

	{"id":256,"date":"2013-01-31T16:13:00","date_gmt":"2013-01-31T16:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2013\/01\/31\/arquivoid-9280\/"},"modified":"2013-01-31T16:13:00","modified_gmt":"2013-01-31T16:13:00","slug":"arquivoid-9280","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2013\/01\/31\/arquivoid-9280\/","title":{"rendered":"Fora o imperialismo franc\u00eas de Mali!"},"content":{"rendered":"<p>| UIT-QI<\/p>\n<p>Desde os primeiros dias de janeiro, o governo &quot;Socialista&quot; da Fran\u00e7a, encabe\u00e7ado por Fran\u00e7ois Hollande, tem enviado tropas \u00e0 Mali, na \u00c1frica, em nome da &quot;defesa dos direitos humanos&quot; e contra &quot;os grupos terroristas&quot;. Estes falsos argumentos &quot;humanit\u00e1rios&quot; somente escondem uma nova interven\u00e7\u00e3o imperialista para defender os interesses das multinacionais francesas em Mali e na regi\u00e3o. Na realidade, o governo franc\u00eas teve que intervir militarmente na sua ex-col\u00f4nia frente ao colapso do governo pr\u00f3-franc\u00eas de Toumani Tour\u00e9 e do ex\u00e9rcito de Mali, que est\u00e1 se dissolvendo, fruto de uma rebeli\u00e3o popular armada que h\u00e1 mais de um ano controla a metade do pa\u00eds, a regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o francesa tem a aprova\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e da UE. Ainda que o peso da interven\u00e7\u00e3o seja da Fran\u00e7a, os Estados Unidos ofereceram seus avi\u00f5es n\u00e3o-tripulados, Dinamarca, Gr\u00e3-Bretanha, Espanha e Canad\u00e1 contribu\u00edram com meios de transporte. <\/p>\n<p>Para dar uma mascara &quot;multinacional&quot; \u00e0 interven\u00e7\u00e3o imperialista, formou-se a Miss\u00e3o Internacional de Apoio \u00e0 Mali (MISMA), pela qual tropas de pa\u00edses africanos acompanhariam os 4 mil soldados franceses. Chad enviaria uma tropa de 2 mil soldados, Nig\u00e9ria uns 900 e outras centenas mais de Togo, N\u00edger, Senegal, Brukina Faso, Benin, Gana e Guin\u00e9. <\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o dos povos do Norte de Mali<\/p>\n<p>Mali \u00e9 um dos pa\u00edses mais pobres do mundo. Converteu-se em col\u00f4nia francesa em 1898. Em 1960, conquistou sua independ\u00eancia. Desde ent\u00e3o, teve governos ditatoriais e civis que foram pactuando com as multinacionais e o FMI, levando o pa\u00eds a um desastre econ\u00f4mico e social. Com 15,5 milh\u00f5es de habitantes, Mali ocupa o posto 75\u00ba no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano; a expectativa de vida \u00e9 de 51,4 anos; 65% do seu territ\u00f3rio \u00e9 des\u00e9rtico ou semi-des\u00e9rtico; e o PIB percapita ocupa o 160\u00ba lugar dentre 181 pa\u00edses (dados do El Pa\u00eds, 20\/1\/13). 90% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>Desde os anos 80 se sucedem revoltas sociais e reclama\u00e7\u00f5es dos diversos povos e nacionalidades da regi\u00e3o que sempre foram divididos pelo imperialismo para favorecer o saque das riquezas naturais. H\u00e1 d\u00e9cadas surgiu no norte do pa\u00eds uma rebeli\u00e3o dos tuaregs de Mali, um povo semin\u00f4made que habita, historicamente, uma zona que abarca territ\u00f3rios de Mali, N\u00edger, Arg\u00e9lia, L\u00edbia, Chad, Burkina Fasso e Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>O povo tuareg tem forte presen\u00e7a no norte de Mali, regi\u00e3o denominada Azawad que abarca 2\/3 do pa\u00eds; uma regi\u00e3o de 830.000km\u00b2, mas escassamente habitada com 1.500.000 pessoas, pela grande presen\u00e7a do Deserto do Saara. Esta regi\u00e3o foi sendo esquecida pelos distintos governo de Mali que se concentram em explorar as riquezas minerais e o algod\u00e3o, aliados \u00e0s multinacionais imperialistas, em especial, francesas.<\/p>\n<p>Desde 2011, em meio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe do Magreb, os tuaregs se rebelaram, encabe\u00e7ados pelo Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional de Azawad (MNLA) que \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o laica tuareg que luta pela independ\u00eancia de Azawad. Em maio de 2012, declararam sua independ\u00eancia e ningu\u00e9m a reconheceu. A partir da queda de Kadaki, os tuaregs l\u00edbios que eram combatentes de seu ex\u00e9rcito, foram pro Norte de Mali com armas e ve\u00edculos equipados com metralhadoras e se somaram aos rebeldes. A eles se somaram outros grupos armados isl\u00e2micos como o Grupo Salafista para la Predicaci\u00f3n y el Combate (GSPC), que fez parte da origem da Al-Qaeda no Magreb isl\u00e2mico, entre outros.<\/p>\n<p>Em janeiro, o MNLA lan\u00e7ou uma ofensiva tomando as cidades de Tombuctu e Gao, at\u00e9 o centro do pa\u00eds, chegando a controlar por uns dias a cidade de Konna, colocando-se a 530km de Bamako, a capital de Mali. Com o ex\u00e9rcito governamental em debanda e derrotado, o imperialismo franc\u00eas n\u00e3o teve outra alternativa sen\u00e3o intervir.<\/p>\n<p>Os rebeldes abandonaram Konna, mas a guerra civil continua e pode se estender com grandes custos pol\u00edticos e militares para o imperialismo franc\u00eas e seus aliados.<\/p>\n<p>Fran\u00e7a invade para defender os interesses de suas multinacionais na regi\u00e3o<\/p>\n<p>Hollande n\u00e3o pode esconder que suas tropas, com apoio da ONU, v\u00e3o proteger os interesses das empresas francesas n\u00e3o s\u00f3 em Mali, mas tamb\u00e9m em toda essa regi\u00e3o africana que poderia se desestabilizar totalmente se triunfa a rebeli\u00e3o do povo tuareg. Em especial a gigante nuclear Areva, instalada no pa\u00eds vizinho N\u00edger, que extrai ur\u00e2nio barato para as centrais francesas.<\/p>\n<p>A crise da d\u00edvida nos anos 80 teve um impacto desastroso para Mali, que deu lugar \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o massiva das empresas em benef\u00edcio de multinacionais na vanguarda das quais est\u00e3o as francesas. A ferrovia foi vendida a uma empresa canadense por quase nada. A distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica passou ao controle da francesa Bouygues, que tamb\u00e9m est\u00e1 presente na minera\u00e7\u00e3o, como a mina de ouro de Morila. A Companhia de Desenvolvimento T\u00eaxtil de Mali, que geria o setor de algod\u00e3o foi vendida parcialmente ao grupo Dagris. A oficina de N\u00edger, que gerenciava a terra cultiv\u00e1vel da Bacia do rio N\u00edger, converteu-se num promotor da grilagem de terras. A isto se soma a presen\u00e7a de multinacionais como Delmas e Bollor\u00e9 com armaz\u00e9ns de 100.000 m\u00b2 para o armazenamento de algod\u00e3o.<\/p>\n<p>Fora a interven\u00e7\u00e3o imperialista francesa e da ONU em Mali! Pelo direito \u00e0 independ\u00eancia nacional do povo taureg!<\/p>\n<p>Recha\u00e7amos toda a argumenta\u00e7\u00e3o do presidente &quot;socialista&quot; Hollande, em defesa dos &quot;direitos humanos&quot; e de condena\u00e7\u00e3o ao &quot;terrorismo&quot; como pretexto \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar francesa. Trata-se de outra interven\u00e7\u00e3o imperialista que busca seguir saqueando os povos do mundo e em especial de Mali e dessa regi\u00e3o africana.<\/p>\n<p>Por outro lado, o governo de Hollande n\u00e3o tem d\u00favidas em gastar milh\u00f5es de euros para sustentar essa interven\u00e7\u00e3o militar imperialista enquanto segue aplicando os ajustes aos trabalhadores e povo da Fran\u00e7a, tentando com que a crise seja paga pelo povo. Chamamos os trabalhadores, a juventude e os setores populares da Fran\u00e7a a se mobilizar para repudiar esta interven\u00e7\u00e3o militar e exigir a imediata retirada das tropas da Fran\u00e7a e da ONU do Mali e de toda \u00c1frica.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das diferen\u00e7as pol\u00edticas que possamos ter com o MNLA e dos grupos isl\u00e2micos que encabe\u00e7am os rebeldes, apoiamos a luta do povo tuareg pelo direito ao reconhecimento da independ\u00eancia de Azawad.<\/p>\n<p>Nos somamos as vozes no mundo que repudiam \u00e0 interven\u00e7\u00e3o imperialista no Mali e chamamos a fazer todo tipo de a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria internacional com a luta do povo Mali contra esta invas\u00e3o. <\/p>\n<p>Unidade Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI)<br \/>\n24 de janeiro de 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| UIT-QI Desde os primeiros dias de janeiro, o governo &quot;Socialista&quot; da Fran\u00e7a, encabe\u00e7ado por Fran\u00e7ois Hollande, tem enviado tropas \u00e0 Mali, na \u00c1frica, em nome da &quot;defesa dos direitos humanos&quot; e contra &quot;os grupos terroristas&quot;. Estes falsos argumentos &quot;humanit\u00e1rios&quot; somente escondem uma nova interven\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}