

	{"id":3416,"date":"2018-06-18T23:32:47","date_gmt":"2018-06-18T23:32:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3416"},"modified":"2018-06-18T23:32:47","modified_gmt":"2018-06-18T23:32:47","slug":"o-exemplo-dos-ferroviarios-da-franca-para-a-luta-contra-a-privatizacao-do-transporte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2018\/06\/18\/o-exemplo-dos-ferroviarios-da-franca-para-a-luta-contra-a-privatizacao-do-transporte\/","title":{"rendered":"O exemplo dos ferrovi\u00e1rios da Fran\u00e7a para a luta contra a privatiza\u00e7\u00e3o do transporte"},"content":{"rendered":"<p>Priscila Guedes &#8211; Metrovi\u00e1ria de S\u00e3o Paulo (Linha 2)<\/p>\n<p>Diego Vitello &#8211; Metrovi\u00e1rio de S\u00e3o Paulo (Linha 5)<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de abril, uma enorme luta de trabalhadores do setor de transporte vem sacudindo a Fran\u00e7a. Queremos com este texto, discutir esse importante exemplo de luta em defesa do transporte p\u00fablico e dos direitos dos trabalhadores. Como parte do plano de reformas para retirar direitos da classe trabalhadora, o governo de Macron, ataca em cheio os ferrovi\u00e1rios, buscando privatizar parte da empresa p\u00fablica das ferrovias, a transformando em sociedade an\u00f4nima e retirando uma s\u00e9rie de direitos hist\u00f3ricos dos trabalhadores do setor. A reforma proposta pelo governo franc\u00eas abre ainda a possibilidade absurda da supress\u00e3o de linhas consideradas \u201cmenos rent\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Para termos uma ideia do impacto dessa luta na estatal ferrovi\u00e1ria francesa Soci\u00e9t\u00e9 Nationale des Chemins de fer Fran\u00e7ais (Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro da Fran\u00e7a, SNCF, na sigla em franc\u00eas), vejamos alguns dados: hoje, trabalham cerca de 140.000 trabalhadores na empresa, que tem cerca de 15 mil trens circulando diariamente, enquanto a malha ferrovi\u00e1ria abrangida por ela j\u00e1 ultrapassou hoje os 30.000 km. Ou seja, a Fran\u00e7a se move muito pelos trilhos espalhados pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>O discurso do governo<\/p>\n<p>Macron, seguindo o receitu\u00e1rio neoliberal aplicado pelo mundo, ataca violentamente os trabalhadores e busca jogar a popula\u00e7\u00e3o contra os ferrovi\u00e1rios. O discurso constru\u00eddo pelo governo em conluio com a grande m\u00eddia j\u00e1 \u00e9 conhecido por n\u00f3s aqui no Brasil: dizem que o pa\u00eds est\u00e1 em crise (o que \u00e9 verdade) e que n\u00e3o h\u00e1 de onde tirar dinheiro (o que \u00e9 mentira), que os ferrovi\u00e1rios s\u00e3o \u201cprivilegiados\u201d e que suas greves \u201cprejudicam a popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Outro ponto do discurso do governo para abrir caminho para a privatiza\u00e7\u00e3o e o corte de direitos \u00e9 \u201catacar\u201d a greve como \u201cpol\u00edtica\u201d. A ministra dos Transportes de Macron, Elisabeth Borne, declarou logo no in\u00edcio das mobiliza\u00e7\u00f5es se referindo \u00e0s centrais sindicais que estariam por tr\u00e1s das mobiliza\u00e7\u00f5es que \u201calgumas delas est\u00e3o claramente tentando transformar isto em uma quest\u00e3o pol\u00edtica\u201d. Como se a proposta do governo de privatiza\u00e7\u00e3o e corte de direitos n\u00e3o fosse uma quest\u00e3o de pol\u00edtica!<\/p>\n<p>O audacioso plano de lutas \u201cDois por Cinco\u201d e o apoio das ruas<\/p>\n<p>Os ferrovi\u00e1rios franceses tra\u00e7aram um audacioso plano de lutas, imposto pela base da categoria \u00e0 burocracia sindical. Entre 3 de abril e 28 de junho, os ferrovi\u00e1rios est\u00e3o fazendo greves de dois dias para cada cinco de trabalho. Um plano de tr\u00eas meses, que j\u00e1 colocaram os ferrovi\u00e1rios no centro do debate sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica francesa e tamb\u00e9m trouxe de volta com for\u00e7a o questionamento popular contra a pol\u00edtica de precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos.<br \/>\nEm 29 de maio, as marchas de solidariedade aos ferrovi\u00e1rios colocaram cerca de 280 mil pessoas nas ruas da Fran\u00e7a. Com destaque para os 80 mil nas ruas de Paris e 65 mil em Marselha.<\/p>\n<p>Tudo isso ocorre 50 anos ap\u00f3s o Maio franc\u00eas que foi um grande exemplo de luta unificada da juventude e da classe trabalhadora, com as ocupa\u00e7\u00f5es de Universidades e f\u00e1bricas que paralisaram o pa\u00eds e quase derrubaram o governo da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Os ferrovi\u00e1rios s\u00e3o uma categoria de trabalhadores com enorme tradi\u00e7\u00e3o de luta. Em 1995, derrotaram um plano parecido de privatiza\u00e7\u00e3o, que levou ao fim o governo Jean Jacques Chirac.<\/p>\n<p>As lutas se unificam<\/p>\n<p>Durante esse processo de mais de dois meses em que os ferrovi\u00e1rios franceses est\u00e3o em p\u00e9 de guerra contra os planos do governo, muitas categorias j\u00e1 entraram em greve por suas reivindica\u00e7\u00f5es e em apoio \u00e0 luta dos ferrovi\u00e1rios. O destaque s\u00e3o os aerovi\u00e1rios, que paralisaram suas atividades tr\u00eas dias em abril (07, 10 e 11) e quatro dias em maio (3, 4, 7 e 8). Al\u00e9m dos trabalhadores dos aeroportos, tamb\u00e9m paralisaram trabalhadores do setor de energia el\u00e9trica, garis, funcion\u00e1rios do Carrefour, assim como os estudantes universit\u00e1rios, que chegaram a ocupar parte das principais Universidades do pa\u00eds contra as reformas do governo.<\/p>\n<p>O fracasso da privatiza\u00e7\u00e3o inglesa como exemplo<\/p>\n<p>Como nos diz o site da R\u00e1dio francesa RFI: \u201cJ\u00e1 no Reino Unido, onde o Estado n\u00e3o \u00e9 mais respons\u00e1vel pelo transporte ferrovi\u00e1rio, as cr\u00edticas s\u00e3o in\u00fameras. Sucateado em algumas regi\u00f5es e registrando atrasos importantes em v\u00e1rias linhas, o sistema brit\u00e2nico \u00e9 acusado de propor servi\u00e7os insuficientes por pre\u00e7os muito elevados. S\u00f3 para ter uma ideia, trechos de cerca de 20 minutos de dura\u00e7\u00e3o custam, em m\u00e9dia, mais de 15 libras (R$ 73), apenas para um trajeto de ida. Os grevistas franceses geralmente usam o sistema ingl\u00eas como um modelo de fracasso da privatiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O exemplo ingl\u00eas n\u00e3o deixa d\u00favidas, de que os projetos de privatiza\u00e7\u00e3o dos transportes p\u00fablicos, s\u00f3 visam o lucro e n\u00e3o a garantia de um servi\u00e7o de qualidade para a popula\u00e7\u00e3o e empregos decentes para os seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Qual exemplo que fica para os metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<p>Os ferrovi\u00e1rios franceses s\u00e3o hoje a ponta de lan\u00e7a da luta contra a privatiza\u00e7\u00e3o do transporte. Em S\u00e3o Paulo, n\u00f3s metrovi\u00e1rios temos que estudar e acompanhar atentamente o desenrolar dessa luta. Est\u00e1 em curso por aqui um feroz plano de destrui\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4 tal como conhecemos. Querem um metr\u00f4 precarizado, \u00e0 servi\u00e7o do lucro e com trabalhadores que ganhem pouco e trabalhem muito. A privatiza\u00e7\u00e3o da Linha 5 \u2013 lil\u00e1s e a possibilidade de entrega da linha 15 \u2013 Prata em poucos meses mostra que os governos tucanos e a elite paulista n\u00e3o est\u00e3o de brincadeira. A terceiriza\u00e7\u00e3o das bilheterias das linhas 5, 15 e parte da linha 2 tamb\u00e9m s\u00e3o exemplo dessa pol\u00edtica. O que buscam de fundo \u00e9 favorecer os interesses dos empres\u00e1rios que financiam suas campanhas (a CCR, que j\u00e1 opera a linha 4 e vai operar em breve a 5, \u00e9 uma das maiores financiadoras de campanha do PSDB na \u00faltima d\u00e9cada), \u00e0s custas do nosso emprego e do servi\u00e7o prestado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O exemplo que fica \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel pensarmos planos audaciosos de enfrentamento \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o, defesa dos nossos direitos, do nosso trabalho e de um transporte 100% p\u00fablico, de qualidade e sob controle dos trabalhadores e usu\u00e1rios. Devemos construir planos de luta que coloquem o tema da privatiza\u00e7\u00e3o no centro do debate pol\u00edtico nacional, assim como os ferrovi\u00e1rios fazem na Fran\u00e7a e no Brasil fizeram recentemente os caminhoneiros e petroleiros. Para isso, \u00e9 fundamental o di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o que utiliza o transporte, j\u00e1 que pesquisas indicam que a maioria \u00e9 contra as privatiza\u00e7\u00f5es e nossas paralisa\u00e7\u00f5es ano passado contaram com grande apoio popular. Acreditamos que da nossa luta depender\u00e1 o futuro do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo, do servi\u00e7o prestado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da maior cidade do pa\u00eds, assim como, obviamente, de nossos empregos e carreira dentro de uma empresa p\u00fablica do porte do Metr\u00f4.<\/p>\n<p>Sites pesquisados:<\/p>\n<p>https:\/\/br.reuters.com\/article\/topNews\/idBRKCN1HA1OH-OBRTP<\/p>\n<p>https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/greve-ferroviaria-paralisa-franca-e-desafio-para-governo-macron-22551092<\/p>\n<p>https:\/\/www.viajenaviagem.com\/2018\/04\/franca-greves-air-france-trens\/<\/p>\n<p>http:\/\/br.rfi.fr\/franca\/20180413-greves-na-franca-levantam-debate-sobre-privatizacao-do-sistema-ferroviario-europeu-0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Priscila Guedes &#8211; Metrovi\u00e1ria de S\u00e3o Paulo (Linha 2) Diego Vitello &#8211; Metrovi\u00e1rio de S\u00e3o Paulo (Linha 5) Desde o in\u00edcio de abril, uma enorme luta de trabalhadores do setor de transporte vem sacudindo a Fran\u00e7a. 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