

	{"id":3636,"date":"2018-11-14T13:51:42","date_gmt":"2018-11-14T13:51:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3636"},"modified":"2018-11-14T13:51:42","modified_gmt":"2018-11-14T13:51:42","slug":"trump-sofre-grande-derrota-eleitoral-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2018\/11\/14\/trump-sofre-grande-derrota-eleitoral-nos-eua\/","title":{"rendered":"Trump sofre grande derrota eleitoral nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><em>As elei\u00e7\u00f5es estadunidenses de 2018, conhecidas como &#8220;mid-terms&#8221; por ocorrerem no meio do mandato presidencial, marcaram um golpe pol\u00edtico ao governo reacion\u00e1rio de Trump. Os republicanos perderam a maioria na c\u00e2mara de deputados, onde os democratas canalizaram a bronca contra Trump. Houve um voto castigo de setores sociais contra seu discurso de \u00f3dio, machista, racista e mis\u00f3gino em meio \u00e0 crise que atravessa a regi\u00e3o devido \u00e0 caravana migrante. O governo ficou debilitado e se aprofunda a crise de domina\u00e7\u00e3o imperialista norteamericana em um contexto internacional de disputas interburguesas com a China e a Uni\u00e3o Europeia, enquanto o capitalismo n\u00e3o consegue superar a crise econ\u00f4mica mundial.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por Mercedes Beauvoir &#8211; Izquierda Socialista, UIT-QI<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ter\u00e7a-feira passada os resultados das elei\u00e7\u00f5es vieram como um verdadeiro plebiscito dos dois anos de governo Trump. Os democratas ficaram com a maioria da c\u00e2mara de deputados e os republicamos mantiveram maioria no senado. Ao fim da vota\u00e7\u00e3o, Trump tuitou que foi &#8220;um tremendo sucesso. Obrigado a todos!&#8221;, sendo saudado pelo neofascista Salvini da Liga do Norte da It\u00e1lia. Bom, de fato os republicanos n\u00e3o t\u00eam nada a comemorar. Perderam os governos de Kansas, Wisconsin e Michigan, que foram 3 estados chave para sua vit\u00f3ria em 2016.<\/p>\n<p>Se bem que o voto n\u00e3o seja obrigat\u00f3rio nos EUA e as elei\u00e7\u00f5es ocorram num dia \u00fatil, a vota\u00e7\u00e3o foi a maior dos \u00faltimos anos. Um setor do eleitorado que havia votado em Trump em 2016 foi perdido pelo presidente, sobretudo entre trabalhadores industriais e dos sub\u00farbios. Isso se explica por uma combina\u00e7\u00e3o entre amea\u00e7as de atacar o d\u00e9bil sistema de sa\u00fade p\u00fablica Medicare junto \u00e0 economia que n\u00e3o deslancha de fato. Mesmo assim, a exacerba\u00e7\u00e3o do seu discurso ultradireitista e racista contra os imigrantes, junto ao envio de tropas \u00e0s fronteiras, resultou numa vota\u00e7\u00e3o para os democratas por 69% dos latinos e at\u00e9 90% das comunidades afroamericanas.<\/p>\n<p>No plano internacional, o impacto desse resultado tamb\u00e9m \u00e9 um referendo da sua gest\u00e3o. Em outras palavras, mostra uma debilidade relativa por\u00e9m muito concreta como chefe do imperialismo mundial. Tudo isso poderia ter repercuss\u00f5es na &#8220;guerra comercial&#8221; com a China e em como vai se resolver a caravana imigrante. Por\u00e9m, sobretudo, \u00e9 um chamado de aten\u00e7\u00e3o ao reacion\u00e1rio e neofascista Bolsonaro, que assumir\u00e1 a presid\u00eancia do Brasil tentando impor uma maior explora\u00e7\u00e3o das massas e cortes nas liberdades democr\u00e1ticas, por\u00e9m enfrentando a resist\u00eancia do movimento #EleN\u00e3o, dos trabalhadores e setores populares.<\/p>\n<p><strong>O projeto reacion\u00e1rio de Trump fica debilitado<\/strong><\/p>\n<p>Desde que Trump ganhou as elei\u00e7\u00f5es nos EUA, debates importantes se abriram na esquerda mundial sobre se a sua vit\u00f3ria deriva de uma &#8220;onda conservadora&#8221; e de um giro \u00e0 direita das massas. S\u00e3o perguntas que surgem da vit\u00f3ria eleitoral de um ultradireitista nada mais, nada menos que nos Estados Unidos. Evidentemente que num pa\u00eds com baixa mobiliza\u00e7\u00e3o social os republicanos t\u00eam uma base social de direita, com voto num homem branco, tradicional e reacion\u00e1rio. Por\u00e9m, muitos dos que votaram em Trump o fizeram com fortes contradi\u00e7\u00f5es e devido ao fracasso dos 8 anos de governo Obama. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que Obama, diante da crise de 2008, realizou uma clara salva\u00e7\u00e3o dos bancos e grandes empresas em detrimento das necessidades do povo.<\/p>\n<p>Trump ganhou. Por\u00e9m, assumiu sendo o presidente mais impopular da hist\u00f3ria dos Estados Unidos em 100 dias, em meio \u00e0s hist\u00f3ricas mobiliza\u00e7\u00f5es do movimento de mulheres. Na primeira convocat\u00f3ria de 2017, conhecida como &#8220;Woman&#8217;s March&#8221;, milhares de pessoas sa\u00edram nas principais cidades do pa\u00eds contra a pol\u00edtica machista, mis\u00f3gina e racista de Trump. No ano seguinte, a convocat\u00f3ria se repetiu e incorporou a den\u00fancia das tentativas de cortes na sa\u00fade p\u00fablica e \u00e0s amea\u00e7as de avan\u00e7ar contra o direito ao aborto. Meses atr\u00e1s, o movimento de mulheres voltou a sair \u00e0s ruas contra a pol\u00edtica migrat\u00f3ria de separa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias implementada por Trump.<\/p>\n<p>Nessas elei\u00e7\u00f5es legislativas, Trump perdeu o voto popular por uma margem ampla, acima dos 8% em n\u00edvel nacional. Perdeu nos setores industriais, nos sub\u00farbios e grandes cidades, entre jovens e mulheres. A divis\u00e3o do voto entre republicanos e democratas mostra a polariza\u00e7\u00e3o social: enquanto o voto conservador do Sul, do homem branco e setores rurais foram para o partido de Trump, a exalta\u00e7\u00e3o de seu discurso reacion\u00e1rio fez reorientar o voto tradicionalmente republicano das classes m\u00e9dias dos sub\u00farbios e das mulheres brancas. O voto democrata canalizou um olhar progressista sobre as perspectivas do pa\u00eds: foi um voto contra os cortes na sa\u00fade p\u00fablica, contra os ataques \u00e0s mulheres e identidades de g\u00eanero, aos imigrantes e \u00e0 diversidade cultural.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 espa\u00e7o para a esquerda independente<\/strong><\/p>\n<p>O mais chamativo dessas elei\u00e7\u00f5es foi o lugar das mulheres, das trans e dos imigrantes. As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente tiveram um n\u00famero recorde de mulheres candidatas como pela primeira vez elegeram representantes mu\u00e7ulmanas e de povos origin\u00e1rios. Jared Polis ser\u00e1 o primeiro governador abertamente gay do pa\u00eds, pelo estado do Colorado; Rashida Tlaib de Michigan ser\u00e1 a primeira deputada mu\u00e7ulmana; se destaca a elei\u00e7\u00e3o de Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, de origem porto-riquenha e que com 29 anos ser\u00e1 a mulher mais jovem a entrar no Congresso reivindicando-se &#8220;socialista&#8221;. Esse voto reflete uma ala mais \u00e0 esquerda do partido Democrata, que na elei\u00e7\u00e3o presidencial refletia a candidatura de Bernie Sanders. Esse voto \u00e0 &#8220;esquerda&#8221; mostra que continua existindo um espa\u00e7o para construir uma alternativa de esquerda independente dos partidos imperialistas &#8211; tanto Republicano quanto Democrata &#8211; que se alternam no poder. Diante da negativa de Sanders a dar esse passo, deve ser a nova vanguarda e os grupos de esquerda e socialistas a tomar essa tarefa.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, esse resultado coloca um limite ao discurso racista, xenof\u00f3bico e anti-imigra\u00e7\u00e3o de Trump. A disputa entre os republicanos e democratas ter\u00e1 novos cap\u00edtulos no congresso. O mais importante, contudo, \u00e9 que ficou marcado um golpe pol\u00edtico para Trump, ainda que n\u00e3o signifique a queda do governo, mas sim um voto cr\u00edtico que se canaliza atrav\u00e9s dos democratas e expressa um movimento de forte oposi\u00e7\u00e3o a esse projeto ultra-reacion\u00e1rio. Se aprofundam assim as crises do governo Trump e do imperialismo norte-americano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es estadunidenses de 2018, conhecidas como &#8220;mid-terms&#8221; por ocorrerem no meio do mandato presidencial, marcaram um golpe pol\u00edtico ao governo reacion\u00e1rio de Trump. 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