

	{"id":3812,"date":"2019-02-02T19:14:52","date_gmt":"2019-02-02T19:14:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3812"},"modified":"2019-03-03T15:42:44","modified_gmt":"2019-03-03T15:42:44","slug":"construir-nas-ruas-a-oposicao-politica-contra-o-governo-bolsonaro-mourao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/02\/02\/construir-nas-ruas-a-oposicao-politica-contra-o-governo-bolsonaro-mourao\/","title":{"rendered":"Construir nas ruas a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra o governo Bolsonaro\/Mour\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p>O governo do capit\u00e3o Bolsonaro e do general Mour\u00e3o rec\u00e9m come\u00e7ou. A extrema direita pretende aplicar uma agenda de profundos ataques contra os direitos sociais e trabalhistas, a liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o, contras pautas feministas, LGBTs, negras, ambientais e ind\u00edgenas. Algumas medidas j\u00e1 est\u00e3o em vigor \u2013 como o conservadorismo na \u00e1rea da seguran\u00e7a &#8211; e outras ser\u00e3o apresentadas. Por isso o governo Bolsonaro\/Mour\u00e3o \u00e9 o nosso principal inimigo e deve ser enfrentado por meio de uma ampla unidade de a\u00e7\u00e3o nas ruas.<\/p>\n<p>Sem subestimar o voto popular que o PSL obteve, as expectativas que existem no eleitorado que elegeu Bolsonaro, constatamos que o in\u00edcio de governo revelou dificuldades para a nova coaliz\u00e3o. Em primeiro lugar, as disputas entre n\u00facleo pol\u00edtico, militar e o econ\u00f4mico do governo que geraram desencontros. Em segundo lugar, as fra\u00e7\u00f5es da burguesia (setores industriais, exportadores, bar\u00f5es da m\u00eddia, alguns tubar\u00f5es do ensino) que criticam o \u201cvi\u00e9s ideol\u00f3gico\u201d, o \u201calinhamento autom\u00e1tico aos EUA\u201d e o peso do n\u00facleo fundamentalista\/conservador no governo; essa ala burguesa defende o ajuste fiscal como eixo exclusivo, atrav\u00e9s da contrarreforma da previd\u00eancia e privatiza\u00e7\u00f5es, bem como defendem seus interesses particulares. Em terceiro lugar, o retorno dos m\u00e9todos da velha pol\u00edtica (apoio a Rodrigo Maia, nomea\u00e7\u00e3o do filho de Mour\u00e3o, etc) motivando atritos no campo Bolsonarista. Por fim, e o mais importante, a crise do gabinete de Fl\u00e1vio Bolsonaro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Flavio Bolsonaro e Queiroz levaram a crise ao pal\u00e1cio do planalto<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A crise motivada pelos movimentos \u201cat\u00edpicos\u201d na conta de Queiroz, assessor de Fl\u00e1vio Bolsonaro, deu um salto ap\u00f3s o caso parar no STF. O senador eleito tenta se esconder no foro privilegiado que tanto beneficia os pol\u00edticos tradicionais e os corruptos, fato que gerou certa reflex\u00e3o numa parte do eleitorado de Bolsonaro. Tudo piora com as revela\u00e7\u00f5es de que lideran\u00e7as do crime organizado e das milicias est\u00e3o ligadas ao gabinete de Flavio Bolsonaro, alguns deles homenageados na ALERJ por iniciativa do filho do presidente. O citado \u201cescrit\u00f3rio do crime\u201d est\u00e1 sendo investigado por uma suposta liga\u00e7\u00e3o com o assassinato da lideran\u00e7a do PSOL, Marielle Franco. In\u00fameros apoiadores de Bolsonaro, no campo da direita, criticam Fl\u00e1vio acidamente (MBL, Olavo de Carvalho, Janaina Paschoal, etc) mostrando a gravidade da crise dentro da pr\u00f3pria direita. O tema domina o notici\u00e1rio nacional e ofusca a participa\u00e7\u00e3o de Bolsonaro em Davos (o cancelamento da coletiva de imprensa revela o desconforto do governo). At\u00e9 mesmo a vergonhosa \u201centrevista\u201d exclusiva com a Record, com perguntas combinadas e edi\u00e7\u00e3o da emissora \u201cchapa-branca\u201d, mostra um Bolsonaro abatido e inseguro. H\u00e1 ind\u00edcios de que o Senador eleito pode ser tragado, vide as especula\u00e7\u00f5es sobre a \u201cren\u00fancia do mandato\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que estamos no in\u00edcio do governo, que h\u00e1 ainda expectativas, n\u00e3o podemos fechar os olhos a esses fatos, ou virar as costas afirmando que tratar desse assunto \u00e9 \u201cmoralismo e pauta da UDN\u201d como erroneamente faz a maioria da esquerda. Os revolucion\u00e1rios, a esquerda socialista, os movimentos classistas que n\u00e3o tem rabo preso com nenhum corrupto n\u00e3o podem ficar calados. Estamos diante da oportunidade de retomar o di\u00e1logo com o eleitorado de Bolsonaro, dialogando com os trabalhadores e setores populares atrav\u00e9s da den\u00fancia desses epis\u00f3dios. O patamar atual \u00e9 distinto da elei\u00e7\u00e3o, onde predominava a press\u00e3o de um \u201cvoto \u00fatil\u201d para castigar o PT e contra os partidos do sistema. Por outro lado, estamos em condi\u00e7\u00f5es de batalhar para tentar reeditar nas ruas o movimento que se expressou por meio dos atos das mulheres, do EleN\u00e3o, contra o governo e exigindo justi\u00e7a pra Marielle. Trata-se de ter como pol\u00edtica e a batalha para que o movimento de massas entre em cena, como seus m\u00e9todos de mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pactuar com o Bolsonarismo ou se manter imobilizado \u00e9 um erro!<\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente os partidos e dirigentes que se denominam de oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o fazendo sua parte. O PCdoB e PDT v\u00e3o se aliar a Maia na elei\u00e7\u00e3o da presid\u00eancia da c\u00e2mara, cuja composi\u00e7\u00e3o inclui a extrema direita Bolsonarista, o PSL. O governador petistas do Cear\u00e1 qualifica de \u201caliado\u201d o Ministro da Seguran\u00e7a S\u00e9rgio Moro e o governador da bahia aplica medidas neoliberais elevando a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria dos servidores estaduais. Seguir esperando a elei\u00e7\u00e3o de 2022, como faz Haddad e Ciro \u00e9 outro erro. A linha inicial da c\u00fapula das centrais sindicais, explicada em entrevista pelo presidente da CUT, era uma trag\u00e9dia social, por baixar a guarda e propor \u201ctr\u00e9gua\u201d a um governo que n\u00e3o quer negociar e deseja esmagar os movimentos sociais (linha momentaneamente derrotada). O Lulismo mostra sua decad\u00eancia novamente, sendo incapaz de ser oposi\u00e7\u00e3o, tal qual como o fez sob o governo Temer. Mas agora a pol\u00edtica dos Lulistas \u00e9 pior porque se d\u00e1 no contexto da extrema direita no poder. Haddad e Ciro tiveram altas vota\u00e7\u00f5es, o PT elegeu uma boa bancada de deputados e possui governadores eleitos com votos da oposi\u00e7\u00e3o a Bolsonaro. N\u00e3o se pode fazer um discurso para ganhar votos de \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d e ap\u00f3s eleitos se negar a construir a oposi\u00e7\u00e3o de verdade nas ruas. Os governadores deveriam transformar seus cargos em trincheiras e n\u00e3o em vias de comunica\u00e7\u00e3o \u201cinstitucional\u201d com a extrema direita. Por isso exigimos que eles se comprometam em convocar as lutas nas ruas, rompam com a estrat\u00e9gia imobilista e os pactos com os partidos da ordem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Organizar a oposi\u00e7\u00e3o combatendo a reforma da previd\u00eancia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o da luta contra a reforma da previd\u00eancia \u00e9 a necessidade do momento. O presidente Bolsonaro, em seu curto discurso, em Davos, no f\u00f3rum econ\u00f4mico que re\u00fane multinacionais e milion\u00e1rios internacionais, reafirmou sua agenda em favor das privatiza\u00e7\u00f5es e do ajuste. O ministro Guedes, em reuni\u00e3o com banqueiros, patrocinado pelo Ita\u00fa, reafirma a proposta de reforma da previd\u00eancia profunda, o que significar\u00e1 o fim desse direito. Por isso, \u00e9 fundamental organizar o enfrentamento a essa agenda de forma unificada. O primeiro passo \u00e9 fortalecer os movimentos que j\u00e1 est\u00e3o ocorrendo, como os indicativos de greves dos professores e do Metr\u00f4 de SP, greves como a dos oper\u00e1rios da Ford em Taubat\u00e9, as campanhas salariais dos servidores e das demais categorias, a reuni\u00e3o da FENTEC, as reuni\u00f5es que est\u00e3o construindo o 8 de mar\u00e7o. Se soma a esse esfor\u00e7o a linha das centrais sindicais de realiza\u00e7\u00e3o de assembleias locais, plen\u00e1rias estaduais e uma plen\u00e1ria nacional dia 20\/02 para encaminhar \u201cum plano de luta\u201d contra a reforma da previd\u00eancia. Plen\u00e1rias intercategorias, como a que ocorreu em BH \u00e9 um exemplo que deve se repetir por todos os estados. No terreno econ\u00f4mico e social, temos condi\u00e7\u00f5es de dialogar com os eleitores de Bolsonaro e seguir a orienta\u00e7\u00e3o que iniciamos como a batalha eleitoral do \u201cvira o voto\u201d ainda no segundo turno, s\u00f3 que dessa vez no nosso terreno, o da luta de classes, e na defesa de um direito fundamental.<\/p>\n<p>Politicamente estamos com Marcelo Freixo para a presid\u00eancia da c\u00e2mara dos deputados, pois essa candidatura do PSOL hoje expressa uma alternativa contra Rodrigo Maia e a velha pol\u00edtica que ele representa, bem como a defesa das nossas aposentadorias no parlamento. O PSOL deve colocar seu peso e suas bancadas a servi\u00e7o da prepara\u00e7\u00e3o das lutas contra a reforma da previd\u00eancia e demais ataques nesse primeiro semestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Construir a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 preciso batalhar para concretizar as assembleias de base, para marcar as datas das plen\u00e1rias estaduais das centrais, bem como garantir que delega\u00e7\u00f5es das bases se expressam na plen\u00e1ria nacional. Temos de lutar para que essa linha se concretize e desde a trincheira do sindicalismo combativo e classista da CSP-CONLUTAS daremos essa batalha. Acreditamos que essa deveria ser a batalha de movimentos como o MTST, a INTERSINDICAL e os povos ind\u00edgenas da APIB. A mesma batalha, pela concretiza\u00e7\u00e3o da luta e unifica\u00e7\u00e3o daremos nos movimentos de mulheres, pelas pautas que massifiquem o movimento. Dentre os estudantes essa ser\u00e1 a batalha da juventude revolucion\u00e1ria no CONEB da UNE e ENG da UBES, em defesa da educa\u00e7\u00e3o, contra o escola com morda\u00e7a, dentre outros temas, e por isso batalharemos por uma unidade da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda. Sem d\u00favida necessitamos de um plano de lutas que incorpore os atos do 8 e 14 de mar\u00e7o por justi\u00e7a para Marielle e Anderson, o 28 de mar\u00e7o tradicional dia de luta estudantil. Nessas batalhas \u00e9 preciso construir uma sa\u00edda para a crise que expresse as reivindica\u00e7\u00f5es operarias e populares. Para isso \u00e9 preciso exigir:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; \u201c<strong><em>Investiga\u00e7\u00e3o profunda de Fl\u00e1vio Bolsonaro, Queiroz e todos os envolvidos!\u201d, \u201cFim do foro privilegiado\u201d, \u201cabertura do sigilo banc\u00e1rio, fiscal, eletr\u00f4nico e telef\u00f4nico dos assessores de Fl\u00e1vio e todos que receberam ou depositaram recursos nas contas de Queiroz\u201d, \u201cJusti\u00e7a para Marielle e Anderson\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; \u201c<strong><em>Barrar a reforma da previd\u00eancia e demais ataques!\u201d, \u201cA<\/em><\/strong><strong>justar os banqueiros, suspender o pagamento da d\u00edvida e investir nas \u00e1reas sociais\u201d, \u201cbaixar os pre\u00e7os dos combust\u00edveis e dos pre\u00e7os das passagens dos transportes\u201d, \u201cgarantir empregos, reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais e servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade\u201d. <\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>&#8211; \u201cConcretizar as assembleias e marcar as datas das plen\u00e1rias estaduais\u201d, \u201cexigir a plen\u00e1ria nacional das Centrais de fevereiro convoque um calend\u00e1rio de lutas e um dia nacional de mobiliza\u00e7\u00e3o e paralisa\u00e7\u00f5es em mar\u00e7o!\u201d<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; \u201c<strong>Uma plen\u00e1ria nacional oper\u00e1ria, popular e estudantil em Abril para votar a continuidade da luta, unificando as mobiliza\u00e7\u00f5es, criando as condi\u00e7\u00f5es para mais adiante construir as condi\u00e7\u00f5es para uma greve geral\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que lutamos para organizar uma ampla unidade de a\u00e7\u00e3o, temos uma segunda tarefa pol\u00edtica e program\u00e1tica. Reconstruir um verdadeiro projeto de esquerda, sem concilia\u00e7\u00e3o de classes e sem corruptos, sem Lulistas. Uma frente de esquerda e socialista com PSOL, PSTU, PCB, UP e demais partidos anticapitalistas para ajudar a construir as lutas e construir uma sa\u00edda program\u00e1tica contra a crise. Acreditamos que os revolucion\u00e1rios devem batalhar para que os trabalhadores, os jovens e as mulheres que estiveram nas jornadas de junho, nas ocupa\u00e7\u00f5es de escola, nas greves oper\u00e1rias, na greve geral e no ocupa DF possam decidir efetivamente na vida do pa\u00eds e ter finalmente suas reivindica\u00e7\u00f5es atendidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Janeiro de 2019, publicado no jornal Combate Socialista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo do capit\u00e3o Bolsonaro e do general Mour\u00e3o rec\u00e9m come\u00e7ou. 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