

	{"id":3350,"date":"2018-05-17T14:42:17","date_gmt":"2018-05-17T14:42:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3350"},"modified":"2018-05-17T19:03:11","modified_gmt":"2018-05-17T19:03:11","slug":"o-professor-valerio-arcary-e-o-planeta-das-derrotas-politica-e-metodologia-a-servico-da-frente-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2018\/05\/17\/o-professor-valerio-arcary-e-o-planeta-das-derrotas-politica-e-metodologia-a-servico-da-frente-popular\/","title":{"rendered":"O professor Val\u00e9rio Arcary e o planeta das derrotas &#8211; pol\u00edtica e metodologia a servi\u00e7o da Frente Popular!"},"content":{"rendered":"<p><em>Por: Marcello Bertolo e Silvia Santos\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O professor Val\u00e9rio Arcary, dirigente da Resist\u00eancia (PSOL), em resposta a um texto de Mariucha Fontana (dirigente do PSTU), declarou apreciar pol\u00eamicas educativas e acreditar no valor da luta de ideias. \u201cSou a favor de debates das diferen\u00e7as. Maior clareza ajuda a lutar\u201d. Arcary escreveu ainda que n\u00e3o lhe agrada \u201ca escola de discuss\u00e3o pol\u00edtica que valoriza os excessos verbais\u201d. E garantiu n\u00e3o gostar de \u201cexacerbar as caracteriza\u00e7\u00f5es dos advers\u00e1rios at\u00e9 o limite\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, poucas horas antes, no XIII Congresso da FASUBRA, a postura de Val\u00e9rio Arcary foi absolutamente avessa a esta que afirma apreciar. Em uma mesa sobre conjuntura, Arcary n\u00e3o poupou verborragia e agita\u00e7\u00e3o de caracteriza\u00e7\u00f5es ao polemizar de forma nada fraterna com Pedro Rosa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da UFF e militante da CST-PSOL. O dirigente da Resist\u00eancia acusou Pedro Rosa de desonestidade intelectual e a posi\u00e7\u00e3o expressa pelo companheiro de ser \u201cuma caricatura grosseira e deformada da pol\u00edtica de Leon Trotsky\u201d.<\/p>\n<p>De forma arrogante e jocosa, afirmou viver em um mundo \u201cmuito diferente do planeta que o Pedro Rosa vive\u201d, apontou que a posi\u00e7\u00e3o do companheiro da CST-PSOL \u201cn\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica revolucion\u00e1ria\u201d, a rotulou como \u201canarco-sindicalismo\u201d e que a mesma \u201cprop\u00f5e a\u00e7\u00f5es aventureiras que preparam derrotas\u201d. Com esta postura, Arcary atraiu aplausos euf\u00f3ricos das claques lulistas da CUT e CTB, centrais \u00e0s quais teceu cr\u00edticas absolutamente espor\u00e1dicas, para n\u00e3o dizer insignificantes. O Val\u00e9rio Arcary de outrora, que polemizava de forma apaixonada contra o reformismo, o centrismo, o lulismo e as demais dire\u00e7\u00f5es traidoras, desapareceu. O de hoje direciona sua metralhadora argumentativa contra trotskistas da mesma tradi\u00e7\u00e3o da qual ele pr\u00f3prio \u00e9 oriundo.<\/p>\n<p><strong>Correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e defesa da Frente Popular<\/strong><\/p>\n<p>Por tr\u00e1s de uma agita\u00e7\u00e3o que falta com a verdade, h\u00e1 uma tentativa de esconder o debate pol\u00edtico. Para Val\u00e9rio Arcary, \u201cse iniciou nos \u00faltimos dois anos uma grande ofensiva da classe dominante\u201d. Conforme sua an\u00e1lise, a partir de ent\u00e3o \u201ca situa\u00e7\u00e3o ficou muito mais dif\u00edcil\u201d e \u201celes est\u00e3o na ofensiva e n\u00f3s estamos na defensiva\u201d. \u00c9 como se nada houvesse acontecido antes do impeachment de Dilma. A posi\u00e7\u00e3o de Arcary neste caso segue rigorosamente a narrativa petista acerca dos fatos, vide sua caracteriza\u00e7\u00e3o sobre o que foram os treze anos de governo do PT. Ele avalia que tivemos um \u201cgoverno de Frente Popular que prop\u00f4s-se a fazer reformas no capitalismo\u201d. E completa que \u201calguns de n\u00f3s \u00e9ramos tamb\u00e9m a favor de reformas, mas quer\u00edamos mais\u201d. Trata-se de uma an\u00e1lise que destoa por completo do ac\u00famulo da esquerda socialista ao longo destes treze anos, cujas express\u00f5es utilizadas para definir os governos petistas v\u00e3o de \u201cpacto conservador de alta intensidade\u201d a \u201csocial-liberalismo\u201d. Em nossa tradi\u00e7\u00e3o sempre qualificamos os governos de concilia\u00e7\u00e3o de classes, de frente popular, como governos burgueses. Os programas sociais implantados por eles, como o Bolsa-Fam\u00edlia, foram medidas sociais compensat\u00f3rias limitad\u00edssimas, tuteladas e orientadas pelo Banco Mundial, nada muito diferente do que j\u00e1 fora anteriormente aplicado por governos de origem genuinamente burguesa e longe de serem reformas no capitalismo. No mais, os governos petistas foram fieis aplicadores das pol\u00edticas de austeridade, pagadores sistem\u00e1ticos da d\u00edvida p\u00fablica, praticantes obstinados das privatiza\u00e7\u00f5es e da entrega do patrim\u00f4nio p\u00fablico ao capital estrangeiro \u2013 cuja face mais vis\u00edvel foi a entrega do pr\u00e9-sal \u2013 e contundentes impositores de medidas restritivas \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas como a lei antiterror. Os governos do PT conduziram um per\u00edodo de enriquecimento recorde do sistema financeiro e est\u00e3o anos-luz distantes de serem meramente reformistas incapazes de atender de forma plena nossos anseios por reformas. Inclusive, o fato pol\u00edtico que desencadeou o surgimento do PSOL e da CSP-Conlutas foi justamente o processo de enfrentamento \u00e0s contrarreformas do governo Lula. Em nenhum momento foi uma luta por mais reformas, mas sim contra a retirada de direitos. Essa sim \u00e9 uma verdadeira \u201ccaricatura\u201d de caracteriza\u00e7\u00e3o do que foram os governos petistas. Trata-se de uma avalia\u00e7\u00e3o que consegue ser mais conivente com o PT que escritas at\u00e9 mesmo de setores explicitamente petistas. \u00c9 assustador que Val\u00e9rio Arcary tenha migrado para uma leitura t\u00e3o petista da realidade. Com sua nova vis\u00e3o, jamais os radicais teriam avan\u00e7ado e contribu\u00eddo para a funda\u00e7\u00e3o do PSOL.\u00a0 Jamais o sindicalismo combativo e classista teria fundando a CSP-CONLUTAS.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 \u201chegemonia\u201d do regime?<\/strong><\/p>\n<p>Em suas aprecia\u00e7\u00f5es, Val\u00e9rio Arcary reconhece hoje que \u201cgoverno Temer \u00e9 dramaticamente fraco\u201d. Declara que \u201ch\u00e1 fraturas na classe dominante\u201d. Delimita ainda que \u201ch\u00e1 uma fra\u00e7\u00e3o da classe dominante, que Temer representa, que est\u00e1 contra a lava-jato\u201d. E afirma que estas s\u00e3o \u201craz\u00f5es pelas quais n\u00f3s estamos a cinco meses das elei\u00e7\u00f5es, os prazos se apertam, e a classe dominante ainda n\u00e3o conseguiu dar o batismo \u00e0 sua candidatura\u201d. Aqui encontramos um profundo acordo em nossas an\u00e1lises. Contudo, diante de todos estes fatos que o pr\u00f3prio Arcary cita, ele contraditoriamente acredita que \u201ca hegemonia do regime \u00e9 fort\u00edssima\u201d.<\/p>\n<p>Comecemos pela defini\u00e7\u00e3o do regime: \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es estatais que a classe dominante (ou um setor dela) utiliza para governar e manter a ordem vigente. Dentre os muitos regimes pol\u00edticos que utiliza a burguesia, podemos destacar a grosso modo dois: a democracia burguesa, na qual as institui\u00e7\u00f5es fundamentais s\u00e3o os poderes executivo, legislativo e judici\u00e1rio; e a ditadura, cuja institui\u00e7\u00e3o fundamental s\u00e3o as for\u00e7as armadas. O que n\u00e3o significa que, no Estado capitalista, as for\u00e7as armadas n\u00e3o sejam, sempre, as guardi\u00e3s de plant\u00e3o do regime, conserve ele mais ou menos liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Pois bem. No mundo em que n\u00f3s vivemos, que Val\u00e9rio Arcary afirma n\u00e3o ser o dele, a imensa maioria dos analistas e intelectuais, de todas os v\u00e9rtices pol\u00edticos, dissertam sobre uma profunda crise da rep\u00fablica constitu\u00edda em 1988. Soma-se a isso a tend\u00eancia crescente de absten\u00e7\u00e3o e descr\u00e9dito nas elei\u00e7\u00f5es, assim como amplo rep\u00fadio popular aos partidos e pol\u00edticos tradicionais. Todos esses elementos e os pontos destacados pelo pr\u00f3prio Val\u00e9rio apontam de forma categ\u00f3rica que o regime est\u00e1 em crise. Como poderia um regime mergulhado em tens\u00f5es t\u00e3o agudas exercer uma hegemonia fort\u00edssima? \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o espantosa.<\/p>\n<p>Concordamos com Val\u00e9rio Arcary quando diz que a classe dominante est\u00e1 unificada em torno ao tema da economia, da aplica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de austeridade e de ataques aos direitos e conquistas da classe trabalhadora. Contudo, a grande dificuldade da classe dominante em aplicar estas pol\u00edticas reside na profunda crise de representatividade que vive o pa\u00eds e na divis\u00e3o entre a burguesia sobre qual \u00e9 a melhor t\u00e1tica para vencer a resist\u00eancia dos trabalhadores. Esse inesgot\u00e1vel conflito, que se expressa na fratura e fragmenta\u00e7\u00e3o da classe dominante em torno \u00e0 sa\u00edda pol\u00edtica, deve, pode e precisa ser aproveitado pelo movimento de massas.<\/p>\n<p><strong>O medo e o derrotismo como armas pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n<p>Val\u00e9rio Arcary afirma corretamente que h\u00e1 dois perigos. Um seria o de subestimar a for\u00e7a do inimigo. O outro \u201c\u00e9 que a gente atribua uma for\u00e7a que o inimigo n\u00e3o tem\u201d. Mas num quadro de crise pol\u00edtica profunda que o pa\u00eds atravessa, somado ao descr\u00e9dito nas institui\u00e7\u00f5es e \u00e0s divis\u00f5es profundas entre as fra\u00e7\u00f5es da classe dominante, nos parece que Val\u00e9rio enxerga deliberadamente um inimigo mais forte do que ele de fato \u00e9. E isso tem uma explica\u00e7\u00e3o. Para justificar a permanente agita\u00e7\u00e3o da frente \u00fanica incondicional com o petismo e defesa da narrativa lulista \u00e9 preciso recortar a realidade e espalhar o medo.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de exagerar alguns elementos de an\u00e1lise e esconder outros, valorizar e desvalorizar de forma desproporcional o peso dos acontecimentos, servem a construir narrativas, a contorcer a realidade at\u00e9 que ela caiba em uma pol\u00edtica. Na mesa do CONFASUBRA, Pedro Rosa apontou precisamente a que serve essa pr\u00e1tica, que propaga derrotas e espalha o medo. \u201cO racioc\u00ednio dos companheiros, de que nada \u00e9 poss\u00edvel fazer, que ningu\u00e9m quer lutar e que \u00e9 um retrocesso geral, \u00e9 para dizer: \u2018\u00e9 preciso salvar uma luz\u2019. E na l\u00f3gica dos companheiros, defender o Lula \u00e9 essa luz.\u201d<\/p>\n<p>Val\u00e9rio Arcary define que \u201cuma parte da nossa classe est\u00e1 convencida que o problema do Brasil \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 justi\u00e7a, desigualdade, opress\u00e3o. \u00c9 um veneno ideol\u00f3gico do inimigo de classe que foi semeado na cabe\u00e7a de milh\u00f5es de trabalhadores\u201d. Diz isso como se a corrup\u00e7\u00e3o fosse um fato desconexo dos demais, secund\u00e1rio, que n\u00e3o afeta a realidade objetiva da classe trabalhadora, que n\u00e3o tem consequ\u00eancias dram\u00e1ticas nas condi\u00e7\u00f5es de vida, como se fosse uma abstra\u00e7\u00e3o com a qual os trabalhadores n\u00e3o deveriam se preocupar, como se a classe somente direcionasse sua aten\u00e7\u00e3o a isso por uma vontade ideol\u00f3gica da burguesia. A esquerda historicamente sempre combateu e denunciou a corrup\u00e7\u00e3o, que \u00e9 inerente ao sistema capitalista. Mas para defender Lula e o PT, setores de esquerda abandonaram esta bandeira, atribu\u00edram-lhe um car\u00e1ter reacion\u00e1rio, minimizaram suas consequ\u00eancias objetivas e a entregaram para ser explorada de forma oportunista, seletiva, casu\u00edstica e distorcida pela direita mais reacion\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00f3s seguimos defendendo a ideia de que \u00e9 indispens\u00e1vel denunciar e repudiar a corrup\u00e7\u00e3o, sem seletividade. Devemos destacar que n\u00e3o confiamos no Supremo com suas pol\u00edticas de acordo e coniv\u00eancia com os corruptos. Da mesma forma que n\u00e3o depositamos qualquer apoio ou credibilidade a Sergio Moro e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Paran\u00e1, que nitidamente utilizam a Lava-Jato conforme suas colora\u00e7\u00f5es e prefer\u00eancias partid\u00e1rias. Queremos os burgueses envolvidos na corrup\u00e7\u00e3o e seus agentes pol\u00edticos igualmente corruptos na cadeia, todos eles, sem seletividade, com seus bens confiscados. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma falta de \u201chonestidade intelectual\u201d da nossa parte, como acusa Arcary. Nossa posi\u00e7\u00e3o sobre esse tema \u00e9 absolutamente expl\u00edcita e foi amplamente expressa durante o Congresso da FASUBRA pelos nossos companheiros ao longo dos debates.<\/p>\n<p><strong>Afinal, quem vive em outro planeta?<\/strong><\/p>\n<p>No planeta de Val\u00e9rio Arcary a apatia reina sobre a classe trabalhadora. Ele enxerga uma classe trabalhadora conformada, perplexa, anestesiada. \u201cH\u00e1 perplexidade na classe\u201d, afirma. Para confirmar essa avalia\u00e7\u00e3o, Arcary articula afirma\u00e7\u00f5es sem apresentar quaisquer dados que as comprovem. Ele diz que \u201cno ano passado o que mais teve nesse pa\u00eds foram greves derrotadas. Heroicas e derrotadas\u201d. Mas no mundo real, os dados s\u00e3o outros. No ano de 2017, 79,5% das campanhas salariais fecharam acordos superando os \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o, segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (FIPE). N\u00e3o somos n\u00f3s de outro planeta que falamos, s\u00e3o os n\u00fameros da FIPE.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 luta de classes no planeta de Val\u00e9rio Arcary. Mas no planeta Terra real ela existe. Recentemente, sem S\u00e3o Paulo, no epicentro do pa\u00eds, uma massiva greve dos servidores municipais de S\u00e3o Paulo derrotou o prefeito Doria e sua reforma da previd\u00eancia. Foram multid\u00f5es nas ruas, encarando uma repress\u00e3o violent\u00edssima. Uma das marchas se uniu de forma emocionante com a manifesta\u00e7\u00e3o por Marielle. No planeta de Val\u00e9rio Arcary esse triunfo inexistiu. Assim como inexistiu o triunfo contra a reforma da previd\u00eancia de Temer, cuja a m\u00e3o n\u00e3o tremeria, segundo Val\u00e9rio, porque havia \u201cMaia e Eun\u00edcio de Oliveira para conduzir o Congresso Nacional\u201d. A m\u00e3o de Temer tremeu e o erro de c\u00e1lculo \u00e9 parte de uma pol\u00edtica covarde de se recusar a disputar a dire\u00e7\u00e3o do movimento com pol\u00edticas ofensivas que respondam \u00e0s reais necessidades da classe.<\/p>\n<p>No planeta de Val\u00e9rio Arcary n\u00e3o houve, em abril do ano passado, a maior greve geral que se tem registro na hist\u00f3ria brasileira. Assim como n\u00e3o ocorreram atos massivos nas ruas em mar\u00e7o que tomaram as ruas das principais cidades do pa\u00eds contra a Reforma da Previd\u00eancia. Da mesma forma, em maio, n\u00e3o ocorreu a maior marcha sindical \u00e0 Bras\u00edlia da hist\u00f3ria recente, qui\u00e7\u00e1 de todos os tempos. Todos esses importantes acontecimentos seriam, conforme a avalia\u00e7\u00e3o de Arcary, fantasias do nosso planeta paralelo.<\/p>\n<p>Os metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo reverteram este ano 42 demiss\u00f5es. Os metal\u00fargicos do ABC fizeram acampamentos e greves, revertendo demiss\u00f5es, e impuseram uma campanha salarial unificada que barrou a aplica\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista nas f\u00e1bricas. Da mesma forma, os professores das escolas particulares de Belo Horizonte deflagraram greve e conseguiram arrancar um acordo sem que fosse aplicada nenhuma cl\u00e1usula da reforma trabalhista. No planeta de Val\u00e9rio Arcary essas greves foram derrotadas.<\/p>\n<p>No ano de 2016, o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (DIEESE) registrou que houve o maior n\u00famero de greves da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Ainda n\u00e3o revelaram os dados de 2017, mas n\u00e3o nos parece que tenha sido diferente. Isso ocorreu nesse planeta. No planeta de Val\u00e9rio Arcary \u201ch\u00e1 perplexidade\u201d.<\/p>\n<p>Da mesma forma, o cen\u00e1rio devastador pintado por Val\u00e9rio Arcary n\u00e3o explica porque explodiram manifesta\u00e7\u00f5es em rep\u00fadio ao assassinato de Marielle e Anderson, pelo pa\u00eds inteiro e pelo mundo. No Rio de Janeiro, mais de 150 mil pessoas tomaram as ruas j\u00e1 no dia seguinte ao crime, numa resposta imediata. Da mesma forma, expressivas mobiliza\u00e7\u00f5es de mulheres em 2016 desgastaram Cunha \u2013 que foi deposto, cassado e preso \u2013, assim como desmoralizaram Pedro Paulo, que ficou de fora do segundo turno para a prefeitura do Rio de Janeiro, abrindo espa\u00e7o para Marcelo Freixo. Estas mobiliza\u00e7\u00f5es moveram especialmente a classe m\u00e9dia, a qual Arcary atribui um \u201cgiro \u00e0 direita\u201d.<\/p>\n<p>O que fica explicito \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em sair \u00e0s ruas para defender um ex-presidente preso acusado por corrup\u00e7\u00e3o, que governou por oito anos em pacto com o que h\u00e1 de mais reacion\u00e1rio, conservador, corrupto e fisiol\u00f3gico na pol\u00edtica brasileira. Sobre este tema, realmente, h\u00e1 perplexidade na classe.<\/p>\n<p><strong>O problema da dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia e as grava\u00e7\u00f5es da JBS com Temer dando o aval para a compra do sil\u00eancio de Cunha, o governo estava nas cordas e prestes a cair, ficando muito pr\u00f3ximo da ren\u00fancia. O que fizeram as burocracias sindicais? Desmarcaram a greve geral de junho. Esse desmonte foi decisivo para a aprova\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista. Abriram m\u00e3o de mobilizar em um momento que a maioria dos parlamentares estava sob press\u00e3o por medo de preju\u00edzo eleitoral e, por consequ\u00eancia, de uma futura perda do foro privilegiado. Bolsonaro, t\u00e3o alarmado por Arcary, foi questionado massivamente em suas redes sociais, pelos seus pr\u00f3prios seguidores, por ter votado a favor da reforma trabalhista. Havia espa\u00e7o, havia efervesc\u00eancia. Em dezembro, a hist\u00f3ria se repetiu, com novo desmonte da greve geral. Apesar disso, o governo Temer ainda assim n\u00e3o teve for\u00e7as para aprovar a Reforma da Previd\u00eancia. Naturalmente, se as burocracias n\u00e3o desmontassem as greves gerais e n\u00e3o sabotassem as mobiliza\u00e7\u00f5es, a possibilidade de derrubada do fraqu\u00edssimo governo Temer poderia ressurgir como em maio e junho do ano passado.<\/p>\n<p>Mas para Val\u00e9rio Arcary n\u00e3o h\u00e1 problema de dire\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 absolutamente irris\u00f3rio. A \u201cm\u00e1 postura\u201d (belo eufemismo) da CUT tem pouca import\u00e2ncia. H\u00e1 \u201cdificuldades reais\u201d, mas a trai\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o seria uma delas. Para ele, o problema central \u00e9 o des\u00e2nimo colossal dos trabalhadores e for\u00e7a irresist\u00edvel do regime. Os fatos aqui citados, de cima a baixo, desmentem isso, mas n\u00f3s \u00e9 que vivemos em outro planeta.<\/p>\n<p>Segundo Arcary, \u201ca ampla maioria dos trabalhadores concorda com as nossas causas. Quando n\u00e3o se mobilizam \u00e9 porque n\u00e3o acreditam na vit\u00f3ria\u201d. Para ele, trata-se de um problema de cren\u00e7a, de entendimento, de compreens\u00e3o da realidade. Para n\u00f3s, o que move os trabalhadores s\u00e3o suas necessidades objetivas, suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Esse, ali\u00e1s, foi um tema amplamente desenvolvido por Nahuel Moreno, em in\u00fameros debates no interior da IV internacional. Arcary, que acusa Pedro Rosa de defender uma \u201ccaricatura grosseira e deformada da pol\u00edtica de Leon Trotsky\u201d, aqui expressa uma ant\u00edtese do que Trotsky defende no Programa de Transi\u00e7\u00e3o. Em toda explana\u00e7\u00e3o de Arcary, o problema da dire\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente secund\u00e1rio quando n\u00e3o inexistente. Isso \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de Leon Trotsky. Trotsky registra que \u201ca orienta\u00e7\u00e3o das massas est\u00e1 determinada, de um lado, pelas condi\u00e7\u00f5es objetivas do capitalismo que se deteriora; de outro, pela pol\u00edtica traidora das velhas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias\u201d. E \u00e9 categ\u00f3rico ao dizer que \u201ca crise hist\u00f3rica da humanidade reduz-se \u00e0 crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d. Mas, para Val\u00e9rio Arcary, a disputa pela dire\u00e7\u00e3o do movimento de massas \u00e9 tema \u201cen passant\u201d, que aparece apenas de forma passageira em suas atuais an\u00e1lises. Esse \u00e9 um debate muito antigo e conhecido, pois sempre esteve presente nas elabora\u00e7\u00f5es de todas as correntes revisionistas que existiram no movimento trotskista.<\/p>\n<p><strong>O temor do \u201cfascismo\u201d para justificar o lulismo<\/strong><\/p>\n<p>No planeta Arcary h\u00e1 uma onda conservadora e um avan\u00e7o fascista no pa\u00eds. Um dos elementos fundamentais que comprovam isso seria que um pequeno grupo de alpinistas reacion\u00e1rios escalou o Corcovado para erguer uma enorme faixa anticomunista, fato destacado com grande \u00eanfase no CONFASUBRA pelo professor Val\u00e9rio. Isso sim \u00e9 um fator relevant\u00edssimo da conjuntura, que explica a necessidade de priorizar com todas as for\u00e7as a defesa da liberdade de Lula e a luta contra o fascismo. J\u00e1 organizar greves e lutas de massa contra o governo, o ajuste e as reformas \u00e9 perigos\u00edssimo, aventureiro e nos levar\u00e1 a derrotas. Para o professor Val\u00e9rio, o caminho das vit\u00f3rias \u00e9 \u201cLula livre\u201d e frente \u00fanica incondicional para derrotar o perigo fascista.<\/p>\n<p>Evidentemente que n\u00e3o devemos subestimar o alcance e a audi\u00eancia da extrema-direita, cujos expoentes maiores s\u00e3o Bolsonaro e o MBL. Estes setores se arvoram defensores da moralidade, mas tem teto de vidro. Bolsonaro recebia aux\u00edlio-moradia, mesmo tendo im\u00f3vel pr\u00f3prio em Bras\u00edlia, para \u201ccomer gente\u201d, ele disse. O mesmo Bolsonaro teceu elogios ao corrupto Cunha e exaltou Brilhante Ustra, um criminoso torturador do regime militar. O MBL, que diz combater a corrup\u00e7\u00e3o, jamais defendeu a sa\u00edda de Temer, mesmo com todos os flagrantes e todas as evid\u00eancias contra ele, expondo sua seletividade e hipocrisia. Estas contradi\u00e7\u00f5es resultaram em fiascos not\u00f3rios das recentes manifesta\u00e7\u00f5es convocadas por esta extrema-direita, a despeito da audi\u00eancia e do peso eleitoral destes setores.<\/p>\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel combater e derrotar as posi\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas dessa extrema-direita que, tirando proveito da crise de representatividade, se alimenta da difus\u00e3o do medo, da propaga\u00e7\u00e3o de mentiras e da dissemina\u00e7\u00e3o do \u00f3dio. Espalham medo do comunismo, temor da viol\u00eancia e apontam como sa\u00edda: Bolsonaro e interven\u00e7\u00e3o militar. H\u00e1 exemplos significativos e s\u00f3lidos de peleja contra estes setores, tais como a luta dos professores contra o projeto \u201cescola sem partido\u201d, a batalha nas m\u00eddias sociais e no campo jur\u00eddico contra as \u201cfakenews\u201d, a luta das mulheres contra a cultura do estupro e pelo direito de decidir, a embate da popula\u00e7\u00e3o negra contra o genoc\u00eddio promovido pelas for\u00e7as do Estado, a mobiliza\u00e7\u00e3o de LGBTs contra o preconceito, as agress\u00f5es e os crimes de morte desta popula\u00e7\u00e3o, a como\u00e7\u00e3o por Marielle e Anderson, a campanha por liberdade para Rafael. Lutas s\u00e9rias, firmes, representativas, reais, valorosas.<\/p>\n<p>Contudo, o que defendem os agentes lulistas e Val\u00e9rio Arcary est\u00e1 longe de ser uma batalha coerente contra a extrema-direita. A grande proposta que eles apresentam para combater o \u201cfascismo\u201d \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de atos festivos pela democracia, de car\u00e1ter eleitoral, tais como os realizados no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e na Boca Maldita, em Curitiba. Atos estes que emocionam e entusiasmam o professor Val\u00e9rio, assim como empolgam as claques lulistas e tamb\u00e9m parte da esquerda socialista, mas n\u00e3o tem real apelo de massas. O fato \u00e9 que se houvesse verdadeiramente um avan\u00e7o fascista, resultado de uma onda conservadora, n\u00e3o ser\u00edamos capazes de enfrent\u00e1-las com esses meetings. Para \u201ccombater\u201d a extrema-direita, os agentes lulistas lan\u00e7am m\u00e3o do mesmo m\u00e9todo deles: espalhar terror e histeria. Assim exageram feitos como a iniciativa de cravar uma bandeira anticomunista no Corcovado como se fosse algo de extrema relev\u00e2ncia. Porque para eles interessa uma polariza\u00e7\u00e3o baseada em superdimensionar fatos que facilitem a estrutura\u00e7\u00e3o de suas narrativas.<\/p>\n<p><strong>Arcary e a greve da FASUBRA<\/strong><\/p>\n<p>Val\u00e9rio Arcary cita a greve da FASUBRA de 2017 como \u201cheroica\u201d, destacando as \u201cenormes dificuldades\u201d que ela enfrentou. De fato, a constru\u00e7\u00e3o de uma greve como esta n\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil, mas naturalmente havia agita\u00e7\u00e3o nas bases, j\u00e1 que a mesma n\u00e3o surgiu de uma proposta da dire\u00e7\u00e3o desta federa\u00e7\u00e3o. A fala de Val\u00e9rio ignora esse aspecto. A greve n\u00e3o partiu da vontade dos dirigentes, cuja a imensa maioria tinha uma avalia\u00e7\u00e3o semelhante a dele, de que era muito dif\u00edcil ou at\u00e9 mesmo imposs\u00edvel avan\u00e7ar. No entanto, a greve foi deflagrada, o que n\u00e3o impediu que, a todo momento, os setores que hoje formam a Resist\u00eancia, corrente de Val\u00e9rio Arcary, tivessem um papel central em construir um pacto de consenso com CUT e CTB para encerrar a greve o quanto antes. Esse pacto se materializou de forma mais expressa no dia 5 de dezembro, ironicamente a mesma data da greve geral desmarcada pelas maiores centrais, quando votaram na dire\u00e7\u00e3o da federa\u00e7\u00e3o o fim da greve. A resposta das bases foi contundente: manteve-se a greve, conforme decis\u00e3o de mais de 30 universidades. A UFRJ foi um s\u00edmbolo importante. Deflagrou greve contra a vontade da dire\u00e7\u00e3o do sindicato local por esmagadora maioria e manteve a greve a despeito da ampla maioria dos dirigentes da federa\u00e7\u00e3o. Isso Val\u00e9rio n\u00e3o cita. Como ele explica isso? Porque Val\u00e9rio n\u00e3o explica como mais de 30 universidades votaram pela continuidade da greve, convergindo com uma pequena minoria que vive em um outro planeta que n\u00e3o o dele? Minoria esta que, resultado desse processo, agregou novos aliados no congresso da Federa\u00e7\u00e3o, enquanto o coletivo liderado pela Resist\u00eancia diminuiu. Diminui\u00e7\u00e3o esta que possibilitou aos lulistas da CUT e CTB retomarem a maioria da federa\u00e7\u00e3o. Foi essa pol\u00edtica desastrosa e capituladora, defendida pela Resist\u00eancia, que refortificou o lulismo na FASUBRA, assim como trouxe a burocracia de volta \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do SINASEFE. Tamb\u00e9m fez aumentar de forma significativa o peso do PT e do PCdoB na base do ANDES, chegando a amea\u00e7ar a presen\u00e7a da esquerda na dire\u00e7\u00e3o desse important\u00edssimo sindicato.<\/p>\n<p><strong>O tema da \u201chonestidade intelectual\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Queremos ainda retomar o tema da \u201chonestidade intelectual\u201d. Mas desta vez a de Val\u00e9rio Arcary. Para tanto, transcrevemos um trecho completo de sua fala no XXIII CONFASUBRA. \u201cO Pedro quando se referiu ao debate na CSP-Conlutas disse que eu teria afirmado que n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es para a greve geral um m\u00eas antes da greve geral. De fato houve um debate na Plen\u00e1ria Nacional da CSP-Conlutas para a qual eu fui convidado, para fazer uma interven\u00e7\u00e3o sobre a an\u00e1lise de conjuntura. N\u00e3o foi um m\u00eas antes do 28 de abril, a data da greve geral, foram tr\u00eas meses antes. Foi em 28 de janeiro e eu n\u00e3o defendi que n\u00e3o haviam condi\u00e7\u00f5es para a greve geral. Para facilidade de todos os colegas que eventualmente acreditaram no que o Pedro disse, a minha interven\u00e7\u00e3o est\u00e1 gravada e dispon\u00edvel na internet\u201d, afirmou Arcary.<\/p>\n<p>Tal qual Val\u00e9rio nos aconselhou, assistimos o v\u00eddeo disponibilizado pela CSP-Conlutas. Segundo a descri\u00e7\u00e3o, o debate foi \u201crealizado na sexta-feira (3\/2)\u201d e n\u00e3o em 28 de janeiro. Mas n\u00e3o nos atemos \u00e0s min\u00facias das datas que pouco ou nada alteram o teor da pol\u00eamica. Escutamos atentamente as seguintes palavras de Arcary: \u201cExige compreender o momento no qual est\u00e1 hoje a classe. Hoje a classe n\u00e3o est\u00e1 preparada para a greve geral, vamos dizer as coisas com toda a verdade\u201d. Pedro errou na data. Mas apenas nisso! J\u00e1 Val\u00e9rio errou nas datas nos progn\u00f3sticos e em negar o que havia dito.<\/p>\n<p><strong>Luta em vez de Lula<\/strong><\/p>\n<p>A proposta que fazemos a Val\u00e9rio Arcary e \u00e0 Resistencia, assim como a todas as correntes do movimento, aos trabalhadores, aos seus sindicatos e \u00e0s suas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o tem nada de absurdo ou fantasioso, como tentam a f\u00f3rceps nos estigmatizar por defender outra posi\u00e7\u00e3o. Propomos lutar e exigir que as dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas impulsionem as mobiliza\u00e7\u00f5es. Em vez de repetir a cantilena tediosa do \u2018Lula livre\u2019, que n\u00e3o empolga os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o em geral, cuja maioria apoia ou n\u00e3o se importa com a sua pris\u00e3o, propomos retomar com todas as for\u00e7as a bandeira do Fora Temer, lutar contra a interven\u00e7\u00e3o federal no Rio de Janeiro, pela revoga\u00e7\u00e3o das medidas de ajuste fiscal, por aumento de sal\u00e1rio e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Queremos ocupar as ruas em defesa das escolas e universidades p\u00fablicas, pela suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida p\u00fablica aos banqueiros, por investimentos nas \u00e1reas sociais e pela revoga\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista e da EC 95. Queremos construir unidade de a\u00e7\u00e3o com todos os setores do movimento de massas por justi\u00e7a para Marielle e Anderson, contra as chacinas nas periferias pelo fim do encarceramento massivo da juventude negra e pobre, por Rafael Braga livre, pela desmilitariza\u00e7\u00e3o da PM, pelo fim das mortes no campo. Mais ainda, queremos somar esfor\u00e7os pelo fim da impunidade para Temer, A\u00e9cio e Alckmin, entre outros corruptos reacion\u00e1rios, pela pris\u00e3o e confisco dos bens de todos os pol\u00edticos e empres\u00e1rios corruptos e por expropria\u00e7\u00e3o de seus bens e empresas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Marcello Bertolo e Silvia Santos\u00a0 O professor Val\u00e9rio Arcary, dirigente da Resist\u00eancia (PSOL), em resposta a um texto de Mariucha Fontana (dirigente do PSTU), declarou apreciar pol\u00eamicas educativas e acreditar no valor da luta de ideias. \u201cSou a favor de debates das diferen\u00e7as. 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