

	{"id":241,"date":"2012-11-13T18:08:00","date_gmt":"2012-11-13T18:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2012\/11\/13\/arquivoid-9265\/"},"modified":"2012-11-13T18:08:00","modified_gmt":"2012-11-13T18:08:00","slug":"arquivoid-9265","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2012\/11\/13\/arquivoid-9265\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o sobre a Europa diante da crise e da greve geral de 14N"},"content":{"rendered":"<p>| UIT-QI &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o Priscila Guedes<\/p>\n<p>1- A crise do capitalismo mundial se concentra especialmente na Europa. A amea\u00e7a de quebra dos estados sob o peso da d\u00edvida acumulada, os planos de austeridade contra os trabalhadores e a resist\u00eancia dos\/as trabalhadores\/as contra essas medidas ter\u00e3o consequ\u00eancias decisivas no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n<p>2 \u2013 A crise, longe de estar a caminho de se resolver, se agrava numa espiral vertiginosa. Se na primeira etapa 2007-2008 se expressou como quebra do sistema financeiro, hoje se transformou na amea\u00e7a de quebra dos estados. Enormes somas de dinheiro p\u00fablico foram entregues aos bancos, um dinheiro que hoje se pretende que seja pago pelos\/as trabalhadores\/as por meio de pol\u00edticas de austeridade, com o corte de gasto p\u00fablico e demiss\u00f5es massivas no setor p\u00fablico. Essas medidas, por sua vez mergulham a economia na recess\u00e3o ao aumentar o desemprego e reduzir ainda mais o consumo.<\/p>\n<p>3 \u2013 As consequ\u00eancias para os trabalhadores s\u00e3o graves: na UE (Uni\u00e3o Europeia) h\u00e1 25 milh\u00f5es de desempregados\/as, 11% da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora. Na Gr\u00e9cia e Espanha essa cifra j\u00e1 alcan\u00e7a 25% e atinge quase metade da juventude. H\u00e1 uma queda de sal\u00e1rios e pens\u00f5es, aumento generalizado da jornada de trabalho, corte nos servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Milhares de fam\u00edlias trabalhadoras s\u00e3o expulsas de suas casas, cresce a pobreza, os suic\u00eddios e retiram-se direitos trabalhistas que foram conquistados com d\u00e9cadas de luta oper\u00e1ria. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente dura para o trabalhador imigrante contra quem se endurecem as leis de \u201cimigra\u00e7\u00e3o\u201d que criminalizam seu mais elementar direito a buscar trabalho, e contra quem se desenvolvem pol\u00edticas xen\u00f3fobas para provocar a divis\u00e3o e enfrentamento entre a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>4 \u2013 Tr\u00eas pa\u00edses est\u00e3o sob planos de \u201cresgate\u201d com a interven\u00e7\u00e3o direta da chamada Troika (UE, BCE, FMI): Gr\u00e9cia, Irlanda e Portugal. Em troca de receber uma quantidade de dinheiro para evitar a quebra, os estados est\u00e3o obrigados a aplicar dur\u00edssimos ataques aos trabalhadores. Longe de aliviar a situa\u00e7\u00e3o, os planos de resgate t\u00eam efeitos demolidores para a economia e n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o reduzem, mas aumentam a d\u00edvida p\u00fablica. O estado espanhol est\u00e1 perto do resgate, com um plano de novas ajudas ao setor banc\u00e1rio. O objetivo destes planos n\u00e3o \u00e9 melhorar a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds sen\u00e3o evitar o n\u00e3o pagamento dos empr\u00e9stimos aos bancos credores, especialmente alem\u00e3es e franceses.<\/p>\n<p>5 \u2013 Diante do temor da rea\u00e7\u00e3o popular, setores da burguesia come\u00e7am a falar que tem que combinar a austeridade com pol\u00edticas de crescimento da atividade produtiva. O porta-voz dessa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 o presidente social-democrata franc\u00eas F. Hollande, que discutira a pol\u00edtica rigorosa de redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit da presidente alem\u00e3 A. Merkel. Na realidade discutem ritmos e prazos, mas as pol\u00edticas s\u00e3o duas caras da mesma moeda, a que quer jogar o peso da crise aos trabalhadores. O pr\u00f3prio Hollande acaba de apresentar um plano de cortes.<\/p>\n<p>6 \u2013 A d\u00edvida p\u00fablica, como j\u00e1 ocorreu na Am\u00e9rica Latina nos anos 90, n\u00e3o para de crescer e n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 injusta como tamb\u00e9m impag\u00e1vel. H\u00e1 quem responda que tem que analisar a composi\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, com auditorias, tentando determinar que parte da d\u00edvida foi para pagar sal\u00e1rios e servi\u00e7os p\u00fablicos, a chamada d\u00edvida leg\u00edtima, da outra parte que se destinou \u00e0s ajudas aos bancos ou  a pagar pol\u00edticas que n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 servi\u00e7o das classes populares, que seria a d\u00edvida ileg\u00edtima. Mas essa orienta\u00e7\u00e3o at\u00e9 a auditoria e a discrimina\u00e7\u00e3o entre d\u00edvida leg\u00edtima e ileg\u00edtima paralisa o movimento contra a d\u00edvida e n\u00e3o leva em conta que o problema da d\u00edvida p\u00fablica se gerou como consequ\u00eancia das pol\u00edticas neoliberais dos anos 90 que baixaram a carga fiscal a empresas e setores da burguesia, ao que se somam as entregas massivas de dinheiro p\u00fablico j\u00e1 no desenvolvimento da crise. Os trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pela d\u00edvida p\u00fablica, por isso exigimos o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida. Os bancos devem ser nacionalizados sem indeniza\u00e7\u00e3o para coloca-los sob o controle dos trabalhadores, a servi\u00e7o de um plano de urg\u00eancia contra o desemprego e a precariedade, que gere emprego p\u00fablico e est\u00e1vel.<\/p>\n<p>7 \u2013 A crise atual nos coloca ante um dilema: aceitar a destrui\u00e7\u00e3o massiva de for\u00e7as produtivas em todas suas formas (fechamentos massivos de empresas, desemprego, mis\u00e9ria crescente e retrocessos generalizados) que o capitalismo exige para recuperar a taxa de lucro ou a luta para acabar com o capitalismo e construir um sistema econ\u00f4mico sob o controle e a servi\u00e7o da maioria oper\u00e1ria e popular. \u00c9 preciso expropriar as ind\u00fastrias estrat\u00e9gicas, \u00e9 preciso avan\u00e7ar at\u00e9 o socialismo.<\/p>\n<p>8 \u2013 A crise tem mostrado a ess\u00eancia do projeto da Uni\u00e3o Europeia, uma Europa a servi\u00e7o do capital, particularmente do capital financeiro, em compet\u00eancia com outras pot\u00eancias imperialistas. Hoje \u00e9 um instrumento para impor em toda Europa uma ofensiva contra os trabalhadores\/as sem precedentes. A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma frente de estados claramente hierarquizados. N\u00e3o h\u00e1 um enfraquecimento dos estados nacionais em vias de constru\u00e7\u00e3o de um supraestado europeu; ao contr\u00e1rio a cess\u00e3o de soberania no terreno econ\u00f4mico para melhor coorden\u00e1-la desde os interesses capitalistas, tem sido combinada com o fortalecimento do estado como forma de domina\u00e7\u00e3o de classe, uma tend\u00eancia ao bonapartismo, um retrocesso nas liberdades democr\u00e1ticas, um aumento da repress\u00e3o, o retorno de pol\u00edticas reacion\u00e1rias contra a mulher com a recupera\u00e7\u00e3o do protagonismo de institui\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias como a Igreja Cat\u00f3lica. Na pol\u00edtica externa h\u00e1 uma crescente interven\u00e7\u00e3o do gendarme norte-americano contra os povos. A Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o exporta democracia, mas imperialismo e opress\u00e3o. \u00c9 por isso e pelo fortalecimento dos estados, que neste marco tampouco h\u00e1 lugar para as leg\u00edtimas e hist\u00f3ricas reivindica\u00e7\u00f5es dos povos oprimidos dentre os estados europeus \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>9 \u2013 Do mesmo modo que o capital financeiro predomina sobre os outros setores capitalistas, Alemanha e Fran\u00e7a, em menor medida, imp\u00f5em seus interesses sobre os pa\u00edses perif\u00e9ricos. As diferen\u00e7as entre estados e condi\u00e7\u00f5es de vida crescem. A pol\u00edtica imposta pelo BCE favorece os movimentos especulativos contra as finan\u00e7as dos estados mais d\u00e9beis. As exig\u00eancias que se imp\u00f5em em nome de defender o euro sup\u00f5em uma carga imposs\u00edvel de suportar para os pa\u00edses mais atingidos pela crise. N\u00e3o h\u00e1 reforma poss\u00edvel da Uni\u00e3o Europeia favor\u00e1vel aos trabalhadores,  \u00e9 preciso exigir a ruptura. N\u00e3o fazemos essa den\u00fancia a partir da reivindica\u00e7\u00e3o da soberania de cada estado, mas da luta pelo internacionalismo oper\u00e1rio, porque queremos uma verdadeira unidade entre os trabalhadores e os povos da Europa, uma unidade baseada em colocar a economia a servi\u00e7o da classe trabalhadora, uma unidade baseada na igualdade entre povos e na\u00e7\u00f5es. Nosso objetivo s\u00e3o estados unidos socialistas da Europa.<\/p>\n<p>10 \u2013 A rea\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e setores populares \u00e0 estes planos da patronal, dos governos e da Uni\u00e3o Europeia tem sido limitada pela a\u00e7\u00e3o da burocracia sindical. O discurso das c\u00fapulas sindicais e particularmente da CES tem sido a passividade, a desmobiliza\u00e7\u00e3o a busca de pactos que v\u00e3o consolidando o retrocesso dos trabalhadores. N\u00e3o tem havido uma pol\u00edtica sindical para estender e coordenar as lutas de resist\u00eancia, ao contr\u00e1rio se isolam evitando que possam se desenvolver e escapar dos seu controle. Contudo, e apesar dessas pol\u00edticas da burocracia, cresce a resist\u00eancia dos trabalhadores aos planos. Gr\u00e9cia encabe\u00e7a essa resist\u00eancia com 19 greves gerais, tamb\u00e9m t\u00eam ocorrido mobiliza\u00e7\u00f5es gerais em outros pa\u00edses europeus. \u00c9 urgente o desenvolvimento de correntes de esquerda nos sindicatos e sua coordena\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o das lutas.  <\/p>\n<p>11 \u2013 A juventude tem tido grande protagonismo em mobiliza\u00e7\u00f5es como os Indignados\/15M, refletindo a influ\u00eancia internacional do ascenso revolucion\u00e1rio do Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio. As exig\u00eancias de recha\u00e7o a toda forma burocr\u00e1tica, unida \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o tem se combinado com a dificuldade de organiza\u00e7\u00e3o e continuidade. \u00c9 necess\u00e1rio orientar esses esfor\u00e7os de milhares de jovens para sua conflu\u00eancia com a luta da classe trabalhadora. <\/p>\n<p>12 &#8211; Os planos s\u00e3o coordenados centralmente pelos governos e a troika; a resist\u00eancia a estes planos deve ser internacional. Este car\u00e1ter internacionalista cresce na consci\u00eancia oper\u00e1ria. A aprova\u00e7\u00e3o pelo parlamento grego do \u201cmemorando\u201d \u00e9 o seguinte passo para a aplica\u00e7\u00e3o das medidas. Os sindicatos gregos convocaram duas jornadas de greve geral para os pr\u00f3ximos dias 6 e 7 de novembro. A primeira responsabilidade dos sindicatos europeus \u00e9 converter essa luta dos trabalhadores gregos em uma mobiliza\u00e7\u00e3o de classe trabalhadora europeia. Uma derrota dos planos da troika seria crucial para o futuro de toda luta de resist\u00eancia oper\u00e1ria na Europa e abriria uma crise pol\u00edtica profunda na Gr\u00e9cia e no conjunto da UE. Chamamos a manifestar solidariedade com a luta dos trabalhadores\/as gregos\/as.<\/p>\n<p>13 \u2013 \u00c9 importante a convocat\u00f3ria da jornada de luta em toda a Uni\u00e3o Europeia com greve de 24 horas em Portugal, Gr\u00e9cia, Chipre, Fran\u00e7a, B\u00e9lgica e Espanha. \u00c9 a maior convocat\u00f3ria em d\u00e9cadas com essa extens\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio apoiar essa jornada de luta e greve com todos os meios poss\u00edveis, exigindo \u00e0s dire\u00e7\u00f5es sindicais convocantes que n\u00e3o caia em uma demonstra\u00e7\u00e3o isolada de for\u00e7a do movimento oper\u00e1rio europeu e tenha continuidade em um plano europeu de luta.<\/p>\n<p>14 \u2013 Construir uma alternativa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um processo sindical, mas essencialmente pol\u00edtico. Uma alternativa oper\u00e1ria que rompa com o capitalismo a partir do internacionalismo. Hoje nos pa\u00edses mais castigados pela crise, o trabalhador come\u00e7ou a buscar uma alternativa \u00e0 esquerda da socialdemocracia, especialmente castigada nos \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, com distintas express\u00f5es de voto. Nosso compromisso \u00e9 contribuir nessa conflu\u00eancia de for\u00e7as para fazer poss\u00edvel uma Internacional oper\u00e1ria revolucion\u00e1ria, para n\u00f3s \u00e9 necess\u00e1rio reconstruir a IV Internacional.<\/p>\n<p>Lucha Internacionalista, da Espanha<br \/>\nFrente Obrero, da Turquia.<br \/>\nUnidade Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (UIT-QI)<br \/>\nGrupo Socialista Internacionalista (GSI), da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Istambul, 4 de Novembro de 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| UIT-QI &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o Priscila Guedes 1- A crise do capitalismo mundial se concentra especialmente na Europa. 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