

	{"id":2766,"date":"2017-10-07T17:56:12","date_gmt":"2017-10-07T17:56:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=2766"},"modified":"2017-10-07T21:08:54","modified_gmt":"2017-10-07T21:08:54","slug":"cresce-a-luta-operaria-e-popular-pela-independencia-da-catalunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2017\/10\/07\/cresce-a-luta-operaria-e-popular-pela-independencia-da-catalunha\/","title":{"rendered":"Cresce a luta oper\u00e1ria e popular pela independ\u00eancia da Catalunha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Sim\u00f3n Rodr\u00edguez<\/p>\n<p>Come\u00e7a a desmoronar o \u201cc\u00e1rcere dos povos\u201d constitu\u00eddo pelo velho Estado espanhol herdeiro do franquismo. A mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo catal\u00e3o garantiu o formid\u00e1vel triunfo do referendo independentista, e uma greve geral com alt\u00edssima ades\u00e3o popular foi o contra-ataque diante da repress\u00e3o ordenada por Rajoy. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para \u201cmedia\u00e7\u00f5es\u201d. O \u00fanico caminho \u00e9 continuar com a mobiliza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Os herdeiros do franquismo, encabe\u00e7ados por Rajoy, inicialmente alegaram que o referendo independentista n\u00e3o tinha validade legal. Em seguida, amea\u00e7aram usar a for\u00e7a para impedir a realiza\u00e7\u00e3o da consulta. Suspenderam de fato a autonomia catal\u00e3, proibiram manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade em todo o territ\u00f3rio do Estado espanhol, confiscaram material eleitoral e at\u00e9 asseguraram que n\u00e3o haveria vota\u00e7\u00e3o. Aliados ao Estado, os meios de comunica\u00e7\u00e3o qualificaram os independentistas como \u201cgolpistas\u201d. Por fim, cortaram o acesso \u00e0 internet nos centros de vota\u00e7\u00e3o e lan\u00e7aram contra a popula\u00e7\u00e3o dez mil policiais e guardas civis, deixando mais de 800 feridos. Mas a mobiliza\u00e7\u00e3o popular se imp\u00f4s e, de forma muito mais contundente do que qualquer vota\u00e7\u00e3o, demonstrou que est\u00e1 determinada a se separar do regime mon\u00e1rquico espanhol. Milhares de pessoas ocuparam desde a v\u00e9spera os centros de vota\u00e7\u00e3o e enfrentaram a investida brutal dos policiais, que ficaram \u00e0 vontade para agredir indiscriminadamente a popula\u00e7\u00e3o com cassetetes e balas de borracha. Muitos votantes, depois de passar pela urna, formavam espontaneamente concentra\u00e7\u00f5es de centenas de pessoas para protegerem as escolas onde se realizavam as vota\u00e7\u00f5es. Apesar de a repress\u00e3o ter clausurado mais de trezentos centros de vota\u00e7\u00e3o, foram contabilizados ao todo mais de 2,2 milh\u00f5es de votos, dos quais 90,1 por cento a favor de uma rep\u00fablica catal\u00e3 independente. Um verdadeiro triunfo popular.<\/p>\n<p>\u00c0 exce\u00e7\u00e3o dos partid\u00e1rios do regime semi-franquista, que incitavam a pol\u00edcia e o governo, o mundo inteiro se indignou diante das vergonhosas cenas protagonizadas por esbirros que golpeavam a pontap\u00e9s e disparavam contra jovens, mulheres e pessoas de idade avan\u00e7ada. Rajoy justificou-se dizendo que no dia 1 de outubro \u201cfez o que tinha que ser feito\u201d. Ainda mais \u00e0 direita, Albert Rivera, do partido Cidad\u00e3os, lamentou as \u201cagress\u00f5es contra policiais\u201d e criticou Rajoy por mostrar vacila\u00e7\u00e3o e confiar demasiado na disciplina dos Mossos d\u2019Esquadra, a pol\u00edcia catal\u00e3.<\/p>\n<p>Na noite de 3 de outubro, O rei Felipe VI pronunciou um discurso em que atacou as autoridades catal\u00e3s e defendeu a \u201cunidade da Espanha\u201d. O PP oficialista, o PSOE e Cidad\u00e3os alinharam-se com o monarca, embora o PSOE pedisse uma mo\u00e7\u00e3o de censura contra Soraya S\u00e1enz de Santamar\u00eda, vice-presidente e ministra do governo. Rajoy carece de apoio parlamentar para aplicar o artigo 155 da Constitui\u00e7\u00e3o (datada de 1978), que permitiria submeter a Catalunha rebelde com o emprego de for\u00e7a militar.<br \/>\nO partido Podemos, dirigido por Pablo Iglesias, busca sacrificar Rajoy para salvar o regime e considera o referendo como n\u00e3o vinculante, exigindo que o PSOE leve adiante uma mo\u00e7\u00e3o de censura contra Rajoy para impedir a independ\u00eancia catal\u00e3 e promover um referendo pactuado com Madri. O chefe do governo catal\u00e3o, Puigdemont, e a prefeita de Barcelona, Ada Colau, apostam na media\u00e7\u00e3o da reacion\u00e1ria Uni\u00e3o Europeia. O que est\u00e1 em curso, segundo advertem os companheiros de Luta Internacionalista (UIT-CI), \u00e9 uma \u201ctentativa de repetir a trai\u00e7\u00e3o praticada pelo partido Syriza quando o povo grego disse \u2018n\u00e3o\u2019 e Tsipras correu para negociar com a UE\u201d. Enquanto isto, continuava a contagem regressiva para a independ\u00eancia, prometida para 4 de outubro em caso de vit\u00f3ria do referendo.<\/p>\n<p>A greve geral aponta o caminho<\/p>\n<p>Em rep\u00fadio \u00e0 repress\u00e3o e para garantir a independ\u00eancia, a esquerda e os sindicatos CGT, COS, Intersindical-CSC e IAC convocaram uma greve geral para o dia 3 de outubro, quando j\u00e1 alguns setores, como os trabalhadores portu\u00e1rios, vinham boicotando os efetivos policiais e as embarca\u00e7\u00f5es que os transportavam. Em v\u00e1rios centros de vota\u00e7\u00e3o os bombeiros catal\u00e3es se colocaram na defesa dos votantes contra a repress\u00e3o. Ante a for\u00e7a da convocat\u00f3ria, as burocracias sindicais da UGT e CC.OO pactuaram com os patr\u00f5es e o governo catal\u00e3o uma \u201cgreve de pa\u00eds\u201d, dividindo as convocat\u00f3rias e buscando atenuar a radicalidade da greve geral.<\/p>\n<p>A jornada de 3 de outubro demonstrou novamente o poder dos trabalhadores e setores populares. Dezenas de ruas e avenidas foram fechadas. Mais de 700.000 pessoas participaram de concentra\u00e7\u00f5es em Barcelona, 60.000 em Gerona, 45.000 em Lleida e 30.000 em Tarragona, encurralando os membros da pol\u00edcia nacional e da guarda civil enviados por Madri, muitos dos quais foram expulsos dos hot\u00e9is onde se alojavam.<\/p>\n<p>A luta pela independ\u00eancia da Catalunha est\u00e1 aberta. Mais do que nunca \u00e9 necess\u00e1rio redobrar a mobiliza\u00e7\u00e3o e fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma dos setores em luta. Para enfrentar o regime, \u00e9 crucial tamb\u00e9m a solidariedade e a uni\u00e3o dos trabalhadores e da juventude em todo o Estado espanhol. Um exemplo a seguir s\u00e3o as mobiliza\u00e7\u00f5es que, em setembro, reuniram mais de 30.000 pessoas no Pa\u00eds Basco para apoiar o direito dos catal\u00e3es de decidir o pr\u00f3prio destino. A causa do povo catal\u00e3o \u00e9 parte de uma luta comum contra a repress\u00e3o, os ajustes e o regime pactuado com o franquismo em 1978. Para os socialistas revolucion\u00e1rios, a solu\u00e7\u00e3o de fundo, que inclui o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o nacional e a emancipa\u00e7\u00e3o social, \u00e9 uma federa\u00e7\u00e3o socialista das rep\u00fablicas da pen\u00ednsula ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>Depois do \u00eaxito da greve de ter\u00e7a-feira, os trabalhadores, a juventude e o povo da Catalunha n\u00e3o podem depositar confian\u00e7a no governo patronal catal\u00e3o de Puigdemont nem em nenhuma \u201cmedia\u00e7\u00e3o\u201d com o regime de Rajoy e a monarquia. A \u00fanica garantia de triunfo est\u00e1 em dar continuidade \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular revolucion\u00e1ria e a medidas como a prepara\u00e7\u00e3o de uma nova greve geral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Come\u00e7a a desmoronar o \u201cc\u00e1rcere dos povos\u201d constitu\u00eddo pelo velho Estado espanhol herdeiro do franquismo. 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