

	{"id":19125,"date":"2026-10-20T19:36:16","date_gmt":"2026-10-20T22:36:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=19125"},"modified":"2026-10-20T19:36:16","modified_gmt":"2026-10-20T22:36:16","slug":"tres-anos-de-genocidio-tres-anos-de-resistencia-e-de-um-clamor-global-que-vai-alem-da-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/10\/20\/tres-anos-de-genocidio-tres-anos-de-resistencia-e-de-um-clamor-global-que-vai-alem-da-palestina\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas anos de genoc\u00eddio, tr\u00eas anos de resist\u00eancia e de um clamor global que vai al\u00e9m da Palestina"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Lucha Internacionalista, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI no Estado Espanhol.<\/em><\/p>\n<p><em>05\/10\/2026.<\/em><\/p>\n<p>Passaram-se quase tr\u00eas anos, quase 1.100 dias, desde o in\u00edcio do genoc\u00eddio israelense acelerado em Gaza. Quase 1.100 dias de destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, deslocamento for\u00e7ado, fome e morte. Mais de 73.000 palestinos foram assassinados, entre eles mais de 18.000 crian\u00e7as, segundo os n\u00fameros oficiais palestinos \u2014 n\u00fameros que n\u00e3o contabilizam todas as pessoas desaparecidas sob os escombros nem as mortes indiretas provocadas pela destrui\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade e das infraestruturas de \u00e1gua.<\/p>\n<p>E isso n\u00e3o acabou. Apesar da linguagem diplom\u00e1tica e da fic\u00e7\u00e3o de um cessar-fogo, o Estado sionista continua seu plano genocida em Gaza e tamb\u00e9m na Cisjord\u00e2nia ocupada, onde se intensificam a viol\u00eancia dos colonos, as demoli\u00e7\u00f5es de casas e fazendas, as expuls\u00f5es de comunidades palestinas e o roubo de terras.<\/p>\n<p>Tudo isso ocorre sob um escudo de impunidade e com a cumplicidade aberta dos imperialismos dos EUA e da Europa. As declara\u00e7\u00f5es, as c\u00fapulas, a diplomacia e as palavras vazias convivem com rela\u00e7\u00f5es militares, econ\u00f4micas e pol\u00edticas que s\u00e3o totalmente funcionais ao genoc\u00eddio. N\u00e3o se trata apenas de sil\u00eancio e cumplicidade: s\u00e3o colaboradores necess\u00e1rios do genoc\u00eddio. Enquanto os Estados abandonam suas obriga\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e legais, a solidariedade internacional vinda de baixo deve continuar denunciando essa cumplicidade.<\/p>\n<p>O governo PSOE-Sumar quer apresentar-se como um dos governos europeus mais comprometidos com a Palestina. No entanto, existe uma dist\u00e2ncia hip\u00f3crita entre as palavras e os atos. Em setembro de 2025, o governo aprovou um decreto que proibia transfer\u00eancias de material de defesa e de dupla utiliza\u00e7\u00e3o com Israel; contudo, o texto est\u00e1 t\u00e3o repleto de exce\u00e7\u00f5es, brechas e vias indiretas que as rela\u00e7\u00f5es militares, econ\u00f4micas e diplom\u00e1ticas entre a Espanha e Israel permanecem praticamente intactas.<\/p>\n<p>E, enquanto proclama sua solidariedade com a Palestina, o pr\u00f3prio Estado reprime \u2014 ou colabora na repress\u00e3o de \u2014 os que tentam deter o genoc\u00eddio a partir das ruas. Sabem bem disso as &#8220;8 de Becerril&#8221; \u2014 as oito ativistas processadas em decorr\u00eancia de um protesto contra a participa\u00e7\u00e3o da equipe Israel Premier Tech na Volta da Espanha \u2014, que prestar\u00e3o depoimento no pr\u00f3ximo dia 21 de outubro, acusadas de toda a s\u00e9rie de delitos previstos na \u201cLei da Morda\u00e7a\u201d (que o PSOE e o Sumar haviam se comprometido a revogar); o mesmo \u00e9 demonstrado pelo caso de James \u201cFergie\u201d Cox Chambers, ativista e filantropo estadunidense detido em Ibiza no dia 10 de julho, a pedido dos Estados Unidos, e mantido em pris\u00e3o provis\u00f3ria enquanto tramita seu processo de extradi\u00e7\u00e3o. O governo espanhol permitiu que o procedimento de extradi\u00e7\u00e3o prosseguisse.<\/p>\n<p>N\u00e3o aceitamos que o governo se envolva na bandeira palestina enquanto continua fazendo neg\u00f3cios com Israel e reprimindo a solidariedade com a Palestina. Nem que utilize a Palestina para construir uma imagem progressista enquanto suas pol\u00edticas deixam milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras presos a alugu\u00e9is impag\u00e1veis, servi\u00e7os p\u00fablicos deteriorados, precariedade laboral e desigualdade; enquanto os direitos das mulheres continuam sendo atacados e enquanto imigrantes e refugiados s\u00e3o tratados como um problema de ordem p\u00fablica, em vez de pessoas com direitos.<\/p>\n<p>A solidariedade com a Palestina n\u00e3o pode ser uma bandeira institucional. Deve significar acabar com toda cumplicidade pol\u00edtica, econ\u00f4mica e militar com a ocupa\u00e7\u00e3o e com a impunidade de Israel.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o podemos deixar de nos mobilizar.<\/p>\n<p>Isso porque, se estes tr\u00eas anos demonstraram algo, \u00e9 que as mudan\u00e7as s\u00f3 acontecem se forem impulsionadas a partir das ruas, dos locais de trabalho, das universidades e dos bairros.<\/p>\n<p><strong>Israel e os Estados Unidos est\u00e3o atolados numa guerra contra o Ir\u00e3, que tem sido um fracasso retumbante<\/strong><\/p>\n<p>O que se apresentou como uma nova demonstra\u00e7\u00e3o de superioridade militar n\u00e3o imp\u00f4s uma sa\u00edda pol\u00edtica nem estabilizou a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio: ampliou a guerra, aprofundou a destrui\u00e7\u00e3o e multiplicou as frentes. No L\u00edbano, o ex\u00e9rcito israelense continua ocupando territ\u00f3rio no sul do pa\u00eds, onde mant\u00e9m posi\u00e7\u00f5es militares e uma zona sob seu controle. Mesmo ap\u00f3s os acordos previstos para a retirada israelense, essa retirada n\u00e3o foi conclu\u00edda e as for\u00e7as israelenses continuam atuando em territ\u00f3rio liban\u00eas.<\/p>\n<p>Na S\u00edria, Israel continua a ocupa\u00e7\u00e3o das Colinas de Gol\u00e3 e intensificou sua presen\u00e7a militar no sul do pa\u00eds, ao mesmo tempo em que mant\u00e9m uma pol\u00edtica de expans\u00e3o dos assentamentos e de controle de territ\u00f3rio e recursos.<\/p>\n<p>Gaza, Cisjord\u00e2nia, L\u00edbano, S\u00edria, Ir\u00e3: n\u00e3o s\u00e3o conflitos desconectados. Eles fazem parte de uma mesma din\u00e2mica de guerra, ocupa\u00e7\u00e3o, militariza\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o regional \u2014 sustentada pelo apoio pol\u00edtico e militar dos Estados Unidos e pela cumplicidade dos governos ocidentais \u2014, que busca concretizar o projeto da Grande Israel e sua normaliza\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 necess\u00e1rio conectar as lutas.<\/strong><\/p>\n<p>A luta do povo palestino contra a ocupa\u00e7\u00e3o, o colonialismo e o apartheid est\u00e1 ligada \u00e0 luta contra o militarismo e o imperialismo; \u00e0 luta pelo direito \u00e0 moradia e por servi\u00e7os p\u00fablicos; \u00e0s lutas oper\u00e1rias; ao feminismo; \u00e0 defesa dos direitos dos imigrantes; \u00e0 luta contra o racismo e contra todas as formas de repress\u00e3o. A Palestina nos mostra que resistir \u00e9 sempre poss\u00edvel, mesmo nas condi\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis, neste canto do mundo absolutamente estrat\u00e9gico para o imperialismo e o capitalismo f\u00f3ssil global, que precisam manter sob controle os recursos energ\u00e9ticos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso porque os pr\u00f3prios governos, que encontram bilh\u00f5es para se rearmar, nos dizem que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o. Os mesmos que falam em direitos humanos sustentam fronteiras onde imigrantes morrem, mant\u00eam leis repressivas contra protestos e protegem um sistema econ\u00f4mico que condena milh\u00f5es de pessoas \u00e0 precariedade.<\/p>\n<p><strong>A luta do povo palestino faz parte da mesma luta contra um sistema que precisa da explora\u00e7\u00e3o, do racismo, da repress\u00e3o, do militarismo e da guerra para sobreviver.<\/strong><\/p>\n<p>A Palestina nos mostra, com toda a brutalidade, at\u00e9 onde esse sistema pode chegar. Mas tamb\u00e9m nos mostra a for\u00e7a de um povo que, apesar de d\u00e9cadas de ocupa\u00e7\u00e3o, expuls\u00e3o, encarceramento e massacres, continua resistindo.<\/p>\n<p><strong>No dia 4 de outubro, voltaremos \u00e0s ruas.<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Embargo total de armas a Israel e rompimento de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas!<\/p>\n<p>\u2013 Revoga\u00e7\u00e3o da lei morda\u00e7a!<\/p>\n<p>\u2013 Arquivamento imediato de todos os processos abertos contra o movimento de solidariedade com a Palestina!<\/p>\n<p>\u2013 Palestina livre, do rio ao mar!<\/p>\n<p>\u2013 Viva a resist\u00eancia do povo palestino!<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u2013 Viva a solidariedade internacionalista!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lucha Internacionalista, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI no Estado Espanhol. 05\/10\/2026. Passaram-se quase tr\u00eas anos, quase 1.100 dias, desde o in\u00edcio do genoc\u00eddio israelense acelerado em Gaza. 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