

	{"id":3643,"date":"2018-11-20T16:41:46","date_gmt":"2018-11-20T16:41:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3643"},"modified":"2018-11-20T17:00:10","modified_gmt":"2018-11-20T17:00:10","slug":"20-de-novembro-seguimos-resistindo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2018\/11\/20\/20-de-novembro-seguimos-resistindo\/","title":{"rendered":"20 de novembro: seguimos resistindo!"},"content":{"rendered":"<p>O processo de forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva em grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira se deu a partir da imposi\u00e7\u00e3o de narrativas e imagin\u00e1rios euroc\u00eantricos, isto \u00e9, uma s\u00e9rie de fatos, eventos, datas e her\u00f3is (ou hero\u00edna) nacionais, cujos pontos de partida, em sua maioria, partem do lugar, da fala e do espa\u00e7o do homem branco, europeu colonizador, ou da classe dominante subsequente, referenciados e legitimados pelo Estado nacional, em suas mais distintas formas de regime e governos, outorgando em pr\u00e1tica o que chamamos de racismo institucional e estruturante de nossa sociedade.<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4-26.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3647 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4-26-300x159.jpg\" alt=\"\" width=\"351\" height=\"186\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4-26-300x159.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4-26-768x408.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4-26-50x27.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4-26-600x319.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4-26.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 351px) 100vw, 351px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Desde a Escola somos for\u00e7ados a aprender e repetir que, caso n\u00e3o fossem os portugueses, n\u00e3o ter\u00edamos um desenvolvimento cultural, pois assim n\u00e3o ter\u00edamos tido o contato com l\u00edngua, religi\u00e3o e demais aspectos socioculturais lusos. A educa\u00e7\u00e3o do Estado capitalista n\u00e3o nos faz compreender que as \u201cGrandes Navega\u00e7\u00f5es\u201d, encarnadas como expans\u00f5es mar\u00edtima-territoriais e mercantis, na verdade, foram contornadas e preenchidas por sequestros e viola\u00e7\u00f5es a milhares de negras e negros africanos, e depois pelo exterm\u00ednio de milhares de ind\u00edgenas, para serem ambos escravizados em terras do que, em 1492, se chamaria Am\u00e9rica. A mesma narrativa imposta pela Escola transmite a falsa ideologia de boa conviv\u00eancia entre as tr\u00eas ra\u00e7as predominantes (negros, ind\u00edgenas, brancos), pregando o que hoje em dia bastante se discute e problematiza como o \u201cmito das tr\u00eas ra\u00e7as\u201d, em que se comprova a rela\u00e7\u00e3o de escraviza\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o de senhores de engenho (brancos) para com negros e ind\u00edgenas. Dentre tantos e tantos outros fatos que conhecemos bem, os quais pintam a falsa ideia de que, mesmo sofrido, o povo negro sempre anda com o sorriso no rosto e um bom samba no p\u00e9, diminuindo e at\u00e9 mesmo apagando o seu passado de luta.<\/p>\n<p>Contudo, a nossa Hist\u00f3ria \u00e9 marcada pelas ra\u00edzes de resist\u00eancia. Apesar de mascarada, temos guardada a mem\u00f3ria dos processos hist\u00f3ricos que privilegiam o lado oprimido. O dia 20 de novembro \u00e9 parte desta batalha de narrativas. Enquanto o imagin\u00e1rio imposto por d\u00e9cadas e d\u00e9cadas foi: princesa Isabel, benevolente que s\u00f3 ela, por meio de uma Lei, \u201cconcede\u201d a liberdade aos negros escravos no dia 13 de maio de 1888. Sem mais. A verdade, obstru\u00edda pelo falseamento descarado, \u00e9 de que Isabel, princesa escravagista, pressionada pela comunidade internacional e dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds com o movimento negro cada vez mais resistente e fortalecido, foi derrotada e obrigada a assinar uma Lei que contendo, nada mais, nada menos que um \u00fanico artigo, atirou e largou negros e negras em verdadeiros corti\u00e7os, sem as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de acesso \u00e0 sa\u00fade, saneamento, educa\u00e7\u00e3o e emprego, iniciando o processo de faveliza\u00e7\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o o qual conhecemos hoje. Considera-se, ainda, a pol\u00edtica de embranquecimento da m\u00e3o de obra assalariada que passou a ocupar precariamente as planta\u00e7\u00f5es e produ\u00e7\u00f5es de engenhos, com italianos, japoneses etc., que prevaleceu no per\u00edodo do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Portanto, considerar essa quest\u00e3o \u00e9 fundamental para resgatar a mem\u00f3ria de luta e aguerrida do povo negro no processo de forma\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria brasileira. 20 de novembro representa exatamente isto: resist\u00eancia e combate. Afinal, retrata a data da morte de Zumbi dos Palmares, como s\u00edmbolo de luta pela liberdade. Celebramos o dia 20 de novembro, pois n\u00e3o buscamos recordar a hipocrisia de um regime que aprisionou e acorrentou todo um povo, produzindo a forma\u00e7\u00e3o racista a que nos \u00e9 ofertada\u2026 ou melhor, estabelecida.<\/p>\n<div id=\"attachment_3648\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hqdefault.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3648\" class=\"wp-image-3648 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hqdefault-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hqdefault-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hqdefault-50x38.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hqdefault.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3648\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Zumbi dos palmares<\/p><\/div>\n<p>Como dissemos, sempre fomos resist\u00eancia e nunca deixamos de lutar. Fato s\u00e3o algumas das conquistas obtidas pelo movimento negro. Nas universidades, o ingresso a partir da pol\u00edtica de cotas raciais e sociais \u00e9 parte disso. Ainda que saibamos que precisamos ir al\u00e9m, j\u00e1 que todos os \u00faltimos governos deram o acesso com uma m\u00e3o, mas retiraram as nossas vagas com outra, n\u00e3o garantindo a perman\u00eancia estudantil, com investimentos reais, para garantir bolsas, alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, transporte. Ainda no \u00e2mbito educacional, foi fundamental a conquista da Lei n\u00ba 10.639\/03, que obriga o ensino de Hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira, o que foi um passo para aprofundar a disputa pela narrativa e forma\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio s\u00f3cio-hist\u00f3rico nacional. Algo que precisa ser efetivado na pr\u00e1tica, tendo em vista que passados quinze anos de sua legisla\u00e7\u00e3o seguimos tendo um curr\u00edculo educacional euroc\u00eantrico e com uma vis\u00e3o de mundo do homem colonizador.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso unir as for\u00e7as contra Bolsonaro e seu projeto racista e de ataques!!<\/strong><\/p>\n<p>Passados mais de cinco s\u00e9culos desde o rapto e a escraviza\u00e7\u00e3o de negras e negros africanos, a realidade n\u00e3o \u00e9 nada favor\u00e1vel ao povo preto. Seguimos como a massa de trabalhadores mais desvalorizada, sendo a parte da popula\u00e7\u00e3o mais pobre, que mais morre nas periferias, que mais \u00e9 encarcerada e pela cor da pele \u00e9 confundida como gente bandida.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/12-racismo_marcha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3644 alignright\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/12-racismo_marcha-300x186.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/12-racismo_marcha-300x186.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/12-racismo_marcha-50x31.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/12-racismo_marcha.jpg 570w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que com Bolsonaro a situa\u00e7\u00e3o pode ficar pior: ele defende a Reforma da Previd\u00eancia, para atacar a aposentadoria; que mais direitos trabalhistas sejam retirados, mesmo ap\u00f3s a Reforma Trabalhista aprovada por Temer; que as universidades sejam pagas com taxas e mensalidades; e quer impedir o nosso direito duramente conquistado de liberdade de pensamento, express\u00e3o e livre organiza\u00e7\u00e3o nas escolas com PL Escola Sem Partido. Todas essas medidas, e tantas outras, centralmente atacar\u00e3o em cheio os oprimidos, que por sua vez s\u00e3o os mais explorados: mulheres, a negritude, LGBT\u2019s.<\/p>\n<p>\u00c9 por essas e por outras que precisamos seguir organizados nas ruas, como fizemos no gigantesco movimento #EleN\u00e3o no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es, agora n\u00e3o mais virando votos, mas dialogando com cada trabalhadora e trabalhador que, infelizmente, votou em um projeto de desmonte dos seus direitos, explicando e acompanhando a realidade concreta das medidas antipopulares que ser\u00e3o aplicadas por Bolsonaro, Mour\u00e3o, Paulo Guedes, Moro e companhia. Neste sentido, \u00e9 fundamental que o movimento negro se some aos calend\u00e1rios de luta unit\u00e1rios das centrais sindicais em defesa da previd\u00eancia social e se incorpore \u00e0 luta contra o PL Escola Sem Partido, que tamb\u00e9m \u00e9 um projeto de manuten\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o que risca da hist\u00f3ria, a cultura, o conhecimento e a identidade negra. A luta dos trabalhadores contra o futuro governo Bolsonaro tamb\u00e9m \u00e9 a nossa luta! N\u00e3o podemos permitir que o chicote arrebente mais uma vez em nossas costas, nosso lugar \u00e9 ao lado dos trabalhadores nas lutas do dia-a-dia, mobilizando para defender direitos e combater os ataques. Portanto, unidade nas lutas \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/marcha_consciencia_negra-folhapress-rogerio_de_santis.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3650 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/marcha_consciencia_negra-folhapress-rogerio_de_santis-300x188.jpg\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/marcha_consciencia_negra-folhapress-rogerio_de_santis-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/marcha_consciencia_negra-folhapress-rogerio_de_santis-768x482.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/marcha_consciencia_negra-folhapress-rogerio_de_santis-50x31.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/marcha_consciencia_negra-folhapress-rogerio_de_santis-600x377.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/marcha_consciencia_negra-folhapress-rogerio_de_santis.jpg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 334px) 100vw, 334px\" \/><\/a>Passados mais de trezentos e vinte anos de sua morte, Zumbi e Dandara dos Palmares seguem preservados em nossa mem\u00f3ria, s\u00edmbolos da luta pelo romper das correntes escravagistas. \u00c9 preciso reconhecer e recordar este legado, pois, assim como a luta de Marielle hoje nos representa muito bem, seguiremos sempre exigindo e lutando pela justi\u00e7a social ao nosso povo negro, recorte maior da classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O processo de forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva em grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira se deu a partir da imposi\u00e7\u00e3o de narrativas e imagin\u00e1rios euroc\u00eantricos, isto \u00e9, uma s\u00e9rie de fatos, eventos, datas e her\u00f3is (ou hero\u00edna) nacionais, cujos pontos de partida, em sua maioria, partem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3645,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[467,321,691,690,102,101],"class_list":["post-3643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-consciencia-negra","tag-extermino-juventude-negra","tag-juventude-negra","tag-negra","tag-negras","tag-negros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3643\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}