\u00e3o se desencadeou. O pr\u00f3prio Lenin n\u00e3o estava na R\u00fassia. Isso, por \u00f3bvio, gerou uma importante limita\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o do partido, como m\u00ednimo. A \u201cinsurrei\u00e7\u00e3o an\u00f4nima\u201d de fevereiro, como foi chamada por alguns historiadores, teve tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o de diversas for\u00e7as pol\u00edticas, com um papel importante dos oper\u00e1rios temperados nas lutas dos anos anteriores e na \u201cescola de Lenin\u201d. Nas palavras de Trotsky, mais uma vez:\u00a0<em>\u201cA quest\u00e3o posta acima: quem conduziu a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro? Podemos, por consequ\u00eancia responder com clareza desejada: oper\u00e1rios conscientes e endurecidos que, sobretudo, tinham sido formados na escola do partido de\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/l\/lenin.htm\"><strong><em>Lenin<\/em><\/strong><\/a><em>. Mas, devemos acrescentar que, esta dire\u00e7\u00e3o, se ela foi suficiente para segurar a vit\u00f3ria da insurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o esteve em posi\u00e7\u00e3o de colocar, desde do in\u00edcio, a lideran\u00e7a da revolu\u00e7\u00e3o entre as m\u00e3os da vanguarda prolet\u00e1ria.\u201d<\/em>\u00a0(TROTSKY, Leon.\u00a0<em>A Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em>).<\/p>\n<p><strong>Surge o primeiro\u00a0governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes de hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o, fruto fundamentalmente da mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular, conquista um regime com uma s\u00e9rie de liberdades democr\u00e1ticas in\u00e9ditas para a R\u00fassia. Por\u00e9m, isso \u00e9 somente nos seus in\u00edcios, logo o regime voltar\u00e1 a impor duras restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a queda do antigo regime, a d\u00e9bil burguesia russa rapidamente busca montar um governo que assuma o controle do pa\u00eds ap\u00f3s a queda do Czar. Um governo que possa, sobretudo, parar e desviar o processo revolucion\u00e1rio em curso, do qual a revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro era apenas o come\u00e7o. Nas palavras de Trotsky:\u00a0<em>\u201cA burguesia russa, nascendo demasiado tarde, odiava mortalmente a revolu\u00e7\u00e3o. Mas, ao seu \u00f3dio faltava-lhe for\u00e7a. Ela devia ficar na expectativa e manobrar. N\u00e3o tendo possibilidade de derrubar e de sufocar a revolu\u00e7\u00e3o, a burguesia contava tom\u00e1-la por via de extin\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em>\u00a0\u00a0(TROTSKY, Leon.\u00a0<em>A Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em>).<\/p>\n<p>Devido \u00e0 enorme mobiliza\u00e7\u00e3o popular que tinha desencadeado a Revolu\u00e7\u00e3o, a burguesia chega a acordos com partidos pretensamente \u201cde esquerda\u201d para formar um governo. O governo surgido ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro \u00e9 o primeiro governo de Frente-Popular da hist\u00f3ria, ou seja, pela primeira vez partidos oper\u00e1rios governam um pa\u00eds em comum com a burguesia.\u00a0 Obviamente, o resultado dessa pol\u00edtica \u00e9 uma trai\u00e7\u00e3o aos interesses da classe oper\u00e1ria como os meses subsequentes ir\u00e3o demonstrar.\u00a0 Mas isso, \u00e9 tema para os pr\u00f3ximos textos que faremos abordando os principais acontecimentos na R\u00fassia de 1917.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Diego Vitello &#8211; Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CST-PSOL \u201cEm cada f\u00e1brica, em cada corpora\u00e7\u00e3o, em cada companhia militar, em cada taberna, nos hospitais da tropa, a cada aquartelamento, e mesmo nos campos despovoados, progredia um trabalho molecular da ideia revolucion\u00e1ria.\u201d Leon Trotsky H\u00e1 100 anos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1913,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[286,287],"class_list":["post-1907","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica","tag-cem-anos","tag-revolucao-riussa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1907\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1913"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}