

	{"id":3446,"date":"2018-07-27T13:46:54","date_gmt":"2018-07-27T13:46:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3446"},"modified":"2018-08-07T21:36:42","modified_gmt":"2018-08-07T21:36:42","slug":"tres-meses-de-protestos-populares-o-grito-em-toda-a-nicaragua-fora-ortega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2018\/07\/27\/tres-meses-de-protestos-populares-o-grito-em-toda-a-nicaragua-fora-ortega\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas meses de protestos populares!  O grito em toda a Nicar\u00e1gua: &#8220;Fora Ortega!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Por Mariana Morena, no El Socialista, Argentina. 17\/07\/2018<\/p>\n<p>A juventude e o povo nicaraguense seguem nas ruas exigindo a sa\u00edda de Ortega. Na semana passada aconteceram manifesta\u00e7\u00f5es massivas de protestos e a segunda greve geral. Ao mesmo tempo, se intensificou a repress\u00e3o das gangues do governo, o que elevou o n\u00famero de mortos para mais de 350. As \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d promovidas pela igreja n\u00e3o impediram o avan\u00e7o da mobiliza\u00e7\u00e3o popular revolucion\u00e1ria para derrubar a ditadura.<\/p>\n<p>Milhares de nicaraguenses tomaram novamente as ruas de Man\u00e1gua, Jinotega, Esteli, Le\u00f3n, Granada e Masaya, entre outras cidades, para exigir o fim da repress\u00e3o em todo o pa\u00eds e a ren\u00fancia de Ortega. Foram tr\u00eas grandes manifesta\u00e7\u00f5es de protestos do processo de rebeli\u00e3o popular iniciado em 18 de abril, diante da tentativa do governo de impor a reforma da previd\u00eancia acordada com o FMI, que finalmente foi retirada. Mas, com esse triunfo, o povo nicaraguense sentiu-se fortalecido para seguir com a mobiliza\u00e7\u00e3o exigindo o FORA ORTEGA!<\/p>\n<p>Na quinta-feira, 12 de Julho, houve grandes manifesta\u00e7\u00f5es e passeatas nas principais cidades convocadas com a palavra de ordem, \u201c<strong>Juntos Somos Um Vulc\u00e3o<\/strong>\u201d. Durante a jornada se viam escritas em algumas faixas as consignas: \u201c<strong>FORA ORTEGA DO PODER<\/strong>\u201d, \u201c<strong>QUE PEDE O POVO<\/strong>?\u00a0<strong>QUE SE V\u00c1 O CARNICEIRO<\/strong>!\u201d, \u201c<strong>O POVO DA NICAR\u00c1GUA EST\u00c1 CANSADO DESSA DITADURA<\/strong>\u201d. Na sexta-feira, 13, foi realizada a segunda greve geral de 24 horas, convocada pela Alian\u00e7a C\u00edvica Por Justi\u00e7a e Democracia, oposi\u00e7\u00e3o formada por empres\u00e1rios, acad\u00eamicos, estudantes, camponeses e organiza\u00e7\u00f5es civis, com o apoio das associa\u00e7\u00f5es empresariais que romperam com o regime ao ver o peso das mobiliza\u00e7\u00f5es.\u00a0 Somaram-se aos 90% do comercio, supermercados, shopping centers, grandes distribuidores de alimentos, bancos e postos de gasolina, enquanto as avenidas ficaram vazias, embora o governo tivesse garantido o transporte p\u00fablico. No s\u00e1bado foi organizada uma carreata que percorreram os bairros de Man\u00e1gua, sitiados pelas mil\u00edcias encapuzadas de Ortega.<\/p>\n<p><strong>A onda terrorista dos orteguistas n\u00e3o para.<\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, Ortega lan\u00e7ou uma \u201copera\u00e7\u00e3o de limpeza\u201d para remover as cerca de 200 barricadas e bloqueios de estradas que foram erguidos em todo o pa\u00eds em protesto e de defesa contra as a\u00e7\u00f5es violentas das gangues do governo. Junto com essa ofensiva, no domingo, 08 de julho, ocorreu o massacre de 21 pessoas nos munic\u00edpios de Diriamba e Jinotepe em Carazo, a uns 40 quil\u00f4metros de Man\u00e1gua, seguido por uma onda de sequestros de jovens, l\u00edderes sindicais e camponeses. No dia seguinte, at\u00e9 mesmo um grupo de mediadores, formado por bispos cat\u00f3licos, juntos com jornalistas e param\u00e9dicos, foram atacados pelos milicianos governistas.<\/p>\n<p>De acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio da Associa\u00e7\u00e3o Nicaraguense de Direitos Humanos (ANPDH), entre 19 de abril e 10 de julho, mais de 350 mortes foram registradas (em sua maioria, jovens entre 15 e 30 anos) e 2.100 feridos. H\u00e1 tamb\u00e9m cerca de 260 desaparecidos: as chamadas \u201cfor\u00e7as combinadas\u201d do governo que executam um plano de \u201cca\u00e7a\u201d, casa-a-casa, em busca de opositores.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o continuou no final de semana. Na sexta-feira, 13, paramilitares invadiram o campus da Universidade Nacional Aut\u00f4noma da Nicar\u00e1gua (UNAN), ocupada por uma centena de estudantes h\u00e1 mais de dois meses, e cercaram durante horas a igreja vizinha ao campus, para onde os jovens fugiram. Ali ficaram mais dois mortos e dezenas de feridos. No domingo, pelo menos 10 pessoas morreram em tr\u00eas cidades costeiras do Pac\u00edfico. A onda terrorista levou a que a poeta e escritora nicaraguense, Gioconda Belli, ex-guerrilheira sandinistas que vem denunciando internacionalmente ao governo de Ortega, advertir em uma entrevista para ag\u00eancia de not\u00edcias alem\u00e3 que \u201cNa Nicar\u00e1gua pode produzir um genoc\u00eddio sem precedentes na Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p><strong>O ditador n\u00e3o quer negociar. O povo tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Os ataques aumentaram dias depois que o presidente afirmou que n\u00e3o vai deixar o poder e nem antecipar as elei\u00e7\u00f5es, e chamou de \u201cgolpistas\u201d todos que est\u00e3o contra ele. Mas, o \u201cFORA ORTEGA!\u201d, ainda \u00e9 o grito mais ouvido nas ruas da Nicar\u00e1gua, apesar da sangrenta repress\u00e3o do governo. Mesmo em lugares, como Massaya, que foram basti\u00f5es da luta contra a ditadura somozista nos anos 80 e hoje s\u00e3o um s\u00edmbolo da resist\u00eancia contra o ex-guerrilheiro sandinista, moradores se entrincheiraram para impedir que uma caravana, liderada por Ortega e sua mulher Ros\u00e1rio Murillo, entrasse na cidade.<\/p>\n<p>Desde a Unidade Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional, repudiamos a repress\u00e3o de Ortega e denunciamos a \u201cmesa de di\u00e1logo\u201d que oculta os planos do imperialismo, da igreja e dos empres\u00e1rios, por uma sa\u00edda negociada para antecipar as elei\u00e7\u00f5es gerais, impunidade para Ortega r que siga uma economia a servi\u00e7o dos de cima. Amplos setores da juventude e do povo desconfia desse \u201cdialogo\u201d e por isso tem que seguir as mobiliza\u00e7\u00f5es. Inclusive setores como os de Masaya desconheceram, semanas atr\u00e1s, o chamado a levantar os \u201ctranques\u201d (os cortes de rua e barricadas). Chamamos a mais ampla solidariedade com o povo nicaraguense por: Abaixo Ortega! Liberdade aos presos pol\u00edticos! \u00a1Justi\u00e7a para as v\u00edtimas e plenas liberdades democr\u00e1ticas! Pela forma\u00e7\u00e3o de comit\u00e9s de autodefesa popular! Por uma coordenadora de juventude e dos campesinos quer organize a mobiliza\u00e7\u00e3o popular revolucionaria para terminar com o governo patronal e repressivo de Ortega e avan\u00e7ar por um governo dos trabalhadores, dos campesinos e da juventude.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mariana Morena, no El Socialista, Argentina. 17\/07\/2018 A juventude e o povo nicaraguense seguem nas ruas exigindo a sa\u00edda de Ortega. Na semana passada aconteceram manifesta\u00e7\u00f5es massivas de protestos e a segunda greve geral. 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