

	{"id":3623,"date":"2018-11-10T16:01:36","date_gmt":"2018-11-10T16:01:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3623"},"modified":"2018-11-10T16:44:13","modified_gmt":"2018-11-10T16:44:13","slug":"subsidios-para-um-balanco-da-eleicao-presidencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2018\/11\/10\/subsidios-para-um-balanco-da-eleicao-presidencial\/","title":{"rendered":"Subs\u00eddios para um balan\u00e7o da elei\u00e7\u00e3o presidencial"},"content":{"rendered":"<p>I. A vit\u00f3ria de Bolsonaro<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro, com um programa que defende abertamente a viol\u00eancia pol\u00edtica como solu\u00e7\u00e3o para os problemas nacionais, marca a fal\u00eancia definitiva da Nova Rep\u00fablica. \u00a0A escolha de uma candidatura que se apresentava abertamente como uma alternativa antissist\u00eamica manifesta o inequ\u00edvoco rep\u00fadio dos eleitores aos partidos do regime &#8211; PSDB, MDB e PT \u00e0 frente. Depois de uma longa batalha, o partido do \u201cFora todos reacion\u00e1rio\u201d derrotou o partido do \u201cSalvem-se todos\u201d e ganhou a possibilidade de comandar o governo central.<\/p>\n<p>A democracia de baixa intensidade gestada na transi\u00e7\u00e3o da ditadura empresarial-militar para o Estado de direito est\u00e1 desabando.<\/p>\n<p>Para os que vivem do pr\u00f3prio trabalho, os partidos convencionais n\u00e3o d\u00e3o conta de resolver os problemas fundamentais do povo. Para al\u00e9m de melhorias superficiais propiciadas pelos ef\u00eameros momentos de crescimento econ\u00f4mico, ap\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas de ritual eleitoral, as gritantes dist\u00e2ncias sociais e culturais que caracterizam a sociedade brasileira continuam intactas. O voto da massa trabalhadora em Bolsonaro expressou a busca desesperada de uma alternativa \u00e0 mis\u00e9ria do poss\u00edvel num giro \u00e0 direita eleitoral, uma maneira de voto castigo no PT.<\/p>\n<p>Para os que vivem da explora\u00e7\u00e3o do trabalho alheio, as liberdades democr\u00e1ticas constituem uma amea\u00e7a que a plutocracia n\u00e3o mais est\u00e1 disposta a correr. A possibilidade de emerg\u00eancia do povo como sujeito hist\u00f3rico, latente desde a explos\u00e3o de protestos nas Jornadas de Junho de 2013, levou a burguesia a reconsiderar seus compromissos com o regime democr\u00e1tico. Num contexto de evidente polariza\u00e7\u00e3o da luta de classes, a decis\u00e3o de jogar o custo da crise econ\u00f4mica nas costas dos trabalhadores exige m\u00e3o dura. A burguesia unificou-se em torno do consenso de que a viol\u00eancia pol\u00edtica, legal e ilegal, deve ser mobilizada para conter o protesto social.<\/p>\n<p>O governo Bolsonaro ser\u00e1 um museu de grandes novidades, pois sua alternativa antissist\u00eamica, na realidade, revitalizar\u00e1 o que h\u00e1 de mais arcaico na hist\u00f3ria do Brasil &#8211; o reino dos neg\u00f3cios como princ\u00edpio organizador da vida social e o despotismo sem limites da plutocracia como forma de domina\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. \u00c9 a forma que assume o dom\u00ednio do capital financeiro na era do capitalismo em crise estrutural.<\/p>\n<p>Na economia, o ex-capit\u00e3o renegou olimpicamente tudo o que havia dito. Esqueceu suas veleidades nacionalistas e abra\u00e7ou com entusiasmo a agenda ultraliberal. Jogando-se de corpo e alma na l\u00f3gica dos grandes neg\u00f3cios, convocou um not\u00f3rio especulador do mercado financeiro para levar ao paroxismo o processo de liberaliza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o iniciado por Collor de Mello, consolidado por Fernando Henrique Cardoso, legitimado por Lula e, ap\u00f3s o impacto devastador da crise internacional sobre a economia brasileira, aprofundado pelo ajuste ortodoxo iniciado por Dilma Rousseff e radicalizado por Temer. O projeto liberal encarnado por Bolsonaro pretende concluir o desmonte do sistema econ\u00f4mico nacional e transformar a economia brasileira numa megafeitoria moderna.<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica, Bolsonaro exalta as fa\u00e7anhas dos por\u00f5es da ditadura e regozija-se com a apologia da viol\u00eancia de Estado como panaceia para os problemas nacionais. O objetivo estrat\u00e9gico \u00e9 negar qualquer direito civil aos trabalhadores. O meio imediato passa pela destrui\u00e7\u00e3o das conquistas sociais e liberdades democr\u00e1ticas da Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de 1988, diga-se de passagem, j\u00e1 bastante desfigurada por sucessivas emendas constitucionais. A \u201cinterven\u00e7\u00e3o militar pelo voto\u201d, principal bord\u00e3o do presidente eleito, empurra a sociedade brasileira para um padr\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o explicitamente elitista e autorit\u00e1rio, sob o qual o capital imp\u00f5e seus desideratos sobre a sociedade, de cima para baixo, de maneira brutal, sem media\u00e7\u00f5es que levem em considera\u00e7\u00e3o seus efeitos perversos sobre os trabalhadores, os povos ind\u00edgenas, as mulheres, os negros, a popula\u00e7\u00e3o LGBT, a cultura, o meio ambiente e tudo que representa conquistas civilizat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Sem medir as consequ\u00eancias de partir para o confronto aberto com as classes trabalhadoras e os setores populares, a burguesia joga-se abertamente no autoritarismo e convoca um capit\u00e3o do mato para p\u00f4r ordem na senzala. A contrarrevolu\u00e7\u00e3o vitoriosa em abril de 1964 tende a assumir formas abertamente ditatoriais. Entretanto, o grau de fechamento do regime &#8211; que pode ir de um &#8220;Estado de direito de exce\u00e7\u00e3o&#8221; at\u00e9 uma ditadura aberta &#8211; ainda n\u00e3o est\u00e3o definidos. Mais do que o desejo de Bolsonaro, o car\u00e1ter do novo padr\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o ser\u00e1 definido pela evolu\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as nacional e internacional.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o do que as cores verde e amarela que embalam os correligion\u00e1rios do ex-militar reformado poderiam sugerir, no entanto, a absoluta primazia da l\u00f3gica dos neg\u00f3cios na organiza\u00e7\u00e3o da economia e da sociedade significa a nega\u00e7\u00e3o definitiva do processo de forma\u00e7\u00e3o nacional. O aprofundamento e a acelera\u00e7\u00e3o da revers\u00e3o neocolonial aprofundar\u00e3o a barb\u00e1rie capitalista.<\/p>\n<p>II. O PSOL nas elei\u00e7\u00f5es de 2018<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de parlamentares suficientes para passar a cl\u00e1usula de barreira foi, sem d\u00favida, uma grande vit\u00f3ria. O aumento da bancada deveu-se fundamentalmente ao ac\u00famulo hist\u00f3rico do partido e \u00e0 atua\u00e7\u00e3o dos coletivos feministas, respons\u00e1veis diretos pela elei\u00e7\u00e3o das quatro novas cadeiras de deputados federais e, indiretamente, de cinco \u00a0parlamentares, caso seja considerado que sem os 250 mil votos de S\u00e2mia Bomfim, o PSOL de S\u00e3o Paulo dificilmente teria eleito tr\u00eas deputados.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do PSOL de lan\u00e7ar uma candidatura presidencial para disputar o esp\u00f3lio do PT, mimetizando o melhorismo petista, revelou-se um fiasco.<\/p>\n<p>Eleitoralmente, Guilherme Boulos amargou o pior resultado da hist\u00f3ria do PSOL, mesmo a conjuntura sendo particularmente favor\u00e1vel a propostas antissist\u00eamicas. Como era previs\u00edvel, entre duas candidaturas convencionais, com programas redundantes, o eleitorado escolheu a original. Foi a candidatura com menos votos e com o voto mais caro de toda a hist\u00f3ria do partido.<\/p>\n<p>Politicamente, o papel de linha auxiliar de Lula, e depois de Haddad, comprometeu a refer\u00eancia do PSOL como alternativa socialista para os trabalhadores. A identifica\u00e7\u00e3o do partido com o PT por amplos segmentos da popula\u00e7\u00e3o acarretou forte preju\u00edzo \u00e0 luta pela constru\u00e7\u00e3o de um instrumento pol\u00edtico que superasse o melhorismo.<\/p>\n<p>Ideologicamente, a incapacidade da candidatura Boulos de diferenciar-se programaticamente do campo petista jogou o PSOL na vala comum dos partidos tradicionais. Sem horizonte de futuro, os trabalhadores ficaram condenados \u00e0 mis\u00e9ria do poss\u00edvel e o terreno ficou livre para que um filhote da ditadura se apresentasse como novidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Para o PSOL, a elei\u00e7\u00e3o de 2018 foi uma oportunidade perdida. Enquadrado nos par\u00e2metros da ordem, o partido n\u00e3o aproveitou a campanha para denunciar a farsa eleitoral e desmascarar a agenda burguesa para as elei\u00e7\u00f5es de 2018. A inexist\u00eancia de qualquer questionamento ao papel da d\u00edvida p\u00fablica como centro nervoso da economia legitimou a agenda econ\u00f4mica do capital. O sil\u00eancio sobre o tema da corrup\u00e7\u00e3o, por temor de atingir Lula, deixou de lado uma das quest\u00f5es mais candentes da campanha nas m\u00e3os da direita conservadora. A aus\u00eancia de medidas estruturais para enfrentar a desigualdade social, por receio de que a proposta de mudan\u00e7as profundas nas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o ferisse as suscetibilidades do eleitorado conservador, deixou o partido desarmado para enfrentar o debate da seguran\u00e7a p\u00fablica. A leviandade da pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o e est\u00e9tica, patente na infeliz ideia de apresentar o programa sob a forma de 50 Receitas de Boulos, afastou qualquer possibilidade de di\u00e1logo com as massas iradas que buscavam alguma conversa s\u00e9ria para resolver seus problemas. O ocultamento sistem\u00e1tico da legenda do PSOL, tanto no discurso do candidato como em seus materiais de campanha, dificultou o di\u00e1logo com um setor da sociedade que respeita e vota no partido por conta de sua trajet\u00f3ria coerente de oposi\u00e7\u00e3o de esquerda aos governos petistas. A aus\u00eancia de propostas para enfrentar a crise terminal da Nova Rep\u00fablica deixou o caminho aberto para que Bolsonaro se apresentasse ao povo brasileiro, soberano, como \u00fanica alternativa contra o sistema pol\u00edtico. Por fim, a falta de qualquer men\u00e7\u00e3o ao socialismo como \u00fanico meio de combate \u00e0 barb\u00e1rie capitalista condenou o PSOL a confundir-se com os outros partidos da ordem na disputa pela prefer\u00eancia do eleitor como a melhor op\u00e7\u00e3o dentro da mis\u00e9ria do poss\u00edvel.<\/p>\n<p>III. Novo momento da luta de classes<\/p>\n<p>O rev\u00e9s sofrido pela classe trabalhadora nas elei\u00e7\u00f5es de 2018 n\u00e3o significa que a via autorit\u00e1ria como solu\u00e7\u00e3o para a crise terminal da Nova Rep\u00fablica esteja consolidada. Enquanto a burguesia n\u00e3o referendar sua vit\u00f3ria eleitoral nas ruas, sufocando, de uma maneira ou de outra, o protesto dos trabalhadores e institucionalizando o novo padr\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o, a conjuntura nacional continuar\u00e1 marcada pela turbul\u00eancia social e instabilidade pol\u00edtica. O rev\u00e9s eleitoral n\u00e3o significa que a classe tenha sido irremediavelmente derrotada. A mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra Bolsonaro, sobretudo as protagonizadas pelas mulheres antes do primeiro turno e pela juventude no segundo turno, revela que importantes setores da classe trabalhadora possuem grande disposi\u00e7\u00e3o de luta. As terr\u00edveis contradi\u00e7\u00f5es da revers\u00e3o neocolonial devem refor\u00e7ar cada vez mais o contingente de trabalhadores dispostos a combater a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de que a lua de mel dos brasileiros com o governo Bolsonaro seja curta n\u00e3o pode ser descartada. A absoluta subservi\u00eancia do ex-capit\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias do grande capital tem como contrapartida a necessidade de radicalizar a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, intensificar o desmantelamento das pol\u00edticas sociais e acelerar o esvaziamento da soberania nacional. Antes cedo do que tarde, os pr\u00f3prios eleitores de Bolsonaro perceber\u00e3o que as promessas de campanha &#8211; recupera\u00e7\u00e3o da economia, combate ao crime organizado e fim da corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica &#8211; n\u00e3o passavam de um engodo.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de radicalizar o ajuste fiscal e de privatizar as empresas estatais atende aos interesses dos capitais rentistas e especulativos, mas em nada contribui para recuperar a economia. Ao contr\u00e1rio, se a promessa de zerar o d\u00e9ficit prim\u00e1rio for cumprida, a economia viver\u00e1 um novo mergulho recessivo. Se a Reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o for barrada, o sistema previdenci\u00e1rio p\u00fablico ser\u00e1 desmantelado e, a julgar pelo exemplo chileno &#8211; o modelo seguido pelo novo presidente -, os trabalhadores ficar\u00e3o totalmente desamparados na velhice.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de acirrar a viol\u00eancia policial como forma de combate ao crime organizado atende \u00e0 exig\u00eancia da burguesia de intensificar a guerra aos pobres. Mas, ao atuar sobre os efeitos do problema e n\u00e3o sobre suas causas &#8211; a extrema desigualdade social e a rela\u00e7\u00e3o umbilical do crime organizado com os aparelhos de Estado -, s\u00f3 contribuir\u00e1 \u00a0para potencializar a escalada da viol\u00eancia que penaliza a popula\u00e7\u00e3o pobre nas periferias das grandes cidades. \u00c9 o que j\u00e1 se v\u00ea no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da cruzada contra a corrup\u00e7\u00e3o em pol\u00edtica de governo satisfaz a expectativa do eleitorado que busca ingenuamente uma solu\u00e7\u00e3o moral para os problemas econ\u00f4micos e sociais, mas choca-se frontalmente com a pr\u00f3pria natureza das for\u00e7as econ\u00f4micas e pol\u00edticas que apoiam o governo Bolsonaro. Sem total liberdade de express\u00e3o, sem uma reforma pol\u00edtica que co\u00edba qualquer tipo de rela\u00e7\u00e3o financeira entre empresas, partidos pol\u00edticos e dirigentes partid\u00e1rios e sem a imediata expropria\u00e7\u00e3o das empresas envolvidas em corrup\u00e7\u00e3o, a cruzada moralista contra a corrup\u00e7\u00e3o, como ficou patente na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, n\u00e3o passar\u00e1 de cortina de fuma\u00e7a para atacar a democracia e propiciar uma rela\u00e7\u00e3o ainda mais prom\u00edscua do capital com o poder que controla o Estado.<\/p>\n<p>A perspectiva \u00e9, portanto, de acirramento da luta de classes. A disputa pol\u00edtica real girar\u00e1 em torno de duas quest\u00f5es, fundamentalmente: a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores; a ofensiva contra as liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>IV. Desafios da conjuntura<\/p>\n<p>A tarefa imediata do PSOL \u00e9 preparar o combate \u00e0 ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e as liberdades democr\u00e1ticas. O fundamental \u00e9 n\u00e3o ceder terreno sem luta. A reforma da previd\u00eancia ser\u00e1 o primeiro embate. Em defesa dos interesses dos trabalhadores e das liberdades democr\u00e1ticas, o partido deve mobilizar toda sua energia para buscar a mais ampla unidade dos trabalhadores, plasmada na constru\u00e7\u00e3o de uma Frente \u00danica de Luta baseada em comit\u00eas populares organizados por local de trabalho, estudo e moradia. \u00c9 preciso combater todas as iniciativas que possam colocar o movimento de oposi\u00e7\u00e3o ao governo Bolsonaro sob o controle de acordos de c\u00fapula, bem como as manobras para reduzi-lo a uma mera Frente Eleitoral. A Frente \u00danica de Luta deve agrupar as centrais sindicais, os movimentos estudantis e populares, assim como os partidos e organiza\u00e7\u00f5es contr\u00e1rios \u00e0 agenda neoliberal. Ningu\u00e9m solta a m\u00e3o de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Para estar \u00e0 altura dos desafios, o PSOL deve buscar absoluta independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos partidos da ordem que se digladiam para liderar a oposi\u00e7\u00e3o a Bolsonaro. Em seu posicionamento pol\u00edtico, \u00e9 vital evitar dois extremos: ser cooptado para legitimar solu\u00e7\u00f5es dentro da l\u00f3gica \u00a0neoliberal, enquadrando-se nos marcos da oposi\u00e7\u00e3o construtiva; ou ser esmagado pela incapacidade de avaliar corretamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, fomentando um ativismo est\u00e9ril, distante das lutas concretas da classe trabalhadora. N\u00e3o desejaremos sucesso ao inimigo, como fez Haddad logo ap\u00f3s sua derrota, nem combateremos a trucul\u00eancia com bravatas, expondo de maneira irrespons\u00e1vel a classe trabalhadora, os estudantes e nossa milit\u00e2ncia \u00e0 viol\u00eancia gratuita dos le\u00f5es de ch\u00e1cara do capital.<\/p>\n<p>O PSOL deve estar consciente de que o centro da luta pol\u00edtica se deslocou, de modo ainda mais pronunciado, do parlamento para o terreno da luta direta de classes. Dado o acelerado derretimento das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, a capacidade de se contrapor \u00e0 ofensiva reacion\u00e1ria depender\u00e1 fundamentalmente da constru\u00e7\u00e3o de for\u00e7a pol\u00edtica real &#8211; capacidade dos trabalhadores interromperem a produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de mercadorias. Para tanto, \u00e9 vital apresentar a &#8220;interven\u00e7\u00e3o popular&#8221; como \u00fanico ant\u00eddoto realmente efetivo \u00e0 &#8220;interven\u00e7\u00e3o militar&#8221;, associando de maneira org\u00e2nica e indissoci\u00e1vel a defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores \u00e0 necessidade de uma ruptura com o ajuste neoliberal, \u00e0 urg\u00eancia de profundas transforma\u00e7\u00f5es nas estruturas sociais e \u00e0 defesa incondicional dos direitos \u00e0 liberdade de express\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o. Sem associar a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, a classe n\u00e3o se mobilizar\u00e1 com a energia e a escala necess\u00e1rias para enfrentar a conspira\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o partido deve preparar-se para disputar a constru\u00e7\u00e3o do novo, apresentando aos trabalhadores um projeto de futuro que aponte de maneira inequ\u00edvoca para um modo de produ\u00e7\u00e3o e sociabilidade baseado na igualdade substantiva. Sem uma alternativa pol\u00edtica verdadeiramente antissist\u00eamica, socialista, n\u00e3o h\u00e1 como abrir novos horizontes para a luta de classes. Nesse sentido, o PSOL deve propor a forma\u00e7\u00e3o de uma Frente de Esquerda, com o PCB e o PSTU, que apresente um programa de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo. \u00c9 urgente enterrar de uma vez por todas qualquer ilus\u00e3o nost\u00e1lgica em rela\u00e7\u00e3o a um poss\u00edvel sebastianismo lulista redentor. N\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de uma volta ao passado. Nos marcos da ordem liberal, a destrui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e cultural provocada pelo ajuste neoliberal e pela viol\u00eancia autorit\u00e1ria \u00e9 irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Por seu compromisso incondicional com o capital e por sua composi\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e autorit\u00e1ria, o governo Bolsonaro tende a ser uma esp\u00e9cie de governo Temer armado de borduna. Partir para a ignor\u00e2ncia, atacando sistem\u00e1tica e impiedosamente os direitos dos trabalhadores, a pol\u00edtica social, a soberania nacional e as liberdades democr\u00e1ticas, n\u00e3o resolver\u00e1 nenhum dos graves problemas nacionais. Em breve, estar\u00e1 desmoralizado. No entanto, na aus\u00eancia de alternativa qualitativa aos ditames da ordem global, a desilus\u00e3o com o governo Bolsonaro alimentar\u00e1 solu\u00e7\u00f5es ainda mais b\u00e1rbaras<\/p>\n<p>Quando as contradi\u00e7\u00f5es irredut\u00edveis entre as expectativas da popula\u00e7\u00e3o e o car\u00e1ter antissocial, antinacional e antidemocr\u00e1tico do governo Bolsonaro finalmente aflorarem, na forma de categ\u00f3ricos e persistentes protestos sociais, a esquerda socialista deve estar preparada para apresentar aos trabalhadores uma alternativa estrutural ao programa de revers\u00e3o neocolonial impulsionado pela burguesia. A sobreviv\u00eancia do PSOL como instrumento pol\u00edtico dos trabalhadores depende de sua capacidade de estar \u00e0 altura dos novos desafios hist\u00f3ricos. \u00c9 urgente superar o lulismo e colocar de maneira clara e inequ\u00edvoca o socialismo como \u00fanica alternativa verdadeiramente antissist\u00eamica para barrar o avan\u00e7o da barb\u00e1rie. \u00c9 a tarefa de todos que n\u00e3o acreditam na possibilidade de domestica\u00e7\u00e3o do capitalismo na periferia da economia mundial na era da crise estrutural do capital.<\/p>\n<p>CORRENTE SOCIALISTA DOS TRABALHADORES &#8211; CST<\/p>\n<p>COLETIVO COMUNISMO E LIBERDADE \u2013 CL<\/p>\n<p>LUTA SOCIALISTA &#8211; LS<\/p>\n<p>CONSTRU\u00c7\u00c3O SOCIALISTA &#8211; CS<\/p>\n<p>CONSTRU\u00c7\u00c3O PELA BASE<\/p>\n<p>Pl\u00ednio de Arruda Sampaio J\u00fanior<\/p>\n<p>Renato Cinco \u2013 Vereador PSOL Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Marino Mondek<\/p>\n<p>Romer Guex DN\/PSOL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I. A vit\u00f3ria de Bolsonaro A elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro, com um programa que defende abertamente a viol\u00eancia pol\u00edtica como solu\u00e7\u00e3o para os problemas nacionais, marca a fal\u00eancia definitiva da Nova Rep\u00fablica. \u00a0A escolha de uma candidatura que se apresentava abertamente como uma alternativa antissist\u00eamica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3624,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,5],"tags":[628,37],"class_list":["post-3623","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-debates-socialistas","category-nacional","tag-eleicoes-2018","tag-psol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3623\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}