

	{"id":19131,"date":"2026-10-20T19:52:56","date_gmt":"2026-10-20T22:52:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=19131"},"modified":"2026-10-20T19:52:56","modified_gmt":"2026-10-20T22:52:56","slug":"todo-apoio-as-rebelioes-estudantis-e-as-greves-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2026\/10\/20\/todo-apoio-as-rebelioes-estudantis-e-as-greves-na-europa\/","title":{"rendered":"Todo apoio \u00e0s rebeli\u00f5es estudantis e \u00e0s greves na Europa!"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional.<\/em><\/p>\n<p>14\/10\/2026.<\/p>\n<p>Desde meados de setembro, a Europa est\u00e1 sendo palco de mobiliza\u00e7\u00f5es massivas, nas quais estudantes, trabalhadoras e trabalhadores e setores populares ocupam as ruas e enfrentam a pol\u00edtica de ajustes dos governos. Do Estado Espanhol e da Fran\u00e7a, passando pela Alemanha, B\u00e9lgica e It\u00e1lia, um efeito de cont\u00e1gio espalhou manifesta\u00e7\u00f5es, acampamentos e ocupa\u00e7\u00f5es por grande parte do continente europeu. As centrais sindicais da Fran\u00e7a e do Estado Espanhol convocaram greves gerais para os dias 5 e 11 de novembro, respectivamente. Uma verdadeira rebeli\u00e3o estudantil e uma onda de greves est\u00e3o em curso.<\/p>\n<p><strong>No Estado Espanhol, o direito \u00e0 moradia acendeu o estopim<\/strong><\/p>\n<p>A fa\u00edsca acendeu-se de forma massiva em Madri, quando a Plaza del Sol foi tomada por um acampamento multitudin\u00e1rio em rep\u00fadio ao despejo de Maricarmen \u2014 v\u00edtima fatal de um dos 45 despejos que ocorrem diariamente no Estado Espanhol \u2014 e \u00e0 pol\u00edtica habitacional criminosa do governo de Pedro S\u00e1nchez, do PSOE e de seus aliados. S\u00e1nchez governa desde 2018 e \u00e9 apontado como o respons\u00e1vel pelos custos de aluguel impag\u00e1veis, pela impossibilidade concreta de compra de um im\u00f3vel para a maioria trabalhadora e pelo crescimento desproporcional dos alugu\u00e9is tempor\u00e1rios. A destrui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios impede que a maioria trabalhadora e a juventude tenham acesso a uma moradia digna, ao passo que os bancos realizam grandes neg\u00f3cios. Apenas entre 2021 e 2024, os sal\u00e1rios cresceram 7,4%, enquanto o pre\u00e7o do aluguel aumentou 29,4%; j\u00e1 o aluguel de quartos registrou um crescimento de 85,4% desde 2022.<\/p>\n<p>O massivo acampamento em Madri estendeu-se a Barcelona, \u200b\u200bVal\u00eancia e outras cidades do Estado Espanhol. O governo de Pedro S\u00e1nchez tentou abafar a situa\u00e7\u00e3o com a aprova\u00e7\u00e3o de um decreto, que contemplava parte das reivindica\u00e7\u00f5es, embora n\u00e3o resolvesse o problema de fundo; mas a tentativa fracassou. A direita, representada pelo Partido Popular (PP) e pelo VOX, votou contra, expondo o governo a uma crise que o obrigou a convocar elei\u00e7\u00f5es antecipadas para o dia 29 de novembro \u2014 uma medida com a qual S\u00e1nchez busca canalizar a crise pol\u00edtica e salvar a si mesmo.<\/p>\n<p>Apesar das manobras e das amea\u00e7as, os acampamentos resistiram e foram apoiados por mobiliza\u00e7\u00f5es massivas, que enfrentaram as a\u00e7\u00f5es da ultradireita espanhola \u2014 a qual, em nome da \u201chispanidade\u201d, buscou atacar os lutadores e lutadoras no \u00faltimo dia 12 de outubro. Longe de recuar, na quarta-feira, dia 14, teve in\u00edcio a greve da educa\u00e7\u00e3o em Madri, na qual docentes exigem aumento salarial e estudantes reivindicam melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de estudo. Foram registrados confrontos na Universidade Complutense, quando a pol\u00edcia tentou reprimir a manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os acampamentos e as mobiliza\u00e7\u00f5es apresentaram um plano de luta e uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es inegoci\u00e1vel: que os custos dos alugu\u00e9is n\u00e3o superem 20% dos sal\u00e1rios, para que ningu\u00e9m fique sem moradia, e a expropria\u00e7\u00e3o \u2014 sem indeniza\u00e7\u00e3o \u2014 de grandes propriet\u00e1rios e fundos abutres, visando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um parque habitacional 100% p\u00fablico e estatal.<\/p>\n<p><strong>Fran\u00e7a: milhares de estudantes do ensino m\u00e9dio nas ruas superam a repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O efeito cont\u00e1gio n\u00e3o tardou. A rebeli\u00e3o cruzou as fronteiras e chegou \u00e0 Fran\u00e7a, onde estudantes do ensino m\u00e9dio e universit\u00e1rios protagonizaram uma verdadeira rebeli\u00e3o nacional contra os ajustes promovidos pelo governo Macron.<\/p>\n<p>Em 29 de setembro, houve tamb\u00e9m uma greve de servidores p\u00fablicos convocada para repudiar os baixos sal\u00e1rios e o corte de 4,5 bilh\u00f5es de euros que o governo pretende impor com o or\u00e7amento de 2027. No mesmo dia, estudantes secundaristas e universit\u00e1rios realizaram bloqueios e ocupa\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es de ensino e promoveram mobiliza\u00e7\u00f5es massivas, reunindo centenas de milhares de pessoas em grande parte das cidades do pa\u00eds. Os estudantes denunciam o descaso com a educa\u00e7\u00e3o, que os obriga a estudar em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, com jornadas extensas, instala\u00e7\u00f5es em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o, salas de aula superlotadas e falta de professores.<\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o se espalhou pela maioria das escolas de ensino m\u00e9dio e universidades, que foram ocupadas nas \u00faltimas semanas. A resposta do governo Macron foi a repress\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o. O governo informou que, at\u00e9 7 de outubro, mais de 6.800 pessoas haviam sido encarceradas, sendo 86% delas menores de idade. Um jovem de 15 anos perdeu a m\u00e3o em decorr\u00eancia de uma granada lan\u00e7ada pela pol\u00edcia \u2014 muitos dos atingidos eram menores de idade. Al\u00e9m disso, o ministro da Justi\u00e7a anunciou uma intensa persegui\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o dos estudantes em luta.<\/p>\n<p>Apesar da repress\u00e3o e da persegui\u00e7\u00e3o, a juventude n\u00e3o se rende e enfrenta as for\u00e7as de seguran\u00e7a, promovendo mobiliza\u00e7\u00f5es massivas, a despeito da fracassada proibi\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es nas zonas escolares que o governo tentou impor. Na ter\u00e7a-feira, 13 de outubro \u2014 momento em que o parlamento iniciava o debate sobre o or\u00e7amento de 2027 \u2014, ocorreu a maior mobiliza\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio das a\u00e7\u00f5es. Segundo organiza\u00e7\u00f5es estudantis e de trabalhadores, cerca de 500 mil pessoas participaram da jornada, convocada como o \u201cQuinto Ato\u201d, demonstrando que o movimento continua a crescer e conquista a simpatia da maioria trabalhadora do pa\u00eds, contando ainda com novas e importantes ades\u00f5es, como a de Greta Thunberg, que esteve em Paris prestando seu apoio.<\/p>\n<p><strong>Em novembro, greves gerais na Fran\u00e7a e no Estado Espanhol<\/strong><\/p>\n<p>Tanto no Estado Espanhol quanto na Fran\u00e7a, os movimentos juvenis, estudantis e de trabalhadores conseguiram impor \u00e0s centrais sindicais a convoca\u00e7\u00e3o de uma Greve Geral. Na Fran\u00e7a, a CGT convocou um dia de greve geral e mobiliza\u00e7\u00e3o nacional para 5 de novembro; no Estado Espanhol, a greve ocorrer\u00e1 no dia 11 de novembro, conforme a convoca\u00e7\u00e3o da CCOO e da UGT.<\/p>\n<p>A convoca\u00e7\u00e3o de greves gerais foi imposta de baixo para cima; n\u00e3o fazia parte dos planos das dire\u00e7\u00f5es sindicais tradicionais. No Estado Espanhol, as grandes assembleias nas pra\u00e7as, junto com o Sindicato de Inquilinos, exigiam a a\u00e7\u00e3o desde os primeiros dias do acampamento. Na Fran\u00e7a, o movimento de estudantes e trabalhadores do setor p\u00fablico conseguiu tirar momentaneamente a CGT da letargia \u2014 a central sindical estava, na ocasi\u00e3o, negociando o or\u00e7amento com o governo.<\/p>\n<p>Para conquistar as reivindica\u00e7\u00f5es, \u00e9 fundamental preparar planos de luta para garantir a continuidade da mobiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso organizar assembleias unit\u00e1rias de estudantes e trabalhadores nos locais de trabalho e estudo, bem como em cada bairro, formando comit\u00eas de greve, que promovam a unidade entre os estudantes e a classe trabalhadora com greves contundentes.<\/p>\n<p><strong>Os protestos se espalham pela Europa<\/strong><\/p>\n<p>O potente efeito de cont\u00e1gio come\u00e7a a estender as mobiliza\u00e7\u00f5es a outros pa\u00edses do continente. Na Alemanha, durante o m\u00eas de setembro, ocorreram importantes mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias impulsionadas pela DGB (Confedera\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 de Sindicatos) e pelo sindicato IG Metall, contra as reformas e cortes promovidos pelo governo de Friedrich Merz (CDU), bem como contra as amea\u00e7as de demiss\u00f5es e fechamentos de unidades industriais por parte de grandes multinacionais, como VW, Mercedes-Benz, Audi e BMW, entre outras. No dia 25 de setembro, milhares de estudantes mobilizaram-se para repudiar a nova lei de moderniza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar, que visa recrutar \u2014 ainda que voluntariamente \u2014 jovens do sexo masculino nascidos a partir de 2008. Os estudantes temem que, diante da falta de ades\u00f5es volunt\u00e1rias, o governo busque impor a obrigatoriedade, tendo como pano de fundo o rearmamento promovido pelos governos dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Na B\u00e9lgica, ocorreram 48 horas de paralisa\u00e7\u00f5es \u2014 na sexta-feira, dia 9, e na segunda-feira, dia 12 \u2014 e grandes mobiliza\u00e7\u00f5es contra os cortes or\u00e7ament\u00e1rios de 10 bilh\u00f5es de euros que o governo de Bart de Wever pretende impor.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia, onde um grande movimento oper\u00e1rio e popular esteve na vanguarda com greves gerais em apoio \u00e0 Palestina, as mobiliza\u00e7\u00f5es come\u00e7am a retomar a iniciativa contra o governo Meloni. Nas \u00faltimas semanas, ocorreram diversas manifesta\u00e7\u00f5es estudantis com a palavra de ordem \u201cfa\u00e7amos como na Fran\u00e7a\u201d \u2014 demonstrando que a indigna\u00e7\u00e3o ultrapassa fronteiras \u2014, ao passo que, ao longo do m\u00eas de outubro, t\u00eam sido realizadas uma s\u00e9rie de greves parciais em diferentes setores, como a siderurgia e o transporte. O sindicato combativo USB convocou uma greve geral para o dia 30 de outubro.<\/p>\n<p>Em Portugal, pa\u00eds que registra um dos menores parques habitacionais p\u00fablicos da Europa \u2014 com apenas 2% \u2014, o lema \u201cvamos fazer como na Espanha\u201d expressa que a situa\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel. T\u00eam ocorrido assembleias e mobiliza\u00e7\u00f5es no Porto e em outras cidades, nas quais se denuncia o governo social-democrata de Montenegro e a Alian\u00e7a Democr\u00e1tica (AD) por promoverem uma lei que facilita os despejos e protege os interesses de grandes propriet\u00e1rios de terras e fundos imobili\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Todo apoio \u00e0s lutas e greves na Fran\u00e7a e no Estado Espanhol!<\/strong><\/p>\n<p>As exemplares lutas na Europa n\u00e3o s\u00e3o fatos isolados. Todos os governos da Uni\u00e3o Europeia \u2014 sejam social-democratas, como o de S\u00e1nchez; de centro-direita, como o de Macron; ou de direita, como o de Meloni \u2014 buscam impor ajustes \u00e0 classe trabalhadora e cortar gastos sociais para pagar a d\u00edvida externa e sustentar planos de rearmamento, visando competir na corrida armamentista e acatando as diretrizes de Trump. As mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis n\u00e3o est\u00e3o isoladas. As lutas estendem-se por outros continentes: desde a juventude que, no Chile, se op\u00f5e aos cortes na educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 repress\u00e3o do ultradireitista Kast, at\u00e9 o \u201cmovimento das baratas\u201d na \u00cdndia, que enfrenta os ataques antidemocr\u00e1ticos do governo Modi; passando, ainda, pela jornada de 15 de outubro na Argentina, com a nova Marcha Federal Universit\u00e1ria contra os cortes na educa\u00e7\u00e3o promovidos pelo governo Milei.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI), apoiamos as mobiliza\u00e7\u00f5es dos estudantes, da juventude e dos trabalhadores, e apostamos na solidariedade internacional para garantir o triunfo das lutas e das iminentes greves gerais. Repudiamos a repress\u00e3o de Macron, exigimos a liberdade de todas as pessoas detidas e a anula\u00e7\u00e3o de qualquer persegui\u00e7\u00e3o judicial contra ativistas e organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que apoiam as mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em cada pa\u00eds, e contra cada governo, seguimos o exemplo dos estudantes da Fran\u00e7a, que nos mostram o caminho. Fa\u00e7amos como na Fran\u00e7a! Fa\u00e7amos como no Estado Espanhol! Vamos ocupar as ruas para conquistar nossas reivindica\u00e7\u00f5es, rumo ao fim da barb\u00e1rie capitalista que nos condena \u00e0 fome, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 repress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>14 de outubro de 2026<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional. 14\/10\/2026. 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