

	{"id":3008,"date":"2018-01-03T20:02:28","date_gmt":"2018-01-03T20:02:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3008"},"modified":"2018-01-03T20:02:28","modified_gmt":"2018-01-03T20:02:28","slug":"tem-um-filme-por-tras-da-foto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2018\/01\/03\/tem-um-filme-por-tras-da-foto\/","title":{"rendered":"Tem um filme por tr\u00e1s da foto"},"content":{"rendered":"<p>por Marcus Benedito<\/p>\n<p>Uma imagem. Milh\u00f5es de interpreta\u00e7\u00f5es e palavras. Mas o assombro maior \u00e9 porque \u00e9 um garotinho preto. E os assombrados j\u00e1 t\u00eam um estere\u00f3tipo montado. Pretinho, sem camisa. No frio do mar gelado. Abobalhado ao mirar os fogos. Pobre, lascado. \u00c9 o que pensaram. No outro plano, os de branco. Curtindo a virada. Aperentemente ignoram o menino. Importando-se mais com suas autoimagens, autoretratos, festa entre amigos. O fato \u00e9 que, infelizmente, a maioria que n\u00e3o nutre qualquer carinho ou preocupa\u00e7\u00e3o para com os meninos pretos, que vestem berbud\u00e3o, andam descal\u00e7os, sem camisa, se viu de alguma forma nesta foto do Lucas Landau. Que ali\u00e1s, disse n\u00e3o ter lucrado um centavo com ela. Pelo menos &#8220;at\u00e9 encontrar o menino e\/ou seus pais&#8221;. Mas o mais importante que tudo isso \u00e9 a cotidiana constata\u00e7\u00e3o de que a pobreza existe. A viol\u00eancia cotidiana existe. Na virada do ano, em Bel\u00e9m, foram executados por bandidos num carro preto, pelo menos 5 meninos. 5 adolescentes. Precisa dizer a cor do tom de pele deles? Pretos. De fam\u00edlias humildes. Bairros perif\u00e9ricos. Uma verdadeira guerra aos pobres. Genoc\u00eddio da juventude negra. Motivo de campanha permanente da Anistia Internacional com o tema &#8220;Queremos nossos jovens negros vivos!&#8221;. Enquanto filas se formam na Fl\u00f3rida (EUA) para comprar maconha para fins recreativos, um estrondoso avan\u00e7o contra a falida &#8220;guerra \u00e0s drogas&#8221;, o Brasil det\u00e9m uma das maiores popula\u00e7\u00f5es carcer\u00e1rias do planeta. Mais de 600 mil pessoas. Fruto da perniciosa Nova Lei de Drogas sanciona por Lula da Silva em 2004. Mais de 40% se quer foi julgado. Maioria esmagadora acusado de tr\u00e1fico de maconha. Nos dep\u00f3sitos desumanos chamados pris\u00f5es pa\u00eds afora. Maioria jovens. Precisa dizer o tom da cor da pele deles. Quase todos pretos. Pobres. Sem defensores p\u00fablicos, tampouco advogados. Distantes das vistas do Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Todo mundo sabe que essa barb\u00e1rie existe. Mas nos \u00f3rg\u00e3os competentes e principalmente nos governos e parlamentos quase ningu\u00e9m faz nada. E a crise se grava. Explodem nas ruas e rebelioes em penitenci\u00e1rias superlotadas pa\u00eds afora. Jovens, r\u00e9us prim\u00e1rios. Pegos com quase nada de birra. Juntos a mestres do crime organizado. Combina\u00e7\u00e3o explosiva. Trag\u00e9dia pura.<br \/>\nO fato, novamente, \u00e9 que tudo isso comprova que os meninos pretos, de bermud\u00e3o, sem camisa, descal\u00e7os e de est\u00f4mago vazio existem aos milh\u00f5es neste pa\u00eds. Vulner\u00e1veis a todo tipo de aliciamentos e perigos. Principalmente do tr\u00e1fico, explora\u00e7\u00e3o e abuso sexual. Segundo o IBGE, em recente pesquisa divulgada, s\u00e3o 54 milh\u00f5es de pessoas que vivem com menos de R$ 340 por m\u00eas. 54 milh\u00f5es de brasileiros vivendo na mis\u00e9ria absoluta. Precisa dizer a cor do tom da pele deles? Maioria esmagadora de pretos e pardos. Nas ruas, sem carinho, sem aten\u00e7\u00e3o. Tor\u00e7o para que este maravilhado garotinho na foto n\u00e3o esteja nesta condi\u00e7\u00e3o. Mas tem uma grande chance de estar. Ainda mais ali em Copacabana. Rodeada de comunidades de gente trabalhadora, honesta, pobre e preta. A foto do Landau foi muito al\u00e9m da imagem. Mexeu com os indiv\u00edduos. Como o pr\u00f3prio disse: possibilitar\u00e1 &#8220;v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es&#8221;. Muitas leg\u00edtimas. Outras carregadas de hipocrisia. Principalmente quando partem de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e pessoas racistas, preconceituosas com a classe trabalhadora e que fecham o vidro do carro quando um menino de bermud\u00e3o, pretinho e descal\u00e7o vai vender uma balinha ou pedir algum trocado.<br \/>\nE n\u00f3s seguimos com um filme de terror di\u00e1rio para ser vencido. O filme da discrimina\u00e7\u00e3o, desemprego, viol\u00eancia e tortura, que atingem, principalmente, o povo preto e pobre.<br \/>\nPor isso nos cabe arrega\u00e7ar as mangas e ir \u00e0 luta contra esse regime apodrecido, governado por corruptos, num sistema excludente. Seis brasileiros controlam a metade das riquezas deste pa\u00eds. Precisa dizer a cor do tom da pele deles? Todos brancos. Magnatas. Com suas coberturas. L\u00e1 de cima, assistindo a todo esse panavoeiro. Resolutos. Pouco se lixando para os mais de 13 milh\u00f5es de desempregados deste pa\u00eds. Para os 12 mil que perderam o emprego s\u00f3 em novembro\/2017 devido a contrarreforma Trabalhista. S\u00f3 pensam em seus lucros e dividendos. Meia d\u00fazia de bilhard\u00e1rios respons\u00e1veis pela legi\u00e3o de homens e mulheres sobrevivendo na indig\u00eancia e subemprego. Romper essa l\u00f3gica \u00e9 o caminho para ver al\u00e9m da foto. E o #ForaTemer e a greve geral n\u00e3o poder\u00e3o ser meros coadjuvantes nesse roteiro. S\u00e3o condi\u00e7\u00f5es fundamentais para nos livrarmos desse regime apodrecido e melhor acompanhar e proteger os milh\u00f5es de meninos e meninas pret@s, que n\u00e3o tiveram a condi\u00e7\u00e3o de terem suas vidas possivelmente mudadas, fruto de uma fotografia pol\u00eamica na \u00faltima passagem de ano.<\/p>\n<p>Marcus Benedito \u00e9 servidor p\u00fablico no Par\u00e1 e militante da CST\/PSOL.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Marcus Benedito Uma imagem. Milh\u00f5es de interpreta\u00e7\u00f5es e palavras. Mas o assombro maior \u00e9 porque \u00e9 um garotinho preto. E os assombrados j\u00e1 t\u00eam um estere\u00f3tipo montado. Pretinho, sem camisa. No frio do mar gelado. Abobalhado ao mirar os fogos. Pobre, lascado. \u00c9 o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[492,100],"class_list":["post-3008","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-desigualdade","tag-racismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3008","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3008"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3008\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}