

	{"id":309,"date":"2013-08-26T14:36:00","date_gmt":"2013-08-26T14:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2013\/08\/26\/arquivoid-9333\/"},"modified":"2013-08-26T14:36:00","modified_gmt":"2013-08-26T14:36:00","slug":"arquivoid-9333","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2013\/08\/26\/arquivoid-9333\/","title":{"rendered":"\u201cAonde vai a primavera \u00e1rabe\u201d?"},"content":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans |<\/p>\n<p>O golpe e a selvagem repress\u00e3o dos militares no Egito e a liberta\u00e7\u00e3o do ex-ditador Mubarak, abrem d\u00favidas em milhares de lutadores do mundo: Est\u00e1 acabando o processo da \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d? Devemos somar tamb\u00e9m as novas e criminais a\u00e7\u00f5es de Bachar AL Assad na indefinida guerra civil na S\u00edria. Est\u00e1 se fechando o ciclo das revolu\u00e7\u00f5es triunfantes que derrocaram as ditaduras na Tun\u00edsia, Egito e L\u00edbia? Estamos frente ao perigo de um triunfo de uma contra revolu\u00e7\u00e3o sangrenta como m\u00ednimo no Egito, impondo um retrocesso regional no processo revolucion\u00e1rio aberto em come\u00e7os de 2011?<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os fatos de mostram avan\u00e7os das for\u00e7as contra revolucion\u00e1rias e agentes do imperialismo. No Egito houve um golpe militar contrarrevolucion\u00e1rio e o ditador Mubarak passou da pris\u00e3o ao arresto domiciliar. Na Tun\u00edsia foram assassinados importantes dirigentes da Frente Popular, que impulsiona a mobiliza\u00e7\u00e3o contra o governo isl\u00e2mico Ennahda. A f\u00faria da ditadura s\u00edria provocou mais de nove mil novas v\u00edtimas c\u00edveis em um bairro rebelde de Damasco. O governo aceitou a exist\u00eancia do massacre, mas rejeita as evidencias que mostrariam que utilizou armas qu\u00edmicas. Estes fatos sobram para mostrar a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o que atravessa a luta revolucionaria dos povos da regi\u00e3o. \u00c9 nesse contexto que se tenciona o confronto entre a revolu\u00e7\u00e3o e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Qual foi o significado das revolu\u00e7\u00f5es triunfantes<\/p>\n<p>O ascenso da luta de massas e a queda das ditaduras tem sido um processo complexo e cheio de contradi\u00e7\u00f5es desde eu in\u00edcio. Um fator decisivo que provocou uma enorme confus\u00e3o foi o fato que os governos como de Ch\u00e1vez na Venezuela, o de Cuba e os velhos partidos comunistas, assim como Putin e a ditadura chinesa, apoiaram em todo momento aos ditadores como Kadafi e Bashar Al Assad na S\u00edria, a quem continuam apoiando com o falso argumento de que \u201cs\u00e3o atacados pelo imperialismo\u201d.<\/p>\n<p>Da nossa parte, nas Teses Pol\u00edticas Mundiais, (edi\u00e7\u00e3o especial p\u00e1g. 27\/28) diz\u00edamos que \u201cna Tun\u00edsia, no Egito e na L\u00edbia triunfaram grandes revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que, pela falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria n\u00e3o conseguiram avan\u00e7ar at\u00e9 o triunfo de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista [&#8230;] A aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o organizada, al\u00e9m de lideran\u00e7as locais, define o car\u00e1ter espont\u00e2neo destas revolu\u00e7\u00f5es. Por outra parte, sobre tudo na Tun\u00edsia e no Egito, em que pese \u00e0 queda das ditaduras, continuam se mantendo aspectos do antigo regime ditatorial e fundamentalmente a continuidade da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Por tanto, s\u00e3o revolu\u00e7oes inacabadas. Assim, se abriu uma nova etapa do processo revolucion\u00e1rio e novas tarefas, onde o eixo que ordena o programa de luta passa por conquistar o poder por parte dos trabalhadores e do povo para resolver definitivamente tanto os problemas democr\u00e1ticos como os sociais do sal\u00e1rio, trabalho, p\u00e3o, sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto rejeit\u00e1vamos a nefasta pol\u00edtica da esquerda chavista de avalizar os ditadores, insist\u00edamos que esses triunfos democr\u00e1ticos nasciam \u201cinacabados\u201d com \u201caspectos do antigo regime ditatorial\u201d. E alert\u00e1vamos sobre a pol\u00edtica do imperialismo e das dire\u00e7\u00f5es burguesas e reformistas (laicas ou isl\u00e2micas) que pretenderiam frear a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas para canalizar seus triunfos em regimes \u201cconstitucionais\u201d burgueses e pro imperialistas, o que chamamos de \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica?.<\/p>\n<p>A realidade foi mostrando o fracasso deste plano, especialmente no caso do Egito, de tentar desviar a revolu\u00e7\u00e3o pela via de \u201cgovernos civis\u201d isl\u00e2micos e com algumas liberdades. Esses governos fracassam pela sua total incapacidade para responder as demandas das massas, n\u00e3o somente de liberdades, mas de conseguir condi\u00e7\u00f5es de vida dignas.  Por isso no Egito a mobiliza\u00e7\u00e3o continuou contra Mursi. Ent\u00e3o, frente ao perigo de um descontrole total passaram a aplicar o plano B: a contra revolu\u00e7\u00e3o, a volta dos militares ao poder e uma repress\u00e3o massiva.<\/p>\n<p>Para o caso da S\u00edria, a contra revolu\u00e7\u00e3o tem conquistas porque os governos da R\u00fassia e China, (apoiados pelos partidos comunistas e o chavismo) est\u00e1 dando armamento ao ditador, e foi chave o apoio do Ir\u00e3, atrav\u00e9s de Hezzbollah, para sustentar o regime em momentos em que cambaleava frente \u00e0 ofensiva rebelde.<\/p>\n<p>A contrarrevoluci\u00f3n busca se reerguer <\/p>\n<p>A aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o revolucionaria possibilitou no Egito que as massivas mobiliza\u00e7\u00f5es contra o governo Mursi fossem manipuladas pelo ex\u00e9rcito (que recebe bilion\u00e1rios financiamentos por parte dos EUA) conseguindo o apoio massivo de setores juvenis laicos.<\/p>\n<p>Esta colocada a possibilidade e o perigo de que entre a repress\u00e3o e a confus\u00e3o instaladas entre as massas se fortale\u00e7a uma nova ditadura. A persecu\u00e7\u00e3o contra a Irmandade Mu\u00e7ulmana vai se estender aos sindicatos, ao movimento oper\u00e1rio e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es que saiam \u00e0 luta contra o governo militar. Assim, um novo desafio est\u00e1 colocado para o povo e para os trabalhadores eg\u00edpcios, pois a consolida\u00e7\u00e3o de uma nova ditadura seria um golpe n\u00e3o somente para eles, mas para o processo revolucion\u00e1rio regional.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, os militares no governo eg\u00edpcio, o imperialismo ianque e os sionistas de Israel est\u00e3o apostando nisso. O matutino The New Iorque Times recebeu a informa\u00e7\u00e3o oficial israelense sobre a atividade de seus embaixadores em Washington, Londres, Paris, Berlin e outras capitais, que procuram se reunir com seus respectivos chanceleres  para manifestar seu apoio ao ex\u00e9rcito eg\u00edpcio, ao que definem como \u201ca \u00fanica esperan\u00e7a de evitar mais caos\u201d (Clarin, Argentina, 21\/082013). O ex\u00e9rcito israelense est\u00e1 atuando em estreita coopera\u00e7\u00e3o com o eg\u00edpcio para reprimir aos combatentes pr\u00f3-palestinos e controlar ferreamente a fronteira do Sinai.<\/p>\n<p>A chave \u00e9 o problema da dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> Nestes mais de dois anos de \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d ficou evidente a gravidade da aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1ria. O movimento de massas fez as revolu\u00e7\u00f5es, mas surgiram como dire\u00e7\u00f5es correntes isl\u00e2micas burguesas como a Irmandade mu\u00e7ulmana (Egito e S\u00edria) Ennahda na Tun\u00edsia ou as for\u00e7as que comp\u00f5em o CNS na S\u00edria, avalizados pelos governos da Turquia ou Qatar, que n\u00e3o querem novos triunfos revolucion\u00e1rios. Em oposi\u00e7\u00e3o a eles, tem crescido entre a esquerda e as organiza\u00e7\u00f5es juvenis e sindicais as correntes de concilia\u00e7\u00e3o de classes e reformistas, tanto isl\u00e2micas quanto laicas.<\/p>\n<p>O movimento juvenil eg\u00edpcio Tamarod \u00e9 a m\u00e1xima express\u00e3o desta profunda debilidade. Reclamando corretamente contra a falta de resposta \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es por parte do governo isl\u00e2mico, ca\u00edram na armadilha mortal de apoiar os militares e justificar sua repress\u00e3o, junto ao minorit\u00e1rio Partido Comunista e o nasserismo, integrando a Frente de Salva\u00e7\u00e3o Nacional.<\/p>\n<p>Na Tun\u00edsia, o governo do partido isl\u00e2mico Ennahda viu-se enfrentado a greves e mobiliza\u00e7\u00f5es por reivindica\u00e7\u00f5es populares. Deixou na impunidade grupos criminosos que assassinam lutadores.  Mas a oposi\u00e7\u00e3o, entre ela a dire\u00e7\u00e3o da UGTT e setores da esquerda, nucleados na Frente Popular, adotam posi\u00e7\u00f5es de concilia\u00e7\u00e3o de classes, como se unir a elementos do antigo regime como Nidaa Tounes ou propondo um governo de salva\u00e7\u00e3o nacional o que gera novas confus\u00f5es.<\/p>\n<p> O processo continua aberto<\/p>\n<p>Na atualidade existe uma luta encarni\u00e7ada entre a revolu\u00e7\u00e3o e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 dita a ultima palavra. Continua a mobiliza\u00e7\u00e3o e a vontade de luta do movimento de massas. Assim sendo, \u00e9 poss\u00edvel derrotar esta ofensiva da contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a tarefa mais importante do momento. E que, nesse caminho surjam novos dirigentes e organiza\u00e7\u00f5es que impulsionem de forma consequente a luta contra a burguesia, suas for\u00e7as armadas e o imperialismo. Estrategicamente est\u00e1 colocado avan\u00e7ar para conquistar governos dos trabalhadores e dos setores populares que impulsionem a independ\u00eancia pol\u00edtica do movimento de massas, a ruptura com o imperialismo e as medidas anticapitalistas que possibilitem satisfazer as imensas demandas destes povos.<\/p>\n<p>Mais uma vez est\u00e1 demonstrado que n\u00e3o existem \u201cetapas\u201d nas quais o povo deva se limitar \u00e0s demandas democr\u00e1ticas, nem possibilidade de progresso sustentando governos burgueses nem isl\u00e2micos nem laicos. E menos ainda pactuando com os restos das velhas ditaduras ou apoiando golpes militares pro imperialistas. Existe um \u00fanico processo de revolu\u00e7\u00e3o permanente e regional que os militares, os governos burgueses \u00e1rabes, o imperialismo e o sionismo pretendem derrotar.<\/p>\n<p>Chamamos todos os lutadores antiimperialistas e anticapitalistas, \u00e0 juventude \u00e1rabe, a todos os povos e \u00e0 esquerda mundial a apoiar a rebeli\u00e3o s\u00edria e, no imediato, a se mobilizar contra o governo militar eg\u00edpcio, chamando aos jovens que o apoiam a romper com ele para se somar \u00e0 luta para derrotar \u00e0 contra revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans | O golpe e a selvagem repress\u00e3o dos militares no Egito e a liberta\u00e7\u00e3o do ex-ditador Mubarak, abrem d\u00favidas em milhares de lutadores do mundo: Est\u00e1 acabando o processo da \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d? 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