

	{"id":3922,"date":"2019-04-12T17:17:45","date_gmt":"2019-04-12T17:17:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=3922"},"modified":"2019-04-12T17:17:45","modified_gmt":"2019-04-12T17:17:45","slug":"regime-mantenha-suas-maos-longe-do-movimento-popular-da-argelia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/04\/12\/regime-mantenha-suas-maos-longe-do-movimento-popular-da-argelia\/","title":{"rendered":"Regime! Mantenha suas m\u00e3os longe do movimento popular da Arg\u00e9lia!"},"content":{"rendered":"<div>Carta-Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica A\u00e7\u00e3o de Esquerda Popular (Argelia)<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Estamos ao lado das classes populares em seu desejo de decidir sobre seus pr\u00f3prios assuntos e de que n\u00e3o pode haver democracia verdadeira sem ter em conta suas aspira\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O levante popular de 22 de fevereiro de 2019 tem significado um massivo movimento para recuperar a dignidade. Representa uma ruptura importante tanto na hist\u00f3ria deste pa\u00eds quanto do Magreb. Tem se expressado energicamente nas ruas a favor de uma mudan\u00e7a radical e tem feito o regime pol\u00edtico tremer. O movimento conseguiu um triunfo e delimitou seu territ\u00f3rio com radicalidade. A demiss\u00e3o de Bouteflika confirma esse novo equilibrio de poder. N\u00e3o obstante, \u00e9 uma vit\u00f3ria parcial que deve ser preservada e consolidada. Para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, a busca de liberdade \u00e9 insepar\u00e1vel da busca por igualdade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O movimento de 22 de fevereiro deve devolver \u00e0s classes populares os instrumentos pol\u00edticos para desenvolver uma democracia real!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O movimento popular questionou tanto os objetivos como as estruturas do sistema pol\u00edtico. Denunciou a realidade dos centros de poder, as regras antidemocr\u00e1ticas da vida pol\u00edtica e da tomada de decis\u00f5es. Por si mesmo, esse movimento coloca a quest\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos explorados e oprimidos. Exige um projeto de sociedade que corresponda ao n\u00edvel das lutas sociais, dos trabalhadores, estudantes e jovens desempregados que t\u00eam se produzido ao longo dos anos. Nas mobiliza\u00e7\u00f5es cotidianas de hoje, o movimento busca uma nova identidade coletiva que reivindica a necessidade de um programa pol\u00edtico claro. A tarefa priorit\u00e1ria \u00e9 aprender com a intifada de 5 de outubro de 1988, quando o confisco da soberania do movimento popular formou a base da forma atual da opress\u00e3o do poder. O sistema vive uma profunda crise com enfrentamentos internos, que tenta resolver enganando ao movimento popular e buscando imp\u00f4r uma transi\u00e7\u00e3o que salve o velho regime e instaure suas pr\u00e1ticas (corrup\u00e7\u00e3o, clientelismo, depreda\u00e7\u00e3o, etc). A democracia para as classes populares n\u00e3o \u00e9 a busca do consenso, esse estandarte de todos os que cortejaram ontem ao regime para ocupar uma cadeira no parlamento eleito. Ainda hoje, o consenso \u00e9 o grito de guerra de todas as classes dominantes. A exig\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias, ancoradas no \u00a0inconsciente coletivo, \u00e9 a base do sonho da fraternidade, o &#8220;somos todos irm\u00e3os!&#8221; da luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional. Para dar sentido a esse impulso de fraternidade que reivindica o lema &#8220;somos todos iguais!&#8221;, \u00e9 necess\u00e1rio acabar com a unanimidade de fachada que impede a implica\u00e7\u00e3o das for\u00e7as reais do movimento e trabalhar pelo reagrupamento das for\u00e7as populares.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O poder com tons de monarquia caiu e devemos lutar contra todas as tenta\u00e7\u00f5es desp\u00f3ticas, de onde quer que venham, reafirmando as reivindica\u00e7\u00f5es das classes populares e, em seu seio, das mulheres e jovens que est\u00e3o no centro da atual din\u00e2mica de mudan\u00e7a. Devemos trabalhar pela autonomia organizativa dessas for\u00e7as sociais, ou seja, dos trabalhadores, mulheres, jovens e desempregados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A consigna da greve geral, que foi levantada pelos sindicatos aut\u00f4nomos, d\u00e1 \u00e0s classes populares uma perspectiva para se organizar como uma for\u00e7a independente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os partidos de oposi\u00e7a\u00f5, que sempre estiveram integrados \u00e0 pol\u00edtica do governo, est\u00e3o tentando impor seu projeto neoliberal aos trabalhadores e classes populares. Os homens de neg\u00f3cios reconhecem as novas circunst\u00e2ncias e querem defender seus privil\u00e9gios unindo-se ao movimento. Esses empres\u00e1rios da importa\u00e7\u00e3o-importa\u00e7\u00e3o (1), que desperdi\u00e7am recursos nacionais e financiaram o terceiro e quarto mandatos com bilh\u00f5es e que se organizaram para financiar o quinto mandato [de Bouteflika], \u00a0agora preferem n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o. Devemos estar atentos. A cartada da amea\u00e7a externa, para impor a &#8220;grande irmandade&#8221;, \u00e9 uma cilada.\u00a0 A crise enfrenta entre si setores sociais e pol\u00edticas da sociedade argelina que t\u00eam interesses irreconcili\u00e1veis. Frente a essas manobras, os trabalhadores, desempregados e pobres devem afirmar seus pr\u00f3prios objetivos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pela auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os trabalhadores, mulheres, os jovens e jovens desempregados devem se organizar em assembleias de bairro, aldeias e cidades para discutir como abordar todos os aspectos da vida cotidiana independentemente do poder do Estado e dos profissionais da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Essa din\u00e2mica de autoorganiza\u00e7\u00e3o deve permitir questionar a ordem injusta e a camisa de for\u00e7a imposta \u00e0 sociedade e recuperar juntos o espa\u00e7o p\u00fablico. \u00c9 o \u00fanico caminho para a emancipa\u00e7\u00e3o social. \u00c9 o caminho mais longo, por\u00e9m seguro, para chegarmos \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o de cada um, por todos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Coordena\u00e7\u00e3o Nacional Provis\u00f3ria<\/div>\n<p>B\u00e9ja\u00efa, 8 de abril de 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta-Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica A\u00e7\u00e3o de Esquerda Popular (Argelia) Estamos ao lado das classes populares em seu desejo de decidir sobre seus pr\u00f3prios assuntos e de que n\u00e3o pode haver democracia verdadeira sem ter em conta suas aspira\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. 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