

	{"id":250,"date":"2012-12-04T16:57:00","date_gmt":"2012-12-04T16:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2012\/12\/04\/arquivoid-9274\/"},"modified":"2012-12-04T16:57:00","modified_gmt":"2012-12-04T16:57:00","slug":"arquivoid-9274","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2012\/12\/04\/arquivoid-9274\/","title":{"rendered":"RESOLU\u00c7\u00d5ES APRESENTADAS PELO BLOCO DE ESQUERDA NO DNPSOL"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 1 e 2 de dezembro de 2012 | APS, ENLACE, MES, CST, TLS, LSR e CSOL\/Debate Socialista<\/p>\n<p>1-\tRESOLU\u00c7\u00c3O SOBRE BALAN\u00c7O DAS ELEI\u00c7\u00d5ES E AS TAREFAS DO PSOL<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es municipais, o PSOL conquistou uma vit\u00f3ria pol\u00edtica indiscut\u00edvel. Apresentando-se pela esquerda, o partido ampliou de forma muito significativa suas vota\u00e7\u00f5es; elegeu um prefeito (no munic\u00edpio de Itaocara, no estado do Rio de Janeiro), passou ao segundo turno em duas capitais \u2013 Bel\u00e9m e Macap\u00e1 \u2013 e obteve grandes vota\u00e7\u00f5es em outras capitais e nas maiores cidades (com destaque para Rio de Janeiro, Fortaleza, Florian\u00f3polis, Niter\u00f3i) e vit\u00f3rias pol\u00edticas importantes como em Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Macei\u00f3 e Natal; ampliou de forma expressiva sua bancada de vereadores. Tudo isto, apresentando-se pela esquerda, demarcando tanto com os partidos da direita tradicional como com o bloco dos apoiadores do governo federal.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que as for\u00e7as pol\u00edticas da ordem, burguesas continuam tendo muito mais peso do que as for\u00e7as da classe trabalhadora; mas mesmo os dados eleitorais indicam o in\u00edcio de uma mudan\u00e7a profunda. H\u00e1 um processo social e pol\u00edtico novo.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria do PSOL \u00e9 express\u00e3o eleitoral deste processo. Uma parte dos trabalhadores e da juventude e dos trabalhadores, sobretudo nos grandes centros urbanos e nos setores mais organizados e politizados, est\u00e1 disposta a ouvir e ser convencida por nossas propostas. Isso se explica, em primeiro lugar, pelas mudan\u00e7as objetivas da realidade e pelo aumento da consci\u00eancia de massas que est\u00e1 se operando nos \u00faltimos anos, mundialmente e tamb\u00e9m no Brasil, a partir das repercuss\u00f5es da crise econ\u00f4mica mundial. H\u00e1 uma retomada da resist\u00eancia social, e uma maior presen\u00e7a ativista de militantes do PSOL nos movimentos sociais. H\u00e1 certo desgaste do governo Dilma \u2013 as derrotas de Lula e Dilma em v\u00e1rias capitais demonstram que um setor do eleitorado optou por n\u00e3o votar no PT. Cresce o reconhecimento de que o PSOL representa uma alternativa de esquerda ao bloco de governo, e sua a\u00e7\u00e3o parlamentar tem tido um impacto positivo.<\/p>\n<p>Onde este processo novo se refletiu de modo mais claro foi na campanha no Rio de Janeiro. Os muitos votos do PSOL na capital se apoiaram na mobiliza\u00e7\u00e3o de uma milit\u00e2ncia nova, na amplia\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de base, e mostraram que uma pol\u00edtica independente, de esquerda, pode ter apoio massivo.<\/p>\n<p>De conjunto, aumentou o espa\u00e7o para o desenvolvimento pol\u00edtico das for\u00e7as de esquerda, anticapitalistas e dos trabalhadores. <\/p>\n<p>Do ponto de vista dos partidos da ordem, os resultados eleitorais foram complexos. O PT, pela primeira vez, foi o partido mais votado em elei\u00e7\u00f5es municipais e atingiu seu objetivo principal, que era ganhar a prefeitura de S\u00e3o Paulo. Por outro lado, sofreu tamb\u00e9m muitas derrotas. Em duas cidades em que j\u00e1 foi muito forte, Porto Alegre e Bel\u00e9m, o PT teve uma p\u00e9ssima vota\u00e7\u00e3o. Sofreu derrotas expressivas em Recife, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Cuiab\u00e1. No Rio de Janeiro, se escondeu atr\u00e1s do PMDB.<\/p>\n<p>O PSB foi o partido do bloco de poder que mais cresceu. Tem uma pol\u00edtica amb\u00edgua: ao mesmo tempo em que continua no bloco do governo federal, aliou-se aos tucanos em v\u00e1rios casos e enfrentou o PT em v\u00e1rias cidades \u2013 e ganhou: Recife, Belo Horizonte, Fortaleza, Campinas, Cuiab\u00e1. O PMDB manteve sua for\u00e7a, tendo principalmente a vit\u00f3ria no Rio de Janeiro, mas n\u00e3o aspira a mais do que um papel de coadjuvante. O PSDB ainda tem mais prefeituras que os petistas, mas perdeu for\u00e7a. Perdeu na cidade de S\u00e3o Paulo e recuou neste estado. <\/p>\n<p>Um fato significativo nestas elei\u00e7\u00f5es foi que, em alguns casos, derrotas e vit\u00f3rias nas urnas de petistas ou tucanos foram o resultado de um \u201cvoto castigo\u201d &#8211; um voto para derrotar quem estava no governo. Na cidade de S\u00e3o Paulo este voto beneficiou  o PT, e em Salvador, beneficiou o DEM.<\/p>\n<p>I. O Brasil \u00e9 parte da din\u00e2mica internacional da crise do capitalismo<br \/>\nPara compreendermos a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional temos que identific\u00e1-la como parte da din\u00e2mica internacional. Os elementos particulares da conjuntura brasileira n\u00e3o devem ser minimizados, mas devem ser compreendidos, como parte de uma totalidade. As mudan\u00e7as estruturais que vivemos mundialmente, a partir da grave crise de 2007\/08, seguem se desenvolvendo. A crise em curso de longa dura\u00e7\u00e3o; mesmo os analistas burgueses falam em uma d\u00e9cada. Haver\u00e1 novas e diferentes manifesta\u00e7\u00f5es da mesma. \u00c9 uma crise tamb\u00e9m crise ambiental, que n\u00e3o pode ser superada nos marcos do capitalismo.<\/p>\n<p>A crise tem seu epicentro nos pa\u00edses centrais. Isso explica uma maior express\u00e3o do ascenso do movimento de massas nestes pa\u00edses, especialmente na Europa. Contudo, a crise j\u00e1 se instala nos chamados pa\u00edses emergentes, onde at\u00e9 2011 a economia gozava dos \u201cbons ventos\u201d do crescimento econ\u00f4mico. O Brasil \u00e9 parte desta realidade. Cada previs\u00e3o de crescimento do PIB tem sido substitu\u00edda por outra mais pessimista; agora a previs\u00e3o de crescimento de 1,5% j\u00e1 \u00e9 considerada demasiado otimista. Isso reflete a estagna\u00e7\u00e3o industrial, que se arrasta. Dados do IBGE apontam para uma queda na produ\u00e7\u00e3o industrial ao longo do ano.<\/p>\n<p>A mais negativas das proje\u00e7\u00f5es, contudo, \u00e9 a da nossa balan\u00e7a comercial. As condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis do com\u00e9rcio exterior tiveram um papel central no crescimento econ\u00f4mico nos anos de governo do PT. O retrocesso atual no com\u00e9rcio exterior brasileiro reflete diretamente a estagna\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses centrais e desacelera\u00e7\u00e3o na China. Pela primeira vez em dez anos, o super\u00e1vit deve ficar abaixo dos US$ 20 Bilh\u00f5es, numa retra\u00e7\u00e3o de quase 30% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. As incertezas sobre Estados Unidos e o com\u00e9rcio com a \u00c1sia, e a redu\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es de produtos brasileiros por pa\u00edses ditos \u201cemergentes\u201d j\u00e1 em crise, como a Argentina, s\u00e3o sinais de que a economia j\u00e1 est\u00e1 condicionada pela crise mundial.<\/p>\n<p>A recente demiss\u00e3o de 850 trabalhadores da WebJet (incorporada pela GOL) evidencia a instabilidade econ\u00f4mica, e abre perspectivas mais sombrias para a situa\u00e7\u00e3o dos assalariados. Enquanto o governo divulga \u00edndices pequenos de desemprego, pesquisa recente de IBGE revela que que cresce a chamada \u201cpopula\u00e7\u00e3o n\u00e3o economicamente ativa\u201d. S\u00e3o pessoas que, mesmo sem trabalhar, n\u00e3o est\u00e3o em busca de emprego; n\u00e3o s\u00e3o mais contadas na pesquisa sobre desemprego. Do total que n\u00e3o trabalha nem procura emprego no pa\u00eds, 26,3 milh\u00f5es t\u00eam entre 18 e 59 anos de idade.<\/p>\n<p>II. Conflitos em meio a uma situa\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1vel<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds \u00e9 bem diferente, evidentemente, da situa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia ou da Espanha. No Brasil, a burguesia mant\u00e9m o controle pol\u00edtico da situa\u00e7\u00e3o por meio de seus partidos e de suas institui\u00e7\u00f5es. Com o aprofundamento da crise, por\u00e9m, os processos sociais est\u00e3o ganhando terreno; isso pode ser visto nas lutas sociais que se desenvolvem desde 2011, processo que seguiu em 2012. As greves de bombeiros e policiais do come\u00e7o do ano \u2013 ainda que derrotadas \u2013 abriram o ano. A greve dos funcion\u00e1rios federais, tendo como seu centro mais forte as universidades, foi a maior greve desta categoria desde a reforma da previd\u00eancia. Em ambos os casos os movimentos tiveram uma forte experi\u00eancia com o governo Dilma, que os criminalizou.<\/p>\n<p>No terreno do setor privado, houve greve em metal\u00fargicos, rodovi\u00e1rios, constru\u00e7\u00e3o civil, correios, banc\u00e1rios, al\u00e9m outros setores do servi\u00e7o p\u00fablico, como professores das redes de v\u00e1rios estados. S\u00e3o conflitos que sinalizam uma inflex\u00e3o do movimento de massas para o pr\u00f3ximo per\u00edodo. Sem eles, n\u00e3o se compreenderia o crescimento eleitoral do PSOL.<\/p>\n<p>Existem tens\u00f5es latentes por temas infraestruturais ou mesmo salariais: o endividamento no consumo \u00e9 alto e a press\u00e3o inflacion\u00e1ria sempre aparece com um fantasma. A din\u00e2mica da crise econ\u00f4mica vai empurrar a maiores conflitos. Na raiz do desenvolvimento das tens\u00f5es est\u00e1 a brutal desigualdade social, que se mant\u00e9m como tra\u00e7o caracter\u00edstico da realidade brasileira. No Brasil, a crise social \u00e9 permanente.<\/p>\n<p>Os anos de crescimento econ\u00f4mico, com toda a sua euforia, foram incapazes de se converterem em refer\u00eancias de desenvolvimento estrutural no Brasil. As contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o gritantes. Problemas que v\u00e3o desde o d\u00e9ficit habitacional at\u00e9 o inferno dos servi\u00e7os como transporte, mobilidade urbana e sa\u00fade p\u00fablica. O pr\u00f3prio processo de reorganiza\u00e7\u00e3o espacial das cidades, com vistas \u00e0 Copa, e \u00e0s Olimp\u00edadas, aos megaeventos, traz \u00e0 luz mais e mais conflitos. <\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de privatiza\u00e7\u00f5es do governo Dilma, as chamadas concess\u00f5es de aeroportos, ferrovias, portos, vai aprofundar as dificuldades em servi\u00e7os b\u00e1sicos. A volta do apag\u00e3o no norte e nordeste \u00e9 uma mostra desta tend\u00eancia. <\/p>\n<p>As demandas que foram incorporadas pela mal denominada \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d (na verdade, trata-se de uma parcela da classe trabalhadora que obteve um pequeno aumento em sua capacidade de consumo) tamb\u00e9m, contraditoriamente, v\u00e3o abrir novos canais de conflito. Num cen\u00e1rio de maior crise e instabilidade econ\u00f4mica, o padr\u00e3o conquistado ser\u00e1 ponto de partida das reivindica\u00e7\u00f5es, deixando de amortecer para acelerar as contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A grave crise da seguran\u00e7a p\u00fablica que toma conta do estado de S\u00e3o Paulo, com a onda de viol\u00eancia chegando a quase cem mortos apenas em um m\u00eas, toque de recolher e ocupa\u00e7\u00e3o militar de v\u00e1rios bairros e comunidades, evidencia como a situa\u00e7\u00e3o social no Brasil implica uma crise cr\u00f4nica. A troca de acusa\u00e7\u00f5es entre o Governo Alckmin e o Governo Federal, as declara\u00e7\u00f5es desastradas do ministro da Justi\u00e7a sobre o sistema prisional, mostram o despreparo com que os governantes lidam com a situa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de se explicarem por elementos de luta pol\u00edtica entre tucanos e petistas, disputa nefasta enquanto se empilham os cad\u00e1veres de jovens e setores populares, que est\u00e3o sendo massacrados. Os ataques \u00e0 delegacias e os \u00f4nibus queimados em Santa Catarina retratam que as fissuras s\u00e3o bem maiores do que as anunciadas.<\/p>\n<p>O tema da viol\u00eancia urbana vai ser ainda mais forte no pr\u00f3ximo per\u00edodo, porque a desigualdade social n\u00e3o se resolve, pela militariza\u00e7\u00e3o e pela criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e dos movimentos sociais, e porque a resist\u00eancia social se desenvolve. <\/p>\n<p>III. Desgaste dos partidos da ordem e busca de alternativas<br \/>\nO resultado eleitoral n\u00e3o pode esconder elementos de desgaste dos partidos dominantes do regime. Mesmo tendo tido, globalmente, uma maior vota\u00e7\u00e3o, e tendo alcan\u00e7ado seu principal objetivo, o PT se desgastou \u2013 at\u00e9 mesmo em S\u00e3o Paulo, com a velha pol\u00edtica posta em pr\u00e1tica. A vit\u00f3ria de Haddad n\u00e3o foi marcada pelo entusiasmo ou pelo resgate hist\u00f3rico do significado do PT; foi uma vit\u00f3ria marcada pela alian\u00e7a com Maluf, pelo medo do obscurantismo representado por Russomano e pela grande rejei\u00e7\u00e3o aos tucanos e a Kassab.  A mudan\u00e7a da base social do PT iniciada desde o come\u00e7o do governo Lula prosseguiu: o PT ganhou mais nos pequenos munic\u00edpios e nos setores menos politizados e desorganizados. <\/p>\n<p>A enorme absten\u00e7\u00e3o, quase 20% no primeiro turno, a maior desde 1996, \u00e9 um sinal de distanciamento de parcelas do povo com a pol\u00edtica. <\/p>\n<p>A crise que se encontra a oposi\u00e7\u00e3o de direita \u00e9 flagrante. Buscar\u00e1 se rearticular ap\u00f3s perder a principal cidade do pa\u00eds. Teve \u00eaxito em capitais do Norte e do Nordeste, mas n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de articular um projeto nacional alternativo ao PT e Dilma. O DEM, que ganhou sobrevida ao vencer as elei\u00e7\u00f5es de Salvador \u00e9 o maior s\u00edmbolo de crise, tendo perdido grande parte de suas for\u00e7as j\u00e1 antes das elei\u00e7\u00f5es, com a forma\u00e7\u00e3o do PSD.<\/p>\n<p>Por outro lado o PT sofreu um dos golpes mais duros, com o julgamento do Mensal\u00e3o. Parte de sua dire\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica [Jos\u00e9 Dirceu, Geno\u00edno] est\u00e1 legalmente condenada \u00e0 pris\u00e3o. Isto n\u00e3o \u00e9 um fato menor. O Julgamento do Mensal\u00e3o \u00e9 um cap\u00edtulo importante da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Se, de um lado, um setor mais conservador o utiliza \u2013 setores da m\u00eddia s\u00e3o os mais engajados neste terreno \u2013 para desmoralizar o PT e atuar sobre o governo, de outro, a transmiss\u00e3o ao vivo, as condena\u00e7\u00f5es, atuam aos olhos de milh\u00f5es como um elemento esclarecedor sobre a forma de fazer pol\u00edtica do PT e de seus dirigentes.<\/p>\n<p>Neste marco, muita \u00e1gua correr\u00e1 antes de 2014. Na base das novas disputas pol\u00edticas est\u00e1 a crise da economia como um permanente fantasma amea\u00e7ador. Hoje a burguesia ainda aposta suas fichas em Dilma, ou pelo menos aceita a continuidade do seu governo como um passo necess\u00e1rio; mant\u00e9m, ao mesmo tempo, seu respaldo \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o de direita, que segue tentando se reorganizar com vistas a 2014. A manuten\u00e7\u00e3o do regime pol\u00edtico se assenta na coopera\u00e7\u00e3o e na disputa nos marcos da ordem entre o bloco dirigido pelo PT, por um lado, e no bloco do PSDB, por outro. O PMDB, fiel da balan\u00e7a no campo governista, apresenta suas defini\u00e7\u00f5es para manter o controle das duas casas legislativas e seguir marchando com Dilma. A pr\u00f3pria perspectiva de uma reciclagem n\u00e3o \u00e9 simples. O PSB de Eduardo Campos ensaia um voo mais aut\u00f4nomo \u2013 manteve o controle da prefeitura de BH e derrotou o PT em cidades importantes como Recife, Fortaleza e Campinas. O pr\u00f3prio Campos admite que \u00e9 uma alternativa de longo prazo, mirando em 2018, atuando para ter mais soberania sem romper com Dilma e o governo. Marina Silva, que em 2010 conseguiu capitalizar o espa\u00e7o alternativo \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o PT-PSDB, teve uma atua\u00e7\u00e3o t\u00edmida no processo eleitoral, perdendo espa\u00e7o, deixando um pouco mais dif\u00edcil seu projeto de construir uma terceira via com base no modelo de \u201ccapitalismo verde\u201d, o que n\u00e3o significa que ela ainda n\u00e3o possa buscar essa e outras variantes. \u00c9 importante assinalar que ela apoiou ativamente ao PT em algumas capitais, em outros esteve com os verdes, ao mesmo tempo em que tentou disputar setores do PSOL para seu projeto de terceira via, que concilia com petistas e tucanos.<\/p>\n<p>O \u201cnovo\u201d nas elei\u00e7\u00f5es foi a brecha que se abre, ainda pequena, mas j\u00e1 com express\u00f5es de massas, para o fortalecimento do PSOL como oposi\u00e7\u00e3o de esquerda. Sua vota\u00e7\u00e3o significativa no Rio de Janeiro teve express\u00e3o nacional; elegeu vereadores em 11 capitais, em todas as regi\u00f5es do Brasil. Foi o partido que teve o maior n\u00famero de candidatos a prefeito nas capitais, somando 2,3 milh\u00f5es de votos no primeiro turno na majorit\u00e1ria e 1,1 milh\u00e3o para nossas chapas proporcionais. <\/p>\n<p>Os dados quantitativos comprovam o tamanho da nossa vit\u00f3ria. O mais importante foi afirmar um perfil partid\u00e1rio claro: um partido das lutas anti-regime contra a corrup\u00e7\u00e3o e as m\u00e1fias, propositivo e capaz de firmar di\u00e1logo com amplos setores. Mas o mais importante \u00e9 que o PSOL vai se apresentando como o polo que representa a resist\u00eancia contra os capitalistas e a velha pol\u00edtica. \u00c9 nisso que o partido deve insistir e fortalecer. Al\u00e9m de esta ser a pol\u00edtica necess\u00e1ria, nestas elei\u00e7\u00f5es ficou claro que h\u00e1 espa\u00e7o eleitoral para ela, que esta pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 mais marginal, e tem tudo para crescer. Ali\u00e1s, \u00e9 a \u00fanica que pode fazer o PSOL crescer. O que est\u00e1 posto como desafio \u00e9 sermos capazes de nos consolidar como um projeto partid\u00e1rio de esquerda, democr\u00e1tico, popular, anti-imperialista, anti-latifundi\u00e1rio, anti-opress\u00f5es, anticapitalista, que se constr\u00f3i como uma refer\u00eancia para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, para a juventude, e em sintonia com os processos de luta que existem no mundo.<br \/>\nA busca por uma alternativa aos partidos do regime, seja do ponto de vista democr\u00e1tico, ap\u00f3s os sucessivos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, seja de defesa dos direitos sociais foi not\u00e1vel no processo eleitoral de outubro. Tal busca vai seguir a luz dos novos enfrentamentos, processos sociais e pol\u00edticos que a din\u00e2mica brasileira vai impor.<\/p>\n<p>\u00c9 importante observar que a \u201camplia\u00e7\u00e3o das alian\u00e7as\u201d aprovada pela dire\u00e7\u00e3o do partido n\u00e3o teve, em geral, efeitos eleitorais significativos. Com exce\u00e7\u00e3o de Macap\u00e1, o PSOL cresceu sem alian\u00e7as, ou com aliado ao PCB e, algumas vezes, ao PSTU. Mesmo em Bel\u00e9m, no primeiro turno, uma maior \u201camplia\u00e7\u00e3o\u201d foi buscada, mas afinal ficou limitada ao PC do B, na elei\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>IV. Os rumos do PSOL<br \/>\nA din\u00e2mica de crescimento do PSOL veio acompanhada de um processo de \u201cluzes e sombras\u201d. A pol\u00edtica de alian\u00e7as de Cl\u00e9cio Lu\u00eds e Randolfe Rodrigues em Macap\u00e1 foi um duro golpe contra o partido. Da mesma forma, a presen\u00e7a de Lula, Dilma, Marta Suplicy e Mercadante no programa do PSOL em Bel\u00e9m, no segundo turno, foi extremamente negativa. E se a pr\u00f3pria presen\u00e7a de Lula na TV j\u00e1 seria muito ruim por si mesma, a coisa ficou ainda pior com a defesa que ele fez de seu governo \u2013 no programa do PSOL e, logo, avalizada por ele. Borraram-se as fronteiras pol\u00edtico-program\u00e1ticas entre o PSOL e o PT. Esse caminho, como m\u00ednimo, coloca em quest\u00e3o no PSOL sua voca\u00e7\u00e3o de ser uma oposi\u00e7\u00e3o de esquerda program\u00e1tica ao modelo global de pol\u00edtica econ\u00f4mica, social e ambiental dos governos do PT desde 2003. P\u00f5e em d\u00favida a raz\u00e3o de ser do PSOL, seu projeto de construir no pa\u00eds uma esquerda socialista coerente.<\/p>\n<p>O PSOL, como partido vivo, est\u00e1 e estar\u00e1 sujeito \u00e0s press\u00f5es de todo o tipo, inclusive as press\u00f5es da burguesia. \u00c9 o que ocorreu nas elei\u00e7\u00f5es de Macap\u00e1, onde o PSOL ganhou a sua primeira prefeitura de capital. Contraditoriamente, a primeira capital anunciada como dirigida pelo PSOL n\u00e3o tem a pol\u00edtica que \u00e9 amplamente majorit\u00e1ria entre os militantes do PSOL. Os militantes do partido n\u00e3o aceitam nenhuma rela\u00e7\u00e3o de parceria com o DEM nem com o PTB e o PSDB. Repudiam estes partidos e repudiam qualquer tipo de parceria com eles. <\/p>\n<p>As linhas seguidas em Macap\u00e1 e Bel\u00e9m devem ser rejeitadas. S\u00e3o incompat\u00edveis com o perfil do PSOL que queremos construir. Os \u201cpontos fortes\u201d do PSOL, pelos quais ganhamos peso e audi\u00eancia no movimento de massas, s\u00e3o justamente a cr\u00edtica das alian\u00e7as esp\u00farias, da pol\u00edtica como um neg\u00f3cio e a defesa do Partido como porta-voz das reivindica\u00e7\u00f5es populares, bem como a desprivatiza\u00e7\u00e3o do Estado e a democratiza\u00e7\u00e3o dos governos, com participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Rejeitar qualquer ambiguidade em rela\u00e7\u00e3o ao governo federal \u00e9 uma quest\u00e3o crucial para o PSOL; ele deve crescer ocupando os espa\u00e7os do PT, e n\u00e3o conciliando com ele. A base de nosso partido corretamente tirou as li\u00e7\u00f5es do processo petista. O PT n\u00e3o tem nenhuma possibilidade de realizar sequer o programa votado no encontro de Recife, em 2001. O PT no poder n\u00e3o apenas n\u00e3o assumiu este programa, como governou sem maiores problemas a servi\u00e7o dos interesses da burguesia. Seu arco de alian\u00e7as para governar respondeu a esse giro. Portanto, n\u00e3o existe hip\u00f3tese de que o PT possa ser aliado num projeto comum, seja do ponto de vista democr\u00e1tico seja do ponto de vista anticapitalista, para lutar pelas grandes mudan\u00e7as estruturais que nosso pa\u00eds necessita. <\/p>\n<p>V &#8211; Nossas Tarefas imediatas<br \/>\nO resultado do PSOL e as perspectivas da luta pol\u00edtica no Brasil nos fortalecem e aumentam em muito nossas responsabilidades. \u00c9 muito importante que toda a milit\u00e2ncia realize uma boa discuss\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o, para nos prepararmos melhor para o pr\u00f3ximo per\u00edodo, de modo a contribuirmos como militantes e como partido para fazer avan\u00e7ar o processo de resist\u00eancia popular e as lutas dos trabalhadores em curso.<\/p>\n<p>Antes de tudo, o PSOL reafirma sua linha t\u00e1tica geral que inclui a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e program\u00e1tica de esquerda aos governos federal e estaduais, assim como as prefeituras n\u00e3o governadas pelo partido.<br \/>\nPara o PSOL ser\u00e1 fundamental construir o partido coletivamente em todas as regionais, munic\u00edpios e setoriais, inserindo-nos nas lutas sociais e nos postulando como alternativa pol\u00edtica. Assim contribu\u00edmos efetivamente com a luta dos trabalhadores e do povo e vamos nos preparando para 2014, quando o PSOL se apresentar\u00e1 com seu programa de esquerda conseq\u00fcente, anti-imperialista, anti-latifundi\u00e1rio, democr\u00e1tico radical, contra as opress\u00f5es em defesa do meio ambiente e anticapitalista, assim como uma candidatura pr\u00f3pria. <\/p>\n<p>No plano internacional, manter os contatos com esquerda anticapitalista, apoiar a resist\u00eancias \u00e0s pol\u00edticas regressivas como a greve e mobiliza\u00e7\u00f5es internacionais na Europa, como no caso da Gr\u00e9cia, onde tem mais avan\u00e7ado esta luta, nossas rela\u00e7\u00f5es e solidaridade para com a esquerda latino americana, a defesa do povo palestino e suas conquistas e a luta democr\u00e1tica do povo eg\u00edpcio, contra os ataques autorit\u00e1rios do governo.<\/p>\n<p>No terreno da pol\u00edtica nacional, uma de nossas prioridades ser\u00e1 a luta pela anula\u00e7\u00e3o da reforma da previd\u00eancia, apresentando assim uma sa\u00edda pela esquerda para os desdobramentos do Mensal\u00e3o. Devemos assumi-la como uma campanha nacional, criando as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e materiais para que nossa milit\u00e2ncia v\u00e1 \u00e0s ruas junto com todas as organiza\u00e7\u00f5es sindicais, populares e partid\u00e1rias dispostas a esta luta. Al\u00e9m disso, lutaremos contra as propostas de novas \u201creformas da previd\u00eancia\u201d, que levariam \u00e0 sua privatiza\u00e7\u00e3o, encaminhando a arrecada\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es dos trabalhadores para fundos de pens\u00e3o, vale dizer, ao mercado financeiro, atendendo aos interesses do capital.<br \/>\nOutra quest\u00e3o importante para a classe trabalhadora, que assumimos, \u00e9 a luta contra o ACE (Acordo Coletivo Especial) defendido pela burocracia cutista, as patronais e o governo petistas, no qual vale o acordado sobre o legislado, o que legitimaria a retirada de direitos. Desenvolveremos com \u00eanfase a a\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria no movimento sindical e popular, construindo marchas e f\u00f3runs que permitam a a\u00e7\u00e3o comum concreta da classe na defesa de seus direitos e a den\u00fancia das posi\u00e7\u00f5es do governo Dilma, do PT e de seus aliados. Do mesmo modo, desenvolveremos iniciativas, declara\u00e7\u00f5es, atividades de nossa milit\u00e2ncia sindical e dos nossos parlamentares.<\/p>\n<p>Lutaremos contra o projeto da lei de greve que o direito \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, sobretudo dos servi\u00e7os p\u00fablicos, impondo a obriga\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o de um m\u00ednimo de funcionamento dos servi\u00e7os \u2013 o que pode chegar, a depender da interpreta\u00e7\u00e3o do juiz, a 100% de atividade, vale dizer, \u00e0 anula\u00e7\u00e3o do direito de greve. <\/p>\n<p>Um destaque no atual per\u00edodo tem sido a luta e resist\u00eancias crescente dos povos ind\u00edgenas, quilombolas e outras popula\u00e7\u00f5es atingidas fortemente pelas obras do PAC, pelas mineradores e por empresas do agroneg\u00f3cio que, com incentivos ou miss\u00f5es governamentais, tem ampliado sua sanha de explora\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o fundamental que j\u00e1 est\u00e1 se colocando, \u00e9 a luta contra um conjunto de pol\u00edticas regressivas que j\u00e1 come\u00e7aram a ser colocadas em pr\u00e1tica pelos governos, no bojo da prepara\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo, como regra geral privatizantes, de submiss\u00e3o a interesses e pol\u00edticas de empresas transnacionais, autorit\u00e1rias, de criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas e do povo pobre, e que provocam a exclus\u00e3o social e racial.<\/p>\n<p>Tal orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se soma a um esfor\u00e7o maior para construirmos um perfil mais geral de partido militante, organizado, fomentando a interven\u00e7\u00e3o nas lutas. A dificuldade de reorganiza\u00e7\u00e3o do setorial sindical no PSOL n\u00e3o nos paralisar\u00e1, uma vez que processos est\u00e3o em curso, com muitos jovens quadros liderando greves em categorias como professores, banc\u00e1rios, metal\u00fargicos, servidores em geral. Temos que colocar for\u00e7a neste setor, assumindo a rente nas lutas e greves e defendendo democracia nas assembleias e organiza\u00e7\u00e3o pela base. Junto a esse perfil seguimos lutando pela unidade dos setores psolistas no movimento sindical, para expressar neste terreno sindical o espa\u00e7o que j\u00e1 conquistamos no terreno pol\u00edtico. Isto ser\u00e1 muito importante para que o partido possa enfrentar e apoiar ainda mais decisivamente as lutas salariais no setor p\u00fablico e privado de modo geral, assim como nas obras do PAC.<\/p>\n<p>Nos demais movimentos, como o da juventude, precisamos tamb\u00e9m construir uma maior unidade do partido. As elei\u00e7\u00f5es estudantis come\u00e7am a refletir o crescimento do partido, com vit\u00f3rias democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da interven\u00e7\u00e3o dos setores organizados, \u00e9 fundamental que nossa milit\u00e2ncia esteja atenda para o apoio e participa\u00e7\u00e3o nas lutas populares, nas lutas democr\u00e1ticas, e pelas demandas b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o, que a todo instante se expressam, de modo mais ou menos espont\u00e2neo, em todo o pa\u00eds.  Assim, o PSOL estar\u00e1 contribuindo para que as lutas triunfem e para que avance a resist\u00eancia e a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>2- Resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Diret\u00f3rio Nacional do PSOL sobre alian\u00e7as no Amap\u00e1<\/p>\n<p>  As elei\u00e7\u00f5es de 2012 foram um momento de vit\u00f3ria pol\u00edtica e eleitoral para o PSOL. Obteve 2,39 milh\u00f5es de votos para candidatos a prefeito no primeiro turno, superando partidos tradicionais como PV e PCdoB. Saiu politicamente mais respeitado, ampliou sua bancada de vereadores\/as, elegeu seu primeiro prefeito no primeiro turno e foi ao segundo turno em duas capitais. Isto foi viabilizado tanto pela a\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio partido como por uma conjuntura mais favor\u00e1vel que a de 2008. Ainda que tenha havido diversidade nas campanhas, elas em geral foram feitas pela esquerda, diferenciando o PSOL tanto dos partidos da direita tradicional quanto dos partidos do bloco de sustenta\u00e7\u00e3o do governo federal. A visibilidade do PSOL cresceu muito, e ele se tornou um partido atrativo para uma parcela importante da popula\u00e7\u00e3o, especialmente uma grande parte da juventude. Ao mesmo tempo em que isto abre boas possibilidades para a constru\u00e7\u00e3o do PSOL como partido socialista e para o desenvolvimento de um projeto de socialismo, imp\u00f5e tamb\u00e9m novas responsabilidades. As a\u00e7\u00f5es do PSOL passam a estar muito mais sob o escrut\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 necess\u00e1rio que o partido se posicione acerca de op\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica de alian\u00e7as tomadas em parte desde o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es, e muito mais no segundo turno, que representaram claras agress\u00f5es contra o car\u00e1ter de esquerda, socialista e democr\u00e1tico do partido.<\/p>\n<p>1)          As op\u00e7\u00f5es mais negativas foram feitas pelo setor dirigente no PSOL do Amap\u00e1, especialmente pelo senador Randolfe Rodrigues e pelo prefeito eleito de Macap\u00e1, Cl\u00e9cio Lu\u00eds. O senador Randolfe e a dire\u00e7\u00e3o do PSOL-AP j\u00e1 haviam sido advertidos pelo Diret\u00f3rio Nacional do PSOL em dezembro de 2010, por terem feito uma alian\u00e7a informal com o PTB no primeiro turno, apesar da proibi\u00e7\u00e3o expressa da Executiva Nacional, e pelo apoio ao candidato a governador do PTB no segundo turno. Em 2012, no primeiro turno, houve apoios do senador Randolfe Rodrigues e do PSOL-AP a candidatos de partidos com os quais o DN-PSOL havia expressamente proibido alian\u00e7as. No segundo turno de Macap\u00e1, o quadro piorou: o PSOL celebrou, em ato pol\u00edtico p\u00fablico, uma alian\u00e7a com o DEM, o PTB e o PSDB; representantes do partido deixaram claro que a alian\u00e7a se fazia tamb\u00e9m para governar, e para depois. \u00c0 gravidade dos fatos em si mesmos se somou a duplicidade do discurso do senador Randolfe Rodrigues e do prefeito eleito Cl\u00e9cio Lu\u00eds. Em declara\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico de Macap\u00e1 e para a grande imprensa eles t\u00eam reafirmado a ideia de que a alian\u00e7a com os tr\u00eas partidos da direita mais tradicional foi realmente celebrada, e acrescentado que o PSOL deve aprender a compreend\u00ea-la e aceit\u00e1-la. J\u00e1 em declara\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico interno do partido eles t\u00eam procurado minimizar o fato, dizendo que houve apenas aceita\u00e7\u00e3o de apoios, e que, no m\u00e1ximo, \u201cem momento de empolga\u00e7\u00e3o pelos apoios recebidos de parte dos que naturalmente se alinhariam com nosso advers\u00e1rio houve men\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2014 que permitiu interpreta\u00e7\u00e3o errada em nossa milit\u00e2ncia de que haveria acordos futuros\u201d. Obviamente trata-se de uma explica\u00e7\u00e3o inveross\u00edmil. De conjunto, tem-se caracterizado um comportamento desleal em rela\u00e7\u00e3o ao PSOL. Ora, a linha de alian\u00e7as amplas e duradouras com partidos e figuras emblem\u00e1ticas da direita mais tradicional, seguida pelos dirigentes do PSOL-AP desde 2010, \u00e9 incompat\u00edvel com um partido socialista minimamente coerente.<\/p>\n<p>2) Os problemas da linha seguida pelo PSOL em Macap\u00e1 principalmente no segundo turno, tornaram-se piores pelo fato de n\u00e3o ter o Diret\u00f3rio Nacional do PSOL ou sua Executiva Nacional convocado a inst\u00e2ncia para se expressar durante o processo eleitoral sobre os problemas em curso, em que pese terem sido acionados por 40% dos membros da Executiva nacional.<br \/>\n3) Por tudo isso o Diret\u00f3rio Nacional do PSOL decide por recha\u00e7ar a  pol\u00edtica de alian\u00e7as com DEM, PPS, PTB, PSDB praticada pela Dire\u00e7\u00e3o do partido no Amap\u00e1, e principalmente pelo senador Randolfe Rodrigues e pelo prefeito eleito Cl\u00e9cio Luiz. A Dire\u00e7\u00e3o nacional considera que tais pr\u00e1ticas s\u00e3o incompat\u00edveis com o perfil de um partido que pretende se firmar como oposi\u00e7\u00e3o de esquerda e que se pretende socialista, democr\u00e1tico e de massas.  <\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>3 &#8211; RESOLU\u00c7\u00c3O SOBRE AS ELEI\u00c7\u00d5ES EM BEL\u00c9M<\/p>\n<p>1-\tEm 2012, Bel\u00e9m do Par\u00e1, a capital cabana, foi palco de um feroz embate eleitoral. De um lado, o PSOL, deposit\u00e1rio da esperan\u00e7a de milh\u00f5es de trabalhadores brasileiros e da maioria de nosso povo; de outro, os representantes mais diretos da elite local, que utilizaram dos expedientes mais escusos para conseguir sua vit\u00f3ria. Desde o uso da m\u00e1quina p\u00fablica, passando pela compra de votos e pelo abuso do poder econ\u00f4mico. O companheiro Edmilson Rodrigues do PSOL perdeu as elei\u00e7\u00f5es. O candidato Zenaldo Coutinho, do PSDB, venceu o pleito com 438.435 votos, ou 56,61% dos votos v\u00e1lidos. Edmilson obteve 336.059 votos, ou 43,39% dos votos v\u00e1lidos. Uma diferen\u00e7a de 102.385 votos (13,22%).<\/p>\n<p>2-\tA realidade \u00e9 sempre mais complexa que nossos esquemas, logo n\u00e3o cabe aqui reduzir a discuss\u00e3o de balan\u00e7o a um axiom\u00e1tico diagn\u00f3stico de \u201cpositivo\u201d ou \u201cnegativo\u201d. H\u00e1 elementos de inquestion\u00e1vel vit\u00f3ria, mas h\u00e1 tamb\u00e9m elementos profundamente negativos que indicam importantes derrotas pol\u00edticas pontuais.<\/p>\n<p>3-\tFoi uma luta desigual, com certeza. Apesar disso era poss\u00edvel vencer. Em muitas oportunidades uma derrota eleitoral n\u00e3o necessariamente implica em uma derrota pol\u00edtica. A hist\u00f3ria do PSOL est\u00e1 repleta de belos exemplos de reveses eleitorais que culminaram em extraordin\u00e1rias vit\u00f3rias pol\u00edticas. Ao longo da campanha em Bel\u00e9m, principalmente no 1\u00ba turno, aglutinamos diversos lutadores sociais que reviveram os \u00e1ureos tempos das campanhas militantes. Tiv\u00e9ssemos mantido nosso programa, nosso perfil de oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao governo federal e o funcionamento das estruturas partid\u00e1rias, sair\u00edamos vitoriosos. Infelizmente a subordina\u00e7\u00e3o ao \u201cvale tudo\u201d eleitoral, a desfigura\u00e7\u00e3o completa de nosso programa e o autoritarismo impostos \u00e0 campanha, resultaram em uma dupla derrota: eleitoral e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>4-\tNo 1\u00ba turno a coliga\u00e7\u00e3o PSOL\/PSTU elegeu 5 vereadores (a maior bancada da C\u00e2mara) sendo 4 do PSOL e 1 do PSTU. A companheira Marinor Brito foi a vereadora mais votada de Bel\u00e9m. Ao total foram mais de 85.000 votos (nominais e de legenda). Vinte e cinco de nossos candidatos tiveram entre 500 e 2 mil votos. Foi essa vota\u00e7\u00e3o, pulverizada mas consistente que possibilitou a elei\u00e7\u00e3o de nossa aguerrida bancada. A atua\u00e7\u00e3o do PSOL nos \u00faltimos anos, principalmente nas lutas, mas tamb\u00e9m nos processos eleitorais, comprova que h\u00e1 um espa\u00e7o objetivo para a constru\u00e7\u00e3o do PSOL. Nosso partido se apresentou para o conjunto da sociedade paraense. Enfrentou poderosas m\u00e1quinas eleitorais e mostrou a todos que mesmo sendo um partido pequeno, temos todas as condi\u00e7\u00f5es de governar Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>5-\tEmbora diversos erros tenham se manifestado j\u00e1 no 1\u00aa turno, \u00e9 a partir do 2\u00ba que a campanha toma novos e preocupantes rumos. Durante todo o per\u00edodo eleitoral o partido, enquanto inst\u00e2ncia pol\u00edtica e organizativa deixou de existir. Essa pr\u00e1tica n\u00e3o foi fortuita, ao contr\u00e1rio foi uma postura consciente e deliberada. As decis\u00f5es sobre o rumo da campanha eram tomadas por um grupo restrito de pessoas que exclu\u00edram completamente as inst\u00e2ncias e as demais correntes do partido.<\/p>\n<p>6-\tAl\u00e9m de um profundo desvio pol\u00edtico, program\u00e1tico e metodol\u00f3gico, foi imposto um verdadeiro caos organizativo na estrutura de campanha. Diversas coordena\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias foram entregues a militantes petistas, completamente estranhos \u00e0 nossa milit\u00e2ncia que, de forma autorit\u00e1ria, passaram a definir os rumos da campanha. N\u00e3o se tratou de uma racional, e at\u00e9 desej\u00e1vel, otimiza\u00e7\u00e3o da campanha aproveitamento o potencial (pequeno, diga-se de passagem) da influ\u00eancia do PT, que a essa altura apoiava Edmilson.  O que ocorreu foi, para usar uma express\u00e3o muito utilizada \u00e0 \u00e9poca, uma \u201cinterven\u00e7\u00e3o\u201d para afastar os quadros do PSOL, a essa altura caracterizados como incompetentes. O desembarque petista foi centralizado e extremamente organizado. A combina\u00e7\u00e3o do desvio program\u00e1tico com o caos organizativo criou uma sinergia negativa que prejudicou sobremaneira o andamento do dia a dia da campanha, desmoralizando profundamente a milit\u00e2ncia partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>7-\tO desvio program\u00e1tico a que estamos nos referindo foi materializado pela capitula\u00e7\u00e3o ao \u201cvale tudo\u201d eleitoral, expresso principalmente na decis\u00e3o da coordena\u00e7\u00e3o de campanha, de veicular \u00e0 exaust\u00e3o, que o governo federal apoiava nossa candidatura. Figuras como Lula, Dilma, Mercadante, Marta Suplicy, Alexandre Padilha e outros, foram i\u00e7adas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de protagonistas do programa eleitoral. O pr\u00f3prio Edmilson e nossos dirigentes viraram coadjuvantes. Al\u00e9m disso, foi aceito de bom grado o \u201capoio\u201d do PDT, que no Par\u00e1 \u00e9 dirigido por figuras como Giovanni Queiroz, deputado federal, latifundi\u00e1rio milion\u00e1rio e ligado aos setores mais reacion\u00e1rios do agroneg\u00f3cio. As declara\u00e7\u00f5es dos petistas polu\u00edram os programas de TV, que serviram para Lula e Dilma veicularem a fal\u00e1cia de que est\u00e3o erradicando a pobreza no Brasil. A marca PSOL foi retirada das pe\u00e7as de propaganda, substitu\u00edda pela frase \u201cO PT de Dilma e Lula, agora \u00e9 50\u201d.<\/p>\n<p>8-\tAlegar que se tratou apenas de um, compreens\u00edvel e natural, apoio do candidato derrotado do PT \u00e9 uma ofensa \u00e0 nossa capacidade de percep\u00e7\u00e3o da realidade. O que houve em Bel\u00e9m n\u00e3o foi apenas um rebaixamento de nosso programa, foi a substitui\u00e7\u00e3o deste pelo programa petista. A fala de Lula exemplifica bem isso. Ele usou o tempo do PSOL para fazer a sua falsa autopropaganda. A maior parte de seu tempo foi para mentir ao povo dizendo que reduziu a pobreza e as desigualdades sociais. Dilma chamou Edmilson de \u201cparceiro\u201d. Mas o mais grave \u00e9 que nosso candidato se orgulhou diariamente desse apoio e dessa parceria. Reafirmou que seu governo seria beneficiado pelo fato de ser \u201camigo\u201d de Lula e da Dilma, refor\u00e7ando o falso e pernicioso argumento fisiol\u00f3gico usado \u00e0 exaust\u00e3o pelos partidos de direita. Chegou ao ponto de fazer uma \u201cpegadinha\u201d no debate de TV, perguntando ao tucano qual era a maior uni\u00e3o dele. O tucano ent\u00e3o disse: \u201cminha uni\u00e3o \u00e9 com o povo\u201d. Edmilson retrucou afirmando: \u201ca maior alian\u00e7a \u00e9 a minha, que \u00e9 com o governo federal\u201d.<\/p>\n<p>9-\tEsse fisiologismo afastou importantes segmentos que sempre nos identificaram como \u201coposi\u00e7\u00e3o de esquerda e program\u00e1tica ao governo federal\u201d. Os 7 anos que passamos construindo o PSOL foram indelevelmente arranhados nessa campanha eleitoral. Muitos deixaram de votar em Edmilson no 2\u00ba turno. Ademais, e pior, \u00e9 que muitos que votaram no Edmilson j\u00e1 identificam o PSOL como um partido como outro qualquer, que se alia a quem quer que seja para ganhar as elei\u00e7\u00f5es. O tradicional slogan de \u201cnovo partido contra a velha pol\u00edtica\u201d foi profundamente manchado pelas pr\u00e1ticas e pol\u00edticas eleitoreiras assumidas pela coordena\u00e7\u00e3o da campanha do companheiro Edmilson.<\/p>\n<p>10-\t O balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es em Bel\u00e9m \u00e9 amplamente contradit\u00f3rio. Tivemos importantes vit\u00f3rias pol\u00edticas e eleitorais, mas tivemos tamb\u00e9m uma ineg\u00e1vel derrota eleitoral e pol\u00edtica. O estrangulamento da democracia interna do PSOL e a capitula\u00e7\u00e3o ao lulo-petismo s\u00e3o feridas que dif\u00edceis de sarar. Apesar disso, continuamos confiantes na constru\u00e7\u00e3o do PSOL como um partido socialista, de lutas, democr\u00e1tico e de massas. O ano de 2013 ser\u00e1 um ano de enormes desafios. <\/p>\n<p>11-\tTemos certeza que, com as diversas vit\u00f3rias obtidas e com a corre\u00e7\u00e3o dessa linha equivocada, saberemos avan\u00e7ar firmes na constitui\u00e7\u00e3o de uma oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao governo de Zenaldo Coutinho. Tanto na C\u00e2mara Municipal de Bel\u00e9m, com nossa bancada, quanto nos movimentos sociais estaremos, como sempre estivemos, defendendo os interesses imediatos e hist\u00f3ricos de nosso povo. O capital pol\u00edtico acumulado nos \u00faltimos anos e nesta elei\u00e7\u00e3o nos credencia como principal for\u00e7a da esquerda paraense.<\/p>\n<p>12-\tCom base no que foi exposto o Diret\u00f3rio Nacional do PSOL repudia a capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica do \u201cvale tudo\u201d eleitoral que levou a coordena\u00e7\u00e3o de campanha em Bel\u00e9m a, em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com os princ\u00edpios partid\u00e1rios, ignorar as inst\u00e2ncias do partido e veicular no programa eleitoral o apoio de Lula, Dilma e toda a c\u00fapula petista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 1 e 2 de dezembro de 2012 | APS, ENLACE, MES, CST, TLS, LSR e CSOL\/Debate Socialista 1- RESOLU\u00c7\u00c3O SOBRE BALAN\u00c7O DAS ELEI\u00c7\u00d5ES E AS TAREFAS DO PSOL Nas elei\u00e7\u00f5es municipais, o PSOL conquistou uma vit\u00f3ria pol\u00edtica indiscut\u00edvel. Apresentando-se pela esquerda, o partido<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-250","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=250"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}