

	{"id":2956,"date":"2017-12-12T00:24:11","date_gmt":"2017-12-12T00:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=2956"},"modified":"2017-12-12T00:24:11","modified_gmt":"2017-12-12T00:24:11","slug":"catalunha-entre-a-proclamacao-da-republica-catala-e-as-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2017\/12\/12\/catalunha-entre-a-proclamacao-da-republica-catala-e-as-eleicoes\/","title":{"rendered":"Catalunha: entre a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Catal\u00e3 e as elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><i>Por Cristina Mas e Josep Lluis del Alc\u00e1zar \u2013 Luta Internacionalista \u2013 Estado Espanhol<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No dia 27\/10 foi proclamada a Rep\u00fablica Catal\u00e3 na sede do Parlamento. Horas depois, o Senado espanhol decretava a dissolu\u00e7\u00e3o do Parlamento e do\u00a0governo catal\u00e3o\u00a0e aplicava o artigo 155 da Constitui\u00e7\u00e3o contra o projeto\u00a0de autonomia. As tr\u00eas semanas, entre o referendo de 1\u00ba de outubro e as continuas hesita\u00e7\u00f5es do governo burgu\u00eas catal\u00e3o, foram determinantes para permitir ao regime espanhol retomar a iniciativa e colocar em uso todo o seu aparelho judicial e policial.<\/p>\n<p><b>O movimento popular imp\u00f5e o referendo e a Rep\u00fablica<\/b><\/p>\n<p>O referendo foi um triunfo da mobiliza\u00e7\u00e3o popular diante do governo Rajoy, que afirmou que n\u00e3o haveria vota\u00e7\u00e3o, destacando milhares de policiais e a Guarda Civil para confiscar as urnas e c\u00e9dulas de voto, ao mesmo tempo em que instaurava v\u00e1rios processos, inclusive contra mais de 700 prefeitos. Mas o 1\u00ba de outubro representou tamb\u00e9m um triunfo popular sobre a burguesia catal\u00e3. De acordo com instru\u00e7\u00f5es provenientes das mesas de voto, n\u00e3o se deveria opor resist\u00eancia.\u00a0O plano do governo era se salvar,\u00a0contando poder\u00a0alegar que a repress\u00e3o impedira a consulta e que\u00a0a \u00fanica sa\u00edda seria convocar novas elei\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas.<\/p>\n<p>Mas, o movimento popular tornou poss\u00edvel uma vota\u00e7\u00e3o massiva. Os chamados CDR (Comit\u00eas de defesa do referendo) organizaram milhares de pessoas para a defesa das zonas eleitorais, com ocupa\u00e7\u00f5es de escolas desde a sexta-feira, impedindo seu fechamento. O referendo foi realizado com os centros de vota\u00e7\u00e3o e as urnas sob prote\u00e7\u00e3o. Apesar da repress\u00e3o policial, que deixou mais de mil feridos, foram contabilizados mais de 2,3 milh\u00f5es de votos. E a repress\u00e3o levantou uma onda de solidariedade, com manifesta\u00e7\u00f5es em Madrid, Bilbao e outras cidades do Estado Espanhol.<\/p>\n<p>Ainda assim o movimento continuou e se fortaleceu, obrigando\u00a0a pol\u00edcia a se retirar dos hot\u00e9is onde se hospedava. Foi determinante a greve geral de 03\/10 contra a repress\u00e3o, da qual participaram diversos setores de trabalhadores junto a uma jornada de mobiliza\u00e7\u00f5es sem precedentes na Catalunha, quando as dire\u00e7\u00f5es sindicais foram superadas pelo sindicalismo de esquerda que convocou a greve. Esta nova din\u00e2mica, que garantia a luta pela Rep\u00fablica e o peso dos setores populares nesse processo, fez tremer a burguesia catal\u00e3. Mas, o governo catal\u00e3o atrasou a publica\u00e7\u00e3o dos resultados at\u00e9 o dia 10 e deixou &#8220;em suspenso&#8221; a declara\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. N\u00f3s, da Luta Internacionalista, exig\u00edamos que essa proclama\u00e7\u00e3o ocorresse imediatamente.<\/p>\n<p>Isto permitiu ao Estado Espanhol retomar a iniciativa. No dia 4, o rei avalizou a repress\u00e3o em defesa da unidade da Espanha. Manifesta\u00e7\u00f5es se organizaram em apoio ao rei, \u00e0 pol\u00edcia e \u00e0 guarda civil, com a extrema direita aparecendo com suas bandeiras e agredindo impunemente os atos de solidariedade com a Catalunha. A 16 de outubro, o estado espanhol prendeu os dirigentes independentistas da Assembleia Nacional Catal\u00e3 (ANC) e Omnium Cultural. Houve uma nova\u00a0manifesta\u00e7\u00e3o multitudin\u00e1ria em Barcelona para exigir sua liberta\u00e7\u00e3o, mas a Rep\u00fablica continuava em compasso de espera. Para encontrar uma base legal para a interven\u00e7\u00e3o,\u00a0Rajoy pactua com os partidos Cidad\u00e3os e PSOE a aplica\u00e7\u00e3o do artigo 155. A grande patronal catal\u00e3, de acordo com o governo de Rajoy, retira da Catalunha as sedes de quase 2.000 empresas. No mesmo dia 27, Puigdemont anuncia que convocar\u00e1 elei\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas, mas os estudantes em greve permanecem concentrados diante da sede do\u00a0governo catal\u00e3o, o chamam de traidor, exigindo a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Acuado, ele convoca o Parlamento nesse mesmo dia e, sem nenhum entusiasmo, proclama a Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><b>O governo catal\u00e3o traiu sem resist\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Proclamada a Rep\u00fablica e com o artigo 155 em pr\u00e1tica, toda a aten\u00e7\u00e3o se volta para ver se na segunda-feira o governo Puigdemont e o Parlamento continuariam funcionando ou acatariam a dissolu\u00e7\u00e3o. Uma parte do governo fica na Catalunha e outra se instala na B\u00e9lgica, mas todos acatam e se curvam sem resist\u00eancia. No entanto, o regime espanhol\u00a0quer impor uma derrota completa e, a 2 de novembro, a Justi\u00e7a prende 8 membros do conselho de governo\u00a0catal\u00e3o e emite ordem de pris\u00e3o contra 4 membros do conselho que estavam na B\u00e9lgica. Rajoy imp\u00f5e elei\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas para 21 de dezembro, ressaltando que em caso de vit\u00f3ria dos independentistas continuar\u00e1 vigorando o artigo 155. Mas Puigdemont e seu Partido Democr\u00e1tico da Catalunha (PDeCAT) aceitam as elei\u00e7\u00f5es, que qualificam de &#8220;desafio democr\u00e1tico&#8221;. O mesmo faz o seu associado pequeno-burgu\u00eas Esquerda Republicana da Catalunha (ERC).<\/p>\n<p>N\u00f3s da LI entendemos que essas elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o ileg\u00edtimas e impostas pelo Estado Espanhol numa situa\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o militar, devendo, portanto, serem boicotadas por todas as for\u00e7as que se dizem democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A esquerda parlamentar da CUP-CC tampouco se demarcou claramente, limitando-se a apelos gen\u00e9ricos \u00e0 resist\u00eancia sem, contudo, aparecer como a refer\u00eancia de que o movimento necessitava. No dia 5\/11 uma nova e multitudin\u00e1ria manifesta\u00e7\u00e3o em Bilbao expressa o processo de independ\u00eancia tamb\u00e9m no Pa\u00eds Basco. A 8\/11, um pequeno sindicato fazia um chamado \u00e0 greve geral, e outros sindicatos de esquerda aderem ao chamado. A greve n\u00e3o foi como a do dia 03 mas teve import\u00e2ncia em alguns setores, como os trabalhadores da rede p\u00fablica de ensino. Os CDR (hoje quase 300, empenhados num trabalho de coordena\u00e7\u00e3o) chamam a participar na greve com mais de 70 bloqueios de estradas e ferrovias. A\u00a0Catalunha fica totalmente paralisada. Desta vez, para n\u00e3o trazer de volta as imagens de 1\/10, n\u00e3o h\u00e1 repress\u00e3o, mas a pol\u00edcia aut\u00f4noma, agora sob controle direto do Estado, procede \u00e0\u00a0identifica\u00e7\u00e3o de mais de cem ativistas. No dia 11 de novembro, uma nova manifesta\u00e7\u00e3o de grandes propor\u00e7\u00f5es ocupa novamente as ruas de Barcelona, exigindo a liberdade dos presos pol\u00edticos e em defesa da Republica.<\/p>\n<p>O governo Rajoy sabe que com uma escalada repressiva n\u00e3o pode acabar com a resist\u00eancia popular; necessita recolocar o movimento no marco institucional por meio da rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. N\u00e3o s\u00f3 o PDECAT e o ERC, mas tamb\u00e9m o Podemos, Ada Colau e as dire\u00e7\u00f5es das CCOO e UGT aplaudem a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es. N\u00f3s tentamos uma campanha pelo boicote \u00e0s elei\u00e7\u00f5es e em defesa da assembleia nacional constituinte da Rep\u00fablica, mas todas as organiza\u00e7\u00f5es aderem \u00e0s elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Podemos, sua pol\u00edtica e as elei\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>A pol\u00edtica de Podemos tem sido nefasta. N\u00e3o se comprometeu com a mobiliza\u00e7\u00e3o contra a repress\u00e3o na Catalunha, tentando se manter numa posi\u00e7\u00e3o equidistante entre a rejei\u00e7\u00e3o ao referendo, a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e a interven\u00e7\u00e3o do Estado com o artigo 155. Isto provocou que a dire\u00e7\u00e3o de Podemos Catalunha rompeu e formou um novo partido. Por sua vez, Podemos, dirigido por Iglesias, (onde continuam os Anticapitalistas do SU) se apresentar\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es como Catalunha em Comum (CeC) em unidade com os Comunes de Ada Colau (prefeita de Barcelona), ICV e EuiA (os dois setores que vem do velho PC da Catalunha), sendo que ICV tem sido o setor mais agressivo contra o processo catal\u00e3o, levantando aplausos entre PP e C\u2019S.<\/p>\n<p>Estas elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o uma nova oportunidade para avan\u00e7ar na Rep\u00fablica, pelo contr\u00e1rio, a depender do resultado, o Estado Espanhol pode come\u00e7ar a fechar a crise.<\/p>\n<p>Luta Internacionalista participa em torno da Candidatura da Unidade Popular (CUP-CC) defendendo uma ruptura tanto com o Estado e em defesa da Rep\u00fablica e tamb\u00e9m com o capitalismo.<\/p>\n<p>Este acordo deve ficar aberto \u00e0 ruptura de Podemos Catalunha e aos movimentos. Exigindo uma pol\u00edtica independente do governo autonomista que surja (seja do ERC e PDeCAT ou ERC com CeC) organizando a resist\u00eancia pol\u00edtica por um processo constituinte da Republica e se comprometendo incondicionalmente com a luta dos trabalhadores e do povo.<\/p>\n<p>Se conseguirmos impor uma derrota das for\u00e7as unionistas mon\u00e1rquicas (partido popular PP, Cidad\u00e3os C\u2019s e Partido socialista) e enfraquecermos o partido da burguesia catal\u00e3, e se a esquerda se fortalece, estaremos melhor para enfrentar as tarefas necess\u00e1rias ap\u00f3s o 21\/12: 1) continuar a mobiliza\u00e7\u00e3o\u00a0 pela liberdade dos e das presas, parar a repress\u00e3o e derrotar o artigo 155, nos apoiando nos setores mais sensibilizados (ensino e trabalhadores da m\u00eddia); 2) Impulsionar os organismos populares que s\u00e3o fi\u00e9is \u00e0 Rep\u00fablica, especialmente os CDR\u2019s (Comit\u00eas em defesa da Rep\u00fablica) e que tenham uma agenda pr\u00f3pria. 3) reativar a\u00a0\u00a0 mobiliza\u00e7\u00e3o em defesa das reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares: trabalho, sal\u00e1rios e aposentadorias; escola e sa\u00fade p\u00fablicas, moradia&#8230;; 4) coordenar e estender a luta contra a Monarquia, o regime pactuado com o franquismo a n\u00edvel do conjunto do Estado Espanhol.<\/p>\n<p class=\"yiv0599675390gmail-MsoNormal\"><span lang=\"PT\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"yiv0599675390gmail-MsoNormal\"><b><span lang=\"PT\">Chamado \u00e0 solidariedade Internacional e encontro em Barcelona em 16 e17 de dezembro<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"yiv0599675390gmail-MsoNormal\"><span lang=\"PT\">Atrav\u00e9s da Luta Internaiconalista participamos na campanha de solidariedade internacional With Catalonia, que procura apoio das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, oper\u00e1rias, estudantis e populares ao direito do povo catal\u00e3o \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m dos atos e protestos que est\u00e3o sendo realizados no resto do Estado e em diferentes cidades do mundo, estamos impulsionando un Encontro Popular em Solidariedade \u00e0 Catalunha em Barcelona em 16 e 17 de dezembro. Mais informa\u00e7\u00f5es no site\u00a0<\/span><span lang=\"PT\"><a href=\"http:\/\/www.withcatalonia.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">www.withcatalonia.org<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cristina Mas e Josep Lluis del Alc\u00e1zar \u2013 Luta Internacionalista \u2013 Estado Espanhol &nbsp; No dia 27\/10 foi proclamada a Rep\u00fablica Catal\u00e3 na sede do Parlamento. 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