

	{"id":358,"date":"2014-02-27T08:45:00","date_gmt":"2014-02-27T08:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2014\/02\/27\/arquivoid-9382\/"},"modified":"2014-02-27T08:45:00","modified_gmt":"2014-02-27T08:45:00","slug":"arquivoid-9382","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2014\/02\/27\/arquivoid-9382\/","title":{"rendered":"O que est\u00e1 acontecendo na Venezuela?"},"content":{"rendered":"<p>| Tradu\u00e7\u00e3o Lucas Barbosa<\/p>\n<p>Por: Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras (PSL) <\/p>\n<p>As imagens de milhares de manifestantes nas ruas das principais cidades venezuelanas, o desdobramento militar e as a\u00e7\u00f5es armadas de grupos civis, foram difundidas internacionalmente durante as \u00faltimas duas semanas acompanhadas de den\u00fancias governamentais em alto e bom som sobre o desenvolvimento de um golpe de Estado, por um lado, e por outro as acusa\u00e7\u00f5es da dire\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o patronal sobre que consideram uma nova confirma\u00e7\u00e3o de que o regime pol\u00edtico venezuelano \u00e9 ditatorial. Quem tenta compreender a situa\u00e7\u00e3o que atravessamos constata que a apresenta\u00e7\u00e3o dos fatos est\u00e3o t\u00e3o comumente misturada com a propaganda das fac\u00e7\u00f5es em disputa, que \u00e9 dif\u00edcil assumir uma posi\u00e7\u00e3o criticamente. Poderia dizer que a situa\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o \u00e9 nova, h\u00e1 12 anos de um golpe de Estado que cristalizou uma aguda polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Entretanto, a distancia que separa a situa\u00e7\u00e3o atual da vivida em 2002 \u00e9 tanta que realmente em muitos sentidos \u00e9 sua ant\u00edtese. <\/p>\n<p>A atual crise vem antecedida por uma vit\u00f3ria eleitoral do chavismo. <\/p>\n<p>Apoiando-se numa campanha contra a especula\u00e7\u00e3o que na qual interveio algumas redes de com\u00e9rcio, fundamentalmente do ramo dos eletrodom\u00e9sticos, o governo ganhou em 71,64% das prefeituras em dezembro, obtendo aproximadamente 49% dos votos, uns 9 % a mais que a Mesa da Unidade Democr\u00e1tica (MUD), a coaliz\u00e3o que participa a oposi\u00e7\u00e3o patronal. A dissid\u00eancia do chavismo alcan\u00e7ou 5%, a dissid\u00eancia da MUD pouco mais de 2% e uma cifra similar de candidaturas independentes.<\/p>\n<p>A MUD tinha feito campanha atribuindo uma conota\u00e7\u00e3o plebiscitaria a elei\u00e7\u00e3o e fracassou. Entretanto, foi uma vit\u00f3ria chavista relativizada pelo agravamento da crise econ\u00f4mica. O ano de 2013 fechou com os \u00edndices mais altos de infla\u00e7\u00e3o e desabastecimento do per\u00edodo inaugurado em 1999. A falsa promessa governamental de que os chamados \u201cpre\u00e7os justos\u201d se consolidariam com as interven\u00e7\u00f5es nos com\u00e9rcios executadas antes das elei\u00e7\u00f5es, se espatifou rapidamente contra a realidade. Com o impulso do BCV(Banco Central Venezuelano) que aumentou a massa monet\u00e1ria em 70% durante o ano de 2013, o \u00edndice da infla\u00e7\u00e3o chegou a 56,2%, e nada mais nos meses de novembro e dezembro, em plena campanha pelos \u201cpre\u00e7os justos\u201d a infla\u00e7\u00e3o foi de 7%. Logo ap\u00f3s, o \u00edndice de desabastecimento, segundo o BCV, tem uma m\u00e9dia nos anos de 2003-2013 de 13,3%, mas para janeiro de 2014 j\u00e1 registrava um desabastecimento de 28% (26,2% no campo dos alimentos).Entre 2012 e 2013, o superfaturamento de importa\u00e7\u00e3o excedeu os 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e Maduro se viu obrigado a admitir publicamente que o governo n\u00e3o realizou um controle posterior \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o de divisas \u00e0s empresas importadoras. As reservas internacionais ca\u00edram 8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares durante o ano de 2013, para abrir o ano de 2014 em 21 bilh\u00f5es 736 milh\u00f5es de d\u00f3lares. <\/p>\n<p>Diante desta situa\u00e7\u00e3o, o governo empregou o capital pol\u00edtico de sua vit\u00f3ria para impulsionar negocia\u00e7\u00f5es coma dire\u00e7\u00e3o da MUD com o objetivo de obter apoio para as medidas de ajuste que planejava implementar, Descrevendo um zig-zag caracterismo do chavismo, dez dias depois das elei\u00e7\u00f5es municipais e de sua vit\u00f3ria contra \u201co fascismo\u201d, Maduro se reunia  cordialmente no Pal\u00e1cio Miraflores com a maioria dos prefeitos e governadores da MUD, e entre os pedidos que fez esteve o chamado para organizar a implementa\u00e7\u00e3o de um aumento do pre\u00e7o da gasolina, altamente subsidiado. <\/p>\n<p>Num comunicado posterior, a MUD apoia o aumento e anuncia que \u201ccoloca a disposi\u00e7\u00e3o do executivo seus recursos t\u00e9cnicos e pol\u00edticos para alcan\u00e7ar o maior consenso em uma mat\u00e9ria t\u00e3o importante para a vida dos venezuelanos\u201d (http:\/\/www.el-nacional.com\/politica\/MUD-dispuesta-participar-aumento-gasolina_0_321568006.html). Em posteriores reuni\u00f5es com Maduro e o ministro do Interior, nas que participa o principal dirigente da MUD, Henrique Capriles, as autoridades regionais e locais intercambiam sobre planos de seguran\u00e7a conjuntos. Os fatos se fecham no impasse aberto com a elei\u00e7\u00e3o presidencial de abril de 2013, cujo o resultado n\u00e3o tinha sido reconhecido pela MUD.<\/p>\n<p>Em 22 de janeiro, o governo anunciou uma desvaloriza\u00e7\u00e3o de 79% para as \u00e1reas de importa\u00e7\u00e3o consideradas n\u00e3o essenciais, assim como os cupons de divisas para viajante e compras eletr\u00f4nicas, e dessa maneira arrancou o ajuste. Apesar do apoio recebido da patronal e da MUD para o aumento da gasolina, o governo retardou a execu\u00e7\u00e3o da medida, preocupado com a rea\u00e7\u00e3o social que poderia desencadear. Antes, a lideran\u00e7a exercida por Chav\u00e9z permitia impor medidas antipopulares com menor resist\u00eancia, pelo seu carisma e prestigio pessoal diante de grandes setores da popula\u00e7\u00e3o. Maduro apresenta grande car\u00eancia neste sentido, tanto as negocia\u00e7\u00f5es com a MUD como a desvaloriza\u00e7\u00e3o receberam grandes criticas entre os ativistas da base chavista. Nas disputas entre os setores burocr\u00e1ticos do Psuv come\u00e7aram a sair publicamente acusa\u00e7\u00f5es de \u201cdireitariza\u00e7\u00e3o\u201d do governo.<\/p>\n<p>Depois a MUD, produto de sua derrota eleitoral, se aprofundaram os confrontos entre as fac\u00e7\u00f5es. Enquanto a ala majorit\u00e1ria, encabe\u00e7ada por Capriles e os partidos tradicionais, entrou no eixo da negocia\u00e7\u00e3o e as exig\u00eancias ao governo, a ala encabe\u00e7ada por Leopoldo L\u00f3pez, do partido Vontade Popular (VP) e a deputada Mar\u00eda Corina Machado, lan\u00e7ou no dia 2 de fevereiro uma campanha com a consigna \u201cA sa\u00edda est\u00e1 na rua\u201d com um ato na Pra\u00e7a   Bri\u00f3n de Caracas. \u00c9 interessante notar que a maioria das men\u00e7\u00f5es a L\u00f3pez nos canais diplom\u00e1ticos ianques publicados por Wikileaks se referem aos conflitos que o dirigente da VP se envolve com outros dirigentes da oposi\u00e7\u00e3o patronal, conhecida por seus v\u00ednculos com  o governo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram do ato do dia 2 de fevereiro o partido ex-maoista Bandeira Vermelha, do prefeito metropolitano Antonio Ledezma, e o presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Centros Universit\u00e1rios da Universidade Central da Venezuela, Juan Requesens. Ali anunciaram a realiza\u00e7\u00e3o da marcha do dia 12 de fevereiro em Caracas. Simultaneamente, na ilha de Margarita, um grupo de ativistas ligados a esta tend\u00eancia, realizava um protesto de conte\u00fado xenof\u00f3bico contra um grupo de beisebol cubano que participava na Serie do Caribe. Como parte dessa campanha impulsionada por VP, a partir do dia 4 de fevereiro realizam os primeiros protestos estudantis em San Crist\u00f3bal e M\u00e9rida, cidades localizadas nos Andes venezuelanos. Apresentando-se como um setor mais intransigente e radical, VP e seus aliados dentro da MUD pretendem ganhar a dire\u00e7\u00e3o da coaliz\u00e3o, capitalizando ao mesmo tempo a desastrosa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social do pa\u00eds para ganhar adeptos para uma sa\u00edda \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Os primeiros protestos s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que participam umas poucas dezenas de ativistas e de claro recorte provocador, como a a\u00e7\u00e3o contra a resid\u00eancia do governador de T\u00e1chira ou algumas a\u00e7\u00f5es armadas em M\u00e9rida. Tamb\u00e9m teve excessos policias, por exemplo, em M\u00e9rida, a pol\u00edcia feriu com gravidade um estudante que n\u00e3o fazia parte dos protestos. Alguns presos em San Crist\u00f3bal foram transferidos para a Cadeia de Coro, a 500 Km de distancia.<br \/>\nAs principais consignas desses protestos eram contra a inseguran\u00e7a, mas nos dias mais perto do dia 12 de fevereiro, come\u00e7aram a pedir diretamente a ren\u00fancia de Maduro. Por sua parte, o Psuv come\u00e7a a empregar grupos de choque parapoliciais para dissolver as manifesta\u00e7\u00f5es, independente de seu car\u00e1ter pac\u00edfico ou violento, e atacar zonas residenciais. Um exemplo dessas a\u00e7\u00f5es \u00e9 a agress\u00e3o das resid\u00eancias Monse\u00f1or Chac\u00f3n em M\u00e9rida, lugar onde se realizava um panela\u00e7o, tendo como resultado duas pessoas feridas. Nas marchas do dia 12, realizadas em 18 cidades do pa\u00eds, mudaram de conte\u00fado com rela\u00e7\u00e3o a convocat\u00f3ria   inicial, convertendo em mobiliza\u00e7\u00f5es pela liberta\u00e7\u00e3o dos estudantes presos e um recha\u00e7o as atua\u00e7\u00f5es repressivas policiais e parapoliciais. Sobre tudo no interior do pa\u00eds, onde o desabastecimento e a crise nos servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e9 muito mais severa que na capital, a mobiliza\u00e7\u00f5es visibilizaram reclama\u00e7\u00f5es relacionas com estes temas.<\/p>\n<p>Os dois grupos da MUD foram claramente ultrapassadas pelas dimens\u00f5es das mobiliza\u00e7\u00f5es que subjazem o descontentamento de grandes setores da popula\u00e7\u00e3o com a crise econ\u00f4mica e as medidas de ajustes aplicadas pelo governo. O Psuv realizou algumas concentra\u00e7\u00f5es e marchas no mesmo dia, de menor magnitude. Em Caracas, registrou-se os fatos que conduziriam a uma mudan\u00e7a importante no desenvolvimento dos protestos. Nos arredores da Fiscalia General, depois de dispersada a marcha que tinha partido da Plaza Venezuela, ficaram alguns grupos de estudantes e ativistas que enfrentaram a pol\u00edcia com pedras e danificaram a fachada do edif\u00edcio governamental. <\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da pol\u00edcia pol\u00edtica, o Servi\u00e7o Bolivariano de Inteligencia e Nacional (Sebin), a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e grupos parapoliciais, reprimiram a tiro, com o saldo de pessoas duas pessoas assassinadas, um jovem que recebeu um disparo pelas costas,  Bassil Da Costa e Juan Montoya, um policial do munic\u00edpio Libertador que fazia parte de um dos grupos parapoliciais que intervia no protesto. Segundo familiares e pessoas pr\u00f3ximas a Montoya, um \u201cfuncion\u00e1rio\u201d foi quem disparou. Posteriormente, em outra zona da capital, Roberto Redman, um dos manifestantes que auxiliou Da Costa, foi assassinado. De uma moto, civis dispararam uma rajada que atingiu Redman e mais cinco pessoas que ficaram feridas. Nessa mesma noite, o coordenador de meios da Provea, uma organiza\u00e7\u00e3o de defesa dos direitos humanos, foi sequestrado numa barreira policial numa rua na regi\u00e3o oeste de Caracas, por homens armados sem uniforme que se apresentaram como agentes do Sebin, que tomaram o telefone celular, logo depois bateram, amea\u00e7aram de morte durante um par  de horas e depois o liberaram.<\/p>\n<p>O jornal Ultimas Not\u00edcias, cuja a linha editorial \u00e9 favor\u00e1vel ao Chavismo, publicou um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o em que documenta amplamente a atua\u00e7\u00e3o do Sebin nos arredores da Fiscal\u00eda e a realiza\u00e7\u00e3o de disparos contra um grupo de manifesta\u00e7\u00f5es que corre afastando dos agentes, no momento que em morre Da Costa. (http:\/\/laclase.info\/nacionales\/tiro-limpio-repelieron-manifestacion-del-12f) Inicialmente o presidente Maduro responsabilizou os manifestantes pelas mortes, e assegurou que no pa\u00eds estava sendo aplicado um \u201clivreto\u201d similar ao golpe de Estado de 2002, mas logo assegurou que os agentes de Sebin atuaram por conta pr\u00f3pria e destituiu o chefe do corpo repressivo. Sem duvidas, as atua\u00e7\u00f5es do governo e dos grupos parapoliciais em 12 de fevereiro marcaram um ponto de inflex\u00e3o, desatando protestos numa nova escala, apesar de que Maduro anunciasse naquela noite que se permitiriam marchas que n\u00e3o contasse com autoriza\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>No momento em que essas linhas s\u00e3o escritas, nos protestos posteriores ao dia 12 de fevereiro, morreram mais seis pessoas, estima-se que quase duzentas pessoas foram feridas de bala, a maioria como resultado das a\u00e7\u00f5es de grupos parapoliciais e da GNB, ainda tem umas quarenta pessoas est\u00e3o presas. Existem numerosas den\u00fancias de tortura e tratamento vexat\u00f3rio por parte dos corpos policiais e militares que est\u00e3o intervindo nas pris\u00f5es. A pesar  da militariza\u00e7\u00e3o de San Crist\u00f3bal e M\u00e9rida, os protestos continuam  e varias zonas dessas cidades foram bloqueadas por barricadas.<\/p>\n<p>A maior parte da informa\u00e7\u00e3o referida aos protestos circula por meios eletr\u00f4nicos, enquanto que os canais de televis\u00e3o privados e estatais mant\u00eam um acordo com o governo de n\u00e3o transmitir informa\u00e7\u00f5es ao vivo sobre os protestos, nem imagens que a Comiss\u00e3o Nacional de Telecomunica\u00e7\u00e3o (CONATEL) considere que incitam a viol\u00eancia. Com dificuldades para  acessar as importa\u00e7\u00f5es de papel, a maioria dos jornais privados reduziu de maneira importante o n\u00famero de p\u00e1ginas e alguns di\u00e1rios regionais pararam de circular, al\u00e9m disso os propriet\u00e1rios de muitas publica\u00e7\u00f5es privadas se aliaram ao governo, o que tem levado os  trabalhadores da imprensa, como no caso da Rede Capriles, a realizar assembleias  para se oporem as linhas editoriais dos donos dos jornais e a restri\u00e7\u00e3o do direito a informa\u00e7\u00e3o. O governo inclusive tirou do ar os canais internacionais de televis\u00e3o a cabo e via sat\u00e9lite os que informavam sobre a situa\u00e7\u00e3o venezuelana.<\/p>\n<p>O governo se apresenta como v\u00edtima de um golpe de Estado em curso e compara a situa\u00e7\u00e3o atual com a de abril de 2002. Entretanto, essa compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o se pode sustentar racionalmente. N\u00e3o existem pronunciamentos contra o governo nem deser\u00e7\u00e3o nas for\u00e7as armadas, cujos os mandat\u00e1rios superiores se encontraram coesos ao redor do governo e do setor burgu\u00eas que dirige o Estado constituindo fundamentalmente pelos novos ricos, conhecidos popularmente \u201cboliburgueses\u201d, uma boa parte deles s\u00e3o militares. A maior parte  da dire\u00e7\u00e3o da MUD n\u00e3o acompanha a campanha \u201cA sa\u00edda\u201d impulsionada pela VP, e polemizou publicamente com L\u00f3pez. O sindicato patronal Fedec\u00e1maras n\u00e3o est\u00e1 chamando paralisa\u00e7\u00f5es e nem burocracia sindical ligada a MUD.<\/p>\n<p>Em plena crise, o maior capitalista do pa\u00eds, Gustavo Cisneros, anunciou seu apoio ao governo, enquanto que a multinacional Repsol assinou um acordo de financiamento para a PDVSA no valor de 1 bilh\u00e3o e 200 milh\u00f5es de d\u00f3lares. A dire\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o tem um papel beligerante e vem apoiando os planos de \u201cpacifica\u00e7\u00e3o\u201d do governo. Maduro vem tendo posi\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas com o governo Estados Unidos e h\u00e1 menos de um ano se reuniram o Chanceler Jaua e o Secret\u00e1rio de Estado John Kerry, para anunciar a inten\u00e7\u00e3o de recompor as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>A entrega de L\u00f3pez \u00e0s autoridades, que ordenaram sua captura responsabilizando-o pelos mortos do dia 12 de fevereiro, n\u00e3o se encaixa na l\u00f3gica de um eminente assalto militar ao poder, al\u00e9m de que toda a dire\u00e7\u00e3o da MUD, tanto a ala de Capriles como a de L\u00f3pez, esteve envolvida no golpe de 2002 e que a burguesia opositora conta com o golpe de estado como parte de seu repertorio, objetivamente n\u00e3o existe nenhum ind\u00edcio que isto ser\u00e1 levado a cabo nesses momentos. Em vez disso, hoje s\u00e3o verificados ataques as liberdades democr\u00e1ticas por parte do governo, com a justificativa de que proporcionam propaganda antigolpista, portanto a principal tarefa da esquerda e das organiza\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 de se opor a este ataque as liberdades democr\u00e1ticas, sem deixar de advertir que a MUD n\u00e3o representa uma alternativa pol\u00edtica que conduza a supera\u00e7\u00e3o dos problemas que afligem a maioria da popula\u00e7\u00e3o. O emprego de for\u00e7as parapoliciais pelo governo para dissolver os protestos \u00e9 um recurso reacion\u00e1rio extremo que deve ser enfrentado, os mecanismos de censura, por meio de acordos entre o governo e propriet\u00e1rios dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a coa\u00e7\u00e3o implicam igualmente a um ataque ao direito de livre informa\u00e7\u00e3o, isto mostra claramente a incompatibilidade desse direito com a propriedade privada dos meios de comunica\u00e7\u00e3o com a administra\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica dos meios estatais. <\/p>\n<p>O Sebin, corpo repressivo com um longo hist\u00f3rico de viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, desde sua cria\u00e7\u00e3o com as siglas Disip em 1969, deve ser dissolvido e abertos os arquivos da repress\u00e3o para conhecimento publico. Todas a pessoas presas por protestar devem ser libertadas e deve realizar uma investiga\u00e7\u00e3o com a participa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos sobre a repress\u00e3o e os assassinatos perpetrados pelos grupos policiais, militares e parapoliciais no marco dos protestos, Al\u00e9m dos protestos, os processos abertos contra mais de trezentos trabalhadores, camponeses e ind\u00edgenas por protestar devem acabar. Estas s\u00e3o reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que todo aquele que se reivindique democrata ou revolucion\u00e1rio deve levantar e as contrap\u00f4-las a doutrina de seguran\u00e7a nacional revindicada por Maduro para colocar os interesses do Estado por cima dos direitos sociais.<br \/>\n A medida que passam os dias, se estendem as express\u00f5es de protesto, fundamentalmente por meio dos panela\u00e7os, os setores populares de Caracas e outras cidades do pa\u00eds, em bairros que durante muito tempo foram basti\u00f5es do chavismo. Isto demostra que o mal-estar com o ajuste que o governo vem aplicando pesa sobre a maioria empobrecida, ultrapassando novamente a dire\u00e7\u00e3o da MUD que n\u00e3o diz nada a respeito, pelos seus compromissos com a patronal, com capital multinacional e com os governos imperialistas dos Estados unidos e da Europa.<\/p>\n<p>Levantar uma agenda e reivindica\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas, al\u00e9m das reivindica\u00e7\u00f5es de recorte democr\u00e1tico, \u00e9 uma tarefa que s\u00f3 pode cumprir organiza\u00e7\u00f5es s\u00f3cias e de esquerda n\u00e3o alinhadas com o governo e com a MUD. Num artigo intitulado \u201cVenezuela\u201d o cantor panamenho Rub\u00e9n Blades chamou os estudantes venezuelanos a \u201cque se organizem a margem da divis\u00e3o est\u00e9ril criada pelo governo e oposi\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cdeixem claro que n\u00e3o aceitar\u00e3o como \u00fanicas alternativas, as propostas pelos bandos em disputa\u201d. Tristemente, hoje o movimento estudantil tem sido cooptado pela pela oposi\u00e7\u00e3o patronal ao governo, entretanto existe organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, dentre elas, o Partido Socialismo e Liberdade (PSL) que a contracorrente tentam viabilizar uma perspectiva aut\u00f4noma diante da crise, tanto no movimento estudantil como no movimento oper\u00e1rio e popular.<\/p>\n<p>O desastre economizo e social dissipou a miragem do projeto chavista. A pretens\u00e3o de superar os problemas estruturais de nosso pa\u00eds dentro do marco capitalista, apostando no papel protagonista de burgueses nacionalistas, militares e um partido corporativo, fracassou e se encontra numa etapa de avan\u00e7ada decomposi\u00e7\u00e3o. Os programas de assist\u00eancia social implementados logo ap\u00f3s a derrota do golpe de 2002 bateram no teto e entraram em uma din\u00e2mica recessiva a partir de 2007.<\/p>\n<p> Avan\u00e7a a corporativiza\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es sociais, se fortalece um emaranhado legal que restringe o direito de greve e de protesto, se aprecia um emprego cada vez maior do aparelho repressivo e administrativo para resolver os conflitos sociais, pol\u00edtica que tem mostrado claros exemplos, como a pris\u00e3o do cacique Yukpa Sabino Romero, do sindicalista Rub\u00e9n Gonz\u00e1lez entre 2009 e 2011 e a recente pris\u00e3o de dez trabalhadores petroleiros que participavam de uma assembleia na Refinaria de Puerto La Cruz, incluindo o secret\u00e1rio-geral da Federa\u00e7\u00e3o Unit\u00e1ria dos Trabalhadores Petroleiros (FUTPV), Jos\u00e9 Bodas. Isso se soma a um debacle econ\u00f4mico no qual saem livres os setores multinacionais encravados na ind\u00fastria petroleira, a banca privada e o com\u00e9rcio importador. De toda essa consequ\u00eancia \u00e9 que a utopia reacion\u00e1ria de um \u201csocialismo com capitalistas\u201d foi por \u00e1gua abaixo. \u00c9 papel da esquerda revolucionaria resgatar as bandeiras do socialismo que o chavismo utilizou para seus pr\u00f3prios fins.<\/p>\n<p>Segundo os dados oficiais, mais de nove milh\u00f5es de pessoas, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o, vivem em condi\u00e7\u00f5es de pobreza. Quase tr\u00eas quarto dos trabalhadores do setor publico ganham sal\u00e1rio abaixo do custo da cesta b\u00e1sica(que custa mais de dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos). Somente no setor militar os aumentos salariais s\u00e3o superiores a infla\u00e7\u00e3o. Sem duvidas, a classe trabalhadora pode jogar um papel decisivo para enfrentar a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo, derrotar a regress\u00e3o democr\u00e1tica e levantar exig\u00eancias como um aumento geral de sal\u00e1rios, um sal\u00e1rio-m\u00ednimo igual ao custo da cesta b\u00e1sica, a elimina\u00e7\u00e3o do IVA, a nacionaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petroleira, sem empresas mistas nem multinacionais; uma reforma agraria que garanta o aumento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e o acesso \u00e0 terra para quem nela trabalha, o resgate das empresas b\u00e1sicas de Gauyama e as ind\u00fastrias adquiridas pelo estado, apoiar as exig\u00eancias territoriais dos povos ind\u00edgenas, que se declare a suspens\u00e3o do pagamento da divida externa, a aboli\u00e7\u00e3o dos tratados contra a dupla tributa\u00e7\u00e3o assinados com os Estados Unidos e outros pa\u00edses, instrumentos que permitem as multinacionais evadir mais de 17 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em impostos anualmente.<\/p>\n<p>O PSL est\u00e1 impulsionando um encontro de organiza\u00e7\u00f5es sindicais e populares para discutir em Caracas durante os primeiros dias de mar\u00e7o uma agenda unit\u00e1ria de reivindica\u00e7\u00e3o, assim como plano de mobiliza\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores, os estudantes e os setores populares tem a possibilidade de elevar sua pr\u00f3pria voz e resistir a ser carne de canh\u00e3o do governo e da MUD.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Tradu\u00e7\u00e3o Lucas Barbosa Por: Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras (PSL) As imagens de milhares de manifestantes nas ruas das principais cidades venezuelanas, o desdobramento militar e as a\u00e7\u00f5es armadas de grupos civis, foram difundidas internacionalmente durante as \u00faltimas duas semanas acompanhadas de den\u00fancias governamentais em alto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}