

	{"id":301,"date":"2009-05-25T21:50:00","date_gmt":"2009-05-25T21:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2009\/05\/25\/arquivoid-9325\/"},"modified":"2009-05-25T21:50:00","modified_gmt":"2009-05-25T21:50:00","slug":"arquivoid-9325","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2009\/05\/25\/arquivoid-9325\/","title":{"rendered":"A crise econ\u00f4mica, a corrup\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica do PSOL"},"content":{"rendered":"<p>Documento da CST apresentado no Diretorio Nacional do PSOL | CST<\/p>\n<p>Texto votado em minoria na reuni\u00e3o DN 21\/03\/09 <\/p>\n<p>I- O \u00faltimo trimestre de 2008 e o primeiro de 2009 n\u00e3o deixam mais d\u00favida sobre a magnitude da crise econ\u00f4mica. De bolha provocada pelo subprime e localizada nos EUA, passou a \u201cturbul\u00eancia global\u201d e, hoje, recess\u00e3o declarada na Europa, Jap\u00e3o e EUA, com temor de depress\u00e3o na Gr\u00e3 Bretanha. N\u00e3o descartada, ainda, para outros pa\u00edses do centro do sistema. \u00c9 mundial e arrasta da China ao Canad\u00e1. Provoca rea\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias francesas no Caribe ao leste europeu. Trata-se de uma crise cl\u00e1ssica, provocada pela tend\u00eancia \u00e0 queda da taxa de lucro do capital, com sua conseq\u00fcente crise de super produ\u00e7\u00e3o, que explode pelo seu elo mais fraco, a mega especula\u00e7\u00e3o nesta \u00e9poca de globaliza\u00e7\u00e3o financeira. Ficou evidente o quanto equivocados estavam aqueles que viam a globaliza\u00e7\u00e3o como uma nova fase de desenvolvimento do capitalismo e, no per\u00edodo anterior ao estouro da crise, sinais de uma longa fase de crescimento, \u00e0 semelhan\u00e7a do ocorrido entre 48-67. E outros, ainda, que avaliaram ser a superexplora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra chinesa suficiente para estancar a queda da taxa de lucro e superar a crise cr\u00f4nica. Mesmo a incorpora\u00e7\u00e3o dos mercados do leste europeu, da URSS e da China ao capitalismo n\u00e3o conseguiram por fim a esta crise. O fio de continuidade e o elemento determinante desde o fim do boom econ\u00f4mico do p\u00f3s-guerra tem sido a crise e n\u00e3o a supera\u00e7\u00e3o da mesma.  E as recupera\u00e7\u00f5es, maiores ou menores acontecidas desde ent\u00e3o, nunca conseguiram recuperar a taxa de lucro daquele per\u00edodo. As privatiza\u00e7\u00f5es da d\u00e9cada de 1990 tamb\u00e9m n\u00e3o foram suficientes para reverter a din\u00e2mica. Na China, sobre a qual reca\u00edam as esperan\u00e7as de alguns, o crescimento para 2009 havia sido estimado, em queda, para 9% e, agora, aponta para um \u00edndice de 6,5%. Suas exporta\u00e7\u00f5es ca\u00edram 25%, as importa\u00e7\u00f5es 24%, o pacote anticrise ficou aqu\u00e9m do esperado. O que se discute \u00e9 a possibilidade de manter o financiamento do d\u00e9ficit americano. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foi suficiente instalar a grande manufatura chinesa, como, tamb\u00e9m, o imperialismo teve reveses pol\u00edticos e militares importantes. Podemos afirmar que existe uma crise de domina\u00e7\u00e3o. O imp\u00e9rio americano vive o pior per\u00edodo de sua exist\u00eancia. Internamente, ressurgem as lutas sociais, como as greves dos imigrantes de 2006, come\u00e7aram algumas greves oper\u00e1rias e a popula\u00e7\u00e3o votou em Obama expressando rejei\u00e7\u00e3o aos anos de Bush e anseios de mudan\u00e7a que com o novo presidente ser\u00e3o mais uma vez frustrados, uma vez que foi apoiado pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es capitalistas para afrontar com cara nova este per\u00edodo de crise. No plano internacional, a resist\u00eancia afeg\u00e3 controla 70% do pa\u00eds, o Iraque transformou-se em um novo Vietn\u00e3. Na Palestina, segue de p\u00e9 a resist\u00eancia mesmo ap\u00f3s os constantes ataques \u00e0 Gaza. Israel sofreu uma derrota militar no L\u00edbano em 2006. Na Am\u00e9rica latina, os EUA n\u00e3o conseguiram impor a derrota dos processos revolucion\u00e1rios e dos governos de Ch\u00e1vez na Venezuela e Morales na Bol\u00edvia. As teorias da nova ordem mundial e do triunfo do capitalismo s\u00e3o hoje insustent\u00e1veis. O imperialismo europeu, por sua vez, se depara com um movimento de massas que n\u00e3o ficou passivo \u00e0 onda de retirada de direitos. Com vanguarda nas poderosas mobiliza\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a, onde na pr\u00f3xima quinta feira acontecer\u00e1 uma nova greve geral, a segunda em dois meses e que conta com o apoio da maioria da popula\u00e7\u00e3o. As lutas de resist\u00eancia t\u00eam sido fundamentais para dificultar o aumento da superexplora\u00e7\u00e3o no n\u00edvel necess\u00e1rio para que saiam da crise e revertam a queda da taxa de lucro. <\/p>\n<p>II &#8211; Mas, sem d\u00favida, as conseq\u00fc\u00eancias do colapso neoliberal j\u00e1 s\u00e3o avassaladoras para a classe trabalhadora. Impossibilitados de deflagrar uma nova guerra mundial para a destrui\u00e7\u00e3o em massa de for\u00e7as produtivas, refor\u00e7aram sua \u201cguerra\u201d de classe contra os trabalhadores e os povos.  Nos Estados Unidos, o desemprego \u00e9 o pior desde a Segunda Guerra. E o fundo do po\u00e7o ainda n\u00e3o chegou. Pesquisa feita pela Reuters indica que a taxa de desemprego dos EUA &#8211; atualmente em 8,1%, maior patamar em 25 anos &#8211; vai avan\u00e7ar para 9,6%, provavelmente no in\u00edcio do ano que vem. Agora, Obama anuncia injetar mais um trilh\u00e3o de d\u00f3lares na economia, dinheiro que deve ser sangrado para o sistema financeiro, enquanto milhares perdem suas casas, n\u00e3o t\u00eam acesso a programas de sa\u00fade e est\u00e3o desempregados.  Na Europa, os pa\u00edses do leste t\u00eam sido o elo mais fraco deparados com as conseq\u00fc\u00eancias de uma integra\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e voraz ao mercado capitalista, em muitos casos dependentes do capital especulativo. Na regi\u00e3o, convuls\u00f5es provocadas pela queda brusca de poder aquisitivo, desvaloriza\u00e7\u00e3o das moedas frente aos ataques especulativos, desemprego, corrup\u00e7\u00e3o e crise social, j\u00e1 provocaram a queda do governo da Let\u00f4nia, amea\u00e7a de subleva\u00e7\u00e3o na Hungria e temores na Rom\u00eania e Litu\u00e2nia. Em outra parte do continente, pa\u00edses considerados exemplos surpreendentes de desenvolvimento, como a Irlanda, sucumbiram. Na Espanha, \u00e9 evidente o pessimismo governamental. \u00c9 previsto um \u00edndice de desemprego para a casa dos 20% at\u00e9 o final deste ano. Na Fran\u00e7a, Sarkozy v\u00ea o apoio a seu mandato enfraquecido. A resist\u00eancia organizada do movimento de massas tenta impedir um maior n\u00edvel de ataque sobre a classe e setores da juventude.  No Jap\u00e3o, onde j\u00e1 estava instalada uma s\u00e9ria crise, a contra\u00e7\u00e3o da economia entre outubro e dezembro foi a pior em 35 anos e segue em deteriora\u00e7\u00e3o, conforme seu banco central. <\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a Argentina, um dos mais atingidos, deixa entrever possibilidade de novo default, igualmente com desgaste e confrontos com o governo. Cristina Kirchner sinaliza adiantar elei\u00e7\u00f5es como forma de driblar os problemas causados pela crise econ\u00f4mica. Na Venezuela, os trabalhadores realizam greves e enfrentam \u00e0s multinacionais, apesar da repress\u00e3o e assassinato de dirigentes oper\u00e1rios. Exigem seus contratos coletivos de trabalho, desrespeitados por empres\u00e1rios e governo, especialmente no setor estatal. <\/p>\n<p>III- No Brasil, a crise aumenta. Uma queda \u201cmuito grande do PIB\u201d foi a exclama\u00e7\u00e3o da pr\u00e9-candidata do governo, Dilma Roussef. Por seu turno, Lula declarou \u201cn\u00e3o esperar que os n\u00fameros fossem t\u00e3o ruins\u201d. Em compara\u00e7\u00e3o com v\u00e1rios pa\u00edses, entre os quais Alemanha, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, Jap\u00e3o, Canad\u00e1, China, M\u00e9xico e Cor\u00e9ia, o Brasil foi o que apresentou maior retra\u00e7\u00e3o acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) desde o in\u00edcio da desacelera\u00e7\u00e3o mundial. N\u00e3o se confirmou a cren\u00e7a &#8211; de setores da esquerda, inclusive -, sobre a qual o Brasil, sob a Era Lula, tinha novos fundamentos. T\u00e3o diferenciados que possibilitariam ficar fora da crise ou&#8230; Que fosse apenas uma \u201cmarolinha\u201d. Uma pesquisa da CNI mostrou que, entre as 431 empresas consultadas, 80% disseram ter adotado alguma a\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a seus trabalhadores por conta da crise. Desse total, 54% (43% do total de entrevistados) informaram ter demitido empregados ou suspendido servi\u00e7os terceirizados. <br \/>\nAs ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo fecharam cerca de 200 mil postos de trabalho desde outubro de 2008 at\u00e9 fevereiro deste ano. O valor \u00e9 seis vezes superior ao verificado no mesmo per\u00edodo entre 2007 e 2008. <\/p>\n<p>IV &#8211; A pol\u00edtica do governo em nada alterou o substancial, ao contr\u00e1rio, manteve a extrema subordina\u00e7\u00e3o ao capital financeiro e \u00e0s multinacionais. A op\u00e7\u00e3o de preservar os neg\u00f3cios do grande capital mant\u00e9m-se presente nas a\u00e7\u00f5es do governo em resposta \u00e0 crise. O economista e professor da UFRJ, Reynaldo Gon\u00e7alves comenta: \u201c&#8230; o governo Lula \u2013 via Tesouro e BNDES \u2013 usa os escassos recursos nacionais para financiar as filiais de empresas estadunidenses que atuam no Brasil, e que continuar\u00e3o enviando bilh\u00f5es de d\u00f3lares para as suas matrizes.\u201d Benesses, coniv\u00eancia com empres\u00e1rios, nenhuma medida concreta para defender os milhares de empregos amea\u00e7ados. Se algu\u00e9m duvidava, a resposta de Lula, na ocasi\u00e3o da conversa com o diretor da Embraer, para discutir as 4.200 demiss\u00f5es anunciadas, foi clara: Declarou compreender as raz\u00f5es da medida brutal adotada contra os metal\u00fargicos. Apesar das declara\u00e7\u00f5es sobre a manuten\u00e7\u00e3o de programas sociais e obras do PAC, o governo j\u00e1 anunciou corte de 45 bilh\u00f5es no or\u00e7amento, cuja conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 direta nos repasses para sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, acordos salariais dos servidores, estados e munic\u00edpios. A crise social agrava-se no pa\u00eds. A viol\u00eancia urbana, o drama dos hospitais, do SUS, como em Alagoas, da educa\u00e7\u00e3o, como no RS, a desassist\u00eancia social. Somente na capital paulista a Prefeitura decretou o congelamento do or\u00e7amento &#8211; 20% -, o maior dos \u00faltimos anos, chegando a 5,5 bilh\u00f5es.  Enquanto isso, Lula mant\u00e9m a press\u00e3o do super\u00e1vit para cumprir os juros dos banqueiros, que somente em 2007 drenaram 237 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.  <\/p>\n<p>V &#8211; Com o prop\u00f3sito de desviar o foco da crise e das demiss\u00f5es, e para fortalecer sua candidata, Lula colocou em marcha o calend\u00e1rio das elei\u00e7\u00f5es 2010. Como se nada estivesse acontecendo, saiu pelo pa\u00eds, usando a m\u00e1quina do governo, para fazer campanha de sua candidata e Chefe da Casa Civil. No Congresso, para manter sua base, articulou a elei\u00e7\u00e3o de Sarney, negocia\u00e7\u00e3o da qual resultou o ressurgimento, com holofotes, de ningu\u00e9m menos do que Fernando Collor, o novo gerente do PAC. A rea\u00e7\u00e3o tucana e dos partidos da oposi\u00e7\u00e3o de direita, como o DEM, com vistas a entrar em condi\u00e7\u00f5es na disputa presidencial vem em ritmo crescente. Aproveitam para fustigar o governo, apostando numa dificuldade maior de crescimento eleitoral de Dilma, pois esta n\u00e3o \u00e9 Lula. Querem ganhar mais espa\u00e7o no p\u00e1reo para 2010 a partir da possibilidade de desgaste do governo. Desgaste pela crise, ou provocada com den\u00fancias. Nesse contexto, podemos compreender o \u201csurgimento do caso do diretor-geral da C\u00e2mara e sua mans\u00e3o\u201d, ou do nepotismo disfar\u00e7ado de terceiriza\u00e7\u00e3o, e mesmo o do celular pago pelo Congresso para viagem da filha do Senador petista Ti\u00e3o Viana. O certo \u00e9 que, ainda que num terreno dif\u00edcil para a oposi\u00e7\u00e3o de direita, j\u00e1 que todos chafurdam na lama da corrup\u00e7\u00e3o e privil\u00e9gios com dinheiro p\u00fablico, as den\u00fancias acirram as contradi\u00e7\u00f5es, e aprofundam o descr\u00e9dito da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Congresso Nacional. <\/p>\n<p>VI \u2013 A onda de den\u00fancias sobre benesses e privil\u00e9gios de todos os tipos, com foco no Senado da Rep\u00fablica, tem provocado a rejei\u00e7\u00e3o por parte do povo. Da mesma forma, assume relev\u00e2ncia a defesa do Delegado Prot\u00f3genes, que botou a descoberto o caso do banqueiro ladr\u00e3o &#8211; Daniel Dantas. O jornalista Luis Nassif destaca, em coluna intitulada \u201cO Sistema Brasileiro de Intelig\u00eancia e o jogo pol\u00edtico\u201d como o caso do Banco Opportunity, entre outros, demonstrou uma ampla cumplicidade entre autoridades e transgressores, na verdade uma rede de controle do Estado, desde FHC, envolvendo o governo Lula por meio de Jos\u00e9 Dirceu e Palocci quando \u00e0 frente do Minist\u00e9rio da Fazenda. A cumplicidade em rela\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, as quais envolvem os principais pol\u00edticos do pa\u00eds, as institui\u00e7\u00f5es, os partidos, o governo, o judici\u00e1rio, numa verdadeira organiza\u00e7\u00e3o criminosa, provoca, desses, a rea\u00e7\u00e3o para, por exemplo, indiciar Prot\u00f3genes. Nesse marco, de defesa do status quo, est\u00e1 a tentativa de amorda\u00e7ar o PSOL, como a representa\u00e7\u00e3o do PSDB contra Luciana ou a tentativa de enlamear Chico Alencar. <\/p>\n<p>VII \u2013 O PSOL tem perdido a oportunidade de, a partir desse cen\u00e1rio, levantar as propostas do partido para responder, pol\u00edtica e globalmente, ao problema da corrup\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es. O pr\u00f3prio Jos\u00e9 Sarney reconhece que, desde o in\u00edcio de seu mandato \u00e0 frente do Senado, este vive mergulhado em uma crise (agora \u00e9 o problema dos 181 diretores). Por todos os lados, come\u00e7a o questionamento sobre a exist\u00eancia dessa verdadeira excresc\u00eancia aristocr\u00e1tica do regime democr\u00e1tico burgu\u00eas. Como resposta ao \u00f3dio crescente frente \u00e0s den\u00fancias de nepotismo disfar\u00e7ado, contrata\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias, etc., nosso partido deveria colocar no centro uma forte den\u00fancia do regime e levantar um conjunto de medidas radicais, tais como: a extin\u00e7\u00e3o do Senado e a defesa da C\u00e2mara \u00danica proporcional, os sal\u00e1rios de parlamentares e cargos eletivos definidos em consulta direta pela popula\u00e7\u00e3o e sua vincula\u00e7\u00e3o ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, elei\u00e7\u00f5es diretas para membros do Tribunal de Contas e ju\u00edzes dos tribunais, al\u00e9m do financiamento p\u00fablico, restrito e igualit\u00e1rio das campanhas pol\u00edticas. Por\u00e9m, o PSOL dilui o problema pol\u00edtico em iniciativas dirigidas a Jarbas Vasconcellos, reuni\u00f5es com Pedro Simon, articula\u00e7\u00f5es pontuais sobre a Reforma Pol\u00edtica. E, a mais grave delas, votar nos candidatos do PT e PCdoB, Ti\u00e3o Viana e Aldo Rebelo, para as mesas do Senado e da C\u00e2mara dos Deputados, fato sobre o qual j\u00e1 enviamos um texto. Deixamos de apresentar, dessa forma, uma den\u00fancia contundente e uma alternativa global, levando ao questionamento mais profundo desses podres poderes. E o pior, numa conjuntura em que n\u00e3o s\u00f3 isto \u00e9 uma exig\u00eancia, mas na qual ser\u00edamos compreendidos e apoiados por amplos setores do povo. <\/p>\n<p>VIII &#8211; \u00c9 urgente rever o eixo pol\u00edtico do partido. \u00c9 preciso responder \u00e0 crise capitalista em nosso pa\u00eds. Pelo mundo, as mobiliza\u00e7\u00f5es, com destaque para a retomada da greve geral como forma de luta, mostram que \u00e9 poss\u00edvel lutar e resistir. Sobretudo na Europa, com diferentes n\u00edveis nos diversos pa\u00edses e continentes, mas que demonstra haver disposi\u00e7\u00e3o para resistir \u00e0 tentativa de fazer com que os trabalhadores paguem pela crise. Fora a Fran\u00e7a, que como j\u00e1 afirmamos est\u00e1 na vanguarda, na It\u00e1lia e na Gr\u00e9cia tamb\u00e9m houve greves e manifesta\u00e7\u00f5es importantes. Do Jap\u00e3o \u00e0s col\u00f4nias francesas do Caribe e do oceano \u00cdndico, noticiam-se mobiliza\u00e7\u00f5es. Em Guadalupe e Martinica, uma greve geral obteve conquista. Em 11\/03, no blog do Le Monde Diplomatique, foi destaque artigo intitulado \u201cA Europa veste camisa-de-for\u00e7a\u201d onde se chamou aten\u00e7\u00e3o para os exemplos da Let\u00f4nia, onde o governo j\u00e1 caiu; Litu\u00e2nia, Est\u00f4nia, Hungria e Rom\u00eania, os quais, em breve, podem viver insolv\u00eancia financeira, dramas sociais e turbul\u00eancias pol\u00edticas. Em nosso pa\u00eds, o papel da CUT e da For\u00e7a Sindical est\u00e1 na base dos fatores que explicam a inexist\u00eancia, at\u00e9 este momento, de um processo de lutas unificado e a persist\u00eancia de uma conjuntura da luta de classes em defasagem clara se comparada com outros pa\u00edses. A aceita\u00e7\u00e3o dos acordos de rebaixamento salarial tem deixado os trabalhadores \u00f3rf\u00e3os frente \u00e0s demiss\u00f5es. Contudo, o caminho apontado na Vale, em Minas Gerais, e a recusa a negociar demiss\u00f5es do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, s\u00e3o fatos da realidade nos quais devemos nos apoiar para buscar forjar todas as a\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias que possam dar \u00e2nimo ao movimento para resistir. O Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos levantou um conjunto de reivindica\u00e7\u00f5es &#8211; da defesa do emprego \u00e0 exig\u00eancia da reestatiza\u00e7\u00e3o da EMBRAER. A justi\u00e7a que havia suspendido as demiss\u00f5es, resolveu mant\u00ea-las em julgamento no TRT nesta quarta-feira. Est\u00e1, concretamente, colocado ao PSOL apoiar e trabalhar unitariamente para frear o ataque brutal.  <\/p>\n<p>IX &#8211; Mas, para que o PSOL esteja \u00e0 altura do desafio central da conjuntura, \u00e9 preciso uma VIRADA na orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de setores da dire\u00e7\u00e3o, em especial, a que os companheiros do MES e do MTL est\u00e3o impondo ao partido. A defini\u00e7\u00e3o do FSM em Bel\u00e9m, de realizar um ato unit\u00e1rio, cuja data, agora, ser\u00e1 30\/03, deve ser incorporada com toda a for\u00e7a desde os quadros dirigentes do PSOL. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, que frente \u00e0 crise, a resposta do PSOL seja um ato que na sua data colide com aquela que unificou a maior parte das entidades e movimentos sociais, e que tenha como eixo a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Nosso centro deve ser intervir com nossos sindicalistas, parlamentares e milit\u00e2ncia, nas iniciativas de unidade da Conlutas\/Intersindical, em conjunto com outros setores do movimento. A pol\u00edtica de a\u00e7\u00f5es superestruturais e institucionais, com centro no Congresso, no eixo quase exclusivo da corrup\u00e7\u00e3o, faz o PSOL perder sua identidade e resumir sua atua\u00e7\u00e3o numa \u201cnova vers\u00e3o mal formulada, j\u00e1 analisamos, da \u00e9tica na pol\u00edtica\u201d antiga marca do PT. Ao contr\u00e1rio, do votado em 14\/12, na Executiva Nacional, na pr\u00e1tica, o eixo do partido n\u00e3o foi de l\u00e1 para c\u00e1, dar a resposta \u00e0 crise. Nem no terreno program\u00e1tico, nem no terreno da mobiliza\u00e7\u00e3o. Segue tendo como centro absoluto a corrup\u00e7\u00e3o e a reforma pol\u00edtica. Dessa forma, estamos deixando de disputar no terreno pol\u00edtico a constru\u00e7\u00e3o da alternativa \u00e0 crise sob o ponto de vista da maioria explorada. O mesmo ocorre com a atividade marcada para o Rio de Janeiro em 2\/04. A realidade, afortunadamente, ap\u00f3s a indica\u00e7\u00e3o desta data para um ato movido pelo PSOL, apontou para a unifica\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com outros setores, antes em 01\/04, agora em 30\/03. As a\u00e7\u00f5es do PSOL t\u00eam que estar coladas nos processos din\u00e2micos que ajudam na reorganiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as para a luta de classes. N\u00e3o se contrapor a essas iniciativas. Foi proposto adiar o ato do PSOL, o qual se v\u00ea, claramente, que, embora chamado contra a crise, caso prevale\u00e7a a pol\u00edtica do M\u00caS\/MTL, ter\u00e1 como eixo a defesa de Prot\u00f3genes e a corrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 um erro, que dispersa as for\u00e7as e nos mant\u00e9m de costas para o problema das demiss\u00f5es e da crise. A corrup\u00e7\u00e3o, o fato do delegado que denunciou a Daniel Dantas esteja sendo alvo de ataques e a Reforma Pol\u00edtica, s\u00e3o problemas importantes. Devem ser combatidos pelo Partido. Mas, resta saber com quem queremos combat\u00ea-los, em qual terreno e em qual posi\u00e7\u00e3o frente ao movimento de massas pretendemos faz\u00ea-lo. Da mesma forma, n\u00e3o se v\u00ea uma palavra de den\u00fancia do governo Lula. Lula traz de volta Fernando Collor e o promove a \u201cvampiro para tomar conta do banco de sangue\u201d, nomeado gerente do PAC. Lula pactua com  as demiss\u00f5es na Embraer, somente recebe aos trabalhadores ap\u00f3s serem recha\u00e7ados pela guarda do Planalto, destina bilh\u00f5es para salvar bancos e multinacionais e mant\u00e9m um torniquete fiscal brutal para pagar juros ao sistema financeiro, piorando a grave crise social do pa\u00eds. E do PSOL, nenhuma v\u00edrgula de den\u00fancia sobre o governo Lula nos panfletos e cartaz de convocat\u00f3ria para o ato de 2\/04, por exemplo. Seguimos privilegiando a a\u00e7\u00e3o institucional, sem nem mesmo levantar o programa votado de sa\u00edda para a crise na reuni\u00e3o da Executiva. <\/p>\n<p>X- A necessidade objetiva de responder \u00e0s demiss\u00f5es j\u00e1 demonstrou o acerto do chamado aos atos do pr\u00f3ximo dia 30. N\u00e3o \u00e0 toa, setores da CUT e do MST ir\u00e3o participar nos estados, com destaque para SP. N\u00e3o pode haver outra prioridade para o PSOL! \u00c9 fundamental saber a hierarquia dos problemas a enfrentar na conjuntura para que sejamos de fato a alternativa de oposi\u00e7\u00e3o de esquerda. A recusa por parte do M\u00caS\/MTL e a forma como est\u00e3o encaminhando o ato previsto para 2\/4 no Rio, cujo eixo foi modificado de forma unilateral, acabar\u00e3o confundindo a milit\u00e2ncia psolista, pois todos sabemos o quanto dif\u00edcil ser\u00e1 mobilizar nossos companheiros para duas atividades t\u00e3o pr\u00f3ximas no calend\u00e1rio. Ao inv\u00e9s de discutirem com o partido, imp\u00f5em seus fatos consumados e jogam para a milit\u00e2ncia uma contradi\u00e7\u00e3o, pois  ter\u00e1 que dividir suas for\u00e7as. Repetimos: frente \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria com as demais organiza\u00e7\u00f5es da classe, n\u00e3o h\u00e1 outra prioridade, a nosso ver, para o PSOL, com vistas a passos de maior f\u00f4lego na resist\u00eancia \u00e0s demiss\u00f5es e \u00e0s amea\u00e7as sobre sal\u00e1rios e direitos. O contr\u00e1rio \u00e9 fazer das a\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas e limitadas ao aspecto democr\u00e1tico da luta contra a corrup\u00e7\u00e3o a trilha para seguir o caminho proposto pelo governo \u2013 adiantar, tamb\u00e9m para o PSOL, o calend\u00e1rio eleitoral, com o \u00fanico objetivo (por parte do governo) de jogar uma cortina de fuma\u00e7a sobre a crise e suas conseq\u00fc\u00eancias nefastas para os trabalhadores. Soubemos pela troca de e-mail que o PSOL est\u00e1  convocando caravanas para ir ao depoimento do delegado Protogenes, aparecem cartazes, out dor  e caravanas (saem de aonde? Qual o or\u00e7amento e que inst\u00e2ncia o aprovou?) em nome do PSOL para escutar no RJ Helo\u00edsa Helena e Protogenes, mas n\u00e3o existe nenhuma iniciativa, cartaz, caravana, or\u00e7amento nem out dor do PSOL com algumas das consignas votadas na ultima reuni\u00e3o do Executivo, chamando a unificar no ato do dia 30 para enfrentar o governo Lula que pretende que a crise a pague o povo.<\/p>\n<p>Por isso, assim como recha\u00e7amos o m\u00e9todo do fato consumado que j\u00e1 o MES imp\u00f4s ao pedir e receber o dinheiro da multinacional GERDAU, devemos adiar o ato do partido, que ter\u00e1 que ter seus eixos rediscutidos, e colocar todas as for\u00e7as e recursos, com out dor, panfletos, caravanas para garantir uma forte presen\u00e7a partid\u00e1ria nos atos unit\u00e1rios do dia 30 de Mar\u00e7o. <\/p>\n<p>Rio de Janeiro, 18 de mar\u00e7o de 2009. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s o debate, na hora da vota\u00e7\u00e3o dos textos, modificamos a proposta para o Ato do dia 02\/04, uma vez que n\u00e3o houve condi\u00e7\u00f5es para adiar o ato. Inclu\u00edmos assim a proposta que o chamado ao ato, sua divulga\u00e7\u00e3o, material gr\u00e1fico e o pr\u00f3prio ato, fosse realizado nos moldes do discutido na reuni\u00e3o do Executivo de 14\/12: Seu eixo contra que os trabalhadores paguem pela crise \u2013 A participa\u00e7\u00e3o, oradores, etc. devem refletir este conte\u00fado, incorporando \u00e9 claro, a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bab\u00e1 e Silvia Santos \u2013 Executiva Nacional<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento da CST apresentado no Diretorio Nacional do PSOL | CST Texto votado em minoria na reuni\u00e3o DN 21\/03\/09 I- O \u00faltimo trimestre de 2008 e o primeiro de 2009 n\u00e3o deixam mais d\u00favida sobre a magnitude da crise econ\u00f4mica. 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