

	{"id":3034,"date":"2018-01-13T15:00:38","date_gmt":"2018-01-13T15:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3034"},"modified":"2018-01-13T15:12:52","modified_gmt":"2018-01-13T15:12:52","slug":"plinio-jr-minhas-criticas-a-entrevista-de-boulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2018\/01\/13\/plinio-jr-minhas-criticas-a-entrevista-de-boulos\/","title":{"rendered":"Pl\u00ednio Jr. | Minhas Cr\u00edticas \u00e0 Entrevista de Boulos"},"content":{"rendered":"<p>O debate sobre a candidatura do PSOL \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica nas elei\u00e7\u00f5es de 2018 aquece os f\u00f3runs da milit\u00e2ncia mesmo que a dire\u00e7\u00e3o do partido j\u00e1 tenha escolhido, sozinha e distante dos necess\u00e1rios debates program\u00e1ticos, o nome de Guilherme Boulos para o partido. \u00c0 espera das defini\u00e7\u00f5es do PT e do Judici\u00e1rio sobre a candidatura de Lula, Boulos ainda n\u00e3o se filiou ao PSOL.<\/p>\n<p>Abaixo reproduzimos o texto de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PlinioSampaioJr\/\">Pl\u00ednio de Arruda Sampaio J\u00fanior<\/a>, militante hist\u00f3rico do partido e professor de Economia da Unicamp, em resposta cr\u00edtica \u00e0 entrevista dada por Boulos \u00e0 Revista Carta Capital, em 6 de janeiro.<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Minhas Cr\u00edticas \u00e0 Entrevista de Boulos<\/h3>\n<p>Pela clareza e didatismo, a <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/guilherme-boulos-a-diversidade-nao-impede-a-unidade-da-esquerda-na-defesa-da-democracia201d\">entrevista de Guilherme Boulos \u00e0 Carta Capital<\/a> \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria para toda a milit\u00e2ncia do PSOL. Nela, o l\u00edder do MTST &#8211; o candidato desejado pela dire\u00e7\u00e3o do partido &#8211; explicita sua leitura da realidade.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Boulos, o golpe de Temer \u00e9 o grande divisor de \u00e1guas da vida nacional e o resgate da Nova Rep\u00fablica \u00e9 a principal tarefa da conjuntura. A deposi\u00e7\u00e3o de Dilma \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o da Casa Grande e seus pol\u00edticos. O urg\u00eancia de derrotar os golpistas colocaria \u00a0na ordem do dia a necessidade da unidade das esquerdas. Investindo contra o sectarismo &#8220;da pureza salvadora&#8221; e o dogmatismo dos que estigmatizam toda diferen\u00e7a como &#8220;divisionismo&#8221;, Boulos procura cavar seu espa\u00e7o como ponto de converg\u00eancia entre a esquerda socialista e o PT. Aposta que, na aus\u00eancia de Lula no pleito de 2018, ele possa conquistar protagonismo na pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p>Boulos \u00e9 uma importante lideran\u00e7a popular e sua posi\u00e7\u00e3o merece o respeito da cr\u00edtica. A diverg\u00eancia com seu posicionamento \u00e9 pol\u00edtica e deriva da diferen\u00e7a substancial na leitura sobre a natureza da crise que abala a vida nacional, o significado dos governos de Lula e Dilma e os desafios do momento hist\u00f3rico. Ao longo dos pr\u00f3ximos meses, na batalha por um processo democr\u00e1tico de escolha do representante do PSOL na elei\u00e7\u00f5es de 2018, teremos oportunidade de exp\u00f4-la de maneira detalhada. Por ora, apenas algumas observa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas para elucidar nossas discrep\u00e2ncias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vis\u00e3o da crise pol\u00edtica, ao balan\u00e7o do PT, \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de esquerda e \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o da esquerda socialista no tabuleiro eleitoral.<\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de uma perspectiva de classe, Boulos interpreta a crise pol\u00edtica como um fen\u00f4meno circunstancial, derivado de uma conspira\u00e7\u00e3o palaciana, que poderia ser revertida em 2018 com a elei\u00e7\u00e3o\u00a0 de um presidente leg\u00edtimo, que representasse de fato a vontade popular. Da\u00ed, a defesa intransigente do direito de Lula disputar as elei\u00e7\u00f5es. Sua interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o percebe que o golpe n\u00e3o foi de Temer e dos golpistas e nem come\u00e7ou com a deposi\u00e7\u00e3o de Dilma. O golpe foi do capital contra o trabalho e come\u00e7ou com a rea\u00e7\u00e3o da burguesia brasileira ao levante da juventude nas Jornadas de Junho de 2013. O primeiro ato do golpe foi a repress\u00e3o violenta das manifesta\u00e7\u00f5es com a absoluta cumplicidade de todos os partidos da ordem, inclusive o PT. Nisso, Dilma, Lula, Haddad, Alckmin, Cabral estavam todos juntos. O segundo ato do golpe foi o estelionato eleitoral de Dilma e o in\u00edcio do flagelo do ajuste sem fim, acompanhado, \u00e9 importante n\u00e3o esquecer, da cria\u00e7\u00e3o da For\u00e7a Nacional, da Lei Antiterrorista e a sistem\u00e1tica repress\u00e3o a todo protesto contra a Copa. A ascens\u00e3o de Temer &#8211; o terceiro ato do golpe &#8211; radicalizou a guerra da burguesia contra os trabalhadores. Um golpe preparou o outro. Os que golpearam &#8211; todos eles, cada um a seu modo &#8211; foram apenas agentes do capital. Ao tornar expl\u00edcita a fal\u00eancia da Constitui\u00e7\u00e3o\u00a0 de 1988 e a irreversibilidade da crise terminal da Nova Republica, a deposi\u00e7\u00e3o de Dilma representou uma mudan\u00e7a de qualidade na crise pol\u00edtica, mas nada que justifique uma volta ao passado. Vaso quebrado n\u00e3o tem conserto. \u00c9 preciso olhar para o futuro.<\/p>\n<div style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/homepage\/images\/17294156.jpeg\" alt=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/homepage\/images\/17294156.jpeg\" width=\"620\" height=\"300\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Lula visita ocupa\u00e7\u00e3o do MTST na semana em que sa\u00edram as primeiras not\u00edcias sobre uma candidatura de Boulos pelo PSOL. Foto: Folha de S\u00e3o Paulo, outubro de 2017<\/p><\/div>\n<p>A incompreens\u00e3o da profundidade da crise pol\u00edtica leva Boulos a caracterizar Bolsonaro como &#8220;uma farsa&#8221;. \u00c9 um grave engano. A for\u00e7a de Bolsonaro \u00e9 real. A agonia da Nova Rep\u00fablica coloca na ordem do dia a necessidade de sua substitui\u00e7\u00e3o. Bolsonaro expressa uma resposta radical, pela direita, \u00e0s crescente parcelas de trabalhadores que perderam completamente a f\u00e9 no sistema pol\u00edtico. Ele cresce n\u00e3o apenas na burguesia e na pequena burguesia, mas tamb\u00e9m entre os trabalhadores que chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que &#8220;todos os pol\u00edticos s\u00e3o iguais&#8221;.<\/p>\n<p>A resposta da esquerda da ordem, onde, pelas rela\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas do MTST com o Estado, Boulos se situa, \u00e9 insuficiente. \u00c9 imposs\u00edvel restaurar um padr\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o historicamente condenado. O ant\u00eddoto \u00e0 resposta ditatorial de Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 neg\u00e1-la como possibilidade inscrita na luta de classes, mas oferecer uma alternativa radical pela esquerda \u00e0 crise terminal da Nova Rep\u00fablica. O desafio \u00e9 superar os limites da democracia de coopta\u00e7\u00e3o do per\u00edodo anterior. N\u00e3o h\u00e1 como resolver o antagonismo entre o princ\u00edpio da representa\u00e7\u00e3o da vontade popular e o absoluto controle do capital sobre o Estado sem transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas de grande envergadura.<\/p>\n<p>Por fim, a dificuldade para realizar a unidade da esquerda n\u00e3o decorre de picuinhas infundadas, atribu\u00eddas \u00e0 imaturidade e mesquinharias das dire\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, como sugere Boulos, mas de compromissos pol\u00edticos antag\u00f4nicos que impedem a converg\u00eancia program\u00e1tica. A impossibilidade da unidade program\u00e1tica \u00e9 tanto maior quando o regime burgu\u00eas fecha completamente qualquer brecha para a reforma, como ocorre no capitalismo contempor\u00e2neo de uma maneira geral e no Brasil de maneira muito particular. Ao n\u00e3o diferenciar a esquerda da ordem &#8211; PT, PCdoB &#8211; da esquerda contra a ordem &#8211; PSOL, PSTU, PCB &#8211; dilui-se o abismo que se interp\u00f5e entre os partidos enquadrados nas exig\u00eancias do capital; e os partidos que se batem pela revolu\u00e7\u00e3o social. Queira ou n\u00e3o, os primeiros operam necessariamente dentro dos par\u00e2metros da concilia\u00e7\u00e3o de classe. Em poucas palavras, o problema da unidade da esquerda n\u00e3o se situa no campo abstrato da psicologia das lideran\u00e7as pol\u00edticas e de suas idiossincrasias. O bloqueio a unidade program\u00e1tica das esquerdas decorre das diferen\u00e7as nos v\u00ednculos da esquerda da ordem e da esquerda contra a ordem com as classes sociais que pretendem representar.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que as diferen\u00e7as qualitativas entre as esquerdas n\u00e3o s\u00e3o &#8211; e n\u00e3o poderiam ser &#8211; fatores impeditivos de uma unidade na luta em torno de quest\u00f5es concretas como, por exemplo, a defesa da democracia e a preserva\u00e7\u00e3o de conquistas sociais. Nesse campo, diga-se de passagem, as dificuldades \u00e0 unidade originaram-se invariavelmente dos compromissos org\u00e2nicos da esquerda da ordem com o capital. O ano de 2017 foi emblem\u00e1tico. Toda vez que um empurr\u00e3ozinho poderia ter derrubado Temer e bloqueado os ataques aos trabalhadores, PT e PCdoB tergiversaram, evidenciando seus compromissos velados com o mundo dos neg\u00f3cios. Unidade nas ruas s\u00f3 quando conv\u00e9m a conveni\u00eancias partid\u00e1rias muito particulares \u00e9 oportunismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre a candidatura do PSOL \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica nas elei\u00e7\u00f5es de 2018 aquece os f\u00f3runs da milit\u00e2ncia mesmo que a dire\u00e7\u00e3o do partido j\u00e1 tenha escolhido, sozinha e distante dos necess\u00e1rios debates program\u00e1ticos, o nome de Guilherme Boulos para o partido. \u00c0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3035,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-3034","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-debates-socialistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3034"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3034\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}