

	{"id":365,"date":"2014-03-10T09:59:00","date_gmt":"2014-03-10T09:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2014\/03\/10\/arquivoid-9389\/"},"modified":"2014-03-10T09:59:00","modified_gmt":"2014-03-10T09:59:00","slug":"arquivoid-9389","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2014\/03\/10\/arquivoid-9389\/","title":{"rendered":"As mulheres e seu dia de luta oper\u00e1ria e internacionalista"},"content":{"rendered":"<p>| Tradu\u00e7\u00e3o Eduardo Rodrigues<\/p>\n<p>Por Malena Zetnik &#8211; Esquerda Socialista (Argentina)<\/p>\n<p>Lembrando o 8 de mar\u00e7o de 1857<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, no movimento oper\u00e1rio se foi instalando o 8 de mar\u00e7o como um dia de luta das trabalhadoras em todo o mundo. A ONU transformou em um &quot;feriado&quot;, em uma \u201cfestividade\u201d. As mulheres trabalhadoras mant\u00e9m seu lugar na vanguarda das lutas por seus direitos.<\/p>\n<p>No acelerado processo de desenvolvimento industrial capitalista do final do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, milh\u00f5es de mulheres camponesas foram levadas \u00e0s cidades para trabalhar nas ind\u00fastrias europeias e norte-americanas em expans\u00e3o. Na ind\u00fastria t\u00eaxtil, as mulheres come\u00e7aram a ser imensa maioria. No entanto, como no caso das crian\u00e7as, com as extenuantes 12 horas de trabalho recebiam sal\u00e1rios inferiores aos dos homens e tendo negado o direito de participar nas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, os seus pr\u00f3prios companheiros homens as expulsavam, pois as viam como uma amea\u00e7a para seus pr\u00f3prios empregos. Assim denunciava, por exemplo, a feminista internacionalista Flora Tristan, em seu livro &quot;Passeios em Londres&quot;.<\/p>\n<p>Por isso, em 1857, fartas das exaustivas jornadas de trabalho e do magro sal\u00e1rio, a grande maioria das trabalhadoras t\u00eaxteis de Nova Iorque se revoltou exigindo uma jornada de 10 horas. Foram brutalmente reprimidas pela pol\u00edcia. O calend\u00e1rio marcava 8 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&quot;P\u00e3o e Rosas&quot;<\/p>\n<p>D\u00e9cadas mais tarde, no mesmo m\u00eas de mar\u00e7o, mas no ano de 1908, 15.000 trabalhadoras marcharam pelas ruas da mesma cidade ao grito de &quot;p\u00e3o e rosas&quot;, sintetizando nessas consignas sua reivindica\u00e7\u00e3o por melhores sal\u00e1rios e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Um ano depois, 140 trabalhadoras morreram queimadas na Cotton Textile Factory, onde foram trancadas pelos patr\u00f5es para que n\u00e3o se somassem \u00e0 greve de 40.000 costureiras que paravam a ind\u00fastria novaiorquina. Naquele dia, suas m\u00e1quinas teciam panos de cor lil\u00e1s, da\u00ed a origem da t\u00e3o emblem\u00e1tica cor para as mulheres.<\/p>\n<p>Finalmente, em 1910, durante o Segundo Congresso Internacional de Mulheres Socialistas reunido na Dinamarca, onde as mais de 100 delegadas de 17 pa\u00edses e membros de sindicatos e partidos socialistas proclamaram o 8 de mar\u00e7o como Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, em mem\u00f3ria aos her\u00f3icos levantes das trabalhadoras contra a opress\u00e3o do capital, como proposta de Clara Zetkin, Kate Duncker e outras. Em seu discurso, Zetkin disse: &quot;Para que a mulher tenha plena igualdade de direitos sociais com os homens &#8211; de fato e de direito, n\u00e3o s\u00f3 na letra morta das leis &#8211; para que igual ao homem tenha todas as oportunidades de um livre desenvolvimento e do exerc\u00edcio total de sua condi\u00e7\u00e3o humana, devem dar-se duas premissas primordiais: a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o deve ser substitu\u00edda pela propriedade social; as mulheres devem ser incorporadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o social em um regime livre de explora\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o&quot;\u00b9.<\/p>\n<p>Mas foi em 1917 que essa data acabou por afirmar a sua cabal import\u00e2ncia. Em 23 de fevereiro (8 de mar\u00e7o de 1917 no calend\u00e1rio gregoriano), em S\u00e3o Petersburgo, na R\u00fassia, dezenas de manifesta\u00e7\u00f5es se celebravam com motivo do Dia Internacional da Mulher Trabajadora\u00b2. O mal-estar por causa das paup\u00e9rrimas condi\u00e7\u00f5es de vida de trabalhadoras e donas de casa, que faziam longas filas para conseguir alimentos, converteram essas manifesta\u00e7\u00f5es das mulheres em fortes protestos pelo fim da guerra interimperialista e contra o czarismo, que conseguiu sua queda. E acenderam assim o pavio da grande Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, que imp\u00f4s o primeiro governo revolucion\u00e1rio oper\u00e1rio e campon\u00eas da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&quot;Festa&quot; ou dia de mobiliza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A luta das mulheres trabalhadoras e de distintos setores sociais se manteve e se aprofundou ao longo do s\u00e9culo XX. Na d\u00e9cada de sessenta se deram grandes manifesta\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos e v\u00e1rios pa\u00edses europeus. Em muitos pa\u00edses se foi ampliando a participa\u00e7\u00e3o das mulheres em diferentes esferas da vida.<\/p>\n<p>Buscando refletir essas demandas, as incorporando \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o capitalista e imperialista, se estabeleceu um &quot;reconhecimento&quot; oficial na ONU. Nos anos setenta, e em nome do &quot;interesse de todas&quot;, a Confer\u00eancia Mundial do Ano Internacional da Mulher realizada no M\u00e9xico em 2 de julho de 1975 pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, resolveu estabelecer o 8 de mar\u00e7o como feriado do Dia Internacional da Mulher. Em seguida, na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Resolu\u00e7\u00e3o 32\/142, dia 16 de dezembro de 1977 proclamou: &quot;Tendo em conta que uma paz est\u00e1vel, o progresso social, o estabelecimento da nova ordem econ\u00f4mica internacional, e o pleno gozo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais exigem a participa\u00e7\u00e3o ativa das mulheres, sua igualdade e sua promo\u00e7\u00e3o&quot;\u00b3.<\/p>\n<p>Desta maneira, os fatos, as protagonistas, suas den\u00fancias pelas situa\u00e7\u00f5es cru\u00e9is de explora\u00e7\u00e3o \u00e0s quais foram e ainda s\u00e3o submetidas as trabalhadoras, foram dilu\u00eddas pela opress\u00e3o de conjunto de todas as mulheres, sem distin\u00e7\u00e3o de classe, e desaparecendo a necessidade da luta por todas as suas demandas. Assim, o 8 de mar\u00e7o, em sua vers\u00e3o institucionalizada, tornou-se um dia tomado por muitos governos, organiza\u00e7\u00f5es e empresas capitalistas para promo\u00e7\u00f5es de produtos cosm\u00e9ticos, presentes de flores e, no melhor dos casos, do reconhecimento de algumas mulheres destacadas da arte e da cultura. Uma vez ao ano com &quot;rosas&quot;, sem a luta pelo &quot;p\u00e3o&quot; de todos os dias.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, as trabalhadoras<\/p>\n<p>No entanto, as mulheres lutadoras do mundo n\u00e3o renunciam esta data. Pois como observou Alejandra Kollontay em 1913 sobre a ra\u00edz do 8 de Mar\u00e7o, &quot;O dia da mulher \u00e9 um elo na longa e s\u00f3lida cadeia da mulher no movimento oper\u00e1rio&quot;4. Por isso, desde Izquierda Socialista impulsionamos e apoiamos em primeiro lugar todas as mobiliza\u00e7\u00f5es que as trabalhadoras est\u00e3o organizando para esta data em todo o mundo, exigindo igual sal\u00e1rio por igual trabalho, contra as demiss\u00f5es e a precariza\u00e7\u00e3o laboral, pelo direito para decidir sobre o pr\u00f3prio corpo, e muitas outras reivindica\u00e7\u00f5es. \u00c9 a melhor maneira para defender todo o conjunto das demandas que as mulheres oprimidas levantam em todo o mundo. Passaram d\u00e9cadas e at\u00e9 s\u00e9culos desde os primeiros protestos das trabalhadoras nas ind\u00fastrias, mas a discrimina\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia e a superexplora\u00e7\u00e3o das mulheres continua, colocando-nos entre as mais oprimidas entre os oprimidos, e as mais exploradas entre os explorados.<\/p>\n<p>\u00b9 Forner, P. (Ed.1984) . Clara Zetkin: Obras Escolhidas, Londres: International Publishers.<br \/>\n\u00b2 Chamberlin, WH. &quot;A Primeira Revolu\u00e7\u00e3o Russa.&quot; Revis\u00e3o russo. Vol. 26, No. 1 (Jan., 1967), p.4-12.<br \/>\n\u00b3 Resolu\u00e7\u00e3o da ONU 32\/142, 16 de dezembro de 1977. &quot;A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na consolida\u00e7\u00e3o da paz e da seguran\u00e7a internacional e da luta contra o colonialismo, o racismo, a discrimina\u00e7\u00e3o racial, agress\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira, e todas as formas de domina\u00e7\u00e3o estrangeira.&quot; Dispon\u00edvel em http:\/\/www.un.org\/spanish\/documents\/ga\/res\/32\/<br \/>\n4 Abril. Kollontay, A. (1913) Dia da Mulher. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/kollontai\/1913mujer.htm<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Fonte:  UIT-CI. Dispon\u00edvel em http:\/\/uit-ci.org\/index.php\/noticias-y-documentos\/aniversario\/803-las-mujeres-y-su-jornada-de-lucha-obrera-e-internacionalista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Tradu\u00e7\u00e3o Eduardo Rodrigues Por Malena Zetnik &#8211; Esquerda Socialista (Argentina) Lembrando o 8 de mar\u00e7o de 1857 Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, no movimento oper\u00e1rio se foi instalando o 8 de mar\u00e7o como um dia de luta das trabalhadoras em todo o mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-365","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=365"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}