

	{"id":307,"date":"2013-08-16T08:35:00","date_gmt":"2013-08-16T08:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2013\/08\/16\/arquivoid-9331\/"},"modified":"2013-08-16T08:35:00","modified_gmt":"2013-08-16T08:35:00","slug":"arquivoid-9331","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2013\/08\/16\/arquivoid-9331\/","title":{"rendered":"Argentina: Esmagadora derrota K e mais de um milh\u00e3o de votos na esquerda"},"content":{"rendered":"<p>Estrondosa vota\u00e7\u00e3o da Frente de Esquerda |<\/p>\n<p>Os resultados das PASO (elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias abertas) deixaram uma conclus\u00e3o clara: o governo justicialista K tem sofrido uma d\u00e9b\u00e2cle eleitoral. Perderam 4 milh\u00f5es de votos. Tem se manifestado um colossal voto castigo \u00e0s suas pol\u00edticas antipopulares e antioper\u00e1rias. O kirchnerismo (K) se termina. A confirma\u00e7\u00e3o certa destes resultados em Outubro, elei\u00e7\u00e3o plena, deixar\u00e1 um governo enfraquecido e abrir\u00e1 uma perspectiva de maior crise pol\u00edtica. S\u00e9rgio Massa na prov\u00edncia de Buenos Aires e diversos setores opositores patronais canalizaram majoritariamente estes votos. Por\u00e9m, o outro fato pol\u00edtico destacado, \u00e9 a grande elei\u00e7\u00e3o que conseguiu a FIT (Frente da Esquerda e os Trabalhadores) em n\u00edvel nacional, chegando a quase um milh\u00e3o de votos. Produziu-se um forte giro \u00e0 esquerda que fortalece uma alternativa pol\u00edtica da esquerda combativa.<br \/>\nEmbora no domingo a presidenta tentou minimizar a derrota eleitoral, \u00e9 imposs\u00edvel tapar o sol com a peneira. Segundo Cristina Kirchner, a FPV (Frente Para a Vit\u00f3ria) \u201cse ratificou como a primeira for\u00e7a nacional\u201d com 26,3%. Ela esquece, por\u00e9m, que em 2011 tinham conseguido 52,2 % dos votos para legisladores e 54% para presid\u00eancia. Em dois anos eles perderam quase a metade dos votos. A derrota foi esmagadora. Os dados s\u00e3o contundentes. O peronismo K perdeu 4 milh\u00f5es de votos e 2 deles na prov\u00edncia de Buenos Aires. Foram derrotados em 13 distritos dos 24, incluindo os mais importantes, como Buenos Aires, Capital Federal, C\u00f3rdoba, Santa F\u00e9 e Mendoza. Em lugares hist\u00f3ricos para o peronismo (PJ), como La Rioja, perderam a m\u00e3os da UCR (Uni\u00e3o C\u00edvica Radical). Tamb\u00e9m perderam nas prov\u00edncias de Santa Cruz, San Juan, Catamarca, Corrientes e Chubut. Em Neuqu\u00e9n ganhou seu aliado MPN (Mov. Popular Neuquino), mas numa chapa interna anti K, encabe\u00e7ada pelo burocrata sindical Pereyra, petroleiro da Central opositora de Moyano, que fez campanha contra o acordo com a petroleira Chevron.<br \/>\nMilh\u00f5es romperam com o governo peronista K<br \/>\nTem se generalizado a defini\u00e7\u00e3o de que houve um voto castigo. Efetivamente. Mas se trata de um voto de ruptura de milh\u00f5es de trabalhadores e de setores populares fartos das pol\u00edticas antipopulares e antioper\u00e1rias de um governo que, falsamente, se diz \u201cnacional e popular\u201d.<br \/>\nO governo e alguns de seus porta-vozes querem minimizar esta derrota e fazem a compara\u00e7\u00e3o com 2009, quando perderam a elei\u00e7\u00e3o com N\u00e9stor Kirchner e Daniel Scioli nas famosas \u201cchapas testemunhais\u201d. \u00c9 verdade que em 2011 se recuperaram. Agora dizem: \u201cEm outubro decolamos\u201d e \u201cvamos em 2015 ratificar o projeto\u201d. No entanto, se equivocam, porque em 2011 amplos setores de massas lhe deram seu voto esperando pelas promessas n\u00e3o cumpridas. E, desde ent\u00e3o, a presidenta liquidou essas expectativas. J\u00e1 antes das elei\u00e7\u00f5es, milh\u00f5es foram se afastando do governo. Por isso, nos dois \u00faltimos anos houve um crescimento das lutas sociais. Pela primeira vez em 10 anos a CGT se viu obrigada a convocar uma greve nacional, milhares sa\u00edram \u00e0s ruas pelo sal\u00e1rio, a educa\u00e7\u00e3o, contra a inseguran\u00e7a ou contra a mega mineira.<br \/>\nO voto de ruptura n\u00e3o tem retorno, porque \u00e9 um voto contra as mentiras de Cristina Kirchner, contra o imposto ao sal\u00e1rio, ao p\u00e3o a $20,00, a infla\u00e7\u00e3o, o desastre do trem Sarmiento, a corrup\u00e7\u00e3o dos Jaime, De Vido ou B\u00e1ez; contra os acordos com as multinacionais como Chevron, Monsanto ou a Barrick, ou a nomea\u00e7\u00e3o do genocida C\u00e9sar Milani para Chefe do Ex\u00e9rcito,<br \/>\nPor isso, a perspectiva para outubro \u00e9 que esta derrota se ratifique e que possa, inclusive, ser mais contundente ainda. J\u00e1 que, diante de milh\u00f5es, \u00e9 evidente que estamos transitando o fim do ciclo K. Para 2015 as margens de recupera\u00e7\u00e3o do governo s\u00e3o quase nulas, pois ficar\u00e1 muito enfraquecido politicamente, com uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o favor\u00e1vel pela crise mundial e obrigado a aplicar novos ajustes ao sal\u00e1rio e o povo, para tentar salvar os lucros dos empres\u00e1rios, o que derivar\u00e1 em maiores conflitos sociais, com lutas dos trabalhadores e dos setores populares pelas suas reivindica\u00e7\u00f5es. Isso seguir\u00e1 corroendo o governo e incentivando novas crises pol\u00edticas e sociais, j\u00e1 que seu duplo discurso n\u00e3o convence mais ningu\u00e9m. O espelho no qual se deve enxergar o governo e o pa\u00eds \u00e9 o Brasil, com uma rebeli\u00e3o massiva da juventude e o povo brasileiro contra um governo pseudo-esquerdista e popular como o da Dilma e o PT.<br \/>\n S\u00e9rgio Massa e diversas variantes de setores patronais peronistas (PJ) e radicais (UCR) canalizaram a maioria do voto castigo<br \/>\nO resultado eleitoral mostra que a maior parte do voto que rompeu com o governo foi canalizado atrav\u00e9s de variantes pol\u00edticas patronais e n\u00e3o para uma \u00fanica for\u00e7a opositora clara e hegem\u00f4nica, como acontecia no passado. Quer dizer, se ratifica que desde o &quot;Argentina\u00e7o&quot;, com a palavra de ordem \u201cFora todos, peronistas e radicais\u201d, segue de p\u00e9 a crise do bipartidarismo PJ-UCR. Os dois grandes partidos do regime pol\u00edtico patronal argentino seguem numa profunda crise, divididos em distintas fra\u00e7\u00f5es, partidos ou frentes estaduais ou locais.<br \/>\nS\u00f3 na Prov\u00edncia de Buenos Aires, por exemplo, houve cinco chapas peronistas. Na Capital estiveram Daniel Filmus, Rodr\u00edguez Sa\u00e1, uma chapa do \u201cMono\u201d Venegas e a do sindicalista J\u00falio Piumato, que n\u00e3o consegui ultrapassar 1,5%.<br \/>\nNesse marco aparece como grande vencedor nacional S\u00e9rgio Massa, com sua Frente Renovadora (FR), que derrotou Mart\u00edn Insaurralde, candidato peronista da FPV, respaldado por Cristina e o governador de Buenos Aires Scioli, outro dos grandes derrotados. Massa conseguiu apoio de 20 prefeitos, de dirigentes como Felipe Sol\u00e1 e Roberto Lavagna do PRO, setores da UIA (Uni\u00e3o Industrial Argentina) como De Mendiguren, da burocracia sindical como Rodolfo Daer (da CGT Balcarce) e Luis Barrionuevo, entre outros. O triunfo da FR abre a expectativa ou a disputa interna no chamado \u201cperonismo opositor\u201d, para ver se Massa consegue ser o dirigente que nucleie as distintas fra\u00e7\u00f5es peronistas rumo a uma recomposi\u00e7\u00e3o justicialista anti K para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2015.<br \/>\nMas tudo isso ainda est\u00e1 por ver-se, porque  n\u00e3o existe um projeto pol\u00edtico alternativo claro e s\u00f3 existe uma briga por cargos. Ao ponto que at\u00e9 o dia de hoje n\u00e3o se sabe bem quais s\u00e3o as propostas de Massa realmente distintas das do governo. Na verdade, Massa s\u00f3 conseguiu capitalizar o voto castigo e a busca de milh\u00f5es por algo novo. Por\u00e9m, nenhuma  das variantes peronistas opositoras t\u00eam uma proposta qualitativamente diferente ao peronismo K. Seguem sendo parte de um peronismo \u201caggiornado\u201d segundo as necessidades dos empres\u00e1rios e banqueiros. Todas as variantes anti K: Massa, De Narv\u00e1ez, De la Sota, Das Neves, Peralta, os Sa\u00e1 ou Lavagna s\u00e3o todos aliados dos empres\u00e1rios e das diversas variantes da burocracia sindical. O \u00fanico ponto em comum que todos eles t\u00eam \u00e9 tentar recuperar um peronismo em crise para evitar que milh\u00f5es de trabalhadores defraudados com o projeto K v\u00e3o definitivamente para a esquerda. Em 2015 buscar\u00e3o sustentar uma nova variante justicialista (PJ) no poder para seguir estando ao servi\u00e7o dos de cima.<br \/>\nO outro setor que conseguiu recuperar um espa\u00e7o s\u00e3o as diversas variantes patronais n\u00e3o peronistas, entre elas os restos da UCR (que conseguiu triunfos em Mendoza com J\u00falio Cobos, Santa Cruz, La Rioja ou Catamarca), alguns de seus ex mais destacados, como a \u201cressuscitada\u201d Elisa Carri\u00f3 ou Margarita Stolbizer, o socialdemocrata Binner (PS), com distintas alian\u00e7as como em Santa F\u00e9, onde s\u00e3o governo com a UCR, outras com Livres do Sul, setores da CTA como De Gennaro (FAP) e at\u00e9 com o cineasta \u201cperonista\u201d Pino Solanas, junto aos escassos restos do Projeto Sul na Capital. Mas, nesta faixa tamb\u00e9m n\u00e3o tem, at\u00e9 agora, uma unidade nem frente comum. A tal ponto que, na Capital, sob a sigla UNEN tiveram que fazer uma elei\u00e7\u00e3o interna entre quatro chapas, na qual ganhou Carri\u00f3-Solanas, quando quase ningu\u00e9m coincidia em nada.<br \/>\nO PRO de Maur\u00edcio Macri \u00e9 outro dos derrotados, j\u00e1 que sua for\u00e7a de centro-direita n\u00e3o consegue se instalar a n\u00edvel nacional, com um retrocesso em Santa F\u00e9 e com mornas apresenta\u00e7\u00f5es em C\u00f3rdoba e em Entre Rios. Em seu basti\u00e3o, Capital, com 30,1% n\u00e3o conseguiu um triunfo contundente, pois a soma das listas de Unen deu 32%, o que pode por em quest\u00e3o sua hegemonia em outubro.<br \/>\nOutra conclus\u00e3o que deixa o resultado das PASO \u00e9 a d\u00e9b\u00e2cle dos projetos de centro-esquerda, que h\u00e1 uns anos encabe\u00e7ou Pino Solanas e Projeto Sur, Juez de C\u00f3rdoba, apoiado pela CTA-com Cl\u00e1udio Lozano e De Gennaro, e setores da esquerda como o PCR-CCC e o MST. Mostrou que o meio termo n\u00e3o funciona. Seu curso \u00e9 cada vez mais oportunista e \u00e0 direita, evidenciado no acordo de Pino com Elisa Carri\u00f3 e setores da UCR, que derivou numa aguda crise e em sua implos\u00e3o. Da\u00ed a baixa performance das chapas de Lozano-Marea Popular na Capital, do Juez em C\u00f3rdoba e o fato de que chapas como a de Podemos (Maffei, PCR-MST) em Buenos Aires ou de Alejandro Bodart-MST da Capital, n\u00e3o conseguiram superar o prescritivo 1,5% de votos.<br \/>\nProduze-se um giro \u00e0 esquerda com o voto na FIT em todo o pa\u00eds<br \/>\nPara os socialistas revolucion\u00e1rios, o mais destac\u00e1vel das elei\u00e7\u00f5es de Agosto \u00e9 a extraordin\u00e1ria elei\u00e7\u00e3o feita pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (PO-PTS-Esquerda Socialista) em todo o pa\u00eds.<br \/>\nHouve um giro \u00e0 esquerda eleitoral. A esquerda, de conjunto, chegou a 1.240.000 votos &#8211; 05,42% (dados jornal Clar\u00edn), dos quais a FIT conseguiu 900.371 votos, superando com sucesso o ch\u00e3o de 1,5% nos 19 distritos em que se apresentou. Com destacadas elei\u00e7\u00f5es, como as da Prov\u00edncia de Buenos Aires com 342.950 votos (quase 4%) que, de se manter a porcentagem, em Outubro ingressaria Nestor Pitrola (PO) como deputado federal. Na Capital com 4,18%; em C\u00f3rdoba a chapa encabe\u00e7ada pela nossa companheira Liliana Olivero chegou ao hist\u00f3rico 10% na Capital; em Mendoza conseguimos 7,61%; em Salta foram 11,19%; em Jujuy foram 8,97; em Neuqu\u00e9n 6,65% ou em prov\u00edncias dif\u00edceis para a esquerda, como Santiago del Estero, quase 4%, em Formosa 5,18%, em La Rioja foram 3,62% ou na cidade de Bariloche com 9,50%.<br \/>\n\u00c9 um fato que centenas de trabalhadores, setores populares e jovens que romperam com o peronismo K deram o seu voto \u00e0 FIT, sem se deixar tentar pelo voto &quot;\u00fatil&quot; para for\u00e7as patronais opositoras. Viram na FIT a necessidade de ter um verdadeiro voto \u00fatil, para fortalecer os que est\u00e3o sempre nas lutas e apoiando todas as reclama\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares. Da\u00ed a boa elei\u00e7\u00e3o nos bairros oper\u00e1rios e populares. Foi um pr\u00eamio a essa const\u00e2ncia e \u00e0 unidade da esquerda. \u00c0 localiza\u00e7\u00e3o com candidatos de lutadores ferrovi\u00e1rios, do metr\u00f4, da doc\u00eancia de todo o pa\u00eds, das f\u00e1bricas, dos bairros ou da juventude.<br \/>\nEste grande resultado eleitoral da FIT tem n\u00e3o s\u00f3 uma import\u00e2ncia eleitoral, peleja que seguiremos dando em Outubro para obter  deputados da esquerda ao Parlamento. Mas que, al\u00e9m do mais, mostra que est\u00e1 se fortalecendo uma nova alternativa pol\u00edtica dos trabalhadores e da esquerda, para impulsionar as lutas que vir\u00e3o e para preparar a mudan\u00e7a de fundo que precisa a classe trabalhadora e o povo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estrondosa vota\u00e7\u00e3o da Frente de Esquerda | Os resultados das PASO (elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias abertas) deixaram uma conclus\u00e3o clara: o governo justicialista K tem sofrido uma d\u00e9b\u00e2cle eleitoral. Perderam 4 milh\u00f5es de votos. Tem se manifestado um colossal voto castigo \u00e0s suas pol\u00edticas antipopulares e antioper\u00e1rias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-307","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/307","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=307"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/307\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}