

	{"id":344,"date":"2013-12-13T18:43:00","date_gmt":"2013-12-13T18:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2013\/12\/13\/arquivoid-9368\/"},"modified":"2013-12-13T18:43:00","modified_gmt":"2013-12-13T18:43:00","slug":"arquivoid-9368","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2013\/12\/13\/arquivoid-9368\/","title":{"rendered":"A morte de Nelson Mandela"},"content":{"rendered":"<p>| tradu\u00e7\u00e3o Eduardo Rodrigues<\/p>\n<p>Escrito por Miguel Lamas, jornal &quot;O Socialista&quot; 12\/12\/13, de Izquierda Socialista, se\u00e7\u00e3o Argentina da Unidade Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional.<\/p>\n<p>Quase n\u00e3o houve l\u00edder da pol\u00edtica mundial imperialista e at\u00e9 do empresariado mundial, que n\u00e3o tenha expressado uma grande admira\u00e7\u00e3o pelo rec\u00e9m falecido l\u00edder sul-africano Nelson Mandela. Na \u00e9poca do Apartheid, muitos deles estavam apoiando o seu encarceramento. Que agora rendam homenagens tamb\u00e9m mostra as duas caras da trajet\u00f3ria de Mandela. A da luta revolucion\u00e1ria contra o regime racista e, mais tarde, a de sustent\u00e1culo do capitalismo na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Todos o elogiam porque, dizem eles, soube &quot;reconciliar&quot; os brancos e negros na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Mas nem todos o lamentaram pela mesma raz\u00e3o. A maioria negra (80% de 50 milh\u00f5es de habitantes) venera Mandela como um libertador, um her\u00f3i nacional que liderou a luta contra o sinistro regime racista do apartheid.<\/p>\n<p>O apartheid<\/p>\n<p>O regime do apartheid (separa\u00e7\u00e3o) foi imposto pela minoria branca colonialista descendente de ingleses e holandeses que haviam colonizado o pa\u00eds desde o s\u00e9culo XVII. Os negros n\u00e3o tinham direito ao voto, n\u00e3o podiam entrar em bairros brancos, nem em hot\u00e9is, escolas, hospitais ou transportes &quot;para brancos&quot;. Em 300 anos de colonialismo haviam sido despojados de quase tudo: as melhores terras e a propriedade das minas e f\u00e1bricas estava (e ainda est\u00e1) nas m\u00e3os dos brancos. Aos negros se reservou o papel de m\u00e3o de obra barata.<\/p>\n<p>Por ter liderado a luta revolucion\u00e1ria nacionalista negra, liderando o Congresso Nacional Africano (CNA), Mandela foi preso durante 27 anos, desde 1963 \u00e0 1990, entre os 44 e os 72 anos de idade. A rebeli\u00e3o dos negros, liderada pelo CNA e a central oper\u00e1ria COSATU, que incluiu a resist\u00eancia armada, foi sangrentamente reprimida, milhares de ativistas negros foram presos, torturados e assassinados. Mesmo assim a rebeli\u00e3o n\u00e3o se deteve e conseguiu apoio mundial, dos povos africanos e dos afro-norteamericanos, que realizaram um boicote planet\u00e1rio contra o regime racista. Mandela, encabe\u00e7ando o CNA, foi o grande l\u00edder da revolu\u00e7\u00e3o para destruir a ditadura do apartheid. Por esse fato Mandela foi amado por seu povo. Contudo, e com a influ\u00eancia do Partido Comunista Sul-Africano e o castrismo, j\u00e1 dizia que seu objetivo n\u00e3o era uma revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Queda do apartheid<\/p>\n<p>Em 1990, o regime do apartheid foi isolado internacionalmente, diante de uma rebeli\u00e3o negra impar\u00e1vel. Em 1990, Mandela, ainda preso, pediu para se encontrar com Frederick Le Klerk, chefe do governo racista, e prop\u00f4s um acordo para que o libertassem da pris\u00e3o: suprimir o regime do apartheid e convocar elei\u00e7\u00f5es com base em &quot;um homem, um voto&quot;, a consigna democr\u00e1tica negra. Em troca, Mandela se comprometeu a garantir as propriedades dos brancos e deixar impune o genoc\u00eddio contra os negros. Mandela explicou a Le Klerk que essa era a \u00fanica maneira de &quot;reconciliar&quot; brancos e negros, e que, caso n\u00e3o aceitasse esse acordo, a revolu\u00e7\u00e3o negra seria impar\u00e1vel e os capitalistas racistas brancos perderiam tudo. Le Klerk aceitou o acordo.<\/p>\n<p>A queda do apartheid n\u00e3o foi uma concess\u00e3o generosa de Le Klerk, mas um triunfo revolucion\u00e1rio das massas negras. Mas, com o acordo com Mandela, conseguiram impedir o desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 seu cume, o que significava a expropria\u00e7\u00e3o de terras e minas que os colonizadores brancos tinham roubado do povo negro. Impediram a vit\u00f3ria de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. O acordo foi uma trai\u00e7\u00e3o a essa luta. Assim, Mandela e o CNA no governo, desempenharam o mesmo papel que na Nicar\u00e1gua cumpriu o sandinismo quando derrubou Somoza em 1979, ou Ch\u00e1vez na Venezuela, Evo Morales na Bol\u00edvia, o PT de Lula no Brasil. Ao serem dire\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias da concilia\u00e7\u00e3o de classes, para manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo, por serem &quot;parceiros das transnacionas&quot; (como disse Evo Morales), tra\u00edram os objetivos sociais da revolu\u00e7\u00e3o, pactuando com os capitalistas. No caso da \u00c1frica do Sul, com os capitalistas brancos.<\/p>\n<p>O CNA ganha as elei\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Foi assim que, em 1994, o CNA venceu as elei\u00e7\u00f5es levando Nelson Mandela \u00e0 presid\u00eancia, que incluiu em seu governo o antigo chefe racista Frederico Le Klerk.<\/p>\n<p>Uma minoria de capitalistas negros, a maioria deles novos ricos l\u00edderes do CNA, puderam acessar a lugares anteriormente proibidos. Mas praticamente n\u00e3o houve nenhuma mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao poder econ\u00f4mico monopolizado pelos brancos que seguem sendo donos das terras, minas, f\u00e1bricas e grandes cadeias comerciais. Chegando \u00e0 \u00c1frica do Sul de hoje, um pa\u00eds com igualdade jur\u00eddica, mas com a maior desigualdade social do mundo, com 50% de pobres (quase todos negros) e 12% do povo com AIDS.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio governo de Mandela come\u00e7a a aplicar um duro plano neoliberal. Os negros que antes n\u00e3o tinham acesso a hospitais ou escolas para brancos, agora tampouco podem faz\u00ea-lo. Porque foram privatizados e seu pre\u00e7o \u00e9 proibitivo. Em 1999, termina o mandato de Mandela, que se retira. Os presidentes que o sucedem, tamb\u00e9m do CNA, Thabo Mbeki e logo o atual Jacob Zuma, aprofundaram o modelo capitalista neoliberal.<\/p>\n<p>A &quot;reconcilia\u00e7\u00e3o&quot; fracassou<\/p>\n<p>No funeral de Mandela o atual presidente negro Jacob Zuma, do partido de Mandela, foi vaiado. O desastre social produzido pelo capitalismo, ainda dominado por brancos, trouxe de novo a maioria negra \u00e0 uma nova revolu\u00e7\u00e3o. Assim \u00e9 demonstrado pelas grandes greves dos \u00faltimos dois anos. Uma greve emblem\u00e1tica foi a da mina de platina Marikana, no ano passado, onde 34 mineiros foram assassinados por negros comandados por brancos. As imagens abalaram o pa\u00eds porque pareciam ter sa\u00eddo dos tempos do apartheid. O forte movimento oper\u00e1rio negro est\u00e1 se reorganizando e em muitos sindicatos se abriu uma dura luta contra a burocracia sindical que responde ao CNA.<\/p>\n<p>Este ano, durante dois meses, havia centenas de milhares de trabalhadores em greve, na constru\u00e7\u00e3o civil, metalurgia, minera\u00e7\u00e3o e funcion\u00e1rios p\u00fablicos. O NUMSA, sindicato metal\u00fargico com 400.000 trabalhadores, liderou uma das greves mais duras e amea\u00e7ou retirar o apoio ao governo nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Este fato por si s\u00f3 abre a discuss\u00e3o sobre a necessidade de uma alternativa pol\u00edtica dos trabalhadores para conduzir uma nova revolu\u00e7\u00e3o socialista que liquide o poder capitalista na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| tradu\u00e7\u00e3o Eduardo Rodrigues Escrito por Miguel Lamas, jornal &quot;O Socialista&quot; 12\/12\/13, de Izquierda Socialista, se\u00e7\u00e3o Argentina da Unidade Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional. 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