

	{"id":2398,"date":"2017-07-07T14:55:40","date_gmt":"2017-07-07T14:55:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=2398"},"modified":"2017-07-07T14:55:40","modified_gmt":"2017-07-07T14:55:40","slug":"a-meio-seculo-da-guerra-dos-seis-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2017\/07\/07\/a-meio-seculo-da-guerra-dos-seis-dias\/","title":{"rendered":"A meio s\u00e9culo da Guerra dos Seis Dias"},"content":{"rendered":"<p>Por\u00a0<strong>Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras<\/strong><br \/>\nNo m\u00eas de junho completaram-se 50 anos da criminosa\u00a0campanha que ficou conhecida como a Guerra dos Seis Dias, que resultou na ocupa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia e das colinas de Golan por Israel. Continuam abertas as feridas desse monstruoso crime praticado conjuntamente pelo imperialismo e o sionismo, mas o povo palestino continua firme na sua luta contra essa nova forma de poder colonial.<br \/>\nOcupar a Cisjord\u00e2nia estava nos planos de Israel desde 1963. Com o\u00a0Plano Shaham j\u00e1 se delineavam as orienta\u00e7\u00f5es gerais para a ocupa\u00e7\u00e3o militar, que se tornaria efetiva logo depois da guerra rel\u00e2mpago de junho 1967. Os sionistas expandiram seu controle sobre o territ\u00f3rio mediante o assassinato e expuls\u00e3o de\u00a0milhares de palestinos, que perderam suas casas, infligindo duras perdas \u00e0s tropas eg\u00edpcias e jordanianas. Como de h\u00e1bito, Israel pretextou a agress\u00e3o com o seu velho argumento de &#8220;guerra preventiva&#8221; e &#8220;defensiva&#8221;.<br \/>\nO sionismo \u00e9 um movimento colonialista, cuja doutrina justifica a cria\u00e7\u00e3o, na Palestina, de um estado definido como &#8220;estado judeu&#8221;, no sentido racial e\u00a0religioso. Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o de Israel, em 1948, setores do sionismo tiveram como meta a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio compreendido entre o mar Mediterr\u00e2neo e o\u00a0rio Eufrates, a oeste, o delta do Nilo, ao sul, e as colinas de Golan, ao norte. Chamado de &#8220;Grande Israel&#8221;, este \u00e9 o objetivo que alimenta a fantasia colonial sionista, a\u00a0servi\u00e7o da qual vem sendo aplicada, desde h\u00e1 mais de 70 anos, uma pol\u00edtica genocida e de limpeza \u00e9tnica respons\u00e1vel pela destrui\u00e7\u00e3o de aldeias inteiras, a expuls\u00e3o de milhares de palestinos, o confisco de suas propriedades\u00a0e\u00a0o confinamento dessa popula\u00e7\u00e3o em acampamentos de refugiados espalhados pela regi\u00e3o. Na resist\u00eancia contra o colonialismo, surgiu nos anos 60 a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP). Dirigida por Yasser Arafat, a OLP levantou-se com a palavra de ordem &#8220;Por uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista&#8221;, que resumia a proposta de uma solu\u00e7\u00e3o justa representada por um estado palestino \u00fanico, com igualdade de direitos para todos os seus habitantes, quer fossem\u00a0judeus, mu\u00e7ulmanos, crist\u00e3os ou ateus, e para todos os grupos \u00e9tnicos existentes no territ\u00f3rio da Palestina.<br \/>\nFascistas, como Moshe Dayan, promoveram a agress\u00e3o iniciada em 5 de junho de 1967. Conforme relatou Mercedes Petit,\u00a0&#8220;cerca de duzentos avi\u00f5es israelenses conseguiram despistar, em voo rasante, os radares eg\u00edpcios para bombardear mortalmente os aeroportos militares e arrasar\u00a0a for\u00e7a a\u00e9rea do pa\u00eds, destruindo 319 dos 340 avi\u00f5es de combate. As for\u00e7as terrestres de Israel ocuparam rapidamente a Pen\u00ednsula do Sinai e, em apenas seis dias, se apoderaram de Gaza e conquistaram a Jord\u00e2nia \u00e0 margem\u00a0ocidental do Rio Jord\u00e3o, ou Cisjord\u00e2nia, incluindo Jerusal\u00e9m oriental, onde est\u00e3o situados os lugares sagrados \u00e1rabes e o Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es. Da S\u00edria, tomaram as colinas de Golan. A expans\u00e3o do sionismo conquistou 45.000 quil\u00f4metros a mais, isto \u00e9, quase o dobro do territ\u00f3rio que possu\u00eda, com petr\u00f3leo e \u00e1gua. Meio milh\u00e3o de palestinos foram for\u00e7ados a emigrar. Os imperialistas ficaram muito satisfeitos com o golpe assestado nos regimes nacionalistas da S\u00edria e Egito, tendo os pa\u00edses \u00e1rabes perdido grandes extens\u00f5es do seu territ\u00f3rio e amargado\u00a0um saldo de 50.000 feridos e 11.000 prisioneiros de guerra. No total, o\u00a0Egito perdeu 11.000 homens; a Jord\u00e2nia, 6.000; a S\u00edria, 1.000, enquanto\u00a0Israel teve somente 700 mortos&#8221;.\u00a0(A cuarenta a\u00f1os de la Guerra de los Seis D\u00edas,\u00a0<em>El Socialista<\/em>, 69, 6 de junio de 2007).<br \/>\nMuitos anos mais tarde, Israel pactuou sua retirada da Pen\u00ednsula do Sinai em troca do reconhecimento do Estado de Israel, num acordo que traiu a causa palestina, assinado com o presidente eg\u00edpcio Anwar El Sadat. Pelo mesmo acordo, o sionismo manteve a ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios conquistados a ferro e fogo em 1967, vindo a cercar criminosamente a Cisjord\u00e2nia, em 1992, com um muro que permanece\u00a0at\u00e9 hoje.<br \/>\nO colonialismo sionista \u00e9 um regime de agress\u00e3o permanente. Depois de 1967, Israel lan\u00e7ou novas guerras contra os povos \u00e1rabes, como a do Yom Kipur em 1973, a agress\u00e3o contra o L\u00edbano e ocupa\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds entre 1982 e 2006, quando foram derrotados, al\u00e9m dos ataques a Gaza em 2008-2009, 2012 e 2014. Atualmente, 2 milh\u00f5es de refugiados palestinos vivem na Jord\u00e2nia, 1,3 milh\u00e3o em Gaza, 900 mil na Cisjord\u00e2nia e\u00a0500 mil no L\u00edbano. Outros 500 mil viviam na S\u00edria antes da guerra civil.<br \/>\nA capitula\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da OLP, com os acordos assinados em Madri (1991), Oslo (1993) e Camp David (2000), pelos quais reconheceu o Estado colonial de Israel e abandonou, em troca do reconhecimento da Autoridade Palestina (ANP),\u00a0a defesa do direito ao retorno dos palestinos refugiados, n\u00e3o livrou Arafat de passar os \u00faltimos anos de sua vida sitiado pelo ex\u00e9rcito fascista de Israel\u00a0na Mukata, sede da ANP em Ramallah, Cisjord\u00e2nia, nem da morte por envenenamento com uma subst\u00e2ncia radioativa, articulada pelos servi\u00e7os de intelig\u00eancia israelenses. O desprest\u00edgio de seu partido, o Fatah, foi aproveitado pelos islamistas do Hamas para ganhar posi\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, entretanto, o Hamas, que hoje governa a Faixa de Gaza, tem-se mostrado oficialmente\u00a0favor\u00e1vel ao estabelecimento de um estado palestino dentro\u00a0das fronteiras anteriores a 1967, aceitando a f\u00f3rmula de dois estados, palavra de ordem empregada\u00a0por\u00a0Israel para dar cobertura ao seu projeto de um estado \u00fanico de apartheid que assegure a supremacia dos colonos judeus de origem europeia. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o justa e vi\u00e1vel \u00e9 a de um s\u00f3 estado laico, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista em todo o territ\u00f3rio palestino. Em que pesem as trai\u00e7\u00f5es das dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e dos governos \u00e1rabes, o povo palestino continua lutando heroicamente por sua liberta\u00e7\u00e3o e inspirando a solidariedade dos povos do mundo.<\/p>\n<p><strong>Gaza e Cisjord\u00e2nia, pris\u00f5es a c\u00e9u aberto<\/strong><br \/>\nO historiador judeu Ilan Papp\u00e9 informa que os sionistas aplicaram, nos territ\u00f3rios ocupados ap\u00f3s a Guerra dos Seis Dias, normas coloniais que seguem o modelo imposto pelo regime brit\u00e2nico anterior \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, qualificadas como de tipo &#8220;nazista&#8221; pelos pr\u00f3prios sionistas. Entre essas imposi\u00e7\u00f5es humilhantes a que est\u00e1 submetida a popula\u00e7\u00e3o palestina, a norma 110 autorizava os governadores a &#8220;deter e conduzir \u00e0 delegacia qualquer cidad\u00e3o palestino que o governador considerasse perturbador da ordem&#8221;, e a norma 111 autorizava a &#8220;pris\u00e3o administrativa por tempo indeterminado&#8221; sem necessidade de qualquer explica\u00e7\u00e3o ou procedimento de ju\u00edzo, o qual, ali\u00e1s, quando\u00a0instaurado, para quase\u00a0nada servia, pois os ju\u00edzes eram todos militares sem forma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica&#8221; (Paz, partici\u00f3n y paridad,\u00a0<em>El Pa\u00eds<\/em>, 27 de abril de 2012). Em 2005\u00a0os sionistas retiraram-se da Faixa de Gaza, mas desde ent\u00e3o mant\u00eam o territ\u00f3rio sitiado por terra e por\u00a0mar. Na Cisjord\u00e2nia, o sionismo implanta a cada dia novos enclaves. S\u00e3o 600 mil os colonos israelenses que ocupam atualmente terras palestinas, protegidos pelo regime de ocupa\u00e7\u00e3o militar estabelecido em 1967.<\/p>\n<p><strong>O &#8220;processo de paz&#8221;<\/strong><br \/>\nUm &#8220;processo de paz&#8221; sem fim, ao amparo do qual Israel fica \u00e0 vontade para continuar ocupando de fato todo o territ\u00f3rio palestino, foi a aposta estrat\u00e9gica do sionismo, segundo afirma\u00a0Ilan Papp\u00e9 com base em evid\u00eancias documentais, como as minutas oficiais do governo israelense datadas de 1967. O imperialismo e os governantes sionistas pretendem apresentar o &#8220;processo de paz&#8221; como um conjunto de negocia\u00e7\u00f5es destinado a garantir a conviv\u00eancia pac\u00edfica entre um estado judeu e um estado palestino. O objetivo real, no entanto, \u00e9 dar cobertura pol\u00edtica \u00e0 continuidade do regime colonial e a uma pol\u00edtica de &#8220;fato consumado&#8221; por meio da qual se consolida a ocupa\u00e7\u00e3o &#8220;provis\u00f3ria&#8221; da Cisjord\u00e2nia, Jerusal\u00e9m e Colinas do Golan, que j\u00e1 completa cinquenta anos. A recente visita do presidente ianque Donald Trump \u00e0 Israel contribuiu para alentar e encorajar o sionismo. Entretanto, a causa palestina\u00a0est\u00e1 mais viva do que nunca, como demonstrou em maio a vitoriosa greve de fome dos presos pol\u00edticos palestinos, acompanhada por greves gerais e grandes mobiliza\u00e7\u00f5es. &#8220;Os palestinos continuam rejeitando a ideia b\u00e1sica da exist\u00eancia de um estado judeu&#8221;, reconheceu recentemente a vice-ministra das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely (El Pa\u00eds, 1 de junho de 2017). Este \u00e9 o fracasso fundamental do sionismo e a base de sua futura derrota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras No m\u00eas de junho completaram-se 50 anos da criminosa\u00a0campanha que ficou conhecida como a Guerra dos Seis Dias, que resultou na ocupa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia e das colinas de Golan por Israel. 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