

	{"id":2942,"date":"2017-12-10T15:34:04","date_gmt":"2017-12-10T15:34:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=2942"},"modified":"2017-12-11T01:41:23","modified_gmt":"2017-12-11T01:41:23","slug":"viagem-a-palestina-um-povo-vivendo-no-apartheid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2017\/12\/10\/viagem-a-palestina-um-povo-vivendo-no-apartheid\/","title":{"rendered":"Viagem \u00e0 Palestina: um povo vivendo no\u00a0Apartheid"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Por <em><a href=\"http:\/\/lauraendamarrone.blogspot.com.br\/?m=1\">Laura Marrone &#8211; Izquierda Socialista<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p><em>Convidada pela Embaixada em Buenos Aires, Laura Marrone visitou a Palestina entre 17 e 21 de novembro. Recebida pela Autoridade Palestina, teve a oportunidade de ver de perto o que vive esse povo com a pol\u00edtica colonizadora de Israel e confessa que nunca imaginou o que realmente est\u00e1 acontecendo.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><b>Prisioneiros em sua pr\u00f3pria terra\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Desde a derrota da Segunda Intifada em 2.000, os palestinos vivem literalmente como numa pris\u00e3o dentro do seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio ocupado pelas tropas\u00a0 invasoras\u00a0israelenses, que controlam a vida desse povo e\u00a0imp\u00f5em um aut\u00eantico regime de apartheid. Com a separa\u00e7\u00e3o entre Gaza e a\u00a0Cisjord\u00e2nia, a Palestina\u00a0n\u00e3o tem uma continuidade territorial, embora pelos acordos de Oslo deveriam estar ligadas por uma rodovia. Para agravar esta situa\u00e7\u00e3o, Israel construiu muros que cortam ao meio cidades como Hebron, Bel\u00e9m, Qalquilia, onde os muros impedem o acesso a terras logo ocupadas por\u00a0colonos de v\u00e1rias partes do mundo, atra\u00eddos\u00a0pelo governo israelense.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2949 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/palestina-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/palestina-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/palestina-768x478.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/palestina.jpg 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/palestina-600x373.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/palestina-50x31.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Nas ruas tortuosas, os in\u00fameros\u00a0postos de controle e as torres de vigil\u00e2ncia s\u00e3o um permanente aviso aos cidad\u00e3os de que seus passos podem ser interrompidos de forma definitiva. As pessoas s\u00e3o diariamente submetidas a controles\u00a0que podem durar horas e atrasam a ida ao trabalho, \u00e0 escola ou at\u00e9 a\u00a0um hospital. Os soldados, muitos deles ainda jovens, t\u00eam direitos de vida e morte sobre os palestinos, podendo qualquer movimento considerado suspeito provocar disparos que, mesmo quando causam morte, n\u00e3o levam a nenhum inqu\u00e9rito ou julgamento.\u00a0 O prefeito de Hebron, Taysser Seineneh, que passou 20 anos na pris\u00e3o, comenta com uma mistura de raiva e indigna\u00e7\u00e3o que as tropas israelenses controlam a vida dos habitantes inclusive dentro das pr\u00f3prias cidades, e n\u00e3o s\u00f3 fora delas. Pude comprovar isto ao presenciar como um adolescente \u00e1rabe era detido sob amea\u00e7a de metralhadora enquanto um jovem militar israelense revirava sua mochila sem o menor cuidado com os objetos. Vendo aquilo, suspirei e ele tamb\u00e9m, levantando\u00a0os olhos ao c\u00e9u diante da\u00a0humilha\u00e7\u00e3o e sabendo que qualquer gesto de rebeldia podia lhe\u00a0custar a vida. Vi tamb\u00e9m como\u00a0dois adolescentes civis israelenses caminhavam rindo\u00a0acintosamente, armados de metralhadoras, entre as pessoas que faziam suas compras\u00a0no mercado da Cidade Velha\u00a0de Hebr\u00f3n, a poucos metros de um grupo de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0Abdullah Abdullah, do Conselho Legislativo Palestino e membro hist\u00f3rico do Fatah, os militares israelenses podem fazer deten\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias sem ordem judicial, e h\u00e1\u00a0mais de 6.000 presos\u00a0 nos c\u00e1rceres israelenses, dos quais 450 s\u00e3o menores de 12 anos. Uma legisladora da esquerda palestina est\u00e1 na pris\u00e3o pelo \u00fanico motivo de ter participado da campanha pela liberdade dos presos.<\/p>\n<p>Israel controla a \u00e1gua, a eletricidade e o com\u00e9rcio da Palestina. Somente fornece \u00e1gua aos palestinos quatro dias por semana, e o consumo permitido a\u00a0cada palestino \u00e9 seis vezes inferior ao de um israelense.<\/p>\n<p><b>Jerusal\u00e9m, cidade fraturada<\/b><\/p>\n<p>Ir a Jerusal\u00e9m,sua capital religiosa, \u00e9 quase imposs\u00edvel para um palestino da Cisjord\u00e2nia. Em Jerusal\u00e9m est\u00e3o\u00a0os principais centros de tr\u00eas religi\u00f4es: o Santo Sepulcro para os crist\u00e3os, a Mesquita de Lazca para os mu\u00e7ulmanos e o Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es para os judeus. Quando se realizaram os acordos de Oslo em 1993, Jerusal\u00e9m ficou dividida em duas, a parte oriental para os palestinos e a ocidental para os israelenses. No entanto, hoje Israel controla toda a cidade. Em Jerusal\u00e9m Leste levantou um muro que n\u00e3o tem outra explica\u00e7\u00e3o sen\u00e3o\u00a0um plano de estender\u00a0futuramente a coloniza\u00e7\u00e3o israelense.<\/p>\n<p>S\u00f3 pude visitar Jerusal\u00e9m porque tive a companhia de um palestino que vive na cidade com identidade israelense. Mas os que estavam comigo na\u00a0Cisjord\u00e2nia n\u00e3o puderam ir. Alguns deles n\u00e3o podem\u00a0pisar em Jerusal\u00e9m h\u00e1 mais de vinte anos, embora vivendo a apenas 10 minutos dessa cidade. Eu pude realizar um sonho que a eles continua sendo negado.<\/p>\n<p><b>Gaza sofre o pior apartheid<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o pude visitar Gaza. Segundo a Dra Najat al Astal, do col\u00e9gio de\u00a0legisladores\u00a0 da cidade, nesse territ\u00f3rio\u00a0o apartheid \u00e9 total. Em 2014, durante o \u00faltimo ataque a\u00e9reo de Israel, choveram 100 toneladas de explosivos, destruindo metade das casas, o aeroporto e a usina de energia el\u00e9trica. S\u00f3 h\u00e1 eletricidade durante quatro horas por dia. Espremida junto ao mar, a cidade\u00a0n\u00e3o t\u00eam sa\u00edda para o Leste e as fronteiras com Egito e Cisjord\u00e2nia est\u00e3o fechadas h\u00e1 anos. Recentemente foi aberta uma passagem para o Egito, mas o\u00a0tr\u00e2nsito permitido \u00e9 muito restrito. Najat, que \u00e9 especialista em sa\u00fade p\u00fablica, afirma que\u00a0 na sua localidade n\u00e3o h\u00e1 servi\u00e7os m\u00e9dicos especializados e que muitas crian\u00e7as sofrem de c\u00e2ncer por causa do estresse causado pela situa\u00e7\u00e3o. Os palestinos est\u00e3o\u00a0convencidos de que Israel quer que todos eles partam. Com isto, Israel espera tomar posse\u00a0desse territ\u00f3rio de 42 qul\u00f4metros quadrados, onde vivem hoje mais de um milh\u00e3o de pessoas, em geral descendentes dos refugiados de 1948.<\/p>\n<p><strong>O compromisso internacional<\/strong><\/p>\n<p>Tanto ao entrar como ao sair da Cisjord\u00e2nia, o pessoal israelense de fronteira me interrogou sobre o motivo da minha viagem, que pessoas encontraria, onde ficaria alojada e outros porqu\u00eas. Ibrahim,o diretor de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Autoridade Palestina que me acompanhou durante toda a viagem, comentou com um suspiro: &#8220;As guerras duram alguns anos e terminam. Mas esta ocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 dura 70 anos. Nosso povo sofre diariamente. Apesar de tudo, nossa juventude tem orgulho, e continuaremos a lutar at\u00e9 sermos livres. Estamos muito sozinhos. A comunidade internacional tem que nos ajudar&#8221;.<\/p>\n<p>Ah, amigos! Esse povo tocou o nosso cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos deix\u00e1-los sozinhos.<\/p>\n<p><b>Por um s\u00f3 Estado palestino, laico, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2951 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/unnamed-300x128.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"128\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/unnamed-300x128.png 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/unnamed-50x21.png 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/unnamed.png 586w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/b><\/p>\n<p>Os palestinos s\u00e3o cerca de dez milh\u00f5es, dos quais quatro milh\u00f5es e meio distribu\u00eddos entre Cisjord\u00e2nia e Gaza, mais de um milh\u00e3o e meio em Israel e cerca de dois milh\u00f5es na Jord\u00e2nia e outros pa\u00edses da regi\u00e3o. Em 1948, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, as pot\u00eancias imperialistas do Ocidente apoiaram a expuls\u00e3o dos palestinos de parte das suas terras\u00a0 para encravar nelas o Estado de Israel. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, os palestinos sofreram novos deslocamentos com a ocupa\u00e7\u00e3o israelense das colinas do Golam, parte de Jerusal\u00e9m e da Cisjord\u00e2nia e a pen\u00ednsula do Sinai. Nesse mesmo ano, a Resolu\u00e7\u00e3o 242 das Na\u00e7\u00f5es Unidas determinou que Israel devolvesse\u00a0os territ\u00f3rios ocupados, o que o Estado judeu\u00a0s\u00f3 cumpriu em parte. Nos acordos de Oslo de 1993, estabeleceram-se os limites que supostamente deveriam permitir aos palestinos ocupar 22 por cento de seu territ\u00f3rio original em Gaza e Cisjord\u00e2nia, sob a administra\u00e7\u00e3o da Autoridade Palestina escolhida em processo eletivo. Os acordos deram a Israel o poder de controlar militarmente as fronteiras. A experi\u00eancia de todos esses anos demonstrou a inviabilidade da chamada pol\u00edtica de &#8220;dois Estados&#8221;. Mais do que nunca, continua vigente a hist\u00f3rica palavra de ordem de &#8220;um s\u00f3 Estado palestino, laico, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista&#8221;<\/p>\n<p><b>100 anos da Declara\u00e7\u00e3o Balfour<\/b><\/p>\n<p>Em 2017 completou 100 anos a Declara\u00e7\u00e3o Balfour, pela qual o Reino Unido se declarou favor\u00e1vel \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de &#8220;um lar nacional judeu&#8221; no territ\u00f3rio palestino sob tutela brit\u00e2nica. Dirigida a Lord Rotschild, o banqueiro l\u00edder da comunidade judaica na Gr\u00e3-Bretanha, para que fosse transmitida \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Sionista da Gr\u00e3-Bretanha e Irlanda, a declara\u00e7\u00e3o deu in\u00edcio \u00e0 legitima\u00e7\u00e3o pelas pot\u00eancias estrangeiras do que seria o ataque do sionismo colonialista ao povo palestino. Assim come\u00e7ou o conflito sobre um territ\u00f3rio onde, durante s\u00e9culos, conviveram pacificamente judeus, \u00e1rabes e crist\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Laura Marrone &#8211; Izquierda Socialista Convidada pela Embaixada em Buenos Aires, Laura Marrone visitou a Palestina entre 17 e 21 de novembro. 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